Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
O Que Tenho
Certo. Então é isso.
Estou de férias de novo.
E todo aquele tempo que nunca perdi e que há tanto queria reclamar está de volta à minha disposição, justamente como sempre esteve. Foi-se o esquecimento cotidiano da minha autonomia, fruto das minhas assumidas obrigações e decorrentes preocupações. Tenho meu tempo integralmente meu novamente. Tenho-me integralmente meu novamente. E posso fazer de mim o que bem entender dentro dos limites do que eu puder. Sem remorsos por esta liberdade momentânea, sem inconvenientes horários pra cumprir comendo meu dia, sem pulga atrás da minha orelha de cachorro vadio. Vadio como todo e qualquer animal não adestrado, desencumbido, livre. Bela e naturalmente vadio. [não simpatizo com os cães-de-guarda, os cães-de-caça... prefiro os humildes vira-latas que vagueam em paz.]
O que se faz com essa consciência clara de momento atual?
Dar-me conta da potencialidade do agora sempre gera um susto, uma inquietude súbita. Quando não há ninguém por perto dando um palpite, mesmo que subentendida e condicionadamente, sobre o rumo que tudo deve tomar. Pois, sabe, a vida é toda nossa, por uma questão natural irrefutável e incontrariável, e, mesmo assim, acaba não sendo, de certa forma. Por motivos de influência, de pressão, de reflexo, de assimilação, de reprodução, de vício, de submissão, de ignorância, de ilusão e tantas, tantas, tantas outras significações e abstrações que as palavras podem e não podem abarcar em suas balisas... Perceber o poder inerente à condição de ser humano atento, mesmo que minimamente, é chocante. E idiota. Tanto quanto é sábio... E inútil. Porque, afinal, tudo que nós sabemos não passa de uma bagunça tendenciosa e pretenciosa. O que me leva a dizer uma coisa dessas? Bem, por acreditar que: na verdade, ninguém sabe nada.
A certeza é pretensão de quem diz possuí-la. E, se for o caso de mencionar agora [por lembrar daquela tal palavra, a "onisciência"], quanto a deus: ninguém o sabe também. Fé não é saber.
Sabe a única coisa que real e simplesmente fazemos? Só concordamos ou discordamos. Aceitamos ou rejeitamos. Porque nada do que há disposto aqui é cabalmente verificável e/ou compreensível. Somos recipientes, depósitos, repertórios de conceituações... O mundo são as informações que nós recebemos, recebemos e recebemos, sem parar de receber. Pois raramente produzimos, desenvolvemos, criamos informações. Pois raramente produzimos o mundo. [geralmente produzimos uns envólucros, umas cascas ocas de mundo. Um punhado de vazio. Ausências de sentimento. Mercadoria em série, repetitiva, cópia de cópia de cópia...]
Predominantemente passivos como ovelhas no pasto...
[Pior: As ovelhinhas que vão pro matadouro levadas por algum pastor.]
Tudo o que podemos afirmar, quando nós alcançamos algum nível de dicernimento coerente, é: "Sou um ignorante." Porque todos os juízos são projeções da presunção de alguém... Inclusive este aqui que ofereço, tolo que é... Nós só podemos falar por nós, pois somos a única coisa que realmente entendemos de algum modo. Nos entendemos como consciência, tudo o que somos, apenas somando-se algumas capacidades físicas e só. Ponto final. Não podemos sair falando da composição, das origens, das finalidades das coisas, pois não as sabemos. Não podemos ficar falando de espíritos, almas, maldições, folclores, misticismos, mundos mágicos inalcansáveis, personalidades fantásticas, paraíso ou deus, se não somos nada disso. O máximo que podemos é: dar nomes e meramente PROCURAR os modos sistematizados de apreender, compreender e explicar o mundo. E muitas vezes remoemos as concepções alheias de mundo, informações que recebemos.
Tudo é pura assimilação. Tudo é o fruto da relação pessoa-mundo. Tudo é personalíssimo. O personalíssimo é o mundo... Toda pessoa é tão ignorante quanto qualquer outra. Mas existem as humildes o suficiente pra admitir e as iludidas demais pra compreender.
Fora as divagações inúteis, aqui estou eu novamente. Acordado. Ligado no meu tempo, no meu espaço. Fazendo um pouco do meu nada, que é o tudo que tenho:
eu.
Estou de férias de novo.
E todo aquele tempo que nunca perdi e que há tanto queria reclamar está de volta à minha disposição, justamente como sempre esteve. Foi-se o esquecimento cotidiano da minha autonomia, fruto das minhas assumidas obrigações e decorrentes preocupações. Tenho meu tempo integralmente meu novamente. Tenho-me integralmente meu novamente. E posso fazer de mim o que bem entender dentro dos limites do que eu puder. Sem remorsos por esta liberdade momentânea, sem inconvenientes horários pra cumprir comendo meu dia, sem pulga atrás da minha orelha de cachorro vadio. Vadio como todo e qualquer animal não adestrado, desencumbido, livre. Bela e naturalmente vadio. [não simpatizo com os cães-de-guarda, os cães-de-caça... prefiro os humildes vira-latas que vagueam em paz.]
O que se faz com essa consciência clara de momento atual?
Dar-me conta da potencialidade do agora sempre gera um susto, uma inquietude súbita. Quando não há ninguém por perto dando um palpite, mesmo que subentendida e condicionadamente, sobre o rumo que tudo deve tomar. Pois, sabe, a vida é toda nossa, por uma questão natural irrefutável e incontrariável, e, mesmo assim, acaba não sendo, de certa forma. Por motivos de influência, de pressão, de reflexo, de assimilação, de reprodução, de vício, de submissão, de ignorância, de ilusão e tantas, tantas, tantas outras significações e abstrações que as palavras podem e não podem abarcar em suas balisas... Perceber o poder inerente à condição de ser humano atento, mesmo que minimamente, é chocante. E idiota. Tanto quanto é sábio... E inútil. Porque, afinal, tudo que nós sabemos não passa de uma bagunça tendenciosa e pretenciosa. O que me leva a dizer uma coisa dessas? Bem, por acreditar que: na verdade, ninguém sabe nada.
A certeza é pretensão de quem diz possuí-la. E, se for o caso de mencionar agora [por lembrar daquela tal palavra, a "onisciência"], quanto a deus: ninguém o sabe também. Fé não é saber.
Sabe a única coisa que real e simplesmente fazemos? Só concordamos ou discordamos. Aceitamos ou rejeitamos. Porque nada do que há disposto aqui é cabalmente verificável e/ou compreensível. Somos recipientes, depósitos, repertórios de conceituações... O mundo são as informações que nós recebemos, recebemos e recebemos, sem parar de receber. Pois raramente produzimos, desenvolvemos, criamos informações. Pois raramente produzimos o mundo. [geralmente produzimos uns envólucros, umas cascas ocas de mundo. Um punhado de vazio. Ausências de sentimento. Mercadoria em série, repetitiva, cópia de cópia de cópia...]
Predominantemente passivos como ovelhas no pasto...
[Pior: As ovelhinhas que vão pro matadouro levadas por algum pastor.]
Tudo o que podemos afirmar, quando nós alcançamos algum nível de dicernimento coerente, é: "Sou um ignorante." Porque todos os juízos são projeções da presunção de alguém... Inclusive este aqui que ofereço, tolo que é... Nós só podemos falar por nós, pois somos a única coisa que realmente entendemos de algum modo. Nos entendemos como consciência, tudo o que somos, apenas somando-se algumas capacidades físicas e só. Ponto final. Não podemos sair falando da composição, das origens, das finalidades das coisas, pois não as sabemos. Não podemos ficar falando de espíritos, almas, maldições, folclores, misticismos, mundos mágicos inalcansáveis, personalidades fantásticas, paraíso ou deus, se não somos nada disso. O máximo que podemos é: dar nomes e meramente PROCURAR os modos sistematizados de apreender, compreender e explicar o mundo. E muitas vezes remoemos as concepções alheias de mundo, informações que recebemos.
