Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E o Que é o Tempo Passando Afinal?

O que é tempo...?
Um segundo, duas horas, três anos, tantas vidas, sua memória...

domingo, 21 de dezembro de 2008

O Que Tenho

Certo. Então é isso.
Estou de férias de novo.

E todo aquele tempo que nunca perdi e que há tanto queria reclamar está de volta à minha disposição, justamente como sempre esteve. Foi-se o esquecimento cotidiano da minha autonomia, fruto das minhas assumidas obrigações e decorrentes preocupações. Tenho meu tempo integralmente meu novamente. Tenho-me integralmente meu novamente. E posso fazer de mim o que bem entender dentro dos limites do que eu puder. Sem remorsos por esta liberdade momentânea, sem inconvenientes horários pra cumprir comendo meu dia, sem pulga atrás da minha orelha de cachorro vadio. Vadio como todo e qualquer animal não adestrado, desencumbido, livre. Bela e naturalmente vadio. [não simpatizo com os cães-de-guarda, os cães-de-caça... prefiro os humildes vira-latas que vagueam em paz.]

O que se faz com essa consciência clara de momento atual?

Dar-me conta da potencialidade do agora sempre gera um susto, uma inquietude súbita. Quando não há ninguém por perto dando um palpite, mesmo que subentendida e condicionadamente, sobre o rumo que tudo deve tomar. Pois, sabe, a vida é toda nossa, por uma questão natural irrefutável e incontrariável, e, mesmo assim, acaba não sendo, de certa forma. Por motivos de influência, de pressão, de reflexo, de assimilação, de reprodução, de vício, de submissão, de ignorância, de ilusão e tantas, tantas, tantas outras significações e abstrações que as palavras podem e não podem abarcar em suas balisas... Perceber o poder inerente à condição de ser humano atento, mesmo que minimamente, é chocante. E idiota. Tanto quanto é sábio... E inútil. Porque, afinal, tudo que nós sabemos não passa de uma bagunça tendenciosa e pretenciosa. O que me leva a dizer uma coisa dessas? Bem, por acreditar que: na verdade, ninguém sabe nada.

A certeza é pretensão de quem diz possuí-la. E, se for o caso de mencionar agora [por lembrar daquela tal palavra, a "onisciência"], quanto a deus: ninguém o sabe também. Fé não é saber.

Sabe a única coisa que real e simplesmente fazemos? Só concordamos ou discordamos. Aceitamos ou rejeitamos. Porque nada do que há disposto aqui é cabalmente verificável e/ou compreensível. Somos recipientes, depósitos, repertórios de conceituações... O mundo são as informações que nós recebemos, recebemos e recebemos, sem parar de receber. Pois raramente produzimos, desenvolvemos, criamos informações. Pois raramente produzimos o mundo. [geralmente produzimos uns envólucros, umas cascas ocas de mundo. Um punhado de vazio. Ausências de sentimento. Mercadoria em série, repetitiva, cópia de cópia de cópia...]

Predominantemente passivos como ovelhas no pasto...
[Pior: As ovelhinhas que vão pro matadouro levadas por algum pastor.]

Tudo o que podemos afirmar, quando nós alcançamos algum nível de dicernimento coerente, é: "Sou um ignorante." Porque todos os juízos são projeções da presunção de alguém... Inclusive este aqui que ofereço, tolo que é... Nós só podemos falar por nós, pois somos a única coisa que realmente entendemos de algum modo. Nos entendemos como consciência, tudo o que somos, apenas somando-se algumas capacidades físicas e só. Ponto final. Não podemos sair falando da composição, das origens, das finalidades das coisas, pois não as sabemos. Não podemos ficar falando de espíritos, almas, maldições, folclores, misticismos, mundos mágicos inalcansáveis, personalidades fantásticas, paraíso ou deus, se não somos nada disso. O máximo que podemos é: dar nomes e meramente PROCURAR os modos sistematizados de apreender, compreender e explicar o mundo. E muitas vezes remoemos as concepções alheias de mundo, informações que recebemos.

Tudo é pura assimilação. Tudo é o fruto da relação pessoa-mundo. Tudo é personalíssimo. O personalíssimo é o mundo... Toda pessoa é tão ignorante quanto qualquer outra. Mas existem as humildes o suficiente pra admitir e as iludidas demais pra compreender.

Fora as divagações inúteis, aqui estou eu novamente. Acordado. Ligado no meu tempo, no meu espaço. Fazendo um pouco do meu nada, que é o tudo que tenho:

eu.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lembrando:

Sem viver de verdade,
de mentira vai morrendo.

.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

E Vamos Tocando Em Frente

(Mailson, Eu e Daniel)


Pessoas são tudo, tudo são pessoas.

A primeira banda de que gostei na vida, de ir pegar o cd e colocar pra rodar por conta própria, foi Silverchair, o album "Frogstomp" quando eu tinha lá os meus 11 anos de idade. Sendo que nessa época eu já escutava bastante coisa e já curtia música, mas eram audições por tabela. Meu irmão escutava Engenheiros do Hawaii, Nirvana, Guns 'N Roses, Silverchair e outras banda de rock, hard rock e grunge; minha irmã curtia bandas nacionais de rock e pop como Legião Urbana, Titãs, Paralamas, Kid Abelha, fora algumas internacionais como Aerosmith, Rolling Stones e umas outras que não lembro agora; meus pais sempre tiveram um gosto divergente musicalmente, de um lado, meu pai, que escutava bolero e MPB do Chico Buarque, Elis Regina, Bossa do Tom Jobim e coisas assim e, de outro lado, minha mãe que curtia umas nordestinidades como Elba e Zé Ramalho, Alceu Valença e as demais ondas de músicas populares da época dela como Roberto Carlos. Mas meus pais sempre concordaram em Beatles. Espalhadas pela casa ainda tinham outras tantas coisas feito Cássia, Cazuza, Tim Maia, Raul, Belchior, Milton, Caetano, Fagner, Maria Bethânia, Marina Lima, umas coleções em vinil e tal.

Uma bagunça muito proveitosa que eu só comecei a entender e me interessar um tempo desses.

Fui criando minhas amizades, ampliando meus horizontes, diversificando e construindo minha personalidade e, por conseguinte, meu gosto musical também. Gostei de um monte de porcarias que me "envergonham" hoje (haha!), mas também acabei encontrando coisas lá no início que acho o máximo até hoje. Acabou que meu gosto ficou submerso principalmente em certas vertentes do rock e mais recentemente venho me aprofundando em música brasileira. Estão entre as minhas grandes preferências atuais o respeitoso rock clássico do Pink Floyd na íntegra, os berros e barulhos coordenados do Nine Inch Nails com sua personalidade e versatilidade tão própria, o Radiohead, que demorou pra eu aceitar dizer ser um favorito, mas que acabou me convencendo da habilidade e criatividade do grupo, Chico Buarque (principalmente no período mais politicamente ativo que ele lançou "Construção") com a sua admirável capacidade métrico-poética-musical... Na verdade, meu gosto tem alguma variedade (todo otário que quer parecer conhecer alguma coisa de música fala essas coisas: Ah, eu curto de tudo e blá blá. Mas e se for verdade...?). Artistas internacionais e alguns seletos artistas nacionais, mas esses aí andaram meio que monopolizando minha atenção de uns tempos pra cá e ainda assim venho me empolgando com muita coisa nova de uma só vez ultimamente...

Evito aquelas discriminações bitoladas de rato de vinil, roqueiro sem visão e sem nada na cabeça.

Tenho vontade de produzir um pouco disso. De música (e não só pura música). Toda aquela tola empolgação juvenil de ser um rock star já passou. Mas ainda tenho um gosto por simplesmente estar tocando com os amigos e construindo alguma coisa conjuntamente pessoal, então, ainda existem vários planos. E apesar da minha constante autocrítica de anaptidão, tenho dado alguma engatinhada nesse âmbito. Essa foto é registro de um dos ensaios à três que Mailson, Daniel e eu estamos querendo retomar e fazer valer, dar resultado... Tocamos juntos algumas vezes e sempre mencionamos fazer algo juntos, mas nunca fomos realmente à diante. Resumidamente: chegou a hora que nos tocamos que é preciso tomar uma atitude. "Uma atitude cruel...", haha.

A minha idéia agora é só construir e todo o resto será pura conseqüência...

Aproveitando, eis aqui umas brincadeiras Fruity Lúpiticas¹ minhas: www.myspace.com/residuocerebral


¹Fruity Loops é um programa de computador, um estúdio digital que comecei a mecher em 2007. Montei descompromissadamente uns barulhinhos escrotos e joguei nessa página do myspace no ano passado. Agora estou voltando a brincar com ele e vendo se agora isso serve de apoio pros encontros com o pessoal.


.

sábado, 29 de novembro de 2008

Gente Que Existe e Gente Cabide

Odorizas o mundo com teu caráter
que, feito fumaça leve de cigarro, é liberto fácil da boca.
O fumo que dispersa, mas que incorpora ao ar que todos respiramos.

Inspiramos todos o tempo todo,
Todo o tempo todos inspiramos.

Pr'além de esmeradas palavras,
meio ao ciciar do dia-a-dia instituído
e da omissão dos objetos ao teu redor,
vai-se desvanecendo tua vida
em grãos caídos pelos chãos.

As sementes.

Vão teus atos constantes,
imprimindo marcas por aí,
as referências do que fostes,
lembranças, são resquícios de ti.

Um sujo rastro viscoso,
talvez um gostoso perfume.

Quando não és um tolo cabide à toa
que só propagandea a estampa das camisas que te atiram.
Um simples utensílio de outras pessoas, descartável como tantas
tu és um reflexo, ou o mero eco das que algo cantam.

Um soldado.

Se não pensas, não crias: não existes em âmbito não material.
Só repassas, descreves, citas, carregas, indicas isto aqui e aquele tal...
Tudo já existia antes de ti e agora utilizas-te de tudo feito penduricalho.
Somente tentas deles roubar o valor inexistente em ti, oh, boneco oco do caralho...

Mas na gentileza esperançosa de que mudes,
digo que és apenas uma inconsciente criança.

Que ainda vai aprender...

.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Flor e a Náusea

(Carlos Drummond de Andrade)

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
E soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Pior Analfabeto: O Analfabeto Político

(Bertold Brecht)
O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista, pilantra,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um Instante de Desgosto Juvenil...?

Já ao anoitecer,

no quintal de seus pais, pensava sobre atinências da liberdade
e quais seriam as consequências de largar de mão todas as suas obrigações.
Tão jovem, sem onde cair morto e humildemente arrogando-se imaturidade.

As situações constrangedoras aflorando da imaginação
e a consciência de que a dor imaginável é incomparável a dor vivenciada.
A vergonha advinda da idéia do julgamento alheio ainda possuir peso em sua vida
e, muito mais controlador que isso, o medo de perder o pouco que possui, ou melhor:
o pouco a que tem algum acesso, por tabela, dado o histórico familiar.

Cada situação gera determinada concepção
Ser homem, ser parte de uma família, ser filho do meio, ser jovem, ser estudante,
ser sustentado, ser da classe que se é, ser da vizinhança que se é,
ser física e mentalmente como se é, viver o cotidiano que se vive e etc...
Tudo que vivemos molda o que somos e gera o modo particular de entender as coisas.

Ele é assim. Ou pode-se dizer que está.
Portanto, vê tudo como vê...

Nada é plenamente nítido
exatamente como se dá o mundo para todos nós,
os um tanto ignorantes um tanto esclarecidos.
Por detrás dos óculos maltratadíssimos,
os olhos falhos fitaram a exterioridade das coisas
sob a vontade de, de algum modo, captar-lhes a essência.

No ar, trememovia-se um pequeno ponto preto.
Se fosse um inseto, o rapaz, talvez fosse lamentavelmente surpreendido
com a aderência dos fios primorosamente tecidos por tal ponto.
Por não aperceber-se da rede logo de longe envolveria-se até a imobilidade.
Provavelmente, lhe restaria apenas o presumível fim como alimento de aranha.

Que a morte vem sabemos todos - Pensou.
O evitável mesmo seria unicamente o modo?

Seguindo o devaneio veio a associação com a memória e, ali, enquanto admirava,
o mundo que percebera naquela tarde casou-se à imagem e a contida inquietude:
Vivemos num perigo similar ao que esta rede gera aos insetos miúdos,
pois corremos risco de sermos presos nas decorrências do socialmente colocado...

Um jovem estudante pode chegar a que grandes conclusões quando,
em troca de um simplório passeio literário,
mata um dia de aula dentro do ônibus que o levaria à faculdade?

De leitura em mãos, de espírito propício,
dá-se o entusiasmo íntimo dentro do coletivo
e, partindo da relação entre leitor e leitura, surgem percepções.

A beleza do entardecer daquele dia,
o vermelho-alaranjado misturado com manchas róseas
no decorrer das nuvens espumosamente dispersas pelo horizonte
e os celestiais feixes de luz que denunciavam a posição do sol por detrás destas;
os espelhos de vários andares que refletiam o céu e as cores do mundo todas arranjadas
no gentil arco-íris que a chuva rápida mencionou sobre toda a cidade
tão precária, cinzenta, suja e repleta de descaso consigo mesma.

Sim, surgiram estas percepções:
Muito mais sobre a carne em meio ao ferro e o concreto citadinos,
acentuando interiormente, pensou na pobreza à margem, em meio e em si dali.
Pelas ruas só via pessoas sedentas...

A ternura impaciente de aflição ao lidar com as necessidades alheias,
A vontade de vazar os próprios olhos decorrente da sensação de impotência
diante de uma verdade tão verdadeira, tão presente, tão amarga e sofrida:

O mercado beirando o rio;
igualitariamente, homens e vira-latas fuçando,
empapados do chorume dos sacos de lixo,
as moscas todas chupando-lhes as feridas e as inflamações,
enquanto continuavam ferindo-se nos cacos e nas latas meio a degradação
- pois quem não faz por si está condenado neste mundo -
e ferindo o coração de qualquer ser humano que vê.

