Comecei a usar esse blog muitos anos atrás fundamentalmente como um exercício. Exercício de reflexão, de produção textual e de expressão do que pensava e sentia. Não tinha o menor objetivo de torná-lo algo "propriamente público", pois não passava de uma "brincadeira pessoal". Era um pouco da tal de intimidade pública de arestas aparadas, invenção das redes sociais. Durante um certo tempo tive alguns colegas bloggers que também postavam seus próprios blogs e que passaram a compartilhar comigo algumas coisas legais por aqui... Depois descarreguei várias coisas aqui, em signos virtuais para memórias e sensações residuais de toda sorte. Nada demais porque nunca foi para ser algo mais que meus próprios murmúrios pessoais para mim mesmo - não na maior parte do tempo, pelo menos. Mas como tudo muda, mudou também o teor das postagens. E o que era só brincadeira foi virando uma brincadeira diferente. Depois mais diferente. Até virar "só uma página" estranha de vários textos políticos em espanhol e inglês que eu traduzia. Perdeu toda a graça e sentimento que um dia teve, rs. Mas, blergh!, passou. Deixa pra lá. O importante é que esse blog bobo foi bem útil para mim em alguns momentos e, de alguma forma, me ajudou - junto de muitas outras experiências reais - como o tal do exercício que deveria ser, no aprendizado das ordenações de ideias, das palavras e até em um pouquinho de poesia. 10 anos é muito pra vida humana, por mais que não signifique quase nada na História da Existência.
E, quando olho aqui, vejo que muito do que penso hoje já pensava há uma década atrás - talvez eu não tenha mudado tanto quanto imaginei que mudaria em uma década ou talvez não seja bem assim, e eu só não esteja atento agora enquanto digito. Enfim: para ajudar a perceber o que mudou, vou voltar a digitar aqui. Partindo do que acabo de fazer agora. Boa noite: são 4h da manhã e escuto Casa das Máquinas, o disco "Lar das Maravilhas".
Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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terça-feira, 19 de junho de 2018
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Comentário sobre as eleições em Belém.
A campanha que participei em Belém-PA, ao lado de meus companheiros do PSOL, foi um TREMENDO aprendizado. Um choque de realidade. Neste combate totalmente desigual, onde o poder econômico tem a força titânica de compra e venda da consciência e dignidade do nosso massacrado povo, os antes desaparecidos rios de dinheiro público são despejados por todos os lados contaminando o processo eleitoral. Mas fomos nós, de casa em casa, incansáveis, discutindo, explicando e apoiando todas as lutas por direitos em nossa cidade, com nossa campanha militante classista, política e financeiramente independentes;
Sendo um gritante e revoltante flagrante ver que as heranças deixadas pelo PTB, PR, PSDB, PMDB, PPS, PT, PCdoB e todos os seus demais aliados corruptos foi uma grande cidade andando para trás em todos os direitos sociais do povo trabalhador. E constatando que nos vãos entre os bairros de classe média e alta há um aprofundamento da crise social, que degrada a vida de inúmeras comunidades, de milhares de famílias sendo obrigadas a viver sem água potável, sem luz, sem nenhuma qualidade de vida, morando fora do mapa da dignidade humana, à mercê da marginalização social e do crime, na mais completa barbárie; enquanto seus vizinhos, os velhos políticos e endinheirados empresários, ano após ano, se aproveitam e aprