Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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terça-feira, 17 de março de 2020

Ciro Gomes disputa "saída antissistêmica" enquanto parte do PSOL vacila em 7° Congresso

De Eduardo Rodrigues, militante do PSOL-PA

Palavras-chave: agenda liberal; bolsonarismo; lulopetismo; crise capitalista brasileira; alternativa antissistêmica; Cirismo; 7° CONPSOL; programa e união socialista.


Diante de uma crise brasileira brutal onde o povo sofre cada vez mais restrições de direitos e dignidade, além de desastres ambientais, econômicos e de saúde pública agora, que há de saídas políticas?

Com uma "esquerda tradicional" morta que vive em uma irreversível "retirada permanente" das lutas sociais, com as direitas vivíssimas e atuantes na política e dirigindo os poderes, a disputa pela nova alternativa que represente a necessária saída antissistêmica está posta de novo no tabuleiro político e eleitoral... Bolsonaro disputa ainda essa mesma posição antissistêmica da forma mais reacionária possível, com sua saída aos moldes liberal-autoritário. A população acumula uma enorme indignação e frustração que estoura em lutas esporádicas e desorganizadas, mas corretas. Que ecoam em carnavais e outros eventos culturais de massas, mas insuficientes.

A realidade é que essa saída antissistêmica é a única disputa política que existe no Brasil para se opor ao continuísmo. Como um país parte do capitalismo periférico e dependente, as nossas tarefas históricas são sempre a negação da grave situação de miséria e autoritarismos da qual nasceu e que segue vivendo o Brasil, desde a colônia até a moderna "neocolonia" do século XXI. Toda grande alternativa politica de massas aqui faz essa disputa antissistêmica porque a vida da maioria aqui é sempre uma desgraça a ser denunciada como culpa contínua dos governos anteriore, posto que é estrutural do capitalismo a nossa desgraça.

É evidente que o mal estar atual está ligado a todas as agendas antipopulares de reformas contra os trabalhadores, parte das orientações mundiais para fazer frente a crise capitalista internacional que não para de avançar e gerar mais crises políticas por todos os lados. A América Latina - mas não só ela - tem sido palco de rebeliões populares contra governos burgueses tradicionais e contra governos progressistas da esquerda capitalista. No entanto, nessa atual conjuntura constata-se que a nossa política no Brasil está unificada em um consenso do capital contra os direitos dos trabalhadores. E dividida publicamente apenas entre aqueles que diante dessa tão monstruosa agenda liberal e antipopular só são capazes de dizer "sim" (esquerda) ou "SIM, SENHOR!" (direita). Na realidade, o mais preciso e correto de afirmar é que há um pacto entre direita e esquerda no Brasil, um pacto dos expoentes políticos do capitalismo atual: bolsonarismo e lulismo. E a quebra de todas as falsas polarizações bipartidárias na política é a ÚNICA forma visível e instantânea de se diferenciar aos olhos do povo em todas as últimas eleições presidenciais, exatamente porque é a verdade. Seja Heloísa Helena, Eduardo Campos, Marina Silva, Plínio de Arruda ou Luciana Genro, não importa, toda as oposições que realmente disputaram uma posição fizeram essa discussão.

Ontem o Ministro Ciro Gomes deu entrevista ao Roda Viva e reafirmou querer ocupar o espaço que agora se reabre de "alternativa contra tudo que está aí" - mesmo sendo parte histórica de tudo que aí já esteve durante décadas... Qual a sua posição? O combate simultâneo ao lulopetismo sujo e ao bolsonarismo tresloucado que ele advogou é CORRETÍSSIMO e inegociável para aqueles que querem uma alternativa a tudo isso. O combate ao "rentismo", às radicalizações reacionárias e, óbvio, à destruição dos serviços públicos do Estado brasileiro são CORRETOS e urgentes.

Ciro - inclusive, em contradição ao próprio PDT e a todos os seus aliados, fazendo discurso à esquerda - está muito melhor posicionado hoje do que toda a esquerda tradicional capitalista que lambeu as botas do FMI e do Banco Mundial no que tange à denúncia do desmonte da indústria nacional, da estrutura antidemocrática e corrupta de poder que permeia as instituições brasileiras e da gravíssima desigualdade que vivemos. No entanto, é evidente que o projeto Ciro é mais um matiz dos reformismos nacionais que se opõem à rupturas com o capitalismo e se propõem a domar a fera selvagem que estrutura todo sofrimento dos trabalhadores e dos desalentados pelo sistema, o que é ilusão.

Mas ele capitaliza pois aproveita que todo dia, de fato, há uma nova prova que aquela esquerda do Partido dos Trabalhadores e do ex-PCdoB já morreu para as necessidades populares, traindo mobilizações, furando greves e aderindo às reformas bolsonaristas. Um exemplo foi o trágico episódio da restroescavadeira que usa como desmontração de afinco na luta social contra as milícias e uma forma de "contundência" ao passo que aquela esquerda que ele quer substituir ja está fedendo a cadáver e, pior!, intoxicando com os seus fracassos a cabeça do povo brasileiro. Seja com o imobilismo que ele chama de "bom mocismo inerte" ou - pela negativa - empurrando ao apoio de aventuras militaristas ditatoriais bolsonaristas, sob o peso da influência de parte da mídia e do ultra conservadorismo que reina. Mais pela falta de alternativa do que propriamente por uma concordância absoluta - não a toa os atos do dia 15 março foram tão minguados e a isolada pauta extremista vista na rua.

No campo socialista estamos enfraquecidos e alheios às grandes disputas, infelizmente. Hoje o PSOL (junto aos camaradas do PSTU e PCB) poderia estar cumprindo esse papel urgente e fundamental - como cumpriu ao longo de sua história - destacando-se em denúncias no cenário nacional e ainda oferecendo a única resposta adequada: uma agenda de socialização econômica e empoderamento popular, uma ruptura com a desordem estabelecida e que garanta todos os direitos básicos que  são PROIBIDOS pela economia política do "FODA-SE" aplicada pela burguesia e todos os seus partidos (incluindo o PDT), um sistema que está contra a população brasileira ao longo de toda a agenda liberal dos governos FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro que estão nos conduzindo à maior catástrofe social, política e econômica da Nova República. Nós estamos assistindo a própria falência sem freio dessa Constituição de 1988 e Ciro até comentou no programa a necessidade de uma "reformulação federativa" evidentemente precisa.

Esse é o debate mais importante hoje entre os militantes que defendem mudanças profundas no Brasil, em favor do povo e a criação da força política e social necessárias pra lutar contra o sistema capitalista e seus quadros burgueses todos. Meio ao 7° Congresso Nacional do PSOL, cruzado pela crise do COVID19 e da catástrofe econômico-social do país, é preciso reforçar os debates críticos a figuras como Guilherme Boulos, Edmilson Rodrigues, Marcelo Freixo e a toda a grave insuficiência de seus programas e política de alianças para essas tarefas - aliados a burguesia, ninguém fará mudanças profundas. Parte dos quadros políticos do PSOL e de correntes internas que estão abrindo mão de um necessário protagonismo nacional do partido e dos socialistas, planejando alianças com PT, PV, PDT, PCdoB e Rede. Essa política da "Aliança" interna que disputa o nosso 7° CONPSOL está funcionando como os aparelhos respiratórios e desfibriladores para o morimbundo lulopetismo decrépito e agonizante, contaminado e sem salvação. Sendo funcional a falsa polarização de lulismo x bolsonarismo, fortalecendo não só a ultra direita como também permitindo o espaço para que um novo projeto burguês como de Ciro Gomes se vista de "Bernie Sanders" brasileiro. Por isso a disputa de camaradas como Renato Cinco, David Miranda, Sâmia Bomfim, Carlos Giannazi e outros é fundamental de ser seguida por um grande movimento contra o neolulismo interno no PSOL.

Nós da tese "Bloco da Esquerda Radical - PSOL" e outras teses socialistas no partido devemos reforçar essas denúncias e unificar nessa tarefa de combate interno e externo pra evitar mais atrasos na construção da alternativa socialista brasileira. E os camaradas do PSTU, PCB e demais setores socialistas legais e não-legalizados como partidos eleitorais devemos reforçar a estratégia dos camaradas da Argentina: a Frente de Izqueirda e de los Trabajadores Unidad (FIT-U) pra avançar ou sim ou sim num pólo social e político unitário. O "Contrapoder" organizado por Plínio Jr é uma proposta nesse sentido também, urgente. Pois é uma necessidade pra construir um programa e uma coordenação das lutas dos explorados e oprimidos que estão a mercê de todos os ataques do capital hoje e sem condições de resistir como precisam. A burguesia está em guerra contra nós e nós urgente precisamos estar armados pra enfrentar isso. A organização coletiva é a nossa arma principal. Precisamos de uma força política que diga o "NÃO!" necessário contra o consenso do capital que hegemoniza o Brasil.

Esse é o grau do problema.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Devaneio: consciência ingênua sobre líderes, representação e participação direta

Estava refletindo coisas sobre o episódio da votação em 1° turno no Congresso Nacional quanto a Reforma da Previdência e a reação ao voto de Tábata Amaral e outros deputados federais. Aí acabei digitando esse devaneio bagunçado no Facebook. Mas não quis publicar porque lembrei que tenho um Blog abandonado que agora quero ressignificar. Então, aí está o texto pra quem quiser compartilhar ideias ou fazer colocações.


É muito importante levar os debates para fora da cultura de linchamento e deboche que redes como o Facebook acabam repercutindo. Então, por isso prefiro refletir sobre esse assunto aqui, nesse formato, porque é um exercício saudável a reflexão sobre como contribuir melhor para que as discussões sobre as coisas que ocorrem levem para conclusões e não só para conflitos gratuitos e infrutíferos.

Hoje vejo que um dos principais problemas que as lutadoras e os lutadores sociais se confrontam nas batalhas politicas cotidianas é com uma grande dificuldade de "leitura" dos fenômenos da política. Pois impera, infelizmente, uma consciência ingênua generalizada sobre nosso povo, em verdade sobre todos nós e nossos iguais, trabalhadores e pobres, enquanto classe. As pessoas olham para as coisas da política, mas só enxergam as aparências e não conseguem perceber as essências. Ou seja, não se analisa em profundidade, mas apenas em superficialidade as disputas políticas em curso. É por isso que vivem caindo numa espécie de "seguidismo carismático" que termina em desilusões e experiências frustrantes, sem nem ao menos conseguir perceber quando estão sendo iludidas e muito menos em como está se dando essa ilusão até que reste o constrangimento público. E a indignação.

Não se lê o conjunto dos processos como o "filme" que são, se olha para os fatos de forma tão estática como se fosse uma "fotografia". Falta consciência dialética, falta enxergar que as coisas todas são dinâmicas, mudam e mudam. Falta consciência crítica de entender causas, efeitos e prognósticos quanto ao futuro, análises profundas e mais detalhadas dos fenômenos. O conteúdo dos programas, a localização dentro da luta de classes das diversas organizações e forças políticas.

E pior ainda, pois existe uma tendência desgraçada dentre os não-críticos de se achar ou de tentar sempre colocar uma pecha de que as pessoas que fazem crítica são pessoas que querem ser "donas da verdade", que sejam "arrogantes", que pensem que "só elas estão certas" e uma série de outras generalizações agressiva ao debate para tentar, objetivamente, impedir a realização das discussões e da reflexão crítica. É um método de não-debate para evitar que sejam deslocadas consciências para fora da zona de conforto acrítico e do lugar comum dos consensos sociais pré fabricados. Divergir é sempre tratado como algo ruim, negativo e penoso, não construtivo, ou divisionista e prejudicial quando isso é o completo oposto da realidade. Pois sem ambiente de debate livre e saudável impera o monolitismo autoritário de opiniões e decisões de alguém que exerce o poder.

Além de tudo isso existe uma grande falta de consciência do próprio poder, do poder coletivo, da força das pessoas, da importância da participação direta, ativa, coletiva, contributiva e dinâmica do máximo de pessoas no processo de luta social, da organização e mobilização das batalhas que se encampar, no se tem muita consciência sobre nosso própria capacidade de intervir e mudar os rumos dos fenômenos em desenvolvimento. Da nossa capacidade transformadora e de como ficamos mais fortes, mais capazes e mais inteligentes quando estamos agindo em unidade. E acabamos entregando o nosso poder coletivo a pessoas, a indivíduos ou grupos e vamos nos esvaziando inconscientemente desse poder.