Tudo é pura assimilação. Tudo é o fruto da relação pessoa-mundo. Tudo é personalíssimo. O personalíssimo é o mundo... Toda pessoa é tão ignorante quanto qualquer outra. Mas existem as humildes o suficiente pra admitir e as iludidas demais pra compreender.
Fora as divagações inúteis, aqui estou eu novamente. Acordado. Ligado no meu tempo, no meu espaço. Fazendo um pouco do meu nada, que é o tudo que tenho:
eu.
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Desassossego,
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
E Vamos Tocando Em Frente
(Mailson, Eu e Daniel)


Pessoas são tudo, tudo são pessoas.
A primeira banda de que gostei na vida, de ir pegar o cd e colocar pra rodar por conta própria, foi Silverchair, o album "Frogstomp" quando eu tinha lá os meus 11 anos de idade. Sendo que nessa época eu já escutava bastante coisa e já curtia música, mas eram audições por tabela. Meu irmão escutava Engenheiros do Hawaii, Nirvana, Guns 'N Roses, Silverchair e outras banda de rock, hard rock e grunge; minha irmã curtia bandas nacionais de rock e pop como Legião Urbana, Titãs, Paralamas, Kid Abelha, fora algumas internacionais como Aerosmith, Rolling Stones e umas outras que não lembro agora; meus pais sempre tiveram um gosto divergente musicalmente, de um lado, meu pai, que escutava bolero e MPB do Chico Buarque, Elis Regina, Bossa do Tom Jobim e coisas assim e, de outro lado, minha mãe que curtia umas nordestinidades como Elba e Zé Ramalho, Alceu Valença e as demais ondas de músicas populares da época dela como Roberto Carlos. Mas meus pais sempre concordaram em Beatles. Espalhadas pela casa ainda tinham outras tantas coisas feito Cássia, Cazuza, Tim Maia, Raul, Belchior, Milton, Caetano, Fagner, Maria Bethânia, Marina Lima, umas coleções em vinil e tal.
Uma bagunça muito proveitosa que eu só comecei a entender e me interessar um tempo desses.
Fui criando minhas amizades, ampliando meus horizontes, diversificando e construindo minha personalidade e, por conseguinte, meu gosto musical também. Gostei de um monte de porcarias que me "envergonham" hoje (haha!), mas também acabei encontrando coisas lá no início que acho o máximo até hoje. Acabou que meu gosto ficou submerso principalmente em certas vertentes do rock e mais recentemente venho me aprofundando em música brasileira. Estão entre as minhas grandes preferências atuais o respeitoso rock clássico do Pink Floyd na íntegra, os berros e barulhos coordenados do Nine Inch Nails com sua personalidade e versatilidade tão própria, o Radiohead, que demorou pra eu aceitar dizer ser um favorito, mas que acabou me convencendo da habilidade e criatividade do grupo, Chico Buarque (principalmente no período mais politicamente ativo que ele lançou "Construção") com a sua admirável capacidade métrico-poética-musical... Na verdade, meu gosto tem alguma variedade (todo otário que quer parecer conhecer alguma coisa de música fala essas coisas: Ah, eu curto de tudo e blá blá. Mas e se for verdade...?). Artistas internacionais e alguns seletos artistas nacionais, mas esses aí andaram meio que monopolizando minha atenção de uns tempos pra cá e ainda assim venho me empolgando com muita coisa nova de uma só vez ultimamente...
Evito aquelas discriminações bitoladas de rato de vinil, roqueiro sem visão e sem nada na cabeça.
