Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A fé bate à minha porta.

Hoje bateram à minha porta. Eu tinha acabado de acordar, nem queria sair da cama. Mas me vesti, peguei um copo de café e fui atender. Eram duas senhoras de vestidos, segurando sombrinhas. Duas Testemunhas de Jeová... Então pensei: "Beleza, vão querer me converter. Mas não serei grosseiro nem sectário diante do proselitismo das senhoras... Vamo ver". Afinal, pra mim, viver é aprender. Quem acha que já tem consigo a verdade absoluta está catastroficamente enganado e, claro, ser gentil e respeitoso não custa muito (as vezes)...

Desejaram bom dia, perguntaram meu nome e pediram um minutinho do meu tempo. Fui solícito. Elas disseram que era muito bom poder conversar com um jovem e com respeito e paciência escutei, apesar de não ter apreciado tanto um ou outro excesso didático que elas usaram - mas compreendi a necessidade, se o diálogo fosse com outra pessoa menos inteirada em discussões religiosas.

Elas iniciaram me perguntando o que eu pensava a respeito do tempo que estamos atravessando. Assim mesmo, latu sensu, de modo amplo. Respondi que acredito que passamos por um momento muito específico na nossa história e que, diante desse importantíssimo período, deveríamos repensar muito do que é o nosso mundo, pra evitar grandes problemas que se avizinham... Uma das senhoras em especial abriu mais os olhos com uma expressão de admiração pela resposta que escutou, depois concordou profundamente. Daí, falou sobre alguns problemas que encaramos no dia a dia e de algumas preocupações que todo ser humano carrega consigo, então me perguntou, "Diante dessas mudanças no mundo você está receoso ou esperançoso?".

Pensei - não nessas palavras, mas pensei: "sei que nós não estamos falando das mesmas coisas e que vai chegar o ponto em que vão ficar bem claras as diferenças entre o que eu penso e o que você quer me dizer". Respondi a pergunta da senhora dizendo que estava esperançoso. E mais uma vez ela se mostrou feliz com a resposta, pois era uma senhora bem simpática. Achei meio engraçado na hora. Parecia que estávamos em alguma brincadeira de "certo ou errado", mas tudo bem. Adoro tagarelar. "Que bom, que bom!", "Mas e essa sua esperança? Você deposita onde? No que é que você acredita que deva ser feito?". Ela me fez essas perguntas remexendo sua bolsa.

Achei melhor responder indagando também, porque diálogos são conduzidos por dois. Perguntei a elas se tinham escutado falar da Usina Hidrelétrica de Belo Monte que está sendo construída em nossa região e de tudo o que ela vai causar aqui... Bem, a reação foi de repúdio, que bom, disseram que conhecem um rapaz que trabalha como piloto de avião e que ele sempre menciona as grandes áreas de desmatamento que se apresentam por aqui. Complementei mencionando os indígenas e as comunidades ribeirinhas que serão atingidas pela barragem. Elas concordaram, disseram que era muito entristecedor. Depois questionei, "Então, diante dessas coisas que o nosso governo está fazendo, o que vocês, enquanto Testemunhas de Jeová, acham que deva ser feito?". Digamos que aí era o ponto crucial do meu ponto de vista... O que se faz diante das coisas que acontecem no mundo?

A gentil senhora teve um pequeno estalo de memória e disse, "Ah, sim! Eu tenho uma pequena revista que fala exatamente disso do que estamos conversando, veja que interessante". Ela puxou de sua bolsa a revista de título "Despertai! É possível mudar este mundo para melhor?". Pensei, "Uau, eles carregam um arsenal, hehe". Daí a senhora leu alguns pequenos relatos contidos na revista (que era de 2004. Portanto, bem desatualizada, mas, claro, talvez tivesse conteúdo interessante, pelo menos para os interesses em questão). O primeiro lido foi esse trecho, que tinha no alto o título "O CLAMOR POR REFORMAS (de um redator na Alemanha)":

"Se eu fosse mais nova, iniciaria um movimento de reforma!",
exclamou Anna, uma senhora de 80 anos na Alemanha.
"O que é que a senhora mudaria?", perguntou Robert.
"Tudo!", respondeu Anna.

Depois, a senhora leu a história de um capitão de navio que, defendendo o meio ambiente, algemou-se numa âncora de navio num ato de protesto e que acabou sendo arrastado para o fundo do mar, quase morrendo. Em seguida, leu a história de uma jovem nascida nos anos 60, em algum lugar da Ásia, num período conturbado de revolução e perseguições, que fazia parte de um grupo de oposição ao governo, que foi presa na rua quando estava pregando cartazes e teve amigas executadas. A revista dizia que a moça teve que fugir do país para sobreviver.

Depois dessas leituras a senhora Testemunha de Jeová disse que tanto o capitão do navio quanto a ex-ativista política haviam "chegado à conclusão" de que não valia a pena lutar, pois o poder e os governos sempre fariam o que bem entendessem, mesmo tendo boas intenções de início e que a única solução para todos os problemas da humanidade seria o "Reino Messiânico de Deus"...

Pronto. Aí estávamos nós três. No ponto em que se diferencia e se opõem as minhas concepções das concepções das duas senhoras na porta de casa, numa manhã de terça-feira... Algumas coisas passaram pela minha cabeça rapidamente, assimilando a longa e indireta resposta que elas haviam me dado... Questionei novamente, procurando uma resposta mais clara: "Então... quer dizer que mesmo com tudo de errado que o meu governo esteja fazendo, eu devo ignorar? Vocês Testemunhas de Jeová não acreditam que as pessoas unidas possam resolver nada dos nossos problemas aqui e só podemos esperar?"

O assunto ficou complexo. Claro que ficou. Os questionamentos mais profundos vão precisar de análises e caracterizações mais profundas sempre, o mundo é assim. E é preciso ter em mente que não será uma conversinha de 10 ou 15 minutos que se vai conseguir explicar uma vida de experiências pessoais, de situações coletivas ou avaliações históricas mais amplas, etc... E muitas vezes eu penso que esse é o grande problema de muita gente ou a grande impossibilidade. As vezes, não querem se dispôr a entender as coisas ou simplesmente não podem se dispôr, porque não gozam de tempo para isso... A outra senhora, que estava calada, já notava que a coisa estava começando a tomar ares mais densos, mais argumentativos. Era lógico que não chegaríamos longe ali se não houvesse um avanço aprofundador. A senhora simpática teve que apelar para o caráter mais abstrato, mais de fé, mais dogmático. Fez um sinal para a sua colega, que entregou em suas mãos: a Bíblia.

Leu alguns versículos. Falou sobre o Armagedom, uma guerra onde as "iniquidades" seriam destruídas pelos poderes divinos e seus representantes, falou do paraíso prometido e disse que toda a decadência humana só seria derrotada com o advir deste "Governo de Deus". Que só caberia agora a humanidade "aprender sobre este novo mundo e preparar-se para a sua chegada", que estaria próxima... Posto que muitos morrerão e os que não estão com Deus estariam com suas vidas em risco, em grande perigo de não serem salvos e serem exterminados, como no dilúvio ou outro momento de divina chacina bíblica.

"Bem, eu gostaria de saber de vocês, que argumento que vocês usam...? Porque, assim, eu tenho amigos que são católicos, amigos evangélicos, tenho amigos espíritas e de outras religiões que, assim como as testemunhas de jeová, dizem estar corretos, têm suas próprias leituras, etc... Qual a diferença entre vocês?", perguntei. Perguntinha bandidinha, mas necessária. Todo mundo tem que saber se posicionar num mundo cheio de vertentes, doutrinas e correntes diferentes, senão se perde.

A senhora respondeu que o problema era que, "como todo mundo pode notar", todas as outras religiões se envolvem com Política. Enquanto que as Testemunhas de Jeová não se envolvem, mantendo-se "neutros" com relação a essas coisas, mais preocupados no que virá, passando de casa em casa, conversando com as pessoas, estudando a Bíblia e resgatando o cristianismo antigo, etc...

Bem, a minha impressão é que nesse ponto da conversa a senhora já tinha um pouco mais de cautela, de cuidado, porque já passava a sentir alguma dificuldade em explicar qual a diferença da religião dela em relação as outras e, inclusive, sobre o que seriam esses envolvimentos políticos ou falta deles... A gente sabe de determinadas coisas sobre as Testemunhas de Jeová de vez em quando, por exemplo aquele negócio de não aceitarem transfusões de sangue, que gera algumas complicações jurídicas e médicas, e a questão da "moralidade sexual" - bem usual no campo religioso.

Eu sou completamente contra a "omissão política" das pessoas - uma coisa que é meio complicada de existir, quando até omissão consiste em uma espécie de decisão política. Cada vez mais acredito que é necessária a organização das pessoas em entidades de luta social, exigência de direitos, como vem acontecendo em todo o mundo ultimamente (no Chile, na Espanha, no Egito, na Líbia, na Tunísia).

Mas naquela situação tão informal e desprovida de elementos que embasassem um diálogo mais sério e produtivo, eu nunca iria tentar conversar sobre a "consciência de classe", "unidade popular" sobre "a nova onda de ataque do neoliberalismo sobre o mundo e a ampliação da exploração capitalista", "globalitarismo", "a crise estrutural do capital", "luta de classes" e "revolução" - assuntos que estou me acostumando a discutir... Mas ainda dava pra mencionar alguma coisinha sobre a fome, os sofrimentos humanos, a falta de empregos, os altos impostos e um pouquinho sobre Justiça Social. Tudo por alto, claro.

Ela se posicionou dizendo que os governos, por não serem de deus, não resolverão as coisas. Mas ela não pôde me explicar o que seria um "governo de deus". Ela só disse que o divino governaria direto dos céus e ninguém iria sofrer como hoje... Achei que não haveria mais avanços no nosso breve diálogo, porque estavam surgindo Máximas. E a desconstrução das Máximas é um tanto custoso, sem contar que eu realmente não esperava convertê-la numa militante política, hahaha.

Ela, por outro lado, me convidou para uma reunião, disse que lá eles estudam a Bíblia, primeiro de forma abrangente e superficial, depois aprofundam com leituras e reflexões... Respondi que pensaria no caso e pedi a revistinha que ela tinha em mãos, pois iria ler com curiosidade - é bom saber minimamente como as organizações pensam, pra que possamos nos posicionar sobre estas.

Nos despedimos e desejamos Bom Dia.

domingo, 28 de agosto de 2011

Marcha das Vadias, Belém do Pará.