Esse é o caso dos "líderes". Estas figuras são um fenômeno político também, que se dá em um tempo e um espaço como parte de um processo vivo e dinâmico de relações interpessoais que se transforma continuamente. Portanto, nós precisamos ser cirúrgicos na análise do papel que cumprem essas figuras. Seja quando são papéis progressivos e positivos para o avanço e contrução da luta ou seja quando passam a ser um fator negativo, obstrutivo e nocivo, onde o "eu" vai agindo em detrimento do "nós", se deixando de lado o coletivo e a coletividade em nome do individual e da individualidade. Quando projetos pessoais são maiores que os projetos coletivos, é o momento mesmo da traição, muito provavelmente.

É a vulnerabilidade crítica, é a armadilha da ingenuidade política que nos impede de nos livrarmos dos "mitos" que surgem sempre e a todo momento em todo lugar desse país. Há por todo lado fábricas e mais fábricas de "mitos" políticos, religiosos, comunitários, estudantis, acadêmicos, jurídicos, enfim, a sociedade está cheia de pessoas artificialmente construídas consciente ou inconscientemente preparadas para enganar as pessoas e detonar e destruir os sentimentos e os valores de comunidade, coletividade, civilidade, solidariedade, construção conjunta, bem comum, etc. Porque ao sistema capitalista no qual vivemos só interessa o que se pode fazer de propriedade privada, lucros e vantagens de seus agentes sociais e ideológicos. Ou seja, essa própria "consciência ingênua" é parte dos programas de poder da classe burguesa sobre toda a nação brasileira, pois ela quer um povo ignorante, sem escola, sem nível superior, sem política, sem debate e liberdade, ou mesmo quaisquer sociabilidades diversas aos seus padrões estéticos, morais, éticos e econômicos. A ingenuidade política, no caso, é um desastre completo onde tudo é decidido pelo voto nessa democraria dos ricos, mas que, na prática, não decide nada além de indivíduos e simulações em crise de processos democráticos.

Porque as pessoas ao invés de ver as práticas, os métodos e os conteúdos, acabam sendo condicionadas por essa consciência ingênua a se apegarem a seus afetos passionais e não-racionais, ao carisma das "figuras públicas". Quando deveriam, na verdade, se apaixonar e fazer reproduzir estas práticas, estes métodos e estes conteúdos que são apenas representados por pessoas, sim, obviamente, mas que não são características exclusivas delas! O "culto a personalidade" é o escárnio da coletividade. A idolatria de heróis e o menosprezo do comum.

Por exemplo, se formos olhar criticamente para além da pessoa e estudarmos o que, de fato, Lula significou em várias áreas da sociedade brasileira, veremos o seu ataque contra aposentados e pensionistas quando alterou as regras da previdência e quebrou a paridade entre aposentados e da ativo, gerando perdas econômicas aos idosos e seus cônjuges; ou como seu projeto educacional gerou uma explosiva privatização do ensino brasileiro que chegou na casa dos 85% das instituições de ensino superior, com transferência massiva de recursos públicos aos negócios privados via FIES e ProUni; ou como o abandono do projeto da Reforma Agrária e o incentivo ao Agronegócio exportador reforçou o caráter de Neocolonia do Brasil ao mesmo tempo que ativou um retrocesso industrial nacional que nos enfraqueceu diante a divisão internacional do trabalho; ou de como as sucessivas alianças e apoios do lulopetismo ao fundamentalismo religioso nutriu Edir Macedo, Marco Feliciano e até a própria família Bolsonaro, posto que todos eles foram aliados ou membros da base aliada do PT e saíram muito mais fortes do que entraram na política, destruindo o kit de combate a homofobia nas escolas, entre outras pautas, direitos femininos, que viraram moeda de troca por apoio eleitoral; ou a linha ascendente do encarceramento de jovens negros e de uma técnica de militarização das favelas via UPPs, a criação de novas forças de repressão e até uma lei "antiterror", sendo que sabemos que o terrorismo no Brasil vem do Estado e não dos movimentos sociais; E um longo etc...

Infelizmente, a ampla maioria das pessoas nem sequer sabe dos dados mais básicos desses problemas. Que seria um problema também de informação, mas, para além disso, também de formação porque: apenas conseguem enxergar um velhinho barbudo, simpático e de fala simples, que veio do nordeste e prometia destruir a corrupção e mudar tudo de horrível que havia. Tocante. Mas que não vai além dessa superficial análise, que FOI real em certo tempo e em certo espaço, mas que não é nem a totalidade da realidade e nem é mais realidade hoje, depois de tanta corrupção e servilismo a elite brasileira e ínfimos projetos aos pobres que não resolveram nada do que se prometia resolver. Há muito no subterrâneo que não se explora. Há muito que não se alcança, posta a ingenuidade política. E isso serve tanto para o ex operário como para o ex capitão ou a ex guerrilheira. As coisas mudaram e nenhum deles é hoje igual ao que já foram no passado. A dissonância da palavra e das ações é também algo essencial de termos em mente que ocorre.

A ampla maioria das pessoas não reflete para além do discurso e conceitos oficiais sobre a pobreza - nem sequer refletiram o que significa a palavra "pobreza", que não expressa apenas o número de reais e centavos no bolso, mas todas as condições de reprodução social das pessoas que são alijadas de seus direitos. A ampla maioria das pessoas não reflete que não acabou a pobreza, e nem percebeu que nós todos caminhamos para um país onde o fosso entre os mais ricos e os mais pobres cresceu muitas vezes mais do que qualquer "digestão moral da pobreza" praticado em programas assistencialistas governamentais.

Outro caso é do Guilherme Boulos do PSOL que foi candidato pelo partido que eu milito e que eu crítico sempre que vejo erros que, em minha opinião, precisam ser enfrentados com dureza e honestidade. Boulos teve um modus operando interno e outro externo, por dentro das entranhas do processo político interno sua candidatura foi uma imposição autoritária, burocrática e que negou a que a militância do PSOL pudesse realizar uma eleição direta desde suas bases e decidir coletivamente e democraticamente. Boulos foi colocado como candidato por delegados de um Congresso que não debateu em suas etapas e pautas nada sobre candidaturas presidenciais, foi algo que entrou pela janela e, bionicamente, feriu a democraria interna como nunca antes tinha ocorrido na organização. Isso gerou uma crise no partido que casou desgaste e levou a pior votação de toda a trajetória do PSOL, vários militantes decidiram abandonar a campanha e não mover forças por ele. Eu era contra a su candidatura, mas achei que as bandeiras do PSOL estavam hasteadas parcialmente e por isso era preciso disputar ainda o espaço que fosse aberto por ela, mas com críticas. Enquanto isso, para fora do partido parecia que Boulos era o líder e campeão da "defesa da democracia", o que, na prática, é falso pois não respeitou nem sequer os militantes do partido pelo qual concorreu e aplicou uma política diferente da usual do partido e o fez, inclusive, nos fez perder parte grande do nosso eleitorado mais fiel. Isso é um exemplo de fábrica de lideranças biônicas por cima e não por baixo, que gera desconfiança e deseduca. Boulos acabou perdendo votos para outras ilusões como Ciro Gomes, para Bolsonaro, para Haddad, etc. Mas a realidade mais importante é que todo o processo eleitoral já é, por si mesmo, uma ilusão e a tarefa dos lutadores é denunciar essa farsa antidemocrática e disputar consciências para a crítica e para a luta e para a organização contra essa ordem do capital e sua democraria burguesa. Não sonhar em entrar nas regras do jogo como fez o PT e sim destruí-las para criar novas regras, as regras de uma Democracia Direta, de uma Democraria dos Trabalhadores. Coisa que Boulos e sua Plataforma "VAMOS" não conseguem fazer...

O problema de termos uma população sem consciência crítica, mergulhada em uma consciência ingênua superficial e alienante de sua capacidade de ver as coisas é que as pessoas estão mais vulneráveis a acreditar em qualquer coisa. E também ficam incapazes de com essa consciência crítica poder mudar as coisas com suas próprias mãos, com suas próprias forças. Tudo parece recair sobre os líderes, sobre os políticos, sobre as instituições, sobre as representações de todo tipo, tudo parece ter mais força do que as pessoas comuns. Parece que quem tem menos poder somos justamente nós e nossas mãos de cidadãos. Mas isso não é real, isso é ilusão.

O problema é que isto acostuma as pessoas a receber pouco, sempre se satisfazendo com a lógica de "pelos menos isso", então nossa classe sempre está subjugada e dominada e submetida a aceitar péssimos acordos. Desarmada para disputar algo maior e mais estratégico, desarmada de Sonhos e Bandeiras pelas quais lutar, muitas vezes. Aceitando a "miséria do possível". E assim também sempre deixando que os outros peguem a sua responsabilidade de resolver os problemas do país, sem nunca se resolver nada e sempre ainda conseguir piorar muita coisa.

É fácil enganar o brasileiro, infelizmente.

Toda a nossa consciência política mais avançada foi amputada pela Ditadura Militar e todo o autoritarismo obscurantista que veio junto nos mantém até hoje em uma "idade mental social" infantil - ou senil. Porque conseguimos chegar à loucura de ter gente hoje dizendo até que o Brasil já foi "socialista" ou que o PT é "comunista", quando o petismo foi fiador das classes dominantes e sempre estave servindo a capitalistas nacionais e mais ainda aos capitalistas e banqueiros internacionais! O próprio Obama, presidente imperialista do país mais capitalista e bélico do mundo todo, chamava o Lula de "o cara" por sempre estar a disposição dos EUA. Foi, inclusive, o Lula quem mandou as tropas do Exército brasileiro irem oprimir como um exército racista o povo do Haiti! Ou seja, o Brasil já até serviu de cachorro dos EUA quanto a sua atuação geopolítica, fingindo que cumpria uma missão de paz quando ia bater em pobres famintos desesperados que queria pegar comida nos supermercados...

O mundo é todo ao contrário e as pessoas se enganam como crianças, bebendo tinta pensando que é um suco delicioso de morango. E tanto mais velho alguns, às vezes, mais infantil parecem se tornar os membros de nossas gerações anteriores, lamentavelmente.

A ignorância - no sentido do desconhecimento - é a condição que as classes dominantes conseguiram vitoriosamente instalar no país pra melhor dominar e pilhar os pobres e quem vive do seu trabalho. Da venda de suas forças e suor por um salário de fome que não paga nem o que a Constituição diz que deveria ser pago, como função social do salário para alimentos, vestuário, lazer, saúde, etc. Não só os ricos gananciosos mas também os seus serviçais políticos canalhas de "esquerda" são campeões em falar bonito e fazer terrível o tempo todo. No parlamento: mocinhos. Na luta de classes: burocratas traidores da pior espécie dispostos a desmontar greves, lutas e mobilizações.

As pessoas precisam de CRÍTICA pra conquistar sua emancipação política, epistemológica, ideológica, religiosa, sexual, relacionamental, em geral, em tudo. Para conseguir se livrar desse vício doentio de gostar de viver ilusões inúmeras, viver falsificações das mais perversas e tolas e muitas vezes cruéis.

O cotidiano é cheio de ilusões, as relações são cheias de acriticidade, cheias de paixões tão irracionais que se tornam tóxicas, venenosas pra própria saúde mental e emocional das pessoas que convivem, um em relação às outras. As pessoas estão se adoecendo umas às outras também como efeito da deterioração do tecido social da sociedade burguesa, uma sociedade que vive uma decadência estrutural tanto no Brasil quanto no mundo. Na sua moral, na sua civilização. O suicídio e a depressão são debates feitos já pela nossa própria juventude, tão atingida pela crise de desemprego e a falta de perspectiva de futuro,. A tristeza se abate de forma crônica, a solidão mata aos pouquinhos pelos golpes que as opressões conscientes e inconscientes produzem. A violência. O medo. Há demais pressões nos ambientes de moradia, estudo e trabalho. Isso quando você tem onde morar, onde estudar e onde trabalhar. Sorte de quem ainda não teve o mundo desmoronado em pedacinhos de esperança perdida por todos os lados.

Veja bem...

Quantos casais abusivos, amigos-juízes e colegas autoritários a gente conhece em todo lugar? Que não ouvem uns aos outros e que não procuram ser compreendidos e nem compreender ninguém. Quantos patrões ou quantos representantes do Estado que cruzam nossa vida não aplicam assédios morais contra nós? Quantos egoístas arrogantes conhecemos? Que vivem só em função de si e de suas vontades, seus objetivos e "fodam-se vocês pra lá" todos ao seu redor? Que acham engraçado e fazem deboche sistemático do própria ideia de disposição ao diálogo? Que batalham e militam pra que as pessoas se sintam mal e excluídas dos espaços que mais deveriam ser de todos nós? Quantos oprimidos que são campeões em oprimir que a gente acaba conhecendo no dia a dia? Que falam de liberdade, mas só defendem a própria enquanfo vivem pra julgar e fazer troça dos seus desafetos? Nossa! É de cima a baixo, seja do Congresso ou do Presidente da República, até os mais ferrados, até os mais na rabeira da cadeia alimentar, nós temos uma sociedade doente e em crise e em degeneração. Quantos falso moralistas, cínicos e falsários a gente não conhece nos espaços religiosos, empresariais e políticos? Corrupção generalizada, com certeza. Mas organizada de cima pra baixo, contra tudo e contra todos, até ter ares de cultura... Mas cultura é resultado de algo concreto, ou seja, dos sistemas sociais que sempre foram instalados contra o povo.

É uma vida caótica viver nessa sociedade como está. Estamos longe, muito longe, totalmente distantes de ter consciência de como o Brasil ainda vive relações desumanas e de séculos passados, ao mesmo tempo que vive o tempo moderno da tecnologia informacional rápida e reproduz das crendices mais ri-dí-cu-las já inventadas pelo homem primitivo... Vivemos um puta exemplo do que é o "desenvolvimento desigual e combinado", com pensamentos e crenças ainda coloniais e práticas modernas de exploração e opressão. Chocante.

Por isso se acredita em Messias.

Por isso se acreditou e ainda se acredita em Lula. Por isso se acreditou e ainda se acredita em Bolsonaro. Por isso se acreditava em Sérgio Moro. Porque não vivemos uma sociedade emancipada e livre, capacitada para realizar análises profundas das coisas, mas numa nação prisioneira de todos os seus mais velhos e carcomidos autoritarismos. Nossos heróis são aqueles que a História não conta, que vão nadando contra a maré, que morreram e que morrem em combate contra velhas forças da ganância e da violência do capital.

Imagine, então, sonharmos de chegar ao patamar da população saber separar o indivíduo de suas práticas, métodos e conteúdos? Imagine lutar politicamente se não se sabe nem criticar o tio que espanca a mulher em casa com falas como "ninguém mete a colher"?!? Se não conseguimos nem criticar o autoritarismo institucional que se comete em nosso local de estudo e trabalho?!

Mas é urgente aprender a lutar e a identificar quem luta ao nosso lado ou não, se não nossa vida vai ser pra ter Tábatas e Úrsulas e Marinas posando de diferente, quando são iguais a todo o resto da estirpe de traidores e traidoras dos trabalhadores e sua juventude.

Práticas. Métodos. Conteúdos.

É preciso uma Prática diante dos ataques do governo, qual? Lutar com força, essa é a prática dos lutadores sociais. É preciso método, qual? Coletividade, construção conjunta e participativa, envolver o máximo de cérebros no processo de luta. Esse é o Método de quem quer mudanças coletivas e não louros personalistas, um.exemplo é o debate que mais tem surgido contra os burocratas sindicais e estudantis, como os "Comitês de Base" nos locais de moradia, trabalho e estudo. É preciso Conteúdo que dê objetivos para nossos esforços, qual conteúdo? Avançar nos direitos e em mais conquistas como, por exemplo, os "10% do PIB para a Educação" para enfrentar a política de cortes do governo.

Às vezes as lideranças nem lutam com força, nem constroem de forma coletiva e nem apresentam nenhuma proposta. Isso já é um risco enorme, mas ainda pode alguma pessoa ganhar a condição de "representação" pelo afeto e carisma. Pois muitas pessoas se deixam levar por líderes e não por ideais, são levadas por formas aparentes e não por proposições objetivas.

E, em geral, as pessoas tratam a política como qualquer coisa que não seja uma luta entre as práticas, os métodos e os conteúdos, mas como uma luta entre indivíduos, um jogo de futebol, uma luta de UFC, um esporte onde estas são apenas parte da torcida e não dos participantes reais do jogo. Só vem as pessoas que encarnam um papel de caudilho, de referência-controle, super heróis messiânicos. Isso é um desastre porque as eleições burguesas, por exemplo, são feitas para só fazer as pessoas acreditarem menos no seu próprio potencial de contribuição participativa, essa democracia é contra a democracia direta porque ela é representativa apenas, onde o povo vota para ser substituído por um indivíduo ou grupo que se absolutiza no poder. Do micro ao macro, nas relações mais corriqueiras do cotidiano até às relações titânica internacionais da geopolítica. Essa ingenuidade, essa consciência ingênua sobre tudo é algoz do nosso povo, é algoz de todos nós, porque é um subproduto da vontade das classes dominantes que nos querem ingênuos.

Está entre nossas tarefas urgentes  sempre pensar e construir maneiras de superar essa despolitização e deseducação tão grave, de maneira revolucionária. De maneira que faça mudanças profundas e estruturais, portanto, em toda a nossa sociabilidade de maneira contundente permanentemente. Política é Educação e Educação é Política. Estão ligadas umbilicalmente porque ambas são aspectos de  toda a sociabilidade humana, não existe ação que não seja educacativa e política em algum sentido. E arrisco dizer que é a participação direta nos processos sociais a mais educativa de todas as ações políticas, provavelmente.

Enfim, acabei de decidir que vou estudar nessas férias sobre essa questão da consciência ingênua. Quem tiver recomendações, aceito.

"Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam emtre si, mediatizados pelo mundo"

- Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Por um rolêzinho dos indignados em Belém!

Querem reduzir a discussão em um "contra ou a favor" do rolêzinho?

Não se trata apenas dessa importante posição política. É preciso, acima de tudo, ter clareza que: os pobres e favelados são parte da sociedade que nós construímos - inclusive, são grande parte da massa brasileira. É preciso ser científico pra falar das coisas, não ser mera e obitusamente ideológicos ["ideologia" - segunda Marx, é avisão distorcida da realidade]. Não podemos ser descriteriosamente taxativos, como tanta gente anda sendo, desde o topo de sua arrogância. Não vivemos um apartheid decretado juridicamente, é verdade, eu concordo, somos todos iguais no mundo FORMAL da Constituição Federal (e todo seu belo conto-de-fadas postivista). Mas vivemos sim um apartheid sócio-econômico que é MATERIAL. É só olhar os índices de pobreza, de miséria e concentração da riqueza. E não estou falando das categorias cosméticas que o Banco Mundial criou pra dizer que com tantos reais se é pobre e que acrescentando mais R$ 1,00 se é agora, tcharam!, classe tal. Bem como nada serve de parâmetro de análise científica senão o próprio mundo concreto: são inúteis os valores pessoais, os jargões pré-programados de TV a la Arnaldo Jabor e Rachel Cheherazade. Não são argumentos, são ideologia mastigada e escarrada pra rotular e convencer as pessoas sobre a posição que devem ter diante do mundo, buscando legitimar ações como a brutalidade policial - porque seriam só vagabundos, vândalos, arruaceiros, subvertendo a "ordem", a "paz" e os "bons costumes". Que "ordem"?! "Paz" e "bons costumes" de quem, colega?! Tampouco serve a parcialidade das organizações do tradicionalismo "ordeiro" e, muitas vezes, hipócrita de grupos partidários das correntes idealistas, empiristas, jus naturalistas, etc. É preciso ter método de análise das coisas, ao invés de reproduzir o lugar comum ou as manias dos inertes "observadores semi-críticos" a cada novo evento que surge - todo mundo leva um sustinho, aí comenta, depois mais um sustinho e comenta de novo. O eterno comentarismo sem práxis. Os pobres existem e os favelados existem, amigo, no mesmo mundo que nós e não vão ficar no curralzinho, domesticados, feito gado só porque desagrada a alguém ou a algum setor social. Tem criminalidade? Tem. Tem barbarização? Tem. Mas o que gera a criminalidade e a barbarização está aí desde antes de eu, você e eles chegarmos aqui, se reproduzindo e perpetuando através de nós todos. O povo da periferia vai reproduzir aquilo que a sociedade lhes oferece e permitiu conhecer, na matemática materialista do mundo concreto.

O "rolêzinho" não vai parar por aqui!

O rolêzinho tem grandes possibilidades de evoluir em futuro próximo e se transformar em explosões sociais sérias, de revolta como as ocorridas de Londres, porque a política econômica e a crise social só estão crescendo e sendo descarregadas nas costas das classes inferiores do mosaico social. Na Região Metropolitana de Belém cerca de 50% das pessoas vive em periferias e vemos perspectivas de melhora aqui na cidade-debaixo-água? Não. Então a lógica sistêmica é exatamente o aprofundamento dos choques sociais, na medida em que os "bombeiros loucos" do sistema e do governo continuarem jogando na fogueira dessa crise a gasolina da repressão e da exclusão sócio-econômica. Ser pobre não é gostoso, não é legal, é escroto pra $%#@# e ninguém é à favor da condição da pobreza humana. Mas se as pessoas não gostam desses efeitos colaterais do capitalismo, que passem a refletir sobre mudar o sistema QUE PRODUZ A POBREZA E A FAVELIZAÇÃO DO SER HUMANO EM LARGA ESCALA. QUE SE ORGANIZE PRA MUDAR AS COISAS, ao invés de repetir sem querer, ou querendo-por-querer, determinados discursos como papagaio e/ou bater palma ao que NÃO melhorará NADA: como a burra repressão estatal e a continuidade da política de aprofundamento das mazelas sociais.

Por um rolêzinho dos indignado em Belém!

Por outro lado, todos podemos ajudar e contribuir no "desenvolvimento positivo" do rolêzinho, dando a ele um conteúdo mais profundo e engajado. Claro que não será a mesma coisa. Em vez de viver reclamando, por que as pessoas não vão protestar contra a repressão, o racismo e a exclusão perpetrada, etc? cobrar o fim da Dívida Pública, essa Bolsa-Banqueiro, que ROUBA quase 50% do PIB brasileiro?! Esse dinheiro que falta pra educar, empregar e aprimorar a sociedade, dando perspectivas pra juventude, etc! Por que não vão protestar contra a política do Governo Dilma e os cortes de BILHÕES das áreas sociais!? Por que não vão protestar contra o raquitismo do Estado de Direitos em contraposição a uma hipertrofia de um Estado Penal repressor viciado? Contra essa Copa do Mundo inútil que não ajudará em nada! Contra o Zenaldo e o Jatene que tentam fechar Curisinhos/Vestibulares públicos, que negam o PASSE LIVRE à juventude e reproduzem o caos social em Belém. Temos muito do que reclamar! Dar uns rolêzinhos na Prefeitura de Belém.

Pois não se trata meramente de fazer avaliação moral e comportamental dos rolêzinhos, se baseando em valores de uma classe para julgar outra. Se trata de entender que eles são o efeito lógico de um modelo societário contraditório e desarmônico, cada vez mais conflituoso, em crise - no Brasil e em todo o planeta. Nos unirmos e nos organizarmos no combate às CAUSAS é infinitamente mais útil e digno do que ficarmos no loop-eterno do mimi sobre os efeitos, as medidas paliativas e a repreensão bestial que não quer resolver nada... Sejamos contra o sistema capitalista e os seus governos, isso sim! Pois somos todos vítimas deles.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Estados Unidos: Império em falência?

A chamada "paralisação do governo", que suspendeu de seu emprego cerca de 800 mil funcionários públicos, mostra a crise econômica e política dos Estados Unidos. O que é um cabo de guerra político entre a maioria republicana de deputados e o governo democrata de Obama "pode ter graves consequências econômicas", disse o FMI.

Por Miguel Lamas


Os noticiários de televisão mostraram Obama comprando um sanduíche para o seu almoço no quiosque da esquina da Casa do Governo, porque ficou sem cozinheiro. Parques e museus amanheceram fechados e o site da NASA está suspenso. O Congresso, de maioria republicana em deputados, recusou-se a aprovar o orçamento, que deveria ter sido pronto até 1 de Outubro.

