Março: todos os valores e prioridades que o sistema capitalista pregou estão em cheque. Não salva ninguém a adoração ao deus-mercado, em altares-banco não façam suas preces. Não há santo de dinheiro ou espírito financeiro, apenas ganâncias que enganam com promessas... O que salva é o tempo e a vida de trabalhadores que se condensam em amor nas artes mais diversas.
As médicas e enfermeiros, os cientistas - não, eles não são "malucos" - e os pesquisadores, que são capazes de uma mágica real. Brigam uma batalha colossal com a coragem e o sacrifício daqueles sem os recursos que comeu o demônio do capital. A saúde, não há nenhuma dúvida: será a mais notória das atrizes que sustentarão nossa sociedade nos dias a seguir. Mas não só ela. Vários outros seres de trabalho que fazem comida, que transportam e nos entregam recursos, ferramentas e pessoas, através de todos os modais de mobilidade. Quem fará a essencial manutenção da rede elétrica, telefônica, distribuição de água e o saneamento, que impedirão o mar de lixo inundar as ruas e afundar em xorume nosso sofrimento...?
Os burgueses não nos salvarão o futuro!
No fundo, estamos refletindo sobre o que é, de fato, mais importante e necessário. Filosofando em um tic-tac de calafrios: a fragilidade não só das vidas, a fragilidade desse maldito mundo egoísta; esta peteca espacial aí girando cosmicamente pelo escuro emudecido, titânica, de horizonte expansivo de mistérios e de sentidos, a Terra é o abrigo que ainda sofre de inúmeros perigos. E esperanças.
125; 375; 552; 902; 1115; 1504; 1855...
Mas o dia nasce e morre imparavelmente com patrões e governos em suas confabulações e teatros, sem poder esconder que se defenderem seus interesses parasitários até as últimas consequências, terão que matar incontáveis corpos de fome, sede, doenças, em dívidas mergulhados e, antes de tudo isso, pô-los em barbárie, todos contra todos no cenário de selvageria pela sobrevivência - filme que mais queremos evitar: da barbárie completa. Pois não há nada mais perigoso do que pessoas necessitadas e desesperadas.
A solidariedade e o espírito de comunidade são também o que está florindo em meio ao asfalto bruto das cidades. A única negação possível a todo o egoísmo é o inversamente proporcional sentido comunitário e solidário. Agora, saudade e solidão maltratarão, mas a ciência e tecnologia nos permite interagir com os irmãos, amores, amigos e familiares. Na tragédia, se grita: "temos que nos reencontrar!". Mas "precisamos nos preservar". Angústia. "De nós mesmos e do que carregamos conosco, ainda incurável". Sai o resultado do exame médico: negativo. Não foi dessa vez que nos pegou o coronavírus. Alívio.
Precisamos nos reencontrar.
Os burgueses não irão nos salvar!
Reencontrar com os planos de ter uma saúde que atenda a todos ao invés de entrar em colapso quando mais necessária. Nos reencontrar com um trabalho que preserve a nossa vida e não uma economia política de coisas inanimadas. Com a busca por um mundo de todos por todos e não do sacrifício da maioria pelos privilégios da minoria. Por aquela utopia que mostra que o impossível é que as coisas sigam como elas estão: erradas.
Espero reencontrar-nos. Já chega de aguentarmos tão calados. É tempo de mudar o mundo, sim. Já é o desastre que está nos impondo a mudá-lo!
Não deixem mofar o pão
Não permitamos sufocar a poesia
Esses são tempos de revolução
Evidente aos olhos até de quem menos queria
Em casa,
combalido de sonos,
acordo, aturdido, em sonhos incertos
Com o coração que se debulha pelos olhos
E só se repousa de volta em minhas mãos
enquanto ainda tenho vocês por perto
23.03.2020
Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
segunda-feira, 23 de março de 2020
terça-feira, 17 de março de 2020
Ciro Gomes disputa "saída antissistêmica" enquanto parte do PSOL vacila em 7° Congresso
De Eduardo Rodrigues, militante do PSOL-PA
Palavras-chave: agenda liberal; bolsonarismo; lulopetismo; crise capitalista brasileira; alternativa antissistêmica; Cirismo; 7° CONPSOL; programa e união socialista.
Palavras-chave: agenda liberal; bolsonarismo; lulopetismo; crise capitalista brasileira; alternativa antissistêmica; Cirismo; 7° CONPSOL; programa e união socialista.
Diante de uma crise brasileira brutal onde o povo sofre cada vez mais restrições de direitos e dignidade, além de desastres ambientais, econômicos e de saúde pública agora, que há de saídas políticas?
Com uma "esquerda tradicional" morta que vive em uma irreversível "retirada permanente" das lutas sociais, com as direitas vivíssimas e atuantes na política e dirigindo os poderes, a disputa pela nova alternativa que represente a necessária saída antissistêmica está posta de novo no tabuleiro político e eleitoral... Bolsonaro disputa ainda essa mesma posição antissistêmica da forma mais reacionária possível, com sua saída aos moldes liberal-autoritário. A população acumula uma enorme indignação e frustração que estoura em lutas esporádicas e desorganizadas, mas corretas. Que ecoam em carnavais e outros eventos culturais de massas, mas insuficientes.
A realidade é que essa saída antissistêmica é a única disputa política que existe no Brasil para se opor ao continuísmo. Como um país parte do capitalismo periférico e dependente, as nossas tarefas históricas são sempre a negação da grave situação de miséria e autoritarismos da qual nasceu e que segue vivendo o Brasil, desde a colônia até a moderna "neocolonia" do século XXI. Toda grande alternativa politica de massas aqui faz essa disputa antissistêmica porque a vida da maioria aqui é sempre uma desgraça a ser denunciada como culpa contínua dos governos anteriore, posto que é estrutural do capitalismo a nossa desgraça.
É evidente que o mal estar atual está ligado a todas as agendas antipopulares de reformas contra os trabalhadores, parte das orientações mundiais para fazer frente a crise capitalista internacional que não para de avançar e gerar mais crises políticas por todos os lados. A América Latina - mas não só ela - tem sido palco de rebeliões populares contra governos burgueses tradicionais e contra governos progressistas da esquerda capitalista. No entanto, nessa atual conjuntura constata-se que a nossa política no Brasil está unificada em um consenso do capital contra os direitos dos trabalhadores. E dividida publicamente apenas entre aqueles que diante dessa tão monstruosa agenda liberal e antipopular só são capazes de dizer "sim" (esquerda) ou "SIM, SENHOR!" (direita). Na realidade, o mais preciso e correto de afirmar é que há um pacto entre direita e esquerda no Brasil, um pacto dos expoentes políticos do capitalismo atual: bolsonarismo e lulismo. E a quebra de todas as falsas polarizações bipartidárias na política é a ÚNICA forma visível e instantânea de se diferenciar aos olhos do povo em todas as últimas eleições presidenciais, exatamente porque é a verdade. Seja Heloísa Helena, Eduardo Campos, Marina Silva, Plínio de Arruda ou Luciana Genro, não importa, toda as oposições que realmente disputaram uma posição fizeram essa discussão.
Ontem o Ministro Ciro Gomes deu entrevista ao Roda Viva e reafirmou querer ocupar o espaço que agora se reabre de "alternativa contra tudo que está aí" - mesmo sendo parte histórica de tudo que aí já esteve durante décadas... Qual a sua posição? O combate simultâneo ao lulopetismo sujo e ao bolsonarismo tresloucado que ele advogou é CORRETÍSSIMO e inegociável para aqueles que querem uma alternativa a tudo isso. O combate ao "rentismo", às radicalizações reacionárias e, óbvio, à destruição dos serviços públicos do Estado brasileiro são CORRETOS e urgentes.
Ciro - inclusive, em contradição ao próprio PDT e a todos os seus aliados, fazendo discurso à esquerda - está muito melhor posicionado hoje do que toda a esquerda tradicional capitalista que lambeu as botas do FMI e do Banco Mundial no que tange à denúncia do desmonte da indústria nacional, da estrutura antidemocrática e corrupta de poder que permeia as instituições brasileiras e da gravíssima desigualdade que vivemos. No entanto, é evidente que o projeto Ciro é mais um matiz dos reformismos nacionais que se opõem à rupturas com o capitalismo e se propõem a domar a fera selvagem que estrutura todo sofrimento dos trabalhadores e dos desalentados pelo sistema, o que é ilusão.