Dia 28 de Agosto, a Marcha das Vadias foi às ruas. Foi denunciar as opressões que recaem sobre as mulheres. Opressões fruto de uma sociedade que as coisifica, que as mercantiliza, que ainda as submete a máximas de códigos de conduta machistas de épocas grotescas, quando elas não tinham direitos e precisavam de um homem que as comprasse para vir a adquirir uma "dignidade" mísera - de ser propriedade do homem.


O tema da marcha não foi meramente sobre a questão de liberdades sexuais, mas de combate a violência em suas inúmeras formas. Diferença de salários, violências domésticas, direito ao seu próprio corpo, discutindo a questão do estupro, a questão do aborto, a questão da falta de políticas públicas de proteção a mulher, de seu direito de estudar e trabalhar, tendo creches para as suas crianças, dentre outras tantas pautas...

O Governo foi denunciado com palavras de ordem como "Esse governo vai muito mal, homem e mulher têm que ter salário igual" e "Governo Dilma, que papelão! Esse governo não combate a opressão!". Afinal, não se pode ignorar os irresponsáveis que tem o Poder de aplicar políticas públicas mas que não o exercem. Temos inclusive de lembrar daquele episódio onde o kit escolar anti-homofobia foi deixado de lado por Dilma, na frustrada tentativa de salvar o ricaço Palloci e ainda garantir um apaziguamento e ganho político com a bancada conservadora dos evangélicos.

Uma mulher na presidência da república que não luta em favor do avanço dos direitos das mulheres...? Vai completamente contra os discursos eleitoreiros e emocionais que foram utilizados para sensibilizar as mulheres e iludí-las de estarem em Dilma representadas.


Em determinado momento, um repórter chegou comigo e perguntou o que eu estava achando de "tudo aquilo". Parecia muito, com aqueles óculos debochados, um daqueles repórteres brincalhões que aparecem unica exclusivamente pelo estigma de Oba-Oba com o qual estão marcados os movimentos feministas e movimentos de defesa de direitos LGBTTs, fruto de uma perseguição editorial e midiática de ataque a esses movimentos sociais. Mas talvez não fosse, então dialoguei.

Aproveitei pra dizer que era importante a mobilização social contra a diferença salarial entre homens e mulheres no Pará e em todo o Brasil, contra os altos índices de violência, que a discussão em torno do aborto deveria ser aprofundada já que tantas mulheres são vítimas de horríveis procedimentos por falta de políticas públicas, etc. Ele ficou meio impressionado e fez uma piada pra quebrar o gelo, perguntando se o meu lado feminino estava aflorado... Respondi que ele estava, e bem indignado. rs...

Ao final da mobilização, uma intervenção cênica interpretou uma situação de abuso sexual e assassinato, onde a personagem agredida e morta clamava à platéia muda "Por que ninguém me ajuda?!" aos prantos, em desespero. E com uma sensação tensa que misturava raiva, impotência e medo... Fiquei angustiado. E é essa angustia, de querer um mundo diferente e vê-lo negado por um mundo cruel, é que move todo e qualquer militante que defenda a Justiça Social, é o sentimento que a todos deixa indignado e dá gás pra que continue lutando... Todos devemos preservar a nossa capacidade de indignação, mas não só isso. É preciso converter isso em ação transformadora, pra que tenhamos a chance de construirmos de fato nosso próprio futuro, ao modo que coletivamente desejamos.

Espero que as várias pessoas que se aproximaram dessa mobilização continuem avançando em favor das diversas demandas sociais, entendendo e ampliando cada vez mais a consciência cidadã, de agente social proativo que devemos ter, espero que passem a lutar também pelos direitos à Educação e Saúde, Saneamento, Transporte, Moradia, Salários dignos e etc. Porque no mundo em que vivemos as opressões são inúmeras, atingindo a homens, mulheres, crianças, jovens e idosos, de diversas maneiras - sofrimentos que se multiplicam ao atravessarem barreiras de classe, atingindo com acentuada dureza às camadas sociais dos trabalhadores, com o desemprego e a pobreza. Na realidade dos explorados e marginalizados por essa sociedade injusta e selvagem).


E devemos ter consciência de que todos precisamos nos ajudar. Todas as lutas devem se unificar, para estarem todas fortalecidas. Afinal de contas, não queremos vitórias pontuais. Queremos a implementação de um novo projeto de sociedade! Com igualdade de fato, não de meras formalidades inúteis! Com respeito, com qualidade de vida, com direitos realmente garantidos e com um amor maior, um amor de humanidade, um amor de arte de Paz, como diria Silvio Rodríguez (música). Então, Vamos À Luta!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cartilha do DCE-UNAMA, na VII Semana Acadêmica Acalourada.

DIA 23 Aud. David Mufarrej (campus Alcindo Cacela)

16h - A necessidade da humanivação e os desafios da saúde pública

19h - O papel da juventude na construção de uma nova sociedade

DIA 24 Aud. 3 (campus BR)

16h - Cultura, Universidade e Sociedade

19h - Opressões: Uma luta diária - Por uma universidade LIVRE das opressões

Dia 25 Aud. Dom Alberto Ramos (campus Senador Lemos)

17:30 - Belo Monte e o novo Código Florestal: desenvolvimento para quem?

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Diretório Central de Estudantes da UNAMA

O Diretório Central de Estudantes consiste numa entidade que representa todos os estudantes de uma instituição de ensino superior, sejam elas Universidades, Faculdades ou Centros Universitários, tendo como papel organizar as lutas dos estudantes.