Este, que em outros países teria sido uma história perdida, nos Estados Unidos, por seu peculiar sistema político, paralisa parcialmente a administração, já que o poder executivo não pode gerir um orçamento que não tenha sido aprovado pelo Congresso. O outro problema, pior ainda, de acordo com o FMI e outros especialistas, é que se o Congresso não aprovar um maior endividamento para o 17 de outubro, o estado dos EUA fica sem dinheiro para pagar a dívida estatal que é de 16,8 trilhões (milhões de milhões) de dólares (equivalente ao total do produto interno bruto). Um pouco mais de um trilhão dessa dívida está em títulos do estado capitalista chinês e quase tanto quanto no Japão. O resto é majoritariamente devida aos próprios capitalistas ianques (ou a Reserva Federal, gerida pelos banqueiros) e petroleiros árabes.

A "paralisação do governo" aconteceu já cerca de 17 vezes na história moderna ianque, mas não a suspensão do pagamento da dívida. E menos ainda em meio a uma crise capitalista global. Ainda que um acordo político para aprovar o orçamento e um aumento do endividamento seja o mais provável que ocorra nos próximos dias, seria uma solução conjuntural. O que não solucionaria a crise de fundo - tanto econômica quanto política do imperialismo. Os setores capitalistas lutam entre si e contra os trabalhadores para conseguir o maior lucro possível, explorando cada vez mais a classe trabalhadora, liquidando serviços sociais e lutando entre si pelo orçamento estatal, redução de impostos, "ajudas" estatais a um ou outro setor econômico, e assim por diante. Esta luta é expressa sem mediações no Congresso, porque cada deputado tem seus próprios financiadores, empresários que lhes pagam suas campanhas eleitorais e mesmo os próprios deputados são grandes acionistas das maiores empresas.

Neste momento, uma das principais disputas é pelo chamado de "ObamaCare", plano de saúde de baixo custo, uma das promessas de campanha eleitoral de Obama, que o Partido Republicano quer boicotar (50 milhões de norteamericanos não têm seguro de saúde e o medicamento é proibitivamente caro). O ObamaCare nem sequer é saúde gratuita, só barateia o serviço de saúde para pobres até 100 dólares por mês, com subsídio do Estado, para torná-la "acessível à todos", segundo Obama.

Os milionários não querem pagar impostos

O enorme déficit dos EUA tem a ver em grande parte com as mudanças neoliberais que  significaram uma verdadeira contrarrevolução econômica contra os trabalhadores e pobres. Nos últimos 30 anos reduziram os impostos sobre os ricos com o argumento de que isso ajudaria a ganhar mais e, portanto, para impedir a crise econômica. Enquanto os impostos sobre os lucros das empresas responderam 6% do PIB dos EUA nos anos cinquenta, agora nem mesmo chegam a 2 %. Até então, para cada dólar pago em impostos pelo trabalhador estadunidense, as empresas pagavam três, enquanto agora pagam apenas 22 centavos de dólar (Five Tax Fallacies Invented by the 1%). De acordo com um relatório do Escritório de Orçamentos do Congresso dos Estados Unidos, os cortes de impostos que estão sendo feitos pelo governo têm um custo de 900,000 milhões de dólares este ano. E se a estes são adicionados ajuda fiscal aos ricos e o que se perde por evasão de impostos para os paraísos fiscais, o declínio anual de renda é cerca de US $ 2 trilhões. Isso quer dizer mais que o dobro do déficit, enquanto que para "resolver" o mesmo, fecham hospitais, escolas, asilos... e agora os republicanos querem também anular a reforma da saúde.

Tudo isso não foi mudado por Obama, que também aumentou os gastos militares a mais de 700 mil milhões de dólares por ano, a maior despesa da história dos EUA .

A crise política

A crise política não só expressa esta disputa pela a divisão dos lucros dos capitalistas, mas principalmente as mudanças graduais, mas muito importantes na consciência dos trabalhadores e dos setores pobres. O movimento da juventude "Nós somos os 99%", assinalando que apenas 1 % de ricos se beneficia da economia, expressa essas mudanças em grandes setores. Tal qual as greves de professores de Chicago contra o fechamento de escolas, que questionaram diretamente os gastos militares. E o movimento anti-guerra que transformou as guerras imperialistas em algo massivamente impopular depois da derrota no Iraque. Esse foi um dos fatores que impediram Obama de bombardear a Síria e que realimenta a crise imperialista.

Sem dúvida, toda esta luta política parlamentar também terá um efeito educativo sobre importantes setores de massas que dia após dia desconfiam mais do sistema político bipartidarista democrata-republicano imperialista.



FONTE: UIT-CI

terça-feira, 23 de julho de 2013

Papa visita um Brasil conturbado

Por Miguel Lamas

A visita do Papa Francisco I ao Brasil - planejada pelo Papa anterior, Bento XVI, antes de sua renúncia - adquiriu uma nova dimensão política após as gigantescas mobilizações de milhões de pessoas em Junho e no "Dia Nacional de Luta" dos trabalhadores no 11 de Julho.

Estas grandes manifestações, protagonizadas principalmente por jovens, inciadas por protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, conseguiu uma primeira vitória impondo o cancelamento do aumento das tarifas de transportes, e evoluindo rapidamente à demanda por saúde, educação e trabalho, mostrando que o "milagre" brasileiro sob o governo do PT beneficiou, principalmente, aos bancos, às transnacionais e latifundiários do agronegócio, mas não aos trabalhadores e o povo.

Como evento extraordinário para o Brasil, os manifestantes questionaram fortemente os gastos de bilhões de dólares para a construção de estádios para a Copa do Mundo. As "Jornadas de Junho" abruptamente mudou a realidade política brasileira. A presidente Dilma Rousseff, que tinha um índice de aprovação de 58% antes dos protestos, caiu agora para os 30%. Os manifestantes estão exigindo a renúncia de governadores, como Sergio Cabral do Rio de Janeiro, onde as manifestações foram muito grandes e onde chega o Papa.

Em 11 de Julho houve outro fato extremamente importante, que era a unidade dos oito centrais sindicais em um dia nacional de luta, no qual milhões de trabalhadores mostraram a vontade de lutar por suas reivindicações, apesar do freio das direções sindicais governistas (especialmente da CUT) que se recusam a organizar uma greve geral.

A visita papal e da Igreja no Brasil

O Papa visita durante 7 dias o Brasil, onde ele preside, no Rio de Janeiro, a Jornada Mundial da Juventude (a Igreja estima 2 milhões de participantes).

A Igreja Católica brasileira sempre teve uma significativa influência política. No Brasil foi muito forte a "Teologia da Libertação", que se originou na década de sessenta e mobilizou milhares de padres e freiras para organizar as Comunidades Eclesiais de Base que atingiram milhões de participantes e teve forte influência sobre o massivo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (camponeses) e também no surgimento do Partido dos Trabalhadores. Se baseava no chamado "compromisso com os pobres". Os sacerdotes Frei Betto e Frei Leonardo Boff, tiveram uma influência decisiva na fundação, em 1979, do Partido dos Trabalhadores, liderado pelo fervoroso católico Lula.

Apesar das intenções e honestos esforços de milhares de militantes católicos da teologia da libertação, que lutaram para melhorar a vida dos pobres e reforçaram a sua mobilização de luta - em muitos casos foram reprimidos, presos e torturados por isso - a cúpula da Igreja Católica orientou esse movimento para impedir um desenvolvimento revolucionário e conduzi-lo rumo à conciliação de classes do Partido dos Trabalhadores com o capitalismo, que terminou, no poder, aliando-se às multinacionais, aos bancos e ao agronegócio, e o próprio Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra converteu-se em um dos pilares do governo do PT, em grande parte abandonando a luta histórica pela terra. A Igreja Católica, como uma instituição global, está aliado desde o Império Romano aos exploradores e ricos e não aos pobres. João Paulo II e, especialmente Ratzinger, Bento XVI, perseguiram os teólogos da libertação. A Leonardo Boff chegaram a puni-lo com um ano de silêncio.

Agora Francisco I vem dizer "reconciliar-se" com a Teologia da Libertação, para reforçar a influência da Igreja Católica (que desde 1970 caiu de 90% de fiéis para os 57% de hoje) e, mais uma vez, para tentar frear a rebelião de milhões de jovens e do povo no Brasil. Por um lado falou que não se atendem as questões da juventude, como a necessidade de trabalho e disse que se deve "alimentar a chama do amor fraternal". Mas não mencionou os responsáveis capitalistas, governos como o de Dilma Rousseff, as multinacionais e os banqueiros, culpados diretos da exclusão (Teria-se que amá-los e convencê-los de que "amem" aos pobres?). Por isso Dilma Rousseff pôde saudar, ao lado do Papa, o seu discurso, propondo uma "aliança entre o governo e a Igreja no combate à pobreza."

Preparar a greve geral

Pr'além da confusão que poderia provocar o Papa e a Igreja, uma vez que eles têm prestígio em setores da população, o povo, a juventude e os trabalhadores já saíram massivamente às ruas e comprovaram que eles podem impor suas demandas (como foi o cancelamento de aumento das tarias) com a luta (e não com o "amor" aos exploradores) e que o governo de Dilma Rousseff é o principal responsável pela situação dos jovens e do povo. Como diz o jornal Combate Socialista da CST/PSOL: "As centrais falam de uma nova jornada de luta em 30 de Agosto, no entanto sem fazer assembleias para discutir com as bases. É necessário preparar uma verdadeira greve geral, com assembleias de base democráticas, para discutir o programa de luta, que tem que ter como centro enfrentar e derrotar o governo de Dilma Rousseff, a sua política econômica e seu pacto de ajuste fiscal. Essa será a única maneira de conquistar o passe livre, serviços de saúde e educação de qualidade, salários de acordo com a inflação, a prisão dos corruptos... unificando a juventude com a classe trabalhadora."

FONTE: UIT-CI

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Egito: Basta de repressão! Nenhum apoio aos militares!

Por Miguel Lamas (El Socialista - Izquierda Socialista, Argentina)

Egito após a queda de Mursi

Nesta última segunda-feira o Exército massacrou uma manifestação de civis desarmados, da Irmandade Muçulmana, assassinando a 51 pessoas e deixando a 451 feridos à bala de guerra, no Cairo. O terrível incidente ocorreu poucos dias depois da queda do presidente Mohamed Mursi causada por manifestações de milhões de pessoas que exigiam sua saída.

Os militares deram um golpe, em 3 de julho, fingindo estar ao lado do povo, jogando flores desde as aeronaves para a multidão e dizendo que era para "democratizar". Os militares já não podiam mais sustentar Mursi e corriam o risco de que destruíssem as próprias Forças Armadas, cujos soldados confraternizavam com os manifestantes.

A Irmandade Muçulmana é o movimento que constituiu a base do governo Mursi, e agora manifestavam-se para que o libertassem (está preso) e o reconduzissem ao poder. A brutal repressão militar se descarrega sobre eles, apesar de que até duas semanas atrás os militares apoiavam o governo de Mursi. Eles não se atreveram a reprimir milhões de pessoas mobilizadas contra Mursi. Em vez disso, reprimiram selvagemente a mobilização pacífica da Irmandade Muçulmana. Essa repressão pode se voltar amanhã contra a esquerda, os sindicatos ou aos jovens que se mobilizaram contra Mursi. Por isso é necessário repudiá-la como um ato aberrante que deve ser punido e que mostra que os militares e seu novo governo, liderado por Adli Mansur, um juiz que presidiu o Suprema Corte de Justiça, não são uma alternativa para o povo como eles dizem.

A rebelião contra Mursi, o golpe e o novo governo

Mursi venceu as eleições em junho de 2012 e rapidamente decepcionou as expectativas populares. Em janeiro de 2011, o povo egípcio se revoltou contra a ditadura de Mubarak exigindo liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e pôr um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Mas Mursi, pactuando com as Forças Armadas, seguiu com uma política neoliberal governando com as multinacionais, grandes empresários e banqueiros e pactuando com Obama, aplicando as prescrições do FMI sobre a flexibilização trabalhista. Ainda atribuiu a si próprio superpoderes, enquanto o país se afundava em uma grave crise sócio econômica, mantendo-se o massivo desemprego entre os jovens.