Mas ele capitaliza pois aproveita que todo dia, de fato, há uma nova prova que aquela esquerda do Partido dos Trabalhadores e do ex-PCdoB já morreu para as necessidades populares, traindo mobilizações, furando greves e aderindo às reformas bolsonaristas. Um exemplo foi o trágico episódio da restroescavadeira que usa como desmontração de afinco na luta social contra as milícias e uma forma de "contundência" ao passo que aquela esquerda que ele quer substituir ja está fedendo a cadáver e, pior!, intoxicando com os seus fracassos a cabeça do povo brasileiro. Seja com o imobilismo que ele chama de "bom mocismo inerte" ou - pela negativa - empurrando ao apoio de aventuras militaristas ditatoriais bolsonaristas, sob o peso da influência de parte da mídia e do ultra conservadorismo que reina. Mais pela falta de alternativa do que propriamente por uma concordância absoluta - não a toa os atos do dia 15 março foram tão minguados e a isolada pauta extremista vista na rua.
Mas ele capitaliza pois aproveita que todo dia, de fato, há uma nova prova que aquela esquerda do Partido dos Trabalhadores e do ex-PCdoB já morreu para as necessidades populares, traindo mobilizações, furando greves e aderindo às reformas bolsonaristas. Um exemplo foi o trágico episódio da restroescavadeira que usa como desmontração de afinco na luta social contra as milícias e uma forma de "contundência" ao passo que aquela esquerda que ele quer substituir ja está fedendo a cadáver e, pior!, intoxicando com os seus fracassos a cabeça do povo brasileiro. Seja com o imobilismo que ele chama de "bom mocismo inerte" ou - pela negativa - empurrando ao apoio de aventuras militaristas ditatoriais bolsonaristas, sob o peso da influência de parte da mídia e do ultra conservadorismo que reina. Mais pela falta de alternativa do que propriamente por uma concordância absoluta - não a toa os atos do dia 15 março foram tão minguados e a isolada pauta extremista vista na rua.
No campo socialista estamos enfraquecidos e alheios às grandes disputas, infelizmente. Hoje o PSOL (junto aos camaradas do PSTU e PCB) poderia estar cumprindo esse papel urgente e fundamental - como cumpriu ao longo de sua história - destacando-se em denúncias no cenário nacional e ainda oferecendo a única resposta adequada: uma agenda de socialização econômica e empoderamento popular, uma ruptura com a desordem estabelecida e que garanta todos os direitos básicos que são PROIBIDOS pela economia política do "FODA-SE" aplicada pela burguesia e todos os seus partidos (incluindo o PDT), um sistema que está contra a população brasileira ao longo de toda a agenda liberal dos governos FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro que estão nos conduzindo à maior catástrofe social, política e econômica da Nova República. Nós estamos assistindo a própria falência sem freio dessa Constituição de 1988 e Ciro até comentou no programa a necessidade de uma "reformulação federativa" evidentemente precisa.
Esse é o debate mais importante hoje entre os militantes que defendem mudanças profundas no Brasil, em favor do povo e a criação da força política e social necessárias pra lutar contra o sistema capitalista e seus quadros burgueses todos. Meio ao 7° Congresso Nacional do PSOL, cruzado pela crise do COVID19 e da catástrofe econômico-social do país, é preciso reforçar os debates críticos a figuras como Guilherme Boulos, Edmilson Rodrigues, Marcelo Freixo e a toda a grave insuficiência de seus programas e política de alianças para essas tarefas - aliados a burguesia, ninguém fará mudanças profundas. Parte dos quadros políticos do PSOL e de correntes internas que estão abrindo mão de um necessário protagonismo nacional do partido e dos socialistas, planejando alianças com PT, PV, PDT, PCdoB e Rede. Essa política da "Aliança" interna que disputa o nosso 7° CONPSOL está funcionando como os aparelhos respiratórios e desfibriladores para o morimbundo lulopetismo decrépito e agonizante, contaminado e sem salvação. Sendo funcional a falsa polarização de lulismo x bolsonarismo, fortalecendo não só a ultra direita como também permitindo o espaço para que um novo projeto burguês como de Ciro Gomes se vista de "Bernie Sanders" brasileiro. Por isso a disputa de camaradas como Renato Cinco, David Miranda, Sâmia Bomfim, Carlos Giannazi e outros é fundamental de ser seguida por um grande movimento contra o neolulismo interno no PSOL.