O DCE-UNAMA sendo hoje uma referência nacional no movimento estudantil por empregar lutas dentro de uma universidade particular, por sua total independência em relação à reitoria e sempre defendendo os estudantes. Assim como também é muito reconhecido por sua luta cotidiana, pr’além dos muros de nossa universidade, em favor da construção de uma sociedade mais justa e solidária, contra as explorações político-econômicas que os poderosos exercem em nossa cidade, estado e país.

CA’s e Representantes de Turma

Um Centro Acadêmico (CA’s) é a entidade estudantil que representa os estudantes de um curso específico. Suas funções podem ser diversas. Atividades acadêmicas extracurriculares como debates, discussões e palestras; realização de projetos de extensão; mobilização e organização de reivindicações; mediando negociações entre estudantes e a faculdade alem de realizar eventos culturais entre outros.

Os representantes de turma tem um papel fundamental de estabelecer diálogo entre o DCE (que representa a todos os cursos) e o CA (que representa um curso específico), de modo a apontar as demandas estudantis de suas turmas.

DCE-UNAMA NO MOVIMENTO ESTUDANTIL

O perfil de defesa dos Direitos da juventude e dos trabalhadores insere automaticamente nossa entidade na atuação do movimento estudantil. De modo que unificamos e fortalecemos as lutas em nossa região estabelecendo relações com os movimentos sociais, com DCE’s de outras instituições e grêmios estudantis das escolas, assim como também lutamos em âmbito nacional, também unificando lutas com movimentos de outros estados (Amapá, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e etc), construindo e incentivando um coletivo forte e unificado, o coletivo estudantil “VAMOS À LUTA”.

Também estabelecemos relação com a União Nacional dos Estudantes (UNE) na qual participamos internamente compondo a ala de Oposição de Esquerda, que critica ferrenhamente a traição da atual direção majoritária da UNE por abandonar as lutas pela Educação para servir de cabo eleitoral do Governo.

Defendemos um movimento estudantil independente, coerente e combativo que não baixe a cabeça diante dos ataques de um governo que aplica corte de verbas para a Educação, Saúde, Saneamento e demais áreas sociais; um movimento estudantil solidário com as reivindicações dos trabalhadores; que não ignore a corrupção (ALEPA, Palloci, Sigilos do PAC); que lute contra os ataques sócio-ambientais, como a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a aprovação do Novo Código Florestal que trazem inúmeros impactos sobre as comunidades ribeirinhas, indígenas e nossa fauna e flora, gerando lucro para o agronegócio, para empreiteiras e para banqueiros. Enfim, defendemos um movimento estudantil antenado com a dinâmica nacional e internacionalmente (as diversas lutas que vêm ocorrendo no Chile, Espanha, Inglaterra e a sua significação no período de crise econômica mundial), que não se cala e que vá à luta SEMPRE.

ALGUMAS LUTAS DO DCE-UNAMA

*Fim das taxas extra-mensalidades, como a taxa de estacionamento;

*Restaurante Universitário – a alimentação saudável e balanceada a preço de custo;

*Ampliação do acervo da biblioteca e mais funcionários para melhor atender os alunos;

*Aumento do número das cotas de impressão;

*Melhoria do serviço da Xerox e impressão com mais funcionários e infra-estrutura;

*Mais bolsas de pesquisa, monitoria e extensão – e que os estudantes do PROUNI, FIES e Bolsas Reembolsáveis tenham direito a concorrer nestes programas;

*Concurso de Bolsas para os estudantes da Unama, fora os programas existentes – escolas e Cursinhos o fazem e é possível que a Unama adote esta prática;

mascote dce indio biri.bmp*Cursos livres gratuitos;

*Paridade nos conselhos superiores e eleições diretas para a coordenação de curso e reitor


BANDEIRAS DEFENDIDAS

Contra o aumento da tarifa de ônibus e PASSE-LIVRE JÁ!

Contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte!

Contra o Novo Código Florestal e sua anistia aos desmatadores!

Contra os cortes aplicados pelo Governo na Educação e nas áreas sociais!

Contra as opressões (machismo, racismo, homofobia, etc)

Exigência de 10% do PIB para a Educação já em 2012

Exigência de regulamentação do Ensino Privado!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comentários: Crise Capitalista, Protestos Mundiais, Repressões e as Mídias. A História irá cobrar de todos nós.

Os grandes protestos e manifestações mundiais da juventude estão marcando o novo período que a globalização atravessa, período este que o estudioso István Mészáros vê pautado num processo que chama de "crise estrutural do capitalismo" (clique aqui para saber mais). É quando esse sistema se encontra com seus próprios limites e declina inevitavelmente, arrastando toda a sua estrutura rumo a uma queda constante que não encontrará mais solução dentro de sua própria lógica sistêmica, caindo na tão mencionada barbárie. Outro texto interessante é este de Luca Morais, "Os números não mentem: a crise é o capitalismo".