Como resultado, as massas se levantaram contra Mursi e ocuparam durante dias a Praça Tahrir, clamando por uma "segunda revolução". A queda de Mursi foi provocada por essa mobilização revolucionária do povo e não pelos militares. Equivocadamente milhares comemoraram o papel dos militares.

Na semana passada, a Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-CI), em uma declaração apoiando ao movimento popular pela derrubada de Mursi, advertiu: "Nós rechaçamos ao golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"! O golpe militar é um rearranjo das Forças Armadas, diante do medo da revolução e das massas. Assim querem evitar que siga se desenvolvendo a revolução e que percam o controle. (...) Seu principal objetivo não é atender às demandas das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde protejam seus interesses econômicos em aliança com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador segue afundando na pobreza e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias têm acordos com os EUA, dos quais recebem milionárias somas de dinheiro para seu armamento..."

A mobilização popular que derrubou a Mursi, foi liderada pelo movimento Tamaroud (Rebela-te), com grande peso da juventude, que afirma ter reunido cerca de 22 milhões de assinaturas por um abaixo-assinado exigindo a renúncia de Mursi.

Tamaroud faz parte da Frente de Salvação Nacional, composta por forças e figuras políticas burguesas como Mohamed Al Baradei, figura apoiada pelo imperialismo, ex-chefe da agência de controle nuclear da ONU. Esta frente apoiou abertamente ao golpe militar. A frente designou ElBaradei para estar no governo "de transição" junto com o partido ultra islâmico Al Noura.

Em poucos dias os militares, com a repressão, começam a desmascarar-se. Abrindo também uma crise política já que o partido Al Noura rompeu com o governo pela repressão da segunda-feira, 8. No fim das contas, seguia aberta a crise, a repressão e a instabilidade política.

É necessária uma alternativa revolucionária

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção revolucionária. Nem a Irmandade Mulçumana, nem os militares, nem os seus atuais aliados "liberais" liderados por Baradei podem oferecer uma saída a favor do povo, dos trabalhadores e dos jovens, porque todos servem ao imperialismo, às multinacionais e aos grandes empresários. E podem colocar o Egito à beira de uma guerra civil. Diante da crise é necessária uma alternativa revolucionária independente de todos os setores patronais. Uma alternativa dos movimentos juvenis, os comitês populares que começaram a se formar na mobilização, os novos sindicatos de trabalhadores, que devem repudiar a repressão e deixar de apoiar ao governo "civil-militar" para planejar a construção de um poder operário e popular.

O governo civil-militar reprime e pretende reformar a Constituição com um grupo de "notáveis", amigos das Forças Armadas. É necessário mobilizar-se para repudiar as ações militares repressivas, a comissão de "notáveis" e exigir a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com plenos poderes para decidir como será a economia, a educação e a organização política do país.

Nesse sentido, devemos continuar impulsionando a mobilização de massas por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, pela expropriação das empresas multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, pela nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos e pela vigência do pleno exercício das liberdades democráticas e contra todas as formas de repressão; julgamento e punição aos autores dos massacres populares.

Fonte: UIT-CI

sábado, 15 de junho de 2013

Brasil: Juventude se rebela contra aumento das tarifas!

Imagens das massivas manifestações que estão ocorrendo no Rio de Janeiro e São Paulo, à exemplo das manifestações que saíram vitoriosas em Porto Alegre, Goiânia e Natal onde as mobilizações derrubaram os aumentos de tarifa de ônibus. Ocorrem em outras capitais e seguem crescendo e aprofundando o seu significado, face a falta de democracia demonstrada pelos governos e a brutalidade repressiva que aplicam.



Entrevista de Ph Lima, manifestante do Rio de Janeiro que chegou a ser preso arbitrariamente por estar protestando, concedida ao SBT no dia 14/06 durante o protesto contra o aumento das tarifas das barcas em Niterói. Ele conta as motivações da indignação das pessoas e como se alastra nacionalmente a luta.



Canção composta por internauta manifestante em resposta às declarações de Arnaldo Jabor, da Globo, que acusa o movimento contra o aumento da passagem como "rebeldes sem causa" que não "valem um centavo". A letra tem um ótimo conteúdo.



Vídeo com imagens da violência policial, das manifestações, com a música tema da propaganda oficial dos eventos esportivos no Brasil sendo utilizada em outro sentido, em apoio às lutas Brasil afora.

terça-feira, 19 de março de 2013

Vídeos: Plenária do PSOL Itaocara-RJ, com Gelsimar Gonzaga, Babá e Luciana Genro.

Nós, da militância de esquerda e combativa, acompanhamos com muita alegria ao PSOL-Itaocara que elegeu Gelsimar Gonzaga, trabalhador e lutador histórico herdeiro da Covergência Socialista, como seu prefeito. A decisão mais radical dentre todos os municípios do Brasil. Tanto que aguardamos e buscamos com frequência por notícias dos companheiros que acompanham os avanços da experiência de Itaocara. Que já garantiu PASSE-LIVRE à estudantes universitários, elegeu secretários em Assembleias Populares, que combate a corrupção e aos privilégios, e segue organizando os trabalhadores e a juventude por outro projeto de sociedade e uma nova forma de fazer política, com participação e com um lado claro: o da maioria, o lado do povo pobre e trabalhador, da juventude e de todos que realmente precisam de mudanças radicais pra melhorar a vida.

Neste sábado, dia 16, ocorreu em Itaocara-RJ uma importante Plenária do PSOL. Onde se discutiu com a população a necessidade da organização política para enfrentar a opressão da burguesia e toda a corrupção que ela gera para controlar o povo e arrancar privilégios. O microfone esteve aberto para a intervenção e participação dos presentes. Aqui publico três vídeos disponibilizados no youtube por Frederico Sueth da plenária de sábado, registrando parte das falas do ex-Deputado Federal Babá, da pré-candidata à Presidência da República pelo PSOL Luciana Genro e do 1º prefeito eleito do PSOL, Gelsimar Gonzaga, que recepcionou o evento. Assistam:





sábado, 12 de janeiro de 2013

PSOL contra a velha política em Itaocara, Rio de Janeiro.

O início de 2013 em Itaocara, cidade interiorana do Rio de Janeiro, vem trazendo novidades para as disputas do Partido Socialismo e Liberdade e diferença em relação às prefeituras de todo o Brasil. Na pequena cidade onde o 1º prefeito do PSOL foi eleito, se vê o surgimento de uma nova política que desde antes do empossamento já destoava no quadro nacional.

Primeiramente, a vitória de Gelsimar Gonzaga, foi fruto de uma campanha popular, com o recurso de apenas um antigo fusca e a voz amplificada para que o sindicalista e servidor público dialogasse com as pessoas nas ruas da cidade. Não necessitou de coligações partidárias com outras siglas e demonstrou na prática como é descabida a contradição de um candidato que se reivindica de esquerda, radical e consequente, vir a receber apoio financeiro de empresários. Mas não apenas as vitórias política e eleitoral da candidatura socialista do PSOL estão sob a curiosa vigilância dos espectadores políticos país afora.

Praticamente a totalidade das demais prefeituras brasileiras seguem a lógica das cartas marcadas nas nomeações às Secretarias Municipais, de modo que os prefeitos eleitos escolhem e permutam livremente os interesses de seus conchavos político-partidários ("tu ajudas o meu parente e eu ajudo o teu"), como exemplificado aqui em Belém do Pará, minha cidade, onde venceu Zenaldo Coutinho (da coligação burguesa do PSDB com PSDC, PMN, PTC, PSB, PRP, PSD, PTdoB - com posterior apoio no segundo turno dos demais partidos burgueses PP, PSC, PRB, PRTB, PV e PPS). Zenaldo já iniciou o mandato de prefeito nomeando seu irmão à Secretaria de Administração, assim como a cunhada (denunciada de improbidade) de seu colega de partido e Governador do Estado, Simão Jatene, entre outros, no velho jogo do xadrez do nepotismo. Mais uma vez a velha política em nossa pobre cidade estará especialmente a serviço e beneficiará um pequeno grupo de empresários e políticos, enquanto Belém vive um caos social.

Construindo um Governo Popular

Em um, digamos, grande contraponto nacional, em Itaocara, Gelsimar Gonzaga, ainda enquanto "futuro prefeito" durante o ano passado, já fazia valer o slogan do PSOL, "um novo partido contra a velha política", chamando Assembleias Populares para que as categorias de trabalhadores da cidade pudessem decidir votando quem seriam os nomeados para as Secretarias do Município, pouco depois do resultado de vitória do PSOL contra as coligações burguesas do PMDB e do PR. Não existe ninguém mais apto que a própria categoria de profissionais da área para decidir quem estará fazendo o melhor trabalho em cada Secretaria, pois são os trabalhadores que entendem como cada setor funciona, o que precisa, etc. As secretarias de Educação, Saúde, Agricultura e Obras, por exemplo, foram decididas através das assembleias populares, coisa que em nenhum outro canto do Brasil ocorreu, constituindo uma demonstração de disposição de uma participação democrática mais direta. A repercussão foi nacional dessas demonstrações do modo PSOL de governar.



Depois desses primeiros bons indicativos, também foi publicado na internet uma das intervenções do já diplomado prefeito do PSOL, onde assume publicamente, de microfone na mão numa rua da cidade, claros compromissos de não governar "para todos" (slogan do PT que representa, nada mais e nada menos, do que seu projeto de conciliação de classes, dos inconciliáveis interesses dos pólos capital x trabalho), diz sim que irá governar para a maioria do povo, portanto, para a classe trabalhadora e os setores pobres e mais necessitados de Itaocara. Gelsimar convoca também a população à estar acompanhando de perto, observando presencialmente e pressionando as votações da Câmara de Vereadores em defesa de seus interesses, pois os ricos e poderosos irão querer contrariá-los. Coloca o mandato, que diz não ser seu, à disposição do povo trabalhador e conclui sua intervenção com os hinos de Itaocara, do Brasil e o hino mundial da classe trabalhadora, a Internacional Socialista.



O mundo não para de lutar

O ano de 2012 foi muito importante quando se verifica panoramicamente o aprofundamento das lutas no mundo. Na Europa, fruto do aprofundamento da "crise econômica", viu-se uma fortíssima Greve Geral unificada em vários países, em 14/11, onde a classe trabalhadora e a juventude demonstrou as proporções da luta contra os planos de austeridade dos seus governos que precarizam a vida do povo para salvar os capitalistas. Vimos também a continuidade da "Primavera Árabe", depois da queda de ditaduras no Norte da África, agora vemos os trabalhadores e a juventude do Egito retomando novamente a Praça Tahir pela saída do presidente Mursi que pretende ter superpoderes por meio de um decreto que remete à um retorno a ditadura. Os protestos no Iraque se intensificam. Também na Síria a ditadura segue sendo questionada e tem possibilidades de cair, tendo, inclusive, o ditador Bashar Al Assad pedido exílio na América Latina. As grandes lutas dos povos indígenas na América Latina e a luta da juventude, como no Chile onde centenas de milhares vão às ruas denunciar a crise do ensino pago são importantes eventos que conformam um mosaico mundial de retomada das lutas. O Brasil onde o funcionalismo público em diversas categorias teve uma das maiores greves das últimas décadas, numa onda de lutas. As Universidades Federais protestaram massivamente e tiveram o apoio dos estudantes e seu Comando Nacional de Greve Estudantil, passando por cima das velhas burocracias que travam as lutas estudantis e o Governo Dilma, que ataca os serviços públicos com privatização e ajustes, numa clara demonstração de que a crise já afeta nosso país, com uma economia desacelerada e com uma dívida pública que suga mais de 47% de nossa riqueza nacional. Toda esta realidade de convulsões sociais, questionamento da democracia burguesa, revoluções, levantes de massas de diversas proporções, reforça a necessidade de uma incansável, organizada luta dos socialistas em unidade, pelo avanço da consciência dos trabalhadores para outro projeto de sociedade. Portanto, cada vitória da esquerda consequente é um importante ponto de apoio neste rumo. A continuidade do desgaste das velhas direções sindicais e políticas no Brasil como a CUT e o PT, são fruto de uma dura batalha pelo avanço das lutas e, com isso, da consciência da classe trabalhadora e dos setores populares, o que podemos ver aprofundar-se, com o PT cada vez mais ocupando o espaço da velha direita.

Fortalecer a esquerda socialista!


