Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Repudiamos a brutal repressão no Egito!! Abaixo o governo civil-militar!!

Declaração da Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI

No Egito se produziu um massacre pelas mãos dos militares e da polícia da nova ditadura instalada em julho. O violento despejo dos dois acampamentos de manifestantes egípcios que apoiavam ao deposto presidente islâmico, Mohamed Mursi deixou mais de 600 mortos e milhares de feridos. Estes são os primeiros cálculos, mas pode ser maior.

Esta é a jornada mais sangrenta que o país vive em sua história. A selvagem repressão ordenada e executada pelo governo civil-militar ocorreu não só na capital, Cairo, mas também em várias cidades do interior.

Desde o golpe de Estado de 3 de julho, os partidários do ex-presidente Mursi, convocados pela Irmandade Muçulmana se mobilizaram massivamente de forma permanente e terminaram instalando vários acampamentos reivindicando a liberdade de Mursi e sua reintegração no governo. O exército reprimiu várias vezes seus protestos e, finalmente, na quarta-feira 14 lançou uma selvagem repressão sobre os acampamentos em várias cidades e em diferentes bairros do Cairo. Especialmente na praça de Rabaa al Adaweya onde ficava um dos acampamentos.

Muitos dos corpos tinham sido baleados na cabeça ou no peito, mostrando claramente a ação de atiradores de elite do Exército. "As balas caem sobre os manifestantes de Rabaa al Adaweya de todas as direções", disse o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Mohammed el Beltagui, quem mais tarde foi detido pela polícia nas imediações da praça. Entre os assassinados pela repressão se encontram um jornalista do Gulf News e um cinegrafista do canal Sky News.

Após o massacre, o governo declarou o estado de emergência por um mês e anunciou um toque de recolher no Cairo e em 10 províncias (Gizé, Alexandria, Beni Sueif, Menya, Assiut, Sohag, Beheira, Sinai do Norte e do Sul e Suez), em uma tentativa de controlar a situação e evitar novas mobilizações.

Os povos do mundo deve repudiar este massacre

Cinicamente o governo de Obama "condenou" a violência, embora nunca tenha repudiado o golpe e siga enviando uma milionária "ajuda" militar de 1550 milhões de dólares para o exército egípcio. Tudo isso para continuar "pagando" seu apoio para a "paz" com Israel, contra o povo palestino. É por isso que logo após o golpe de julho, o governo e o exército egípcio fechou a fronteira com Gaza.

São os povos árabes e do mundo os que devem sair às ruas exigindo que pare este massacre e que se dê um fim a esta nova ditadura instalada no Egito.

São os militares que realmente exercem o poder no Egito, liderados pelo sanguinário e repressor general Abdel Fatah al Sisi, o ex-Ministro da Defesa do Governo Mursi, utilizado em Julho, na genuína rebelião popular contra o governo de Mursi e a Irmandade Muçulmana, com milhões mobilizados na emblemática Praça Tahrir, para tomar o poder com um golpe de Estado.

Em julho, equivocadamente o povo e os jovens mobilizados, saudaram a intervenção militar e a ocorrência de um golpe. Inclusive, os militares e seu novo governo receberam o apoio de setores da esquerda egípcia, que impulsionam a Frente de Salvação Nacional, entre eles a organização juvenil Tamarud, que impulsionou a revolta contra Mursi, e a Federação Sindical Independente, que colocou o Ministro do Trabalho. Somente o movimento juvenil 6 de abril tomou distância do governo militar.

Rejeitamos a política de colaboração de classes de um setor das forças de esquerda que hoje participa da Frente de Salvação Nacional, junto aos fulul (setores remanescentes do antigo regime) e as forças liberais. O apoio de uma maioria da esquerda ao golpe militar - que o legitima perante as massas - terá um preço muito alto. Somente o povo, seus trabalhadores, as mulheres e a juventude revolucionária mobilizados e no poder podem alcançar as mudanças fundamentais que têm sido levantadas desde a revolução iniciada em 2011.