Na Grécia, no Chile, na Espanha, na Inglaterra, na Itália, na Palestina, no Egito, na Tunísia e em tantos outras partes do mundo estouram enormes mobilizações sociais que, apesar de carregarem suas peculiaridades regional e política próprias, trazem cada vez mais visível uma relação lógica, de modo que torna-se ignorância pensar que todos estes conflitos estão acontecendo ao mesmo tempo por uma questão de mera coincidência. Mundo afora derrubam-se ditaduras com as novas intifadas, como a derrubada da ditadura de Mubarak, no Egito, fruto de busca por melhorias sócio-econômicas e democráticas. Crescem as revoltas da juventude mundial, com a criação do movimento 15-M, os Indignados e a Spanish Revolution, na Espanha, que também exigem uma evolução da falsa democracia a qual o país é submetido. Assim como as mobilizações estudantis no Chile, por Educação Pública de qualidade e reajustes constitucionais anti-capitalistas, que conta com mobilizações de centenas de milhares de pessoas nas ruas, em protestos pacíficos e organizados - que receberam a solidariedade dos estudantes da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e do Brasil. Na Inglaterra, as rebeliões populares, que surgiram a partir do estopim do assassinato de um jovem negro da periferia, foram recebidas com repressão policial e posterior resposta dos grupos étnicos minoritários, das vítimas da xenofobia e dos habitantes das regiões periféricas que são cada vez mais marginalizados, através dos cortes sociais e a atuação policial...

O mentiroso Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, órgãos de controle internacional à mando dos interesses dos EUA, atuam sistematicamente com políticas globais muito claras (beneficiam aliados e colocam no eixo os demais) exigem "pacotes de austeridade" - que nada mais são do que medidas econômicas pautadas em cortes de verbas das áreas sociais, como saúde e educação, para que haja um repasse internacional de riqueza aos banqueiros na "tentativa" de sanar a atual crise financeira que se aprofunda mundialmente. A dívida dos EUA chega a ultrapassar os 13 trilhões de dólares, uma soma impagável que junta o valor do PIB de diversos países juntos. A bolha imobiliária que estourou em 2007 não foi o início desta crise do capitalismo, foi apenas um de seus efeitos. E a "marolinha" que Lula disse atingir o Brasil já está dando seus sinais, através do corte de 50 bilhões de reais das áreas sociais que Dilma implementou no início de sua atuação presidencial e a retomada das greves nacionais em favor da Educação, que cada vez mais é privatizada, a luta contra o congelamento do salário dos servidores públicos por 10 anos, contra o aumento do tempo de contribuição para o recebimento da aposentadoria, etc... Sem contar todo esse capitalismo que insistem em chamar de "desenvolvimentismo" (texto de Lucas Morais aqui).

A implementação desses pacotes de austeridade consiste basicamente em: redução de salários, adiamento de aposentadorias, aumento dos impostos, corte de uma série de direitos sociais como a Educação e a Saúde pública, que ainda são repassados para serem explorados pela iniciativa privada como mercadoria... Vendem-se direitos da população, de modo que a exploração do trabalho humano são levados à extremos em escala mundial ao mesmo tempo que a contraprestação desse trabalho humano são precarizados. É um repasse da responsabilidade da crise mundial. Os reais culpados por ela repassam a conta para que a classe trabalhadora mundial pague. Trabalhadores estes que não têm culpa alguma por essa depenação capitalista implementada pelas gangues de Wall Street.

No entanto, os povos não sofrem esses ataques calados. E, em escala mundial também, começam a surgir essas respostas contra o tsunami neoliberal que arrebenta com países feito a Irlanda, que simplesmente quebrou. Grande exemplo foi Portugal, palco de várias greves gerais, ou seja, teve o país inteiro estagnado pela classe trabalhadora como forma de protesto aos cortes lá aplicados. Na França aconteceram também diversas paralisações ano passado, com manifestantes tomando as ruas várias vezes em protesto, em diversas localidades.

Faz sempre bem escutar a crítica e poética análise de Eduardo Galeano, famoso escritor uruguaio (escritor de "As Veias abertas da América Latina", que esteve acompanhando algumas das grandes mobilizações juvenis da atualidade:


E apoio é fundamental, umas vez que todas essas embasadas mobilizações sociais são atacadas sistematicamente pela mídia burguesa conservadora pró-capitalistas, que taxam de "vandalismo" e tratam como se fossem caso de polícia e não a expressão de uma necessidade urgente de mudança na política econômica internacional que marginaliza, exclui e gera a desigualdade que produz todos os demais males sociais do nosso mundo.

É notório que a mídia tem um papel fundamental na construção da consciência coletiva, enquanto um dos agente mais dinâmicos e abrangentes da multimídia. Instalada nos lares da quase totalidade das pessoas mundo afora, as redes de TVs com seus conteúdos muitas vezes adquirem um caráter decisivo na formação da visão que os indivíduos têm sobre os acontecimentos do mundo, especialmente quando se trata de povos de baixo nível educacional, como acontece no Brasil. E por mais que o veículo alternativo que é a internet esteja ganhando força gradualmente, ainda atinge uma parcela minoritária da população no nosso país. De modo que a hegemonia da comunicação ainda está nas concessões públicas de rádio e televisão.

Nossa Constituição Federal de 1988 enuncia, em seu Art. 221, que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção
independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística,
conforme percentuais estabelecidos em lei.
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

No entanto, podemos através de inúmeros casos, constatar que a função social das comunicações sociais é completamente desvirtuada pelos interesses predominantes nos grupos empresariais que detém o controle e monopólio dos grandes meios de comunicação. A Globo, por exemplo, possui um histórico muito sombrio de apoio à ditadura militar brasileira, sendo uma das empresas que mais cresceu naquele período e tendo fraudado debates eleitorais, engoliu outras emissoras e até hoje continua servindo à interesses que fogem a finalidade da concessão pública que deve, primariamente, prezar pelo desenvolvimento intelectual, cultural e democrático brasileiro.