O processo de lutas deve seguir e aprofundar-se nacional e internacionalmente neste ano. E ficou claro o compromisso que a prefeitura do PSOL de Itaocara assume, quando Gelsimar Gonzaga leu seu discurso de posse, no dia 1º de Janeiro, numa Praça Pública abarrotada do povo da cidade e visitantes nacionais e internacionais que vinham prestigiar esta importante vitória do povo trabalhador do Rio de Janeiro e do Brasil. Em seu discurso, o herdeiro da antiga Convergência Socialista e membro da Corrente Socialista dos Trabalhadores (tendência interna do PSOL), denunciou a crise mundial e a tentativa dos poderosos de passar para as costas da classe trabalhadora a conta desta crise. Diz que a luta em Itaocara também se aprofundará em defesa dos interesses do povo trabalhador e contra as novas investidas dos poderosos que virão sobre os direitos da classe, mandando a mensagem aos vereadores eleitos de que assumirá uma relação republicana com a Câmara, limpa e transparente, e que construirá, com o povo, os novos rumos de Itaocara. E desde antes mesmo de assumir a prefeitura se constrói um diálogo com os trabalhadores da cidade, sonda-se a situação das estradas, das escolas e creches, dos postos de saúde, de modo que o prefeito já apareceu em reportagem na TV denunciando as péssimas condições deixadas pela antiga prefeitura e buscando solucionar os diversos problemas e contas acumuladas da gestão anterior.

É importante o apoio e o fortalecimento do projeto de esquerda que o PSOL constrói, com seu Programa fundacional, de perfil independente e de Oposição de Esquerda ao Governo do PT e a velha direita tradicional brasileira. Inclusive, diante das disputas internas existentes no próprio PSOL onde o agrupamento  chamado Dissidência/APS procura cada vez mais deformar este caráter socialista e de esquerda, ampliando o arco de alianças e outras violações programáticas, vemos que se fortalece uma resistência de bases que repudia com indignação este projeto de retrocesso. Chegou a ser votado e apresentado pedidos de expulsão de Randolfe Rodrigues e Clécio Luis, ambos do Amapá, responsáveis por uma política de coligações espúrias com a direita, fato profundamente questionado pela militância do PSOL em todo o Brasil, que aguarda o próximo Congresso Nacional para responder desde a base. Queremos o avanço da experiência do PSOL em Itaocara e o fortalecimento da esquerda socialista no Brasil.

Que outro prefeito no Brasil reduzirá seu próprio salário como forma de combate aos privilégios políticos? Que outro prefeito no Brasil declarou que não governará para todos, mas para a classe trabalhadora e os setores pobres ao som da Internacional Socialista? Que outro prefeito no Brasil está construindo assembleias e conselhos populares e de trabalhadores para que estes possam intervir cada vez mais diretamente nas decisões políticas? A ordem do dia é fortalecer a esquerda socialista, organizar a classe trabalhadora e avançar num programa de luta!

Venha fortalecer a experiência mais dinâmica da esquerda no Brasil. Venha pro PSOL!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Europa: Massividade do 14N. E agora, o que?

Fonte: Unidad Internacional de los Trabajadores - Cuarta Internacional

Reproduzimos a continuação - quase em sua totalidade - de uma nota assinada por M. Esther del Alcázar, dirigente de Lucha Internacionalista (LI) do Estado Espanhol, sobre esta grande ação dos trabalhadores europeus e as perspectivas.

A greve geral dos países do sul europeu, com mobilizações pelo resto da União Européia, foi um êxito. A massiva resposta em Portugal e no Estado Espanhol, com paralisações de 3 e 4 horas na Itália e na Grécia, e multitudinárias mobilizações em 23 países, foram o saldo da primeira ação em escala europeia do movimento obreiro durante esta crise. Mas, avaliada a resposta, urge saber o que mais deve ser feito para conseguir frear os planos de ajuste da União Europeia.


A vanguarda: a greve geral grega de 6 e 7

Apesar de que os gregos e gregas também estavam convocadas ao 14N, sua resposta foi menor porque a greve geral havia sido de 48 horas nos dias 6 e 7 para frear a aprovação do "III Memorándum" no Parlamento.

A greve foi total, incluindo os comércios, e as manifestações, uma vez mais, massivas e com enfrentamentos. O resultado da votação parlamentar refletiu essa pressão, rompendo-se a disciplina partidária e superando-se o mínimo necessário apenas por dois votos. As expulsões imediatas de um deputado da Nova Democracia e seis do PASOK mostram o grau de erosão das instituições gregas que, sob golpes de greve e mobilização, são cada vez mais débeis para manter os planos da Troika. E se eles os param, todos os trabalhadores e trabalhadoras europeias estarão com mais disposição de fazê-lo em cada país.


Crônica de uma grande jornada

Como em Portugal, no Estado Espanhol a greve foi massiva. E como em seu país vizinho - e também nos demais anteriores -, esteve sustentada na paralisação total das grandes empresas e das fábricas e no transporte, com alcance irregular em outros setores. Sem dúvida, desta vez, a paralisação nos serviços como educação, saúde e administração públicas foi superior às vezes anteriores, especialmente em relação ao primeiro. O adiamento da greve geral convocada pela CGT do dia 31 de Outubro para o 14N para convergir com a data - ainda que com diferente convocatória - foi também um elemento que ajudou a massividade.

A expressão na rua dessa força foram as tremendas manifestações. A maior foi a de Madrid, seguida por Barcelona e demais capitais, mas até as manifestações centrais da manhã, onde convergem os piquetes nas localidades eram também muito massivas (...)

Catalunha, mais Astúrias e Galiza juntas, foi onde maiores foram os índices de paralisação.

E o fechamento massivo do pequeno comércio, especialmente no cinturão industrial, mas também na capital, agregaram setores de pequena burguesia ao protesto.

Menção aparte merece a situação em Euskadi. Até hoje tem estado na vanguarda das mobilizações no estado, tanto a nível político como sindical. A existência de uma maioria sindical nacionalista tem permitido a convocatória de mais greves gerais e muitas lutas que tem servido de exemplo. Sem dúvida, o papel desempenhado nesta tem sido terrível, desgarrando a classe trabalhadora Basco Europeia da luta unitária Europeia. É certo que houve desobediência em alguns setores de trabalhadores e trabalhadoras, mas também que sua posição tem permitido escutar na rua "antes esquirol que español" para justificar sua recusa a parar (...) nas fileiras da classe, esta é uma fissura que devemos fechar se queremos frear as políticas que nos golpeiam em conjunto.

A repressão levou mais de 140 detidos, em sua maioria postos em liberdade no máximo ao dia seguinte, e provocou mais de 40 feridos (...) As provocações policiais e os disparos gratuitos ao final da massiva mobilização da CGT e outras forças alternativas em Barcelona ou em Netuno, em Madrid, foram a ponta de um iceberg que não tem deixado de ser a única resposta do sistema durante toda esta crise.

Mas nem a repressão e nem as sistemáticas intervenções do governo dizendo que não haveria impacto, nem os chamados da patronal a não fazê-lo para passar uma "boa imagem" aos mercados puderam frear a massividade da resposta. Foi tal sua força que essa mesma noite o vice-presidente da Comissão Europeia responsável de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, tratava de mandar uma mensagem de calma, declarando que "não pedirá mais cortes nem avançará no procedimento sancionador contra a Espanha" nem neste ano e nem no ano que vem, obviamente assumindo que se aplicam os previstos no Orçamento de Estado.


E agora, o que?

Está claro que a luta deve seguir posto que é uma questão de sobrevivência diante da brutalidade e continuidade do ataque do conjunto dos governos da União Europeia.

No entanto, aquilo que tem sido as debilidades devem ser superadas para conseguir o fim destes ataques. Por um lado, observamos a importância de reforçar como norte o fortalecimento da luta grega que é o ponto mais avançado; por outro lado, está, como nas greve anteriores, a falta de organismos de base reais para coordenar a greve e constituir os embriões do debate da continuidade. Mas, neste caso, para isso é necessário acrescentar à globalidade da greve geral: é imprescindível que se repita a greve garantindo que se estenda a todos os países. Por isso, juntamente com as organizações de base, é necessário coordenar do topo, desde organizações políticas e sindicais de esquerda que compreendam a imperiosa necessidade de extensão à todos os países da União Europeia.

Por último, dar continuidade e radicalizar a luta não necessariamente passa por aumentar as horas de paralisação, o que também pode ser, mas que essencialmente passa por construir propostas positivas e objetivos, como o fim do pagamento da dívida para findar os cortes ou nacionalizar bancos para impedir despejos e providenciar abrigo para as famílias, assim como para promover planos contra o desemprego... Por enquanto, pelo menos, um par de coisas estão claras: É necessária uma greve geral europeia! E parar de pagar a dívida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

VÍDEOS: Professora Silvia Letícia pra vereadora, 50225, em defesa dos direitos do povo trabalhador!

Silvia Letícia é professora da rede estadual e municipal de ensino. É pedagoga, especialista em educação e Mestre em Políticas Públicas pela UFPA. É da coordenação da Associação de Sindicatos Independentes Unidos Pra Lutar, da direção eleita do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Pará (SINTEPP). Como dirigente desse sindicato, liderou greves históricas dos trabalhadores em educação contra os governos Almir Gabriel, Ana Júlia e Jatene por reajuste salarial, progressão funcional, concurso público, eleições diretas para diretor de escolas e melhores condições de trabalho. Mantendo sua coerência, organizou o enfrentamento contra a corrupção e o sucateamento do ensino público do prefeito Duciomar (PTB/PR), ocasião em que foi presa e duramente agredida pela Guarda Municipal. A defesa dos direitos do povo trabalhador, bem como a luta por emprego, salário, saúde, transporte, educação, serviços públicos de qualidade, valorização da cultura popular e criação de uma Universidade Pública Municipal são os compromissos assumidos por Silvia Letícia como candidata a vereadora de Belém.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Se realizou o IV Congresso Mundial da UIT-CI


Nos dias 24, 25, 26 e 27 de Junho teve lugar o IV Congresso da UIT-CI (Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional), em São José dos Campos, São Paulo, Brasil. Com delegados de várias seções e convidados de outras correntes políticas, houve um rico debate e se tomaram decisões importantes e campanhas a serviço do apoio às lutas do mundo e união dos revolucionários.

O Congresso se reuniu nas instalações de Sindicato de Alimentos. A nossa organização irmã, a CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores no PSOL), serviu como anfitriã. Previamente ocorreram conferências e eventos dos partidos e grupos onde foram discutidas as Teses Mundiais e de Balanço e a Orientação para os próximos anos. Também foi discutida a situação nacional da Venezuela, Brasil, Bolívia e Cuba, entre outros.

Estiveram presentes entre os delegados e convidados os companheiros Orlando Chirino e Jose Bodas, da Venezuela; Carlos Barrera (ex dirigente da Fejuve de El Alto), de La Protesta e Eliseo Mamani, Secreátio Executivo da Federação de Professores Rurais de La Paz, da Bolívia; do Brasil, Babá da CST e vários dirigentes sindicais, incluindo Pedro Rosa, Neide Solimões e Wellington Cabral. O MST do Chile, foi restabelecido como seção nacional. Esteve presente uma delegação do KRD da Alemanha como uma organização simpatizante. Participaram como convidados Joseph Luís de Alcazar (Lucha Internacionalista, do Estado Espanhol) e Atakan Ciftci (Frente Obrero, Turquia) do Comité de Enlace Internacional (CEI) e Enrique Gomez, do POS do México.

Crise capitalista e as lutas operárias e populares

Houve acordo unânime em que estamos atravessando a maior crise capitalista mundial, que o imperialismo sofre uma crise de dominação econômica, política e militar, e que as lutas dos trabalhadores, juventude, desempregados, camponeses e outros setores populares percorre todos os continentes. Ascenso que tem seu epicentro na Europa e Norte da África com a chamada revolução árabe. Na América Latina também mostram-se as conseqüências da crise mundial e da luta dos povos.

Na Tunísia, Egito e Líbia caíram ferozes ditadores pró-imperialistas. Na Síria, as pessoas resistindo e enfrentando a ditadura brutal de Al Assad. Na Europa, acontecem manifestações e greves gerais (9 na França, 18 na Grécia, entre outras), e nas eleições prima o "voto de castigo" contra os governos de turno, ocorrendo em alguns casos um giro à esquerda eleitoral, como demonstrado na Grécia. Percebendo-se uma convulsão internacional para que pela crise paguem aqueles que a provocaram (multinacionais, banqueiros e capitalistas), e não os trabalhadores.

