Pois é, existem tantas, tantas, tantas coisas sobre as quais podemos desperdiçar horas e horas falando, palavras e palavras entoando, discorrendo, discursando, discutindo, discordando... O mundo é tão imenso e cheio de coisas visíveis e invisíveis, sendo que nossa própria mente nos ilude de outras tantas quando produz infinitos frutos impossíveis.
Dentro, no inverificável, de tudo acontece. Fora, no sensivelmente constatável, parece tudo pronto, preparado, tudo simplesmente posto, que parece até imutável. Na interseção de fora-dentro, dentro-fora, a gente se dá conta do agora, desse agora, nosso agora, o momento, nosso tempo.
Meu Deus, é poder demais! A todo segundo eu sou capaz! Em minhas mãos, nos meus ideais, e somos jovens, somos fortes, comandantes da nossa própria sorte! Com a liberdade imparável de homem, de mulher! Eu vou longe se eu quiser e no destino eu faço um corte! QUEM AQUI, COMIGO PODE?!
Perae, perae... E quanto a ela, essa tal dona Morte? Ceifadora, findadora. Com ela ninguém brinca, pra ela não importa o quanto alguém é forte. É verdade, é indiscutível... Não vamos tão longe quanto queremos, porque, é claro, não demora nada e já estamos morrendo, tossindo, golfando, em nosso leito desfalecendo. Apodrecendo e fedendo, como todo e qualquer animal de carne, osso, impulso nervoso e etc. Na morte comum, casual, tão assustadoramente natural.
Ah, é poder de menos:
Se me tocarem, eu sentirei. Sei que estou vivo. Sou minha mente, meu corpo e desse pouco já não entendo quase nada. Se tocarem meus amigos, não perceberei. Porque fora de mim é onde toda a minha pequena consciência acaba, em curtos limites intransigíveis. Em todas essas extravagantes e caprichosas ondas que me são perceptíveis. Eu só sinto por mim, eu só penso por mim, eu só existo em mim, numa inegável solidão. Essa inevitável solidão existencial...
Eu, basicamente, acabo e sumo em mim.
Mas chega um ponto em que minha cabeça grita “BASTA!”. O meu ego se esvazia numa leveza indescritível. E uma tímida humildade me explica, num passo de cada vez, que eu não sei de nada, que nem o que eu sei que sei vale qualquer palavra. Que a vida, por si só, não é complicada. Que tudo não é nada. Diz até que o meu lugar está em tudo. E, no final, o que importa na nossa vida é apenas a relação social. Que é o outro, não o eu. Que o mundo é de todos, não é só meu.
Eu, basicamente, começo e fico nos outros.
Minha conclusão:
De nada vale tudo o que sou, se não há com quem compartilhar.
Eu só valho a pena pra mim, se com o mundo eu formo par.
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