Com relação à conjuntura internacional as grandes emissoras, por serem propriedades empresariais, acabam por não fazer o jornalismo analítico necessário, de modo que uma "imparcialidade" nas suas transmissões torna-se impossível. Na TV é usual a construção da antipatia popular em torno dos movimentos sociais que vão contra seus interesses.

Veja a Globo com suas manias, por exemplo:


Primeiramente, o "jornalismo" da Globo tenta associar naturalmente a palavra "protesto" à "saques e depredações"; diz que as Tropas de Choque devem "conter" grupos de "baderneiros"; diz que o "vandalismo" se alastra pela cidade; depois menciona a "incitação de violência pelas redes sociais", que será punida com prisão; e ressalta os "altos índices de criminalidade" nos "bairros de minorias étnicas", mencionando da forma mais aérea possível o desemprego entre os jovens na região, e conclui dizendo que Brixton é "uma das maiores comunidades negras" e ainda faz uma minúsculo apanhado histórico declarando que o local foi "palco de violentos distúrbios envolvendo mais de 5 mil pessoas, em 1981".
Tudo isso, em apenas 1 minuto e 43 segundos...

Neste outro, a Globo News toma um tapa na cara:


O convidado, o sociólogo Silvio Caccia Bava, é logo de cara submetido à uma pergunta totalmente tendenciosa, formulada para a indução do telespectador a ter a visão que a Globo News quer. Eis a canalha pergunta: "O que está acontecendo agora na sua visão é que pessoas e jovens estariam aproveitando o caos para cometerem crimes?" No entanto, Silvio dá um banho de sobriedade analítica e descreve uma série de condições e acontecimentos que explicam a situação em Londres e que a Globo não fez questão alguma de explanar. Mas, como era de se esperar, o jornalismo procura novamente uma forma de desviar o assunto dos fundamentos sociais da questão mencionando timidamente a violência e a participação da juventude. Silvio responde. Então, numa terceira investida, a terceira jornalista diz que estes jovens estão cometendo crimes e que é preciso agir contra esses crimes, então pergunta como um governo e a polícia deve agir diante do "quebra-quebra". E, tcham, Silvio responde novamente com base num raciocínio lógico de que isto tudo consiste num termômetro social que declara o péssimo estado social no qual se vive.
[...]

Atualmente o Chile, aqui na América Latina, é o maior e mais politizado representante desse novo período histórico de lutas, lutas contra essa lógica de mercantilização de tudo que é Direito da Humanidade em função do enriquecimento de poucas pessoas. Vindo de um histórico sangrento da ditadura militar de Augusto Pinochet, o Chile agora demonstra toda sua insatisfação com o legado que a ditadura capitalista deixou à nova geração. Unem-se nas ruas estudantes e professores em favor de uma Educação Pública e de qualidade (lá não existe mais Educação Pública, por consequência da hegemonia da lógica Capitalista de privatização incrustada pela ditadura - aqui uma estudante chilena explica a razão inicial dessa luta cidadã), trabalhadores do cobre que querem a reestatização do minério, entidades de direitos humanos e os partidos de esquerda. Qual foi a resposta do governo para isso? Força policial, canhões d'água, gás lacrimogênio, espancamentos e prisão, mais a utilização de uma lei da época da ditadura de Pinochet que proíbe manifestações que não possuam autorização do governo. Mesmo assim, a luta continuou MAIS FORTE AINDA (clique aqui).

"A desvalorização do mundo humano aumenta
em proporção direta com a valorização do mundo das coisas"
(Karl Marx)

Essas são as garras à mostra do Capitalismo Bestial, o famoso Capitalismo Selvagem, vindo à tona em período de crise internacional alarmante... Da última vez que pesquisei, as prisões de manifestantes já haviam ultrapassado o número de 800 (já devem ultrapassar as mil prisões), lembrando que as mobilizações chegaram a contabilizar mais de 300 mil pessoas, em atos lúdicos e pacíficos, com participação de músicos e artistas, grupos civis articulados, etc. Alguns estudantes chegaram a denunciar a participação de policiais disfarçados infiltrados que procuravam promover violência, para que houvesse uma descaracterização das marchas pacíficas e assim justificarem as prisões arbitrárias - estes infiltrados foram vistos descendo de viaturas policiais para participar dos protestos e causarem estes distúrbios artificiais.

Estão prendendo pessoas para que seja livre o mercado, como diz Eduardo Galeano. Essa é a tão aclamada "liberdade" das democracias burguesas. A Liberdade de pisotear a liberdade alheia, a Liberdade de homens explorarem outros homens a vontade, a Liberdade de arrancarem Direitos Humanos de uma grande maioria populacional em função do direito ao exercício da Liberdade de enriquecer de uns poucos. Liberdade de utilizar-se de repressão policial em cima de manifestações completamente PACÍFICAS, quando estas manifestações forem contra os ineteresses dos poderosos, com apoio dos bancos, das empresas e das comunicações internacionais...

[...]