Os socialistas revolucionários dissemos naquele momento que era um grave erro aprovar o golpe e abrir uma confiança nos militares e em seu novo governo integrado por forças políticas e lideranças políticas patronais e pró-imperialistas que se opunham à Irmandade Muçulmana. Como o Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que agora renunciou, depois de ter apoiado repressões anteriores. O verdadeiro poder são os militares que vem reprimindo e prendendo milhares de partidários da Irmandade Muçulmana. Se trata de uma nova ditadura que massacra o povo e que ameaça as conquistas democráticas da revolução árabe.

Basta de repressão! Abaixo a nova ditadura! Liberdade para os presos políticos!

Rejeitamos a repressão contra a Irmandade Muçulmana. Os setores populares que hoje são massacrados são imprescindíveis para aprofundar a revolução. Eles devem romper com a direção islâmica neoliberal, mas isso só é possível se a esquerda assumir uma política de independência de classe. Além disso, os ataques dos militares contra partidários de Mursi, só preparam a repressão contra as forças da esquerda amanhã.

Em primeiro lugar, devem ser os trabalhadores, a juventude e o povo do Egito que tomem as ruas para acabar com estes massacres e exigindo o fim da ditadura. Os mesmos que se mobilizaram contra Mursi devem fazê-lo agora. Começando pelo movimento Tamarud e a Federação Sindical Independente, que devem romper já com os militares e ir às ruas para exigir o fim da repressão à Irmandade Muçulmana e a libertação de todos os seus dirigentes e militantes presos.

Nós, socialistas revolucionários, apoiamos a mobilização popular contra o governo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, porque Mursi junto com os militares seguiu reprimindo o povo e governando para os de acima. Nós não demos nenhum apoio político para a Irmandade Muçulmana porque se trata de uma força social e política patronal, ligada a grandes sectores empresariais egípcios. Mursi foi cavando sua própria cova porque não quis romper com o antigo regime, mas sim uma transição pactuada para conter a revolução. Para este objetivo encontrou o apoio do Exército e dos Estados Unidos.

Mas nunca apoiaremos a um governo militar e sua repressão. E menos ainda que sejam eles os que julguem a Mursi e aos líderes da Irmandade Muçulmana. Será o povo e as suas organizações que o farão. Este tem sido um grande erro de setores da juventude e da esquerda egípcia. Não há nem militares nem golpes progressivos. Apenas os trabalhadores, a juventude revolucionária e o povo no poder trarão a mudança fundamental que impulsionou a revolução árabe. Por isso exigimos que pare toda a repressão, que se retire o estado de emergência, se liberte o ex-presidente Mursi e a todos os dirigentes e militantes da Irmandade Muçulmana, que saiam todos os militares e se constitua um governo das organizações sindicais, juvenis e populares que derrubaram Mubarak em 2011 e imponha-se um plano econômico operário e popular de emergência.

Em uma dinâmica de revolução permanente, as massas avançam na experiência da mobilização e estão derrotando obstáculos, como o islamismo político, que aparecia como a principal força política com capacidade para desviar a revolução de seus objetivos. Mas as necessidades das massas e suas reivindicações democráticas e sociais não têm saída sem um projeto que avance em direção ao socialismo e rompa com qualquer resto do antigo regime. A derrubada de Mursi comprova que este processo não pode se dar por etapas, consolidando primeiro uma democracia parlamentar burguesa e, em seguida, avançando em medidas sociais, porque toda política que não progrida em direção a ruptura com o capitalismo, dará às forças reacionárias uma chance de se reagrupar. E porque, se a democracia não significa pão e trabalho, que sentido terá para os milhões de que saíram à ruas em 30 de junho? O dilema não é islamismo ou ditadura, mas sim ditadura ou revolução.

Desde o Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI chamamos aos trabalhadores e os povos do mundo e todas as organizações que se declaram democráticas e de esquerda a pronunciar-se contra esta repressão criminosa e pelo fim desta nova ditadura militar.