Na América Latina, verifica-se que os governos que surgiram há alguns anos, mostrando-se como "progressista" (Lula-Dilma, Cristina Kirchner) ou "de esquerda" (Chávez, Evo Morales, Correa, Humala, Mujica), mais além dos discursos, descarregam a crise mundial contra seus povos, implementam planos econômicos em benefício das multinacionais e criminalizam o protesto social. Obrigando os trabalhadores e outros setores populares a enfrentá-los decididamente. Lutas que encontram na dianteira uma enorme vanguarda radicalizada, a base para empalmar e continuar a dar passos na construção de uma nova direção sindical e política dos trabalhadores.

Unidade dos que lutam e dos revolucionários

Nesta situação, é fundamental seguir promovendo a mais ampla unidade de ação para enfrentar os planos de ajuste, para unir a oposição nos sindicatos contra a burocracia sindical e construir partidos e correntes de esquerda e revolucionárias. Para isto sã decisivas as iniciativas e campanhas comuns.

Foi muito acertado que estejamos promovendo apoio ao povo da Síria junto com os companheiros do CEI. Se considerou impulsionar apoio a outros povos que lutam contra a União Europeia, especialmente ao da Grécia. E foi por unanimidade, juntamente com as organizações e dirigentes convidados, que foi acordado o apoio político e militante da candidatura operária e socialista de Orlando Chirino nas eleições presidenciais de outubro na Venezuela, fazendo para tal fim uma campanha de pronunciamentos e aderências.

Por sua vez, além de adotar várias resoluções, importantes coincidências políticas foram encontradas com as organizações convidadas, acordando não somente campanhas conjuntas, mas a necessidade de explorar melhor os processos de aproximação entre as nossas organizações, a fim de tomar medidas em unidade na perspectiva da reconstrução da IV Internacional. Combatendo tanto o oportunismo como o sectarismo. Continuando a debater as diferenças de perspectivas em torno da situação mundial, em um marco dee lealdade revolucionária, uma condição básica para ir selando sólidos passos unitários.

A próxima conferência dos companheiros da CEI em Istambul, em outubro deste ano, ao qual foi convidada a UIT-CI, será outro importante evento neste caminho. Assim como as relações que precisam seguir se aprofundando com os companheiros do POS, do México, e outros valorosos dirigentes com quem estamos construindo La Protesta na Bolívia, os quais podem somar no próximo período.

Para a UIT-CI está claro que há que seguir levantando bem alto as bandeiras que nos legou Nahuel Moreno, ou seja, da revolução socialista, para libertar a humanidade dos males do capitalismo-imperialista. E começar a construir o socialismo com democracia operária completa, onde sejam os trabalhadores e demais setores populares que passem a governar. Mensagem que compreendida por Miguel Sorans quando fez a saudação final ao Congresso, resumindo o balanço do mesmo: "nos propusemos a avançar na discussão sobre a situação mundial, as tarefas que temos pela frente e em maiores acordos com outras organizações e conseguimos: tarefa cumprida". Após as palavras finais das organizações convidadas, se cantou com entusiasmo os versos da Internacional.

FONTE: http://uit-ci.org/index.php/noticias-y-documentos/iv-congreso-de-la-uit-ci/156-se-realizo-el-iv-congreso-mundial-de-la-uit-ci

terça-feira, 22 de maio de 2012

Combater a crise social e a corrupção em Belém!

Entrevista com a professora Silvia Leticia
Fonte: UNIDOS PRA LUTAR-PARÁ

Em nossa cidade, não tem um dia que as ruas não sejam fechadas para cobrar asfalto, segurança, coleta de lixo adequada, saneamento ou água de qualidade. Isso acontece porque há uma crise social que avança e tem levado Belém a uma situação calamitosa às vésperas de seus 400 anos.

Essa crise social é conseqüência da crise econômica que se aprofunda em nosso país e em todo o mundo. Nos Estados Unidos e Europa os governos diminuem salários e aposentadorias, demitem servidores públicos, privatizam saúde e educação e aumenta o desemprego.

No Brasil não é diferente. Dilma (PT/PMDB/PCdoB) fez o maior corte de investimentos da história: foram retirados R$ 55 bilhões do orçamento geral da união, o que fez aumentar as filas nos hospitais e postos de saúde, o sucateamento das escolas e das universidades públicas, agravou a violência, a situação caótica do transporte e o desemprego. Em nossa cidade ainda temos que conviver com a constante falta d’água e os apagões.

Os responsáveis pelos caos cotidiano são nossos governantes: Dilma, Jatene e Duciomar, que governam para os interesses de políticos corruptos, bicheiros, empreiteiros, empresários, banqueiros e especuladores que comandam o país, de costas para o povo. Para iludir a população, a prefeitura enche a cidade de placas para passar a impressão de que a cidade está melhorando, mas sabemos que a realidade é bem menos colorida do que a propaganda do prefeito.

Os trabalhadores e o povo pobre respondem a essa crise com lutas, greves e mobilizações em busca de melhores salários, mais direitos, por saneamento básico e serviços públicos de qualidade.

É preciso combater a crise social e a corrupção instalada nos podres poderes de nossa cidade e estado. Unidos Pra Lutar é parte das categorias e setores da população que nas ruas vem lutando contra a crise e os problemas cotidianos enfrentados pelos trabalhadores e o povo pobre.


“É preciso cassar o mandato dos governantes corruptos que abandonaram nossa cidade, nas ruas e nas urnas”

O Boletim da Unidos Pra Lutar entrevistou a professora Silvia Letícia sobre a crise social e a corrupção na capital paraense. Silvia é da Coordenação Nacional da Unidos Pra Lutar, Pedagoga, especialista em educação no Estado, professora da rede municipal de ensino, mestre em políticas públicas pela UFPA e secretária geral do diretório municipal do PSOL Belém. (Pág. 02 e 03).

Estamos chegando ao final do mandato do Prefeito Duciomar Costa (PTB), qual a situação de Belém hoje?

Silvia Letícia: Nossa cidade está abandonada. A beleza de Belém está dando lugar ao aprofundamento da crise social. O povo luta contra o desemprego, os baixos salários, a falta de saneamento, as filas nos postos de saúde, o trânsito enlouquecedor e um transporte público de péssima qualidade. É preocupante a situação de nossa capital, próxima de completar 400 anos vive um dos piores, senão o pior, momento de sua história com a atual administração.
Por outro lado, o prefeito Duciomar Costa, pinta em suas milionárias propagandas e placas espalhadas que a cidade está em obras. Quanto cinismo! Em sete anos administrando o município a marca de governar foram obras superfaturadas, escândalos de corrupção, criminalização do trabalho informal e sucateamento do patrimônio público.

A falta de uma política que dê perspectivas de melhoria de vida à população transformou a região metropolitana de Belém em um verdadeiro barril de pólvora. Não tem um dia em nossa cidade que a população, de forma espontânea, não bloqueie alguma rua exigindo da prefeitura e do governador Simão Jatene (PSDB), melhorias no transporte público, nas ruas que alagam com as chuvas, por medicamentos e contratação de médicos e enfermeiros para os postos de saúde, bem como reformas na infraestrutura das escolas.

Como educadora como você vê a educação no município de Belém?

Silvia Letícia: Os maiores inimigos da educação em nosso município são as péssimas condições de trabalho, a falta de estrutura das escolas, a falta de valorização dos profissionais e a corrupção por parte do poder público, que somados à baixa renda das famílias e à violência só tem feito crescer a evasão escolar e a repetência.

A rede municipal de ensino tem hoje 59 escolas, 53 unidades pedagógicas e 34 creches. Conta com 2,4 mil professores e 72.138 alunos matriculados da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Ensino Médio Profissionalizante na Escola Bosque. Porém muito precisa ser feito. Belém ainda é a 12ª capital brasileira com o maior número de analfabetos, com mais de 46 mil pessoas nessa situação. São 579 mil paraenses, segundo o último censo escolar, que foram identificados como incapazes de ler e de escrever um simples bilhete. É uma situação alarmante.

E a saúde?

Silvia Letícia: A Saúde está na UTI. Nossa cidade tem o segundo pior atendimento do SUS no país, de acordo com avaliação realizada pelo Ministério da Saúde. Belém conta com 2.369 leitos do SUS, o que corresponde a 1,65 leito a cada mil habitantes. Índice abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 2,5 leitos por mil habitantes. Os dois únicos pronto-socorros atendem em média 18 mil pessoas por mês, de acordo com o site da Secretaria Municipal de Saúde (SESMA). Para atender essa demanda seriam necessários 24 mil funcionários, porém existem hoje pouco mais que 8 mil contratados. Os funcionários da saúde são mal remunerados e suas condições de trabalho são as piores possíveis.

Em Belém foram registrados em 2011 mais de 5 mil casos de dengue. As principais doenças na capital paraense, de acordo com levantamento feito pelas secretarias estadual e municipal de saúde, são a dengue, meningite, doença de chagas e doenças diarréicas. Boa parte dessas enfermidades tem uma relação direta ou indireta com problemas no saneamento. Vivemos em uma cidade que é um esgoto a céu aberto.

Apenas 6,4% têm acesso à rede de esgoto e somente 11,8% tem esgoto tratado. Uma vergonha completa. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada R$ 1 investido em saneamento, economiza-se R$ 4 em investimentos em saúde. Bastariam R$ 9 milhões para preparar a infra-estrutura necessária e evitar os alagamentos que vem com as chuvas todos os anos e que impedem a população todos os dias no seu direito de ir e vir.

Com apenas 26 unidades de saúde completamente sucateadas, Belém vive o caos das filas, da demora do atendimento, da falta de medicamentos e da contratação de profissionais especializados. Enquanto isso a administração superfatura até as quentinhas dos servidores dos prontos socorros, como no caso do PSM da 14 de Março, onde uma empresa terceirizada recebe da prefeitura R$ 27,00 por refeição, sendo que os servidores vêm reclamando da péssima qualidade da mesma. Já houve denúncias de que as refeições são preparadas dentro de um galpão sem higiene alguma. Os trabalhadores denunciam ainda que já receberam várias vezes refeições estragadas, até com larvas dentro da comida e até um pedaço de uma lâmina de estilete.

Essa soma de problemas, aliada à corrupção e à irresponsabilidade do prefeito Duciomar Costa (PTB) tem vitimado inúmeros cidadãos.

Você é coordenadora de um Fórum de Lutas que surgiu a partir do debate do transporte público. Qual sua opinião sobre o projeto do BRT? Quais medidas seriam possíveis tomar para melhorar a situação caótica do trânsito em nossa cidade?

Silvia Letícia: A população passa um verdadeiro sufoco para ir ao trabalho, pra escola, universidade e realizar suas atividades cotidianas. Com um trânsito em que qualquer acidente paralisa toda a Augusto Montenegro e Almirante Barroso, é possível passar horas em ônibus velhos, sucateados e lotados. Se paga uma passagem cara, que todos os anos é reajustada acima da inflação, para ter um péssimo serviço de transporte público. Ao invés de buscar melhorias na qualidade do serviço, a prefeitura reduz impostos para os empresários e em 2011 perdoou uma dívida de R$ 84 milhões destes para com o município. Além disso, Duciomar não fez valer a lei da gratuidade nos ônibus aos domingos, aprovado pela câmara de vereadores.

De acordo com dados da Companhia de Trânsito de Belém (CTBEL) o sistema municipal e metropolitano de transporte por ônibus possui 137 linhas. O serviço de transporte é composto por uma frota de 1.676 veículos que circulam na região metropolitana, destes 1.160 em Belém. Esta frota executa aproximadamente 13 mil viagens diárias e transporta 970 mil passageiros por dia. Os processos licitatórios das empresas são um verdadeiro mistério e Duciomar segue fazendo corpo mole para tratar da situação dos motos-taxistas e trabalhadores das vans.