A TeleSUR, emissora multi-estatal de idealização venezuelana, é uma das poucas emissoras internacionais que se propõe a divulgar essa onda de mobilizações internacionais sem seguir o roteiro conservador de criminalização dos movimentos sociais para a defesa do Capitalismo, senão a única que enxerga nessas mobilizações um direito legítimo de expressar-se:


Vídeo sobre as graves repressões contra os estudantes no Chile (enquanto a Globo declara que os estudantes é que enfrentam os policiais, este vídeo demonstra que são as forças do estado que provocam, enfrentam e tentam impedir a reunião dos estudantes no dia 04/08/11):


Eduardo Galeano também apoiou os estudantes chilenos que lutam pela Educação Pública e teve sua mensagem transmitida algumas vezes pelo canal, como incentivo à luta no país:


É fundamental percebermos a realidade histórica que estamos atravessando, com consciência de que é um momento completamente novo. Aquelas velhas balelas de que a História chegou ao fim no mundo Capitalista e que as grandes transformações e embates sociais são delírios dos saudosistas, das grandes ideologias derrotadas e etc, não passam do discurso que os poderosos querem incutir na mente das pessoas mundo afora. A prova real está tão escrachada e gritante que nem as grandes corporações da comunicação conseguem evitar falar nas mobilizações mundiais, na luta de classes anunciada por Karl Marx (que nunca teve os seus livros tão vendidos quanto agora!). O Socialismo continua tão atual quanto sempre foi diante dessa exploração crescente da classe trabalhadora internacional e cada vez mais é forçado a ser discutido o Socialismo pelos meios de comunicação, pelas revistas e pelas redes sociais (que têm sido um veículo alternativo fundamental para a disseminação de uma consciência crítica de realidade, uma vez que, por exemplo, a TV brasileira é um insulto a nossa inteligência...).

Não é à toa que existe um projeto de ataque à liberdade na internet aqui no Brasil. A internet tem se tornado um aglutinador de críticos do sistema capitalista, divulgação das idéias do Socialismo e espaço de articulação de mobilizações sociais - Por isso a Globo começa a acusar a internet de "incitar a violência" de tempos para cá.

Veja um vídeo sobre o AI-5 Digital, projeto para a limitação da liberdade online:


É completamente diferente você só ter acesso a informações repassadas pelos nossos enormes grupos comunicacionais monopolistas e anti-democráticos como a Globo e Record (que reprimem e criminalizam os movimentos GLBTTs, divulgam posições conservadoras e retrogradas sobre a evolução sócio-econômica, apoiando religiosidade repressiva e promovendo a incitação de violência policial, etc) do que poder acessar a inúmeras redes sociais, grupos de discussão, sites oficiais da sociedade civil organizada, partidos políticos diversos e, inclusive, aos materiais de cunho pessoal da blogosfera onde impera a liberdade de expressão e os fluxos de informações que o professor Sérgio Amadeu muito bem coloca em destaque no vídeo acima. Inclusive, encontrei um exemplo claro aqui de diferença entre o jornalismo de TV limitada pela sua plataforma de drops informacionais manipulados de poucos minutos e a experiência viva de um cidadão indignado.

Veja esse eloquente e impressionante depoimento de um professor de Educação Física indignado que trabalhava naquela região conflitos de Londres:



[...]

Em face de toda essa realidade na qual estamos adentrando, de revoltas populares e luta por direitos e liberdades. Torna-se urgente a necessidade de refortalecimento dos partidos de esquerda numa unidade programática que permita a superação desse distanciamento dos diversos grupos que almejam à uma proposta de justiça social, Socialista. Por exemplo, no Chile, um país muito avançado no campo da consciência política já se visualiza a Frente de Esquerda que prega a unidade nacional, que foi possível assistir nessas últimas eleições reivindicando o aprendizado com Salvador Allende - presidente democraticamente eleito que fora derrubado do poder pela ditadura. Piñera, atual presidente chileno, é o governante com a pior imagem na América Latina, com toda essa postura de truculência com essa histórica mobilização e corre grandes riscos de ser expulso do poder caso não atenda as vontades da população.

Devemos tomar estes exemplos internacionais e fortalecer as lutas Brasil afora, onde as greves estão sendo retomadas, onde existem protestos nas construções do PAC, onde o neoliberalismo avança com o incentivo à privatização dos hospitais universitários e sucateamento das Universidades Públicas, com os ataques ao meio ambiente por meio da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a aprovação do Novo Código Florestal, nesse governo nefasto encabeçado por Dilma, que abdicou de um passo importante na discussão dos direitos GLBTTs em função da corrupção no caso Palloci, seu cortes na Educação, na Saúde e demais áreas sociais. Os ventos que sopram lá foram estão chegando ao Brasil e nós PRECISAMOS tomar o NOSSO lugar na História, porque senão seremos cobrados no futuro pelos que nos sucederão.

"O que você estava fazendo em 2011?
Não ouviu o que o mundo estava gritando?!"
É preciso você se organizar. Tomar partido na luta de classes, percebendo que não existe imparcialidade e que "estar em cima do muro" é ser o peso morto da História que fulmina o ânimo da mudança social. Você deve adentrar em organismos de lutas sociais e ir às ruas vestindo a camisa de uma sociedade mais justa, propagando o sentimento dessa juventude internacionalista que nos serve de exemplo hoje - lutando por democracia real, participação popular nas decisões do governo, melhores salários e o atendimento de todos os nossos direitos, homens e mulheres de todas as etnias e localidades para a construção de um mundo de igualdade. Sejamos todos chilenos, árabes, espanhóis e ingleses, indignados!