Nós da tese "Bloco da Esquerda Radical - PSOL" e outras teses socialistas no partido devemos reforçar essas denúncias e unificar nessa tarefa de combate interno e externo pra evitar mais atrasos na construção da alternativa socialista brasileira. E os camaradas do PSTU, PCB e demais setores socialistas legais e não-legalizados como partidos eleitorais devemos reforçar a estratégia dos camaradas da Argentina: a Frente de Izqueirda e de los Trabajadores Unidad (FIT-U) pra avançar ou sim ou sim num pólo social e político unitário. O "Contrapoder" organizado por Plínio Jr é uma proposta nesse sentido também, urgente. Pois é uma necessidade pra construir um programa e uma coordenação das lutas dos explorados e oprimidos que estão a mercê de todos os ataques do capital hoje e sem condições de resistir como precisam. A burguesia está em guerra contra nós e nós urgente precisamos estar armados pra enfrentar isso. A organização coletiva é a nossa arma principal. Precisamos de uma força política que diga o "NÃO!" necessário contra o consenso do capital que hegemoniza o Brasil.
Esse é o grau do problema.
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TEMPOS DE CRISE ECONÔMICA
quarta-feira, 4 de março de 2020
FHC e Lula defendem mandato de Bolsonaro. Não os escutemos! Fora Bolsonaro Já!
Eduardo Rodrigues, militante do PSOL.
De um lado, FHC diz para termos "paciência histórica com Bolsonaro", enquanto que, do outro lado, Lula pede a mesma paciência e reafirma o que diz desde que saiu da cadeia "(...) temos que esperar quatro anos". Ambos vão na contramão das mobilizações que ocorrem desde 2019.
Essa posição de manutenção do mandato presidencial é totalmente esperada de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pela simples defesa da ordem democrático burguesa. No entanto, a posição de Lula se choca frontalmente com todos os discursos que estão permeando o espectro da esquerda há vários e vários meses - na realidade, desde a vitória de Jair Bolsonaro. Enquanto as pessoas comuns querem brigar pela sua dignidade e direitos agora, a esquerda oficial agora ajusta todo o discurso e diz para aceitar e esperar as eleições.
Essa posição de manutenção do mandato presidencial é totalmente esperada de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pela simples defesa da ordem democrático burguesa. No entanto, a posição de Lula se choca frontalmente com todos os discursos que estão permeando o espectro da esquerda há vários e vários meses - na realidade, desde a vitória de Jair Bolsonaro. Enquanto as pessoas comuns querem brigar pela sua dignidade e direitos agora, a esquerda oficial agora ajusta todo o discurso e diz para aceitar e esperar as eleições.
A tese da "onda conservadora" que arrasaria toda a oposição, da "ameaça neonazista" que instalaria uma ditadura, do rompante da força "fascista miliciana", etc, serviram como um importante alerta perpassando os discursos de vários partidos e grupos da esquerda. As vezes de forma mais crítica, as vezes de forma mais impressionista e desesperada. Em especial nos discursos "antigolpe" do PT, PCdoB, PDT e setores do PSOL. A gravidade do momento exigiria radicalidade e organização superiores em relação a tudo que vinha sendo oferecido há décadas por esses partidos.
Logo no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, os educadores e estudantes foram a ponta-de-lança para o enfrentamento de massas com os ataques de Bolsonaro e Mourão, indo às ruas e já ensaiando uma proposta de saída política pela deposição do governo através das ruas, ecoando a palavra-de-ordem "Fora Bolsonaro!" e "Fora Bolsonaro e Mourão!". A queda na popularidade do governo foi notória visto que muito acelerada, tanto que logo no primeiro semestre atingiu o maior índice de rejeição popular em início de mandato de qualquer governo eleito desde a redemocratização do Brasil. O "Ele Não", ainda no processo eleitoral, já mostrava como seria recorrente o enfrentamento político e como tendia a crescer essa rejeição popular. Não a toa os protestos chegaram a pautar os editoriais de março de 2019 em todos os grandes jornais como uma verdadeira ameaça ao governo e alertando a possibilidade de não conclusão do mandato do presidente.
Logo no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, os educadores e estudantes foram a ponta-de-lança para o enfrentamento de massas com os ataques de Bolsonaro e Mourão, indo às ruas e já ensaiando uma proposta de saída política pela deposição do governo através das ruas, ecoando a palavra-de-ordem "Fora Bolsonaro!" e "Fora Bolsonaro e Mourão!". A queda na popularidade do governo foi notória visto que muito acelerada, tanto que logo no primeiro semestre atingiu o maior índice de rejeição popular em início de mandato de qualquer governo eleito desde a redemocratização do Brasil. O "Ele Não", ainda no processo eleitoral, já mostrava como seria recorrente o enfrentamento político e como tendia a crescer essa rejeição popular. Não a toa os protestos chegaram a pautar os editoriais de março de 2019 em todos os grandes jornais como uma verdadeira ameaça ao governo e alertando a possibilidade de não conclusão do mandato do presidente.