Tenho vontade de produzir um pouco disso. De música (e não só pura música). Toda aquela tola empolgação juvenil de ser um rock star já passou. Mas ainda tenho um gosto por simplesmente estar tocando com os amigos e construindo alguma coisa conjuntamente pessoal, então, ainda existem vários planos. E apesar da minha constante autocrítica de anaptidão, tenho dado alguma engatinhada nesse âmbito. Essa foto é registro de um dos ensaios à três que Mailson, Daniel e eu estamos querendo retomar e fazer valer, dar resultado... Tocamos juntos algumas vezes e sempre mencionamos fazer algo juntos, mas nunca fomos realmente à diante. Resumidamente: chegou a hora que nos tocamos que é preciso tomar uma atitude. "Uma atitude cruel...", haha.
A minha idéia agora é só construir e todo o resto será pura conseqüência...
Aproveitando, eis aqui umas brincadeiras Fruity Lúpiticas¹ minhas: www.myspace.com/residuocerebral
¹Fruity Loops é um programa de computador, um estúdio digital que comecei a mecher em 2007. Montei descompromissadamente uns barulhinhos escrotos e joguei nessa página do myspace no ano passado. Agora estou voltando a brincar com ele e vendo se agora isso serve de apoio pros encontros com o pessoal.
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Uma bagunça muito proveitosa que eu só comecei a entender e me interessar um tempo desses.
Fui criando minhas amizades, ampliando meus horizontes, diversificando e construindo minha personalidade e, por conseguinte, meu gosto musical também. Gostei de um monte de porcarias que me "envergonham" hoje (haha!), mas também acabei encontrando coisas lá no início que acho o máximo até hoje. Acabou que meu gosto ficou submerso principalmente em certas vertentes do rock e mais recentemente venho me aprofundando em música brasileira. Estão entre as minhas grandes preferências atuais o respeitoso rock clássico do Pink Floyd na íntegra, os berros e barulhos coordenados do Nine Inch Nails com sua personalidade e versatilidade tão própria, o Radiohead, que demorou pra eu aceitar dizer ser um favorito, mas que acabou me convencendo da habilidade e criatividade do grupo, Chico Buarque (principalmente no período mais politicamente ativo que ele lançou "Construção") com a sua admirável capacidade métrico-poética-musical... Na verdade, meu gosto tem alguma variedade (todo otário que quer parecer conhecer alguma coisa de música fala essas coisas: Ah, eu curto de tudo e blá blá. Mas e se for verdade...?). Artistas internacionais e alguns seletos artistas nacionais, mas esses aí andaram meio que monopolizando minha atenção de uns tempos pra cá e ainda assim venho me empolgando com muita coisa nova de uma só vez ultimamente...
Evito aquelas discriminações bitoladas de rato de vinil, roqueiro sem visão e sem nada na cabeça.
Tenho vontade de produzir um pouco disso. De música (e não só pura música). Toda aquela tola empolgação juvenil de ser um rock star já passou. Mas ainda tenho um gosto por simplesmente estar tocando com os amigos e construindo alguma coisa conjuntamente pessoal, então, ainda existem vários planos. E apesar da minha constante autocrítica de anaptidão, tenho dado alguma engatinhada nesse âmbito. Essa foto é registro de um dos ensaios à três que Mailson, Daniel e eu estamos querendo retomar e fazer valer, dar resultado... Tocamos juntos algumas vezes e sempre mencionamos fazer algo juntos, mas nunca fomos realmente à diante. Resumidamente: chegou a hora que nos tocamos que é preciso tomar uma atitude. "Uma atitude cruel...", haha.
A minha idéia agora é só construir e todo o resto será pura conseqüência...
Aproveitando, eis aqui umas brincadeiras Fruity Lúpiticas¹ minhas: www.myspace.com/residuocerebral
¹Fruity Loops é um programa de computador, um estúdio digital que comecei a mecher em 2007. Montei descompromissadamente uns barulhinhos escrotos e joguei nessa página do myspace no ano passado. Agora estou voltando a brincar com ele e vendo se agora isso serve de apoio pros encontros com o pessoal.
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