Vamos À Luta!

domingo, 14 de agosto de 2011

"Plastic Ono Band"

Escuto Beatles desde criança. Os discos deles sempre foram a única unanimidade entre os meus pais. Cresci, fui me tornando quem sou hoje e criei uma grande aversão aos Beatles, num plano ideológico que no geral ninguém liga. Conheço quase todas as músicas, mas gosto de verdade de umas poucas. Detesto a paga-pauzice que a história incrustou neles, com a chegada das TVs que transportaram mundialmente seus “iê, iê, iês” como uma das primeiras grandes modas jovem. Os reconheço na medida do que avalio e bato palmas pro que acho que merece.

Nunca me dei ao trabalho de escutar a carreira solo de nenhum dos ex-beatles, por curtir outras coisas mas já por algum de preconceito também. No entanto, outro dia esbarrei num disco de 1970 do John Lennon. O “Plastic Ondo Band”, que é muito bonito (e triste) de modo geral, mas que só conseguiu mesmo me cativar pela mistura de poesia com ateísmo de “God”; A “Working Class Hero”, claro, porque eu sou socialista convicto, esse assunto me convém e porque a música ficou linda também (apesar da última frase não me agradar); “Mother” porque eu sofro de uma compaixão pelos sentimentos alheios que é meio trash de vez em quando e porque sofro de uma antecipação aguda das dores de perda; E “Love” porque é bonita e simples. Afinal, é exatamente disso que se trata toda essa vida esquisita, a simplicidade de amar – sem esses todos esses embaralhamentos inúteis que vemos por aí, de auto degradação, de ciúmes vaidosos e outras espécies de sofrimento fúteis que nos dão náuseas.

A entidade Natureza é muito indiferente com a as abstrações e sentimentalismos humanos, de modo que nosso apoio e tudo a que podemos nos agarrar no final das contas sempre acaba sendo nós mesmos. Sentimentalismos apoiados nos sentimentalismos alheios, corpos afagados pelos corpos alheios, num câmbio passageiro de vida. Até que morramos e nada mais reste além das lembranças e da dúvida daqueles que permaneceram vivos... “Há depois? Ou tudo é agora?”.

Detesto as teorizações do pós-vida, porque são todas infundadas. São todas baseadas na fé (que significa acreditar em algo sem verificação fática – até o momento, pelo menos). Não me sinto contemplado nas brincadeiras de auto ilusão, de auto dissociação do mundo real, de fuga e entretenimento puro. Sou adepto do materialismo-histórico dialético e procuro me preocupar com o mundo no qual vivo, não com o mundo das séries, dos filmes e dos romances. E é justamente essa alienação da realidade nos Beatles que mais me chateia, a ausência de alguma militância pra’além daqueles namoricos cantados, hahah. Porque sou um animal político fã radical de arte engajada.

Estou indo mais com a cara do John agora que li um pouco do histórico de ativismo político dele, com aquele negócio do disco “Power To The People” e as militâncias anti-racismo, anti-opressões que ele apoiou... rs

sábado, 13 de agosto de 2011

Pedaços desolados

Mas... e quando todas as palavras se vão? Guardadas nas bocas, no peito dos ausentes. E quando não há a quem falar e deparamo-nos sós na cidade? E quando o silêncio é a única resposta, já que tornou-se impossível fazer perguntas a alguém? O telefone chama, mas ninguém atende. Quando gritas, se o eco cala? No momento em que percebemos a mudez do mundo. No deserto das profundas ruas noturnas. Que somos quando estamos sozinhos, senão bichos incompletos? Pedaços desolados. Amputados uns dos outros...


Ontem, uma bela moça da minha idade faleceu de câncer e isso mexeu muito comigo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Clube de Vanguarda

Hoje ocorreu mais uma reunião do nosso trio sonoro, o Clube de Vanguarda... E acho ótimo fazer registro do bom andamento que esse pequeníssimo organismo em nascimento tem feito.

Tenho vivido uma época muito rica de experiências várias. E isso me proporciona diversos momentos com a aquela sensação de plenitude, de entusiamos, que todo mundo sente falta meio a rotina e o cansaço...

Pois bem, o Clube de Vanguarda é um desses espaços onde eu posso exercer um pouco de um "eu" que sempre me foi cobrado por meus "eus" demais, que sempre sentiram falta da satisfação daquela vontade de participar de uma banda adolescente que todo amante de música já sentiu. E, finalmente, por fazer parte acaba que me sinto mais completo. Esse é o grande lance de integrar-se à diversas formas de participação coletiva, inclusive... Fortalece nossa humanidade, nossa coletividade, essa nossa natureza de bicho social.

Marçal, Aulus e eu temos ótimas convergências, mesmo com diferenças na ampla visão de mundo e nas pequenas manias pessoais. Bem, pelo conjunto de toda a obra que nos enreda e nos constitui, existe essa presente perspectiva de criatividade, que o nosso clube tem ensaiado numa brincadeira de desafiar-se existir... Ambicionando produção autoral. Quando nenhum de nós está acima de um eterno aprendiz (digo, claro que uns são mais aprendizes que outros, em algum sentido - haha).

Enfim, ao que parece, posso dizer que logo pariremos algo da nossa arte.