Lembrou da vez que viu a moça cobradora,
o barrigão de grávida lá com seus seis ou sete meses de espera,
de pé à porta do transporte alternativo
propagandeando os rumos que a tão necessária importância
de um real e cinquenta centavos poderia levar o cidadão.
E eram mais de onze horas da noite, no instante referido.

Veio também à memória um velhinho enrugado e franzino
que, também naquela ocasião, trabalhava por ali.
Vendendo flores de papel. E Como pode algo assim?
Quem vende flores de papel às onze da noite?

A garganta engoliu em seco e no peito doeu mais forte a visão,
pois lembrou também que as pessoas não são poucas.

A condolência, a indignação, a falta de palavras e atos
e, como efeito, nada mais que a simples continuidade disso tudo.
O seguir das obrigações cotidianas como o continuar do funcionamento do ônibus,
do motor roncando, seguindo adiante e adiante e adiante, sem parar,
completamente indiferente aos pensamentos do rapaz...

Lacrimejante.

Então:
"O mundo é este. Não o devia ser" - Conclui,
sentindo como nunca a profundidade desta conclusão.

O que representa seu aprimoramente técnico-acadêmico diante do mundo?
O que representa sua sensação de tolhimento diante das dores todas do mundo?
E, como diria seu professor de Teoria Geral do Estado,
quanto ao "absurdo transcendental" teórico que sustenta esse modo de existir?
A Constituição, a Globalização, qual a finalidade de todo o organismo social?
E o valor atribuído às coisas, aos objetos, ao meros utensílios materiais em
relação ao desvalor dado às pessoas, aos sentimentos, à humanidade?

Muitas pessoas simplesmente não têm consciência das implicações de seus próprios atos.

A exploração no trabalho duro e diário.
São tantas questões, tantos pontos importantes,
ninguém parece dar o mínima de atenção pra nada disso,
todos ocupados demais com sua própria vida,
suas próprias vontadas...?

Há tanta indignidade no mundo!
Tudo tão ligado, correlacionado, interdependente!

Como o açoite estalando no burro de carga,
a ração econômica distribuída no criadouro,
a carroagem que o mundo todo puxa lentamente
e a mão de ferro dos passageiros nela acomodados.

Sim, tudo se dá do jeito que se dá:
O mecanismo do emburrecimento,
a pregação fervorosa do comodismo,
a implantação dos complexos de culpa,
o culto diário ao deus dinheiro,
o condicionamento da vida aos fins materiais,
a cultura do consumismo e das vaidades,
os processos de geração de ingenuidade,
a alimentação dos entretenimentos,
a arte socialmete descompromissada,
os canais de televisão vazios de pensamento crítico
e que transbordam exibicionismo, ostentação e propaganda,
o Ensino nos fundamentos da concepção mercadológica da educação,
a zombaria com as incorporações ativas da indignação nas pessoas,
a mal utilização do termo "utopia",
toda a decorrente descrença de dias melhores,
a transformação da vida humana em dados estatísticos,
a imensa inconsciência dos grilhões da realidade, a cadeia das horas e dos horários,
a injustificada omissão dos que vêem e entendem, a quase inexistência de quem entenda,
a ilusão dos que só vêem,
a supericialidade dos jovens de hoje,
o diário fomentar do egoísmo,
a degradação da formação familiar,
a desilusão com os fracassos e quase-sucessos do passado,
as sem-sentidolices adotadas para preencher o vazio,
o fatalismo das personalidades,
o desamor,
o desagrado,
o fácil acesso à drogas e álcool,
o trabalho exaustivo,
o assassinamento dos sonhos,
o assassinato dos sonhadores de alguma iniciativa,
o perpetuar da tradição de pura reprodução, a invés da criação,
a militância ignorante e descerebrada, bêbada e carnavalesca!
O equívoco da democracia representativa,
a mania de submissão do povo à idolatria,
a incompreensão que resulta do pré-conceito,
E cada outra ingrenagem integrante do mundo porcaria no qual vivemos são:

Produto do próprio homem,
sujeito a modificações efetivadas pelo próprio homem
e de exclusiva responsabilidade do próprio homem.

A prisão social consiste no esteriótipo de zé-alguém implicitado pelo do zé-ninguém exposto às crianças desde cedo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Soneto

(Violante do Céu)

Quien dice que la ausencia es homicida
No sabe conocer rigor tan fuerte,
Que si la dura ausencia diera muerte,
No me matara a mi la propria vida.

Mas ay que de tu ojos dividida,
La vida me atormenta de tal suerte,
Que muriendo sentida de no verte,
Sin verto vivo, por morir sentida.

Pero si de la suerte la mudanza
Es fuerte, me asegure la evidencia,
Que tanto me dilata una tardanza:

No quede el sentimiento em contigencia
Que el milagro mayor de la esperanza
Es no rendir la vida a tal ausencia

.

sábado, 1 de novembro de 2008

Eu Tô Sempre Dopado!

Oferecendo para a grande parcela de pessoas do mundo que vive inconscientemente assim. Dopada:

Eu Tô Sempre Dopado

"No meio da rua/Fazendo música/Indo pro trabalho/Com a tv ligada

No meio dos carros/Dentro do sistema/ Cheirando fumaça/Mesmo careta

De janeiro à dezembro/Eu não sinto nada/Você não entende/Eu sou uma máquina."

.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sábado, no quarto.

Eu não vou filosofar. Essa coisa de ficar procurando entender e produzir teias teóricas vira um saco em determinado momento. É um ótimo passa-tempo, mas aí o tempo passa e o que há de ótimo nisso? A graça está na ação. O prazer está na ação. E se o prazer for a finalidade, divirta-se. Se o prazer for consequência, o que eu posso dizer? Aproveite também... Eu aproveitaria. Mas eu quero falar de esquecimento:

Eu já esqueci.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

...?

Oh, no, no, no, you’re a rock ‘n’ roll suicide…

.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

The Rise And Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars

David Bowie


Five Years
Soul Love
Moonage Daydream
Starman
It Ain't Easy
Lady Stardust
Star
Hang Onto Yourself
Ziggy Stardust
Suffragette City
Rock 'n' Roll Suicide

.

sábado, 20 de setembro de 2008

É impressionante

Eu detesto o que eu faço logo após terminar de fazê-lo...
Muito proposta auto escarnecida de Rock Industrial.

É tudo uma merda.