- Repudiamos o massacre perpetrado por militares no Egito!
- Basta de repressão! Fora o estado de Emergência!
- Liberdade a Mursi e a todos os presos políticos da Irmandade Muçulmana!
- Fora o governo civil-militar!
- Por um governo das organizações sindicais, juvenis e populares que derrubaram Mubarak!

Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI

Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI) / Comitê de Enlace Internacional (Frente Operária da Turquia - Luta Internacionalista do Estado Espanhol)

FONTE:  UIT-CI

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Egito: Basta de repressão! Nenhum apoio aos militares!

Por Miguel Lamas (El Socialista - Izquierda Socialista, Argentina)

Egito após a queda de Mursi

Nesta última segunda-feira o Exército massacrou uma manifestação de civis desarmados, da Irmandade Muçulmana, assassinando a 51 pessoas e deixando a 451 feridos à bala de guerra, no Cairo. O terrível incidente ocorreu poucos dias depois da queda do presidente Mohamed Mursi causada por manifestações de milhões de pessoas que exigiam sua saída.

Os militares deram um golpe, em 3 de julho, fingindo estar ao lado do povo, jogando flores desde as aeronaves para a multidão e dizendo que era para "democratizar". Os militares já não podiam mais sustentar Mursi e corriam o risco de que destruíssem as próprias Forças Armadas, cujos soldados confraternizavam com os manifestantes.

A Irmandade Muçulmana é o movimento que constituiu a base do governo Mursi, e agora manifestavam-se para que o libertassem (está preso) e o reconduzissem ao poder. A brutal repressão militar se descarrega sobre eles, apesar de que até duas semanas atrás os militares apoiavam o governo de Mursi. Eles não se atreveram a reprimir milhões de pessoas mobilizadas contra Mursi. Em vez disso, reprimiram selvagemente a mobilização pacífica da Irmandade Muçulmana. Essa repressão pode se voltar amanhã contra a esquerda, os sindicatos ou aos jovens que se mobilizaram contra Mursi. Por isso é necessário repudiá-la como um ato aberrante que deve ser punido e que mostra que os militares e seu novo governo, liderado por Adli Mansur, um juiz que presidiu o Suprema Corte de Justiça, não são uma alternativa para o povo como eles dizem.

A rebelião contra Mursi, o golpe e o novo governo

Mursi venceu as eleições em junho de 2012 e rapidamente decepcionou as expectativas populares. Em janeiro de 2011, o povo egípcio se revoltou contra a ditadura de Mubarak exigindo liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e pôr um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Mas Mursi, pactuando com as Forças Armadas, seguiu com uma política neoliberal governando com as multinacionais, grandes empresários e banqueiros e pactuando com Obama, aplicando as prescrições do FMI sobre a flexibilização trabalhista. Ainda atribuiu a si próprio superpoderes, enquanto o país se afundava em uma grave crise sócio econômica, mantendo-se o massivo desemprego entre os jovens.

Como resultado, as massas se levantaram contra Mursi e ocuparam durante dias a Praça Tahrir, clamando por uma "segunda revolução". A queda de Mursi foi provocada por essa mobilização revolucionária do povo e não pelos militares. Equivocadamente milhares comemoraram o papel dos militares.

Na semana passada, a Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-CI), em uma declaração apoiando ao movimento popular pela derrubada de Mursi, advertiu: "Nós rechaçamos ao golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"! O golpe militar é um rearranjo das Forças Armadas, diante do medo da revolução e das massas. Assim querem evitar que siga se desenvolvendo a revolução e que percam o controle. (...) Seu principal objetivo não é atender às demandas das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde protejam seus interesses econômicos em aliança com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador segue afundando na pobreza e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias têm acordos com os EUA, dos quais recebem milionárias somas de dinheiro para seu armamento..."