No entanto, é notório que a radicalidade advinda das ruas tem sido sistematicamente contida e abafada pela própria "oposição" ao governo, que desmontou as lutas da educação dispersando os calendários de ação, sabotou abertamente toda a luta contra a Reforma da Previdência e acabou dando um banho de água fria na ruas tentando transformar todas as ações de protesto em atos pelo "Lula Livre". Todo ativista honesto e minimamente antenado esteve percebendo o comportamento de entidades como UNE, UBES, CTB, CUT e suas direções lulistas, ao tentarem transformar o ex presidente na medida de todas as coisas e ao negligenciar pautas educacionais, ambientais e trabalhistas que foram a marca do ano de 2019 nas ruas. Todo aquela verborragia lulista pelo "antifascismo" e "antibolsonarismo" foi dando lugar a uma oposição comportada, tranquila, desarticulada e meramente parlamentarista, uma tática que só pode redundar em derrota permanente uma vez que a "oposição" é minoria no Congresso e ainda replica as políticas de contrarreformas onde é governo...
Agora em 2020 com calendário tão importante nesses dias 8, 14 e 18 de Março, a possibilidade de enfrentar e retomar aquelas ações de massas contra o governo Bolsonaro e Mourão poderia e deveria ser o objetivo central dos esforços daquelas forças políticas. No entanto, as burocracias tradicionais não tem esse compromisso, pelo que tudo indica. Muito ao contrário, seus porta-vozes maiores - desde a direita até a esquerda - estão todos defendendo o mandato do presidente Jair Bolsonaro, como bons moços que dão mais importância às formas normativas da democraria burguesa do que ao seu conteúdo abertamente antipopular nos planos de ajuste fiscal, retirada de direitos e na ampliação das margens de lucro dos capitalistas. Não a toa a CUT quis acabar com a greve dos Petroleiros esse ano, no seu momento mais forte. Não a toa ano passado sabotaram parcialmente a greve geral e permitiram aprovar a Reforma da Previdência sem nenhuma manifestação nós momentos de votação, um absurdo completo - que é fácil de explicar quando posteriormente esta mesma medida é também aplicada por governos do PCdoB e PT em outros estados, com apoio do PDT, inclusive.
O PSOL nesse momento atravessará o seu 7° Congresso Nacional e pode impulsionar um caminho diferente. Vários setores, grupos e correntes internas do partido escreveram teses que reivindicam a tarefa de derrotar imediatamente o governo Bolsonaro e Mourão nas ações de rua, na luta concreta e organizando um novo projeto de esquerda radical e socialista para o Brasil. Que esteja vinculando todas as lutas contra a exploração e opressões sistêmicas. Esse debate tem que chegar às ruas urgentemente e se materializar em uma política de organização de Comitês de Luta pelo Fora Bolsonaro. Para sistematizar e dar corpo ao processo de luta real, enraizar essa linha política entre ativistas que estão vendo as traições da velha esquerda, com respeito e democraria, para não permitirem que as burocracias dispersem novamente as lutas como fizeram em 2019. Quando se perdeu uma oportunidade de ouro de aprofundar a crise do projeto liberal autoritário que se gesta no governo e nas suas políticas.
Não devemos ouvir nem FHC e nem Lula, seus conselhos só favorecem a direita e os planos capitalistas, a estabilidade dos ataques aos trabalhadores. Devemos ouvir a voz das ruas por onde ecoa o "Fora Bolsonaro e Mourão!" e fortalecer esse caminho, porque o problema central são os ataques a direitos e retrocessos todos que estão impondo a todos nós. A luta é agora, não apenas em eleições, devemos seguir exigindo que todos somem consequentemente nessa luta, sem recuar. E, caso recuem, devemos denunciar as traições!
Fontes:
https://revistaforum.com.br/politica/fhc-diz-ser-contra-impeachment-e-recomenda-ter-paciencia-historica-com-bolsonaro/amp/
https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/lula-diz-que-e-contra-impeachment-de-bolsonaro/
Fontes:
https://revistaforum.com.br/politica/fhc-diz-ser-contra-impeachment-e-recomenda-ter-paciencia-historica-com-bolsonaro/amp/
https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/lula-diz-que-e-contra-impeachment-de-bolsonaro/
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