De Quarta à Sábado

Só ir à aula todo dia, estudar e tirar boas médias em provas de faculdade não compreende a idéia de vida que tenho na cabeça [óbvio que essa condição não é definitiva e que, fora o cotidiano estabelecido, consistimos num infinito de detalhes muito além], não é um prazer em vários pontos. Claro que isso nunca serviria nem de longe como defensiva quando o assunto fosse das minhas faltas, perda de tempo ou usuais notas baixas. Como ainda não exerço nenhuma prática no âmbito dos meus estudos e nem vejo nenhum retorno material da vida que levo, costumo sentir-me desinteressado e entediado (se bem que, de vez em quando, tenho impressão que ainda que fosse diferente minha situação, eu seria igualmente insatisfeito). Chame-me de materialista ou imediatista se quiser. Ma se as pessoas constroem a sua vida toda de sacrifícios diários, abdicando do que gostam e fazendo o que não gostam por dinheiro [e não tem nada a ver com o sustento básico. Estou falando dos privilégios, da busca constante por maiores confortos, de extravagância, a maldita vaidade, saca?], não me sentiria nunca um bicho solitário, as pessoas são materialistas [e geralmente de um materialismo burro, fútil, irritante... e mesmo assim a questão nem é material comigo]. Quanto a ser imediatista: paciência tem limites pra que não se torne conformismo ou outra cabeça-durice qualquer.

É tudo uma questão de perspectiva, circunstância, compreensão.

Quando sento pra escutar fragmentos de canções, ver desenhos ou textos que produzi sinto-me mais vivo do que quando alguém reconhece ou me congratula por alguma atividade cotidiana que realizo. Não que eu seja realmente bom nessas coisas (tocar, desenhar e escrever), mas gosto de ver algum fruto meu e gosto de compartilhá-lo quando o acho legal, quando considero válido. E compartilhar os frutos do nosso esforço nos faz mais próximos uns dos outros, por ser outra forma de comunicação, de relacionamento. É muito importante, faz-nos sentir existentes num aspecto social, coletivo, interpessoal. E não é à toa que nos dias de hoje, dadas as circunstâncias nas quais somos obrigados a viver, que as pessoas são tão distantes nesse sentido, de compartilhamento, de interação. Ora, o esforço mais pregado nesse mundo é o da busca por dinheiro. Coisa que não adiciona nada de coletivo em ninguém, mas, pelo contrário, só fomenta individualismo.

O culto ao dinheiro está ininterruptamente atraindo novos adeptos [na verdade, somos imersos no mundo dele. Dia após dia ele se reafirma como sendo o único, inevitável e insubstituível caminho a ser percorrido pelas pessoas. De fato, ele construiu toda uma cultura aos seus pés, desenvolveu a vida humana segundo o manual, segundo a ordem, segundo a Palavra do Dinheiro]. Através de várias ilusões e fantasias que são alimentadas em torno dele, todo esse fetiche que ele possui. A satisfação, a felicidade, a autonomia, a liberdade que ele promete. O respeito, a superioridade, o poder e o domínio que ele simula. Toda essa imaterialidade com a qual ele mascara sua atuação única e exclusivamente material.

Vivemos no mundo concreto. Onde é necessário alimentar-se e obter descanso, no intuito de mantermos nossas funcionalidades biológicas. Isso demanda acesso a digno alimento e boas condições de descanso. Então, tratam-se de condições materiais, necessidades indispensáveis pro bom funcionamento de nosso organismo. O humano físico. Mas, fora isso, existimos em outros aspectos, tão importantes pra uma vivência agradável quanto o que é demandado de concreto pelo nosso corpo.

A Psicologia divide o ser humano esquematicamente como um ser constituído pela relação existente entre os âmbitos: Físico (correspondente a tudo que nos compõe materialmente, ao que nosso corpo demanda e produz), Mental (abarcando o que nos constitui emocional e intelectualmente, esse nosso lado imaterial de sentimentos, de idéias, entendimento e etc) e Social (cujo objeto é a interação do indivíduo com seu meio social, o grupo com o qual o indivíduo interage, do qual faz parte, do qual é derivado sócio-culturalmente). Sendo que quando estamos com algum problema num desses pilares que nos sustenta, todo o nosso ser está comprometido, em risco de crise, adoecimento e, até, morte.

Uma palavra que diz muito do mundo humano é “relação”. Somos essencialmente o resultado de nosso relacionamento com o mundo. Relacionamento com as coisas, com as pessoas, com as idéias, sentimentos. Somos relacionamentos materiais e imateriais, individuais e coletivos [Mas a falta de um desenvolvimento integral do ser humano atualmente, costumamos ter atrofiados outros tipos de relacionamentos que não sejam com as coisas e com o aspecto individual que nos constitui. As pessoas, as idéias, os sentimentos, o imaterial e o coletivo não são minimamente mencionados se comparados com o material, as coisas e o aspecto individual...].

A vida que é imposta a grande maioria de nós – especialmente os citadinos - não atende a todas as nossas necessidades. E nós mesmos, quando conversamos à respeito, geralmente nos mostramos conformadamente cientes disto tudo. Do muito esforço, do pouco descanso, da metronomia do relógio nos marcando os passos, da insatisfação crescente, da falta de calor nessas relações mundo afora, do medo de cair dessa corda-bamba na qual caminhamos, nos empurrando por necessidade de autopreservação.

E o que se pode fazer? Qual a solução [pro sofrimento]? Se é que existe alguma. Sendo que muitas vezes não sabemos nem dizer contra o que lutamos cotidianamente [e outras vezes nem sabemos que existe uma luta]. Outras vezes enxergamos o inimigo errado, os motivos errados... É importantíssima a ciência de que, na realidade, somos muito tolos, somos muito ignorantes, sem eufemismos: Somos burros mesmo. Burros, burros, burros. Intelectualmente, emocionalmente, interpessoalmente... Mas não por opção, claro. Ninguém pensa: “Cara, ser burro é tão legal. Eu também quero ser outra pessoa idiota, vazia e descartável!”. É puramente uma questão de condição a qual estamos submetidos arbitrariamente. Ser uma pessoa de capacidades desenvolvidas exige condições demais. O ser humano nunca pára de crescer [só quando acha que não cresce mais, que já é o maior que se pode ser, que alcançou o limite. Quando ele cai na cegueira do se achismo, na estupidez da arrogância e se condena a ser medíocre pelo orgulho]. Pessoas esclarecidas são raras. É uma aqui e outra acolá. A grande maioria é lixo orgânico vivo [eu sou lixo orgânico vivo], mas por questão de fatores históricos. Acontecimentos subseqüentes que desembocaram no que tudo é hoje. Essa falta toda que é. De alimento, de sentimento e entendimento.

A culpa não é de um dono só. O mundo não é de um único alguém. Muito menos de um pequeno conjunto... E minha circunstância mediocrezinha não é somente minha. Pois quando se é parte integrante de um todo, para o próprio todo, toda parte significa tudo... [deveria significar, pelo menos]

(Eu deveria parar de misturar tudo e falar de uma coisa de cada vez quando eu quiser falar... A bagunça que eu faço estraga tudo que é aproveitável)


.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Caráter

"Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui.
O verdadeiro valor de um homem é o seu caráter, suas idéias e a nobreza de seus ideais...!"