A mobilização popular que derrubou a Mursi, foi liderada pelo movimento Tamaroud (Rebela-te), com grande peso da juventude, que afirma ter reunido cerca de 22 milhões de assinaturas por um abaixo-assinado exigindo a renúncia de Mursi.

Tamaroud faz parte da Frente de Salvação Nacional, composta por forças e figuras políticas burguesas como Mohamed Al Baradei, figura apoiada pelo imperialismo, ex-chefe da agência de controle nuclear da ONU. Esta frente apoiou abertamente ao golpe militar. A frente designou ElBaradei para estar no governo "de transição" junto com o partido ultra islâmico Al Noura.

Em poucos dias os militares, com a repressão, começam a desmascarar-se. Abrindo também uma crise política já que o partido Al Noura rompeu com o governo pela repressão da segunda-feira, 8. No fim das contas, seguia aberta a crise, a repressão e a instabilidade política.

É necessária uma alternativa revolucionária

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção revolucionária. Nem a Irmandade Mulçumana, nem os militares, nem os seus atuais aliados "liberais" liderados por Baradei podem oferecer uma saída a favor do povo, dos trabalhadores e dos jovens, porque todos servem ao imperialismo, às multinacionais e aos grandes empresários. E podem colocar o Egito à beira de uma guerra civil. Diante da crise é necessária uma alternativa revolucionária independente de todos os setores patronais. Uma alternativa dos movimentos juvenis, os comitês populares que começaram a se formar na mobilização, os novos sindicatos de trabalhadores, que devem repudiar a repressão e deixar de apoiar ao governo "civil-militar" para planejar a construção de um poder operário e popular.

O governo civil-militar reprime e pretende reformar a Constituição com um grupo de "notáveis", amigos das Forças Armadas. É necessário mobilizar-se para repudiar as ações militares repressivas, a comissão de "notáveis" e exigir a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com plenos poderes para decidir como será a economia, a educação e a organização política do país.

Nesse sentido, devemos continuar impulsionando a mobilização de massas por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, pela expropriação das empresas multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, pela nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos e pela vigência do pleno exercício das liberdades democráticas e contra todas as formas de repressão; julgamento e punição aos autores dos massacres populares.

Fonte: UIT-CI

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Egito: A mobilização revolucionária derrubou Mursi!

Nenhum apoio aos militares! Só os trabalhadores e o povo no poder serão solução!

Egito. Praça Tahrir. Declaração da UIT-CI

A queda do presidente Mursi, no Egito, foi o resultado de uma imensa mobilização revolucionária do povo trabalhador, dos jovens e mulheres concentrados vários dias na Praça Tahrir. As Forças Armadas deram um golpe para derrubar Mursi e instalar um novo governo de "transição" obrigados pelas circunstâncias e para evitar que o processo revolucionário passasse por cima deles também, que vinham respaldando o governo de Mursi.

O povo egípcio voltou a sair às ruas e novamente ocupou a Praça Tahrir, exigindo que Mursi se fosse, porque este governo do partido islâmico da Irmandade Muçulmana (HH) rompeu com as expectativas abertas pelo povo egípcio há um ano. A revolução de 2011, foi feita para exigir liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e por um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Essas expectativas foram frustradas pelo governo Mursi, apoiado pelas Forças Armadas, que seguiu governando para as multinacionais, grandes empresas e banqueiros, pactuando com Obama, e endossando o corrupto poder empresarial dos militares. O presidente Mursi, surgido a partir de uma poderosa revolução democrática, editou decretos que outorgavam a ele superpoderes como presidente. Enquanto isso, o país mergulhava em uma grave crise sócio-econômica, com uma inflação de 8%, um desemprego de cerca de 15% e uma economia semi-paralisada, onde o turismo, uma das principais fontes de receitas caiu 30%, o que foi aumentando a insatisfação e o protesto social.

Por isso as massas saíram às ruas sob as consignas "Fora Mursi" e "por uma segunda revolução". Estima-se que a mobilização na Praça Tahrir passou a ser maior do que a do triunfo da revolução no início de 2011 que pôs fim à ditadura de Mubarak. Então, também os militares, que tinham sido o sustentáculo do antigo regime, cederam à força da revolução popular e deixaram cair o ditador.