O BRT é um projeto de olho nas eleições. Acredito que é necessária uma solução urgente para o trânsito. Que um modelo de ônibus rápido deve ajudar a melhorar a mobilidade da população. Porém a prefeitura garante que num curto espaço de tempo implantará uma ou duas linhas do BRT. Para correr contra o tempo, fez uma licitação fraudulenta, alvo de investigação do Ministério Público Federal, não realizou nenhuma consulta às populações por onde o projeto irá passar ignorando o Ação Metrópole, projeto do governo do Estado, que prevê a implantação do BRT desde Marituba, Icoaraci e Belém, ou seja, toda a região metropolitana de Belém e que segundo dados do próprio governo estadual veiculados nos meios de comunicação, teria um orçamento de R$ 320 milhões. Recentemente, prefeitura e governo entraram em acordo para poder receber os R$ 910 milhões que serão repassados pelo governo federal via PAC 2 Mobilidade para os dois projetos.

Como moeda de troca, a Andrade Gutierrez, empresa que venceu a duvidosa licitação é mantida como responsável pelas obras. A mesma empresa que, lentamente e superfaturando dinheiro público, vem construindo o Portal da Amazônia. Que também levou 3 anos construindo uma passarela na BR 316 em frente a um shopping. Além disso, essa empresa impõe condições iguais ao trabalho escravo exercido pelos trabalhadores na Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Para o prefeito é necessária uma grande obra no fim do mandato. O BRT é esse abre-alas para eleger seu candidato. O sistema de Duciomar atenderá menos da metade da clientela do projeto Ação Metrópole, que também necessita de discussão junto à população. O transporte público é um caos e os projetos em andamento visam beneficiar empreiteiras e empresários de ônibus, maiores financiadores de campanhas eleitorais, razão pela qual não há consulta à população.

A Unidos Pra Lutar apoiou e esteve ativamente presente na greve dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado esse ano. Qual seu balanço sobre a segurança pública?

Silvia Letícia: O que tem mais mobilizado a população é a falta de segurança pública. O número de homicídios cresce em Belém, Icoaraci, Mosqueiro e Outeiro, segundo a própria Secretaria Estadual de Segurança. Bairros inteiros transformam-se em territórios dominados pelo medo e o narcotráfico, onde o grande ausente é o Estado que, sem políticas públicas, paga mal os policiais militares e não garante o mínimo de condições de trabalho a essa categoria. Por isso a Unidos Pra Lutar esteve presente apoiando a justa mobilização dos trabalhadores da segurança pública.

O desemprego, a falta de assistência e direitos sociais é o que tem feito explodir a violência e crescer nos bairros e conjuntos habitacionais um perverso serviço de “segurança privada”, parecido ao das milícias existentes no estado do Rio de Janeiro, e o surgimento de grupos de extermínio responsáveis por promover uma verdadeira “limpeza” social nos bairros da periferia onde a juventude tem sido a maior vítima.

Como você vê os novos escândalos de corrupção na ALEPA envolvendo ONGs, entidades fantasmas e repasses ilegais? Porque a CPI proposta pelo deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) não foi instalada?

Silvia Letícia: A reportagem do programa Fantástico, no dia 08/04, deixou o povo brasileiro estarrecido. Os deputados estaduais do Maranhão recebem até o 18º salário. No Amapá, além da verba indenizatória de R$ 100 mil por mês, os deputados recebem R$ 2.600,00 por cada diária de viagem. No Pará não é diferente. Um novo escândalo ronda a ALEPA, com novos desvios de recursos repassados às ONGs que se suspeita sejam ligadas ao deputado Pastor Divino (PRB). Por meio dos arquivos apreendidos pela Polícia Civil, foram encontrados contratos assinados na gestão do ex-deputado Domingos Juvenil (PMDB) entre ALEPA e entidades. Só com a ONG Pará em Ação, ligada ao Pastor Divino, foi repassado mais de R$ 500 mil num único contrato. De acordo com o Ministério Público Federal essa é “apenas a ponta do novelo”. As fraudes comprovadas em 2011 completaram um ano de denúncia e até agora ninguém foi punido, o povo deve exigir a devolução do dinheiro público roubado e o afastamento dos envolvidos. Juvenil, Sergio Duboc, Robgol e cia. não foram punidos. O Deputado Estadual do PSOL, Edmilson Rodrigues, entrou com pedido de CPI, mas não foi atendido pela casa que está afundada nos esquemas de corrupção. Em Belém, a Prefeitura corrupta de Duciomar é acusada de compra de votos e desvio de verba pública, fazem obras eleitoreiras como o BRT, Portal da Amazônia, etc. Tudo isso através de licitações fraudulentas para favorecer seus financiadores e aliados nos processos eleitorais.

Para finalizar, o que é preciso ser feito para reverter o cenário de crise social?

Silvia Letícia: No nosso país, a corrupção é utilizada para manter a crise social: bilhões de dólares gastos com banqueiros, credores da dívida pública e “Carlinhos Cachoeira” da vida, que se utilizam da máquina pública e suas relações com políticos corruptos para se beneficiar. Em contrapartida, saúde e educação públicas estão caindo aos pedaços, desvalorização dos serviços e servidores públicos, falta saneamento básico para a maioria da população, salário mínimo de miséria, crescimento exacerbado da violência e muita insegurança.

A forma como a população tem respondido a esse cenário é com mobilização. Como disse anteriormente, todos os dias se fecha uma rua em Belém exigindo alguma coisa do poder público. Acredito que esse é o caminho. É preciso cassar o mandato dos governantes corruptos que abandonaram nossa cidade, nas ruas e nas urnas. Nas ruas, realizando mobilizações e greves, como fez minha categoria, a dos profissionais em educação, na defesa de salário e melhores condições de trabalho e nas urnas não elegendo mais as gangues que se instalam no poder público e deixam a população na miséria.

AS LEIS CRIADAS PELO GOVERNO PARA QUE O POVO POBRE PAGUE A CONTA DA CRISE ECONOMICA.

1. Lei de Responsabilidade Fiscal é um entrave para a garantia de direitos

A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada no ano 2000, pelo governo privatizador de Fernando Henrique Cardoso, com um discurso de que serviria para o equilíbrio das contas públicas. Com essa lei, os estados e municípios passaram a conter investimentos nas áreas sociais (saúde, educação, segurança pública etc.) para ajudar no pagamento das dívidas interna e externa aos banqueiros internacionais.

Ano passado, por exemplo, o governo Jatene não pagou o piso dos professores – que estava definido em lei – alegando que não poderia gastar mais do que o orçamento já tinha definido. Na prática, esta lei serve para que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para o pagamento de dívidas que não são nossas e que não servem aos interesses do povo pobre e trabalhador.

O setor público já cumpriu 25% da meta de economia para pagamento de juros da dívida neste ano. Relatório apresentado no dia 30/03 pelo Banco Central mostra que União, Estados e municípios economizaram R$ 35,5 bilhões em janeiro e fevereiro, um quarto dos R$ 139,8 bilhões previstos para 2012.

2. Desvinculação de Receitas da União

A DRU (Desvinculação de Receitas da União) é outro mecanismo imoral que está retirando verbas das áreas sociais para o pagamento da dívida pública. Segundo esta emenda constitucional, o governo corta 20% dos investimentos nas áreas sociais para fins de superávit primário. Entre os anos de 1998 e 2007, R$ 43,5 bilhões deixaram de ir para Educação e para o financiamento do ensino público por conta da DRU.


Medidas para tirar Belém da crise social

Emprego: Todas as empresas contratadas pela prefeitura devem reduzir a jornada de trabalho de seus funcionários para 6 horas, sem redução de salários. A empresa que não cumprir tal exigência ou for flagrada descumprindo esse dispositivo deve ter seu contrato anulado. Plano de obras públicas (construção de escolas, creches, unidades de saúde, praças, etc) e frentes de trabalho para recuperar ruas e desobstruir canais. Concurso público para contratação de novos servidores em todos os níveis, em especial nas áreas de saúde e educação. Estágios remunerados com a garantia de que todos os direitos trabalhistas existentes na legislação brasileira sejam cumpridos. Passe livre nos transportes urbanos para desempregados.

Saúde: Aplicação integral das verbas constitucionais destinadas para a área. Construção de unidades de saúde em todos os bairros de Belém, contratação, via concurso público, de novos servidores. Reposição salarial e pagamento das perdas históricas da categoria. Construção nos bairros de sistemas isolados de tratamento de água e esgoto.

Educação: Aplicação do piso nacional do DIEESE. Reposição integral de todas as perdas. Eleição direta para direção das escolas. Projeto pedagógico discutido com a população. Concurso público. Reforma nas escolas.

Transporte: Quebra do monopólio de linhas das empresas de ônibus. Constituição de uma frota municipal de transporte. Congelamento das tarifas. Obrigatoriedade da redução da jornada de trabalho sem redução de salário para os rodoviários. Que os mesmo não paguem os assaltos aos ônibus. Controle da meia-passagem pelas entidades do movimento estudantil (DCE’S, CA’s, Grêmios, etc.). Regulamentação do transporte alternativo (vans, kombis, etc.). Revisão de todas as concessões das empresas de transporte urbano da cidade e que não se adequarem as exigências da população em melhoria do sistema e prestação de serviços. Estabilidade funcional a todos os trabalhadores rodoviários. Audiências públicas e formação de uma Comissão dos Trabalhadores e da Sociedade (Sindicatos, Ministério Público, Dieese, especialistas em transporte público) para discutir os impactos sociais, econômicos e ambientais do BRT e ver se não há alternativas mais baratas e mais viáveis. Aplicar a lei da gratuidade 1 domingo por mês, votada pela câmara de vereadores.


Seguir o exemplo das categorias que lutam!

Os governos arrocham salários, precarizam as relações de trabalho e criminalizam quem luta por direitos. A crise social se aprofunda em nosso país com a alta dos preços, com Dilma se negando a dar reajuste aos servidores federais, com Jatene tentando enganar os professores sobre o pagamento do piso nacional e com a administração de Duciomar afundada em corrupção e jogando Belém no caos social.

Para derrotar esses ataques, os trabalhadores de diversas categorias já demonstraram o caminho a seguir. Nos primeiros meses do ano foi a greve dos Policiais Militares que, apesar de duramente criminalizada pela mídia e pelos governos, conseguiu em estados como o Ceará, importantes reajustes. Em cidades como Niterói e Curitiba foram os rodoviários que realizaram paralisações. Os trabalhadores das principais obras do PAC nas Usinas Hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte realizaram poderosas greves que moveram milhares de operários por salário e trabalho digno.

Em nossa cidade, todos os dias a população fecha uma rua contra a crise social imposta com falta d’água, ruas alagadas, escolas caindo aos pedaços, etc. Ano passado, foram 5 meses de atos contra o aumento da passagem de ônibus. Os Professores realizando mais de 3 meses de greve. Os trabalhadores urbanitários lutando contra a falência da CELPA privatizada e em defesa do pagamento do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Os rodoviários de Ananindeua e Marituba esse ano já preparam sua campanha salarial e já se fala em greve.

Hoje, no mundo todo, os trabalhadores respondem aos efeitos da crise econômica internacional com mobilizações e até greves gerais, como na Grécia, na Espanha e em Portugal. No Brasil os efeitos da crise são sentidos com os cortes nas áreas sociais que impedem investimentos e geram as filas nos postos de saúde, os ônibus lotados, a falta de água nos bairros. É preciso seguir o exemplo das categorias que se mobilizam e unificar as lutas. Construamos um calendário comum das campanhas salariais em curso, para enfrentar os patrões e os governos.

Por fim, é urgente o fortalecimento de um fórum de lutas da Região Metropolitana de Belém, para que sindicatos, associações de bairros e entidades estudantis enfrentem o caos social instalado em nossa região. Assim a população responderá a altura os ataques dos governos que administram o estado para uma minoria privilegiada e saqueiam os cofres públicos. Unidos, somos mais fortes!

Citações na entrevista


1) “Belém ainda é a 12ª capital brasileira com o maior número de analfabetos, com mais de 46 mil pessoas nessa situação”.
2) Nossa cidade tem o segundo pior atendimento do SUS no país, de acordo com avaliação realizada pelo Ministério da Saúde.
3) Ao invés de buscar melhorias na qualidade do serviço, a prefeitura reduz impostos para os empresários de ônibus e em 2011 perdoou uma dívida de R$ 84 milhões destes para com o município.
4) As fraudes comprovadas em 2011 completaram um ano de denúncia e até agora ninguém foi punido, o povo deve exigir a devolução do dinheiro público roubado e o afastamento dos envolvidos.

Data de Publicação: 22/5/2012 12:34:35
http://www.cstpsol.com/viewnoticia.asp?ID=300