(Charlin Chaplin)

.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Elegia 1938


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século, a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

(Carlos Drummond de Andrade)

.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Hoje,

Justo como ontem:

É frustante sentar pra escrever e sentir que não há o que dizer. [vazio] Ou melhor, perceber que tornou-se um bobo repeteco abrir a boca pra falar de si, de sua vida e... [cansado] Isso é sinal de quê? [perdido] Não ver o movimento, se dar conta e... [estupidez] Que disperdício. Quanto disperdício... [niilismo] Dessas palavras. [utilitarismo] Perda de tempo com pensamentos. [materialismo] Desfocado. ["foco, foco, foco..."] Eu falaria de...? [egoísmo] Eu viveria de...? [blá]

Todo dia. O dia todo. Eu morro.
E todo profano dia eu acordo pra morrer de novo.

.

domingo, 17 de agosto de 2008

...?

Margens, sem rio.
As margens de possibilidades.
Quem, posto à margem da realidade,
Deu margem aos danos de um ébrio acaso

Túnel de ar, corredeira de tempo.
Desempoeirando os olhos de quem
desesquecendo reconhece
Os efeitos de caminhar contra o vento.

.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.




(Vinícius de Moraes)


.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Dar Fim?

Ainda agora eu estava copiando os posts desse blog e jogando num documento de Word. Colocando data, hora e em seguida colando o que eu disse no dia em questão. Eu ia apagar o blog. Se for pra parar um momento e pensar num por que, logo me dou conta que eu desisto muito fácil das coisas. Tem coisas que não me agradam, mas acontecem. Tem coisas que eu fiz, que me arrependo. E em algumas situações, ainda falando do blog, não é possível desfazer pois a tal coisa está incorporada a algo que eu não domino, algo fora do meu controle. Se for transferir essa perspectiva de pensamento pra vida, o que eu não domino seria algo como a memória do tempo, a história do que acontece, o que passou.

Em decorrência dessa minha falta de poder veio a vontade de apagar o blog. Sendo que nem é a primeira vez que isso me dá.

Mas por que eu estou copiando tudo que eu já disponibilizei nele e guardando no documento, então? Ora, a idéia não seria simplesmente acabar com ele, fazê-lo desaparecer e pronto? Bem, eu não quero simplesmente perdê-lo pra sempre. Tem muitas coisas que não me agradam em toda parte dele, eu sei, só que há também muita coisa importante pra mim, coisas que foram construídas devagar, que começaram sem premeditação e sem uma real noção de rumo. Costumava ser apenas um exercício de algo que gosto, uma prática, um passatempo, uma distração, um espaço onde eu podia me escutar, me ver pensar e, assim, poder criticar em mim tudo o que eu não gosto de ver brotar. E por mais que eu, hoje, julgue pobre a totalidade de tudo isso aqui, eu sei que me engano. O meu temperamento muda e eu sei que com ele muda também o modo como encaro as coisas. Eu sei que não é riqueza pura. Mas não é lixo.

E por várias vezes eu considerei de suma importância um trabalho de mudança. Um trabalho de diálogo, consigo mesmo ou com os outros, a chave pra compreensão do que se é e do que se pode ser. Proferir, comunicar, compreender, conversar, tudo importantíssimo. Eu sei que não há plenitude em nada da palavra, eu compreendo que inexiste a comunicação real, que é um ideal abstrato e absurdo, eu sei, eu acho, no entanto, as pessoas tem que aprender a lidar com a vida apartir do que possuem, apartir de suas capacidades, apartir dessas ferramentas disponíveis, que por mais rudimentares que sejam, servem muito bem à quem muito bem souber utilizá-las. O falar, o interpretar, o aprender são imensidão e profundeza indizíveis, são sim, mas é preciso criar a habilidade de lidar com esses mares mentais para que se evite o próprio afogamento. Ninguém pode se cerrar em desistência e julgar-se ápito, digno, praticante ou dono de alguma sabedoria. É preciso o propósito, o intuito, a razão, o motivo, o fundamento, o objetivo, o fim que serve de guia para todos os pensamentos e todos os esforços, promovendo a utilidade de todo o maquinário que nos é disposto...

Eu tenho muitos momentos de desertor. Isso não é motivo de orgulho, e a minha ciência à respeito disso tampouco, se eu não estiver fazendo nada a favor de uma transformação, uma reversão desses instantes antes que eles consolidem-se em algum novo arrependimento.

Mas a minha vontade de apagar não passa. Não o apagar definitivo, de esquecer por completo, de modo algum. Apagar da vista de quem conhece isso tudo que me desagrada (pensar isso sinceramente me incomoda, porque é de uma vaidade e de um orgulho tamanhos... Que eu me sinto sujo. E eu queria só me livrar destes defeitos. Eu condeno a arrogância, o esnobismo, a cegueira, a mentira, a enganação, a trapaça, a descortesia e etc... E não quero deixar de condenar em mim cada uma dessas desvirtudes. E trabalho pra expulsar de mim até que me sinta limpo.)... Deixar existir é permitir ser estigmatizado? Não. O estigma não está em nós, não vem conosco, fica lá no tempo passado.

Mesmo sendo a pessoa o alvo da pena, o que lhe é condenável é a sua conduta, não é a pessoa propriamente dito, pois ela continua possuindo sua capacidade de mudança, seu direito de se redimir, sua dignidade humana e etc. Aqui, no blog, existem uns posts ruins. Como marcas no tempo...

Estou devagar, divagando, devaneando, vagabundeando por idéias e tentando exprimir simultaneamente. Até aqui não gostei da maior parte do produto. Mas ainda vou aprender a colocar melhor o meu pensamento, com fluidez e expressão. Apartir desses exercícios (eu espero)...

Sinto que evoluí em clareza de alguma coisa, de alguma forma, só por este simples momento de reflexão. É como estar empunhando uma vela e ir caminhando no escuro da própria cabeça, conhecendo aposentos de uma casa sem iluminação, clareando e entendendo as formas de ambientes que se vai visitando, descobrindo caminhos e passagens em si mesmo.

"Passeio no escuro,
me clareando..."

[...]

O melhor talvez seja procurar recobrar a dignidade do que eu tenho. Parece que se perdeu, mas eu compreendo que não. Rumar pro que eu considero melhor, recriar, ajustar o que não condiz com o que eu quero me parece mais coerente, menos dramático e tolo. Deve ser mais por aí do que guardar num documento de Word e apagar o blog por orgulho, vaidade. Deve ser mais por aí do que guardar na memória e apagar o que há por orgulho, vaidade. Não que a luta contra o próprio orgulho e vaidade sejam o fim em si, porque querer ser virtuoso pode ser por pura vaidade também. Há um propósito essencial que norteia, sendo isso íntimo demais (pra minha limitadíssima capacidade de comunicação exprimir).

Eu ainda gosto daqui

...?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Pausa Imensa e Sem Propósito

A vontade de, pela ausência,
fazer-se presente.

...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Construção

Chico Buarque
Deus Lhe Pague
Cotidiano
Desalento
Construção
Cordão
Olha Maria
Samba de Orly
Valsinha
Minha História (Gesubambino)
Acalanto

.

Valer

Pois é, existem tantas, tantas, tantas coisas sobre as quais podemos desperdiçar horas e horas falando, palavras e palavras entoando, discorrendo, discursando, discutindo, discordando... O mundo é tão imenso e cheio de coisas visíveis e invisíveis, sendo que nossa própria mente nos ilude de outras tantas quando produz infinitos frutos impossíveis.

Dentro, no inverificável, de tudo acontece. Fora, no sensivelmente constatável, parece tudo pronto, preparado, tudo simplesmente posto, que parece até imutável. Na interseção de fora-dentro, dentro-fora, a gente se dá conta do agora, desse agora, nosso agora, o momento, nosso tempo.

Meu Deus, é poder demais! A todo segundo eu sou capaz! Em minhas mãos, nos meus ideais, e somos jovens, somos fortes, comandantes da nossa própria sorte! Com a liberdade imparável de homem, de mulher! Eu vou longe se eu quiser e no destino eu faço um corte! QUEM AQUI, COMIGO PODE?!

Perae, perae... E quanto a ela, essa tal dona Morte? Ceifadora, findadora. Com ela ninguém brinca, pra ela não importa o quanto alguém é forte. É verdade, é indiscutível... Não vamos tão longe quanto queremos, porque, é claro, não demora nada e já estamos morrendo, tossindo, golfando, em nosso leito desfalecendo. Apodrecendo e fedendo, como todo e qualquer animal de carne, osso, impulso nervoso e etc. Na morte comum, casual, tão assustadoramente natural.

Ah, é poder de menos:

Se me tocarem, eu sentirei. Sei que estou vivo. Sou minha mente, meu corpo e desse pouco já não entendo quase nada. Se tocarem meus amigos, não perceberei. Porque fora de mim é onde toda a minha pequena consciência acaba, em curtos limites intransigíveis. Em todas essas extravagantes e caprichosas ondas que me são perceptíveis. Eu só sinto por mim, eu só penso por mim, eu só existo em mim, numa inegável solidão. Essa inevitável solidão existencial...

Eu, basicamente, acabo e sumo em mim.

Mas chega um ponto em que minha cabeça grita “BASTA!”. O meu ego se esvazia numa leveza indescritível. E uma tímida humildade me explica, num passo de cada vez, que eu não sei de nada, que nem o que eu sei que sei vale qualquer palavra. Que a vida, por si só, não é complicada. Que tudo não é nada. Diz até que o meu lugar está em tudo. E, no final, o que importa na nossa vida é apenas a relação social. Que é o outro, não o eu. Que o mundo é de todos, não é só meu.

Eu, basicamente, começo e fico nos outros.


Minha conclusão:

De nada vale tudo o que sou, se não há com quem compartilhar.
Eu só valho a pena pra mim, se com o mundo eu formo par.


.

domingo, 4 de maio de 2008

Dando Uma Geral

Essa colcha de retalhos. Minha estrutura ideológica... E a geral não é só nela. É uma dessas gerais que a gente dá quase de mês em mês em vários aspectos da vida simultaneamente. Quando a gente acha que tem alguma coisa errada que precisa ser mudada... e que, com freqüência, precisa daquela "ajeitada definitiva".

.

sábado, 3 de maio de 2008

É impossível explicar sensações, transmitir a idéia pura... Mas:

Sabe aqueles momentos nos quais você se dá conta de estar vivo? Quando, de repente, se torna algo impressionante olhar a própria mão e o tempo simplesmente parece sumir enquanto você analisa cada tracinho mínimo dela, absorto na experiência de rever tudo o que já conhece, tão surpreendido com a propriedade elástica da pele, a disposição de seus relevos, seus desenhos papilares e também com as veias que aparecem por detrás de algumas camadas de você ou um tanto saltadas sob a pele...

Nossa, e o controle...!? Você pensa, ela faz. Sendo que você nem sente o pensamento, não percebe nada do processo mental promovido pelo maquinário cerebral, mas ela simplesmente faz... Os dedos, articulados, se movendo...

E as cores e a perspectiva, a percepção visual, essa sensibilidade que lhe permite compreender sua mão próxima de seu rosto ou o sentir combinado e único dos próprios dedos na palma dela?! É tudo tão indiscritivelmente fantástico mesmo sendo real.

E você pensa: "Eu to vivo... Eu existo..."

Aí, ao notar as coisas ao seu redor e pensar nas outras tantas que compõe a sua vida, sensações, conceituações, nomes, pessoas, outras vidas, vida em si, as relações entre tudo isso e todo o resto, pensamentos brotam incontrolavelmente de todos os cantos, de todos os lados, de todas as camadas, todos os pontos de seu pensar, como fumaça, se desprendendo, continuamente, indo através e empurrando o que veio antes, misturando e obscurecendo cada vez mais o entendimento, com o raciocínio tornando-se extenso, distante e incompreensível, inalcançável e

Uau

Alguém cutuca seu ombro. xP

.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Eclesiastes 3

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele. O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade. Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?"

.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

De Novo:




Esse blog não tem propósito.
É uma merda e toda vez que invento de lê-lo,
constato o quão porcaria ele é por ser meu...
Justamente, a cara do dono.

Mas tanto faz.

:)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Reclamaçãozinha costumeira...

Eu não sei onde os meus sonhos foram parar...
O que acontece com quem pára de sonhar?
Fica assim como estou?

Quando eu era mais novo, o mundo parecia ser algo maior. Era tudo tão imensamente assustador exatamente por ser algo misterioso. E eu, na minha pequenez, tão incapaz, tão descartável, tão transparente, tão ausente... Tão distante, escutando e observando, muito curioso. Querendo entender como tudo funcionava e onde ia dar.

Mas, olha pra mim agora, me sinto maior do que o próprio mundo. E é tudo vão... Tudo um tédio. E a vida é predominantemente dolorosa, levando em consideração o momento histórico, o espaço no qual me encontro, a atual conjuntura sócio-política mundial, minha condição de jovem estudante universitáro da classe média obrigado a me acabar seguindo roteiros de uma ideologia assassina pra ter alguma garantia de não morrer de fome ou frio em algum esgoto, nesse país que nos abandona na velhice depois de nos ter sugado toda a vida.

Restaria apenas espaço pra sonhos que não se realizarão?

.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mão


terça-feira, 1 de abril de 2008

Folhas Secas

Pode ver...

Se uma pessoa resolve parar de tentar, ela vira folha seca que vai sendo carregada pr'onde o vento soprar.

Passa o dia estudando, trabalhando, ocupa-se de tarefas sem fim, pede hora extra, arranja tempo pra "coisas mais importantes" em detrimento de coisas que acha interessante. Adota uma rotina infeliz, lenta ou corrida, mas infeliz, atrás de dinheiro, atrás de matéria, atrás do que é efêmero. Adia seus bons dias. Larga por um momento os ideais e logo os esquece... Por encher a cabeça de coisas demais, por esvaziar-se por completo.

Sem viver de verdade, de mentira vai morrendo.

A gente é que passa, a gente é que voa. Já cansei de repetir, seja pra mim ou pra algum outro qualquer. Porque a gente é tempo. Cada dia, cada segundo é o que somos. A gente esquece que é livre. Pensar por si só é ser livre. Deixar-se pensar apenas pensamento alheio é largar da própria liberdade, é virar folha seca, à revelia de qualquer vida que valha viver. E é o que acontece com a maioria das pessoas.

As folhas secas rodopiam por ali e por aqui. Pode ver... Dissociando, aos poucos, tudo do que é composta, a folha seca vira poeira. A folha, que já não estava mais viva, agora já não é nada mais que o próprio chão por onde caem outras tantas folhas.

.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Legião Urbana

Favoritos:

domingo, 9 de março de 2008

Ghosts I - IV


Sem palavras. Só trilha sonora...
Muita trilha sonora, na verdade.

Tem vezes que não queremos nem sequer abrir a boca.
Porque dar nome as coisas implica um monte de outras coisas.
Eu to nessa liga...

Eis que o sr Reznor, me faz Ghosts. Tudo a ver.

.

segunda-feira, 3 de março de 2008

...?

"Estou longe longe
Estou em outra estação"


.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

No Nada, Salvação

Contando desde o último post no qual eu falei alguma coisa, digamos, "minha", já fazem 4 posts que, de certa forma, estou calado (27 dias. E diga-se de passagem que esses últimos que coloquei no blog têm sido um cu [mas deixa pra lá minha opinião sobre o que é um bom post])...

Bem, tenho andado só de espectador ultimamente, exceto num ou noutro momento decisivo. Tenho passado mais tempo que o usual analisando as coisas e acaba sendo uma incômoda quebra de raciocínio eu querer parar um pouco pra falar. Mas chega um ponto em que realmente se faz necessária uma pausa pra uma organizada mental no que se tem apreendido, pra evitar uma possível confusão ou, sei lá, deixar coisas importantes passarem batidas...

É...

Num instante em que eu precisava, choveu entendimento de todos os lados. Achei filósofos e achei artistas, achei companhia, achei um punhado de opiniões tão parecidas com as minhas à respeito da vida [só que, claro, bem melhor esquematizadas e "embasadas" que essas minhas concepções rasteiras, essas minhas impressões...]. Melhor dizendo, certas lacunas estão sendo preenchidas aqui na minha compreensão de realidade.

É muito foda. É muito firme. É ótimo mesmo: ir encontrando enquanto se vai procurando... É como finalmente beber água depois de um longo tempo com sede. Essa sensação de querer tudo de uma vez só no primeiro momento, meio desesperado mas maravilhado de ter conseguido achar. Uma coisa assim... Muito satisfatória.

No entanto...

O que eu achei é (dito, mas talvez realmente seja puramente) pessimismo. Um pessimismo arrebatadoramente envolvente e reconfortante [mas pessimismo é uma palavra tão negativa que parece uma coisa ruim, não?]. É, sei lá, tomar o silêncio como resposta de uma pergunta; é estar satisfeito em não estar; é uma espécie de, como dizer, "o suicídio da dor"... É! Mais ou menos isso, uma questão de auto-anulação que só é alcançada num processo de conscientização da própria consciência... Bem, parece um caminho meio complicado e suspeito pra quem está de fora, mas é bem o que eu já estava trilhando antes, faltando uma certa consistência de explicação [o que implica em compreensão também, aham]. Mas já existe uma familiarização com tudo isso que é novidade [o que dá mais sentido pra essa bagunça toda na minha cabeça]. Blá, blá, blá...

O fato é que meu anestésico está funcionando de forma lindamente satisfatória.

Morreu.

.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Eclasiastes 1

Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.

Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.

Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.

Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.

Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.

Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.

.

"Palavras São Gaiolas"

Ah, estamos engaiolados sim.

.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Recaída



Que boas energias que nada...

.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Provérbios 14:33

"No coração do prudente a sabedoria permanece,
mas o que está no interior dos tolos se faz conhecido."

.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Boas Energias


Só boas vibrações ultimamente, bicho. Tá tudo controlado e confortável. O clima tá agradável, as aulas começaram bem, não estou com a cabeça lotada de preocupações e tal. Desse jeito dá pra levar a vida bem tranqüilamente, num bem-estar que... Não sei dizer. Um bem-estar que, às vezes, parece impossível, saca? Esses momentos são os melhores pra se dedicar àquilo que damos valor.

Vou parar com essa de deixar pra lá e vou continuar aperfeiçoando qualquer habilidade musical. É uma das coisas que mais gosto, não tem sentido abandonar. Mesmo que eu não acabe sendo tudo o que eu queria ser... E também, eu sou jovem demais, sei do futuro tanto quanto qualquer um, ou seja, nada. Tenho mais é que pensar no presente. É como disse num desses posts passados. Pensar mais um pouco no que considero essencial, já que o que quero é equilíbrio. O essencial e o importante.

Pois é...
Projetos adiante.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Ponto Em Comum



Também sou alheio ao mundo.

[E não achei uma forma de ser sincero sem soar um tanto dramático. Sincero e simples. Trata-se disso e nada mais. É assim que vejo minha relação com o mundo, assim que parece, assim que entendo...]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Dos Meus Objetivos

Fazia muito na época de escolher um curso pro vestibular, mas, não sei se é bom ou mal sinal, ainda passo horas pensando no que gostaria de fazer na vida, procurando, escolhendo, me perguntando o que quero. Mas nesses momentos vem uma sensação de transparência, como de tornar-me um fantasma, e é como se eu voltasse no tempo, direto ao meu ensino fundamental, deparando-me num daqueles tristes dias de prova de matemática [meu forte não está nas exatas]: como é que faço pra resolver essas questões se nem sequer estudei o assunto? Será que eu tento com o pouco que lembro das aulas que participei ou será que eu colo de algum colega...?

Bem, não conheço todas as possibilidades da vida. Tenho só vaga noção das possibilidades. Sigo os exemplos que tenho? Chuto esperando ter boa sorte, esperando o amparo de algo ou alguém?

Quem dera que a vida fosse mais longa pra que tivéssemos mais tempo de aprender tudo o que queremos e conseguirmos tudo o que almejamos... Não. Não é por aí. Nada disso. Quem dera que a vida fosse assim tão simples quanto aquelas provas de matemática, na verdade. Era, e ainda é, necessário apenas dispensar mais tempo com o que é pertinente. Como vi em certo lugar uma certa vez:

"Obstáculos são aqueles perigos que você vê quando tira os olhos de seu objetivo." [Vivo lembrando das palavras, mas esquecendo o nome de quem as proferiu! - Mas sejamos práticos e prestemos atenção mais no conteúdo da citação do que nos antecedentes de seu autor]

Partindo do momento que escolhemos nosso objetivo, a única coisa que pode parar nossa busca por ele é, somente, a nossa própria vontade, nossa decisão, nossa atitude de interromper nossos esforços e estacar no caminho [ou desviar].

(o problema é se ainda não escolhemos essa porra de objetivo.)

O caso é que provas de matemática fazemos muitas vezes na vida. Mas com o todo que é a vida, já funciona diferente... Inventamos unidades de medida pra mensurar nossa existência e fazer uma relação de prioridade entre as coisas que queremos e a velocidade com a qual realizamos nossas tarefas em torno disso. Inventamos o tempo. O tempo mede nossa "duração", nosso "ser" enquanto coisa viva autónoma pensante. E, num dado momento, ele, o tempo, acaba pra nós. Disso todos sabemos. O tempo passa, agente nem sente, mas caminhamos pra morte... Cada dia mais próximos do fim.

O que eu sei que quero fazer antes de me desfazer em pó, de me transformar em outra forma de energia, antes de bater as botas, antes de ir conversar com São Pedro, antes de esticar as canelas, antes de estar sob sete palmos, antes de partir dessa pra melhor, antes de levar o farelo e etc...?

1 - Eu só não quero morrer sem ter feito nada de importante na minha vida.
2 - Se fosse possível, gostaria de continuar contribuindo de alguma forma (com aquilo que escolher fazer)

Ou seja, ainda não tenho nada certo...

No momento, não sei o que poderia realmente me deixar satisfeito à ponto de eu não mais me importar com a chegada da morte... Mas tratando de tudo que passa na minha cabeça mais objetivamente:

Nesse ano vou [tentar...]:

a) Correr atrás do Teatro:
Tenho uns amigos que fazem ou fizeram e que sempre me falaram bem. Sem contar o meu interesse mesmo em conhecer e aprender alguma coisa dentro de artes cénicas.

b) Dar continuidade ao curso de Direito [bocejo]:
Não que eu tivesse parado, mas por ter decidido não parar.

c) Dar continuidade ao Inglês [dessa vez vai...]:
Do jeito que eu fiz conta pra esse ano, nem sei se rola. Mas quem sabe?

d) Prestar concursos:
Um emprego cairia muito bem agora, com certeza.

e) Ir atrás da pintura que eu falo há uns dois anos.

f) Minha banda... é... sei lá.

.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

[continuando...]

(...)

Mas é uma coisa engraçada também, porque eu mesmo desaprovo esse tipo de pensamento [isso de entender-se superior. Essa mania de apontar nos outros aquilo que não presta e o que em nós é exemplo... Gastar tempo ressaltando o que se considera ruim não é algo exemplar. Melhorar ou consertar são coisas muito mais admiráveis que essa mania besta]. Não dá pra sobreviver um momento de "se achismo" sem auto questionamento. E creio que isso seja bom. Admiro demais a humildade pra me querer longe dela e são nesses momentos, nos quais olho pras coisas ao meu redor com os olhos de outra pessoa, que encontro a possibilidade de me reprovar ou não e assim poder continuar andando na linha.

E, se não fosse isso, o que me faria diferente do resto?
[opa, acho que aconteceu outra vez...]

.

Pessoas Desinteressantes

Pois é...

A idéia apareceu e pensei em desenvolvê-la. Mas acordei ainda agora, não peço pra minha mente sonolenta produzir coisa nova assim, nessa sensação de lentidão de pensamento, antes mesmo de trocar palavras com alguém, antes de dar ignição... [E ainda situando o improvável leitor da condição do autor:] (As minhas) Férias são assim mesmo, vivo sonolento [Se bem que tenho a impressão de não ser só nas férias].

Pensando sonolento. E, às vezes, vou à procura de algum tema pra discorrer descompromissadamente [antigamente era só eu e eu mesmo. Agora que tenho essa droga de blog vazio, eu jogo uma ou outra coisa aqui...], só pra não ficar sem pensar em algo... E ainda agora foi o que passou pelo minha cabeça, enquanto eu olhava pela internet alguma coisa sobre a vida dos outros [Outro modo de dizer que estava usando o Orkut ou vagando em Blogs e afins...], as pessoas que simplesmente não me despertam interesse. Na verdade, a maioria das pessoas que conheço não me interessa [de certa forma] e pode até ser compreensível o fato de que algo que eu já conheça não mais me inspirar alguma curiosidade, mas creio não estar falando exatamente sobre isso agora [Sobre o que estaria falando, então? Seria bom definir "interessante". Aham, metodicamente consultando o dicionário, esperando ter alguma ajuda nesse texto-passa-tempo].

Interesse/Interessante: "sentimento que nos leva a procurar o que é necessário, útil ou agradável; aquilo que é útil, que convém, que importa; vantagem; proveito; ganho; simpatia; atractivo; (...) digno de interesse; que desperta interesse; simpático; que tem encantos; atraente."

É, ajuda sim. Não, não só ajuda. Dá toda a base do assunto...

Talvez eu seja exigente, um tanto idealista, buscador de uma impossível manifestação real do que entendo por perfeição numa pessoa. Ou, talvez, a maioria das pessoas com as quais tive contato fossem mesmo... [Tem coisas que não são legais de se dizer, porque soam esnobes, egocêntricas, prepotentes, arrogantes, taxativas, tolas. Mas, às vezes, pensamos mesmo e chega a estar enraizado na idéia que fazemos do mundo...] O caso é que (como diz um amigo meu:) estamos cercados de gente idiota por todos os lados! De todos os tipos, de todas as idades, de todas as ocupações, cargos de importância... Não importa pra onde formos lá existirá esse povinho ridículo e vergonhoso... [Lembro de uns professores, ensinando (em sala de aula) algumas opiniões mal-formadas tão sem importância quanto as de qualquer pelego como se constituíssem um conhecimento engrandecedor; Lembro de personalidades públicas que espalham sua burrice, que são ridículas, zero à esquerda no mundo das pessoas pensantes e são referência para um massivo público ignorante; Imagino políticos, representantes, tão interesseiros, tão idiotas quanto todo o resto, usando seus diversos métodos de controle para satisfazer suas vontadezinhas mundanas... mesquinhas... todos tão equivalentes, espalhados mundo à fora.]

Pessoinhas ridículas que só contribuem para o pior no mundo.
Pessoas que não fariam falta nenhuma se desaparecessem...

Obs: Está desvirtuado o tema do texto. Das pessoas desinteressantes paras as pessoas insuportáveis é um salto gigantesco. Esse nem deveria mais ser o título... Mas deixa pra lá.

Mais precisamente, acho que o que pretendia frisar era a superficialidade das pessoas. A superficialidade do mundo todo, na verdade, e como é difícil encontrar [ou, pelo menos, iludir-se de ter encontrado] algo ou alguém que tenha e dê mais sentido as coisas à sua volta, saca? É tanta gente vazia e ao mesmo tempo sem culpa de ser assim que o máximo que consigo fazer é sentir alguma pena delas...

[Tenho uma visão geral em cima das pessoas, uma visão negativa]

Todas sem motivos próprios, até mesmo quando são egoístas.
Pedaços ambulantes de carne. Animais adestrados.
Ou melhor [ou pior], marionetes. Bonecos ocos... sendo manipulados.

As pessoas são suas próprias vítimas. As pessoas são o mal do mundo.
Se todos morrermos, o resto sobrevive...


.