Outra vez os protagonistas centrais da mudança são as massas mobilizadas e não os militares, que na nova etapa, foram o principal esteio sustentador do governo Mursi e a Irmandade Muçulmana, que acaba de cair.

Repudiamos o golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"!

O golpe militar é só um rearranjo, um reacomocadamento, das forças armadas ante o medo da revolução e das massas. Não saíram a reprimir ao povo por medo de um estouro que os derrotasse. Querem assim evitar uma maior desestabilização e que se siga desenvolvendo a revolução até que percam o controle. É uma manobra dos de cima para tentar desviar e derrotar a revolução usando a reação democrática, combinando as eleições com novas medidas autoritárias e repressivas. Seu propósito fundamental não é atender às reivindicações das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde possam seguir protegendo seus interesses econômicos (controlam 40% do PIB) em alianças com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador se afunda na miséria e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias também têm pactos com os EUA, de quem recebem somas milionárias para seu armamento e equipamento.

Por tudo isto repudiamos o golpe militar e seu plano de transição política apoiado pelas máximas autoridades religiosas e os principais dirigentes da oposição política pró-EUA como o Prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei.

Entendemos o júbilo das massas na Praça Tahrir, pelo triunfo da queda de Mursi, mas não compartilhamos as expressões de apoio ou de confiança nos militares e na polícia que são forças repressivas e defensoras do sistema de exploração e de pilhagem das multinacionais e outros exploradores no Egito.

Somente o povo, seus trabalhadores, as mulheres e a juventude revolucionária mobilizados e no poder, pode conseguir as mudanças fundamentais que têm sido levantadas desde a revolução iniciada em 2011.

A mobilização revolucionária deve continuar

A queda de Mursi mostra que a revolução árabe continua e que não conseguiram pará-la no Egito, nem em todo o Norte da África e no Oriente Médio. Parte desse processo tem sido a rebelião popular da Turquia contra o governo de Erdogan e a continuidade da resistência contra o ditador da Síria.

Nem este governo de "transição" militar-civil nem nenhum outro que seja composto pelas forças militares e políticas pró-empresariais e pró-ianques darão saída aos objetivos democráticos e sociais das massas. A mobilização da classe trabalhadora e do povo egípcio e suas organizações devem continuar porque são a única garantia de mudança. Só um governo dos trabalhadores e suas organizações populares, sindicatos e juventude, trará uma saída definitiva aos problemas do povo.

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção socialista revolucionária com peso de massas. Justamente esse vazio que é ocupado circunstancialmente pelos militares e por formações ou líderes políticos patronais, como antes fez a Irmandade Muçulmana (HH) e agora o Prêmio Nobel da Paz Baradei. As massas estão fazendo a experiência com os governos surgidos da revolução, encabeçados por forças políticas patronais islâmicas como a HH e outras. É necessário que ao calor das mobilizações, protestos e greves, venham se consolidando organismos alternativos de massas, tais como os sindicatos independentes ou as organizações juvenis que estão encabeçando as convocatórias à Praça Tahrir, para se construa um poder operário e popular alternativo.

Nesse sentido, e sem dar apoio ao governo cívico-militar, é preciso continuar impulsionando a mobilização operária e popular por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, para a expropriação das multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, para a nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos. Pela o exercício pleno das liberdades democráticas, não a limitações e planos autoritários dos militares e seus pactos a partir do topo, não a Comissão de Notáveis ​​para fazer uma Constituição, pela livre eleição de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana que discuta tudo e que o país quer o povo mobilizado.

Viva a mobilização revolucionária da Praça Tahrir!

Nenhuma confiança nos militares nem em Baradei!

Continuar a luta para alcançar um poder dos trabalhadores e do povo!


Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI)

4 de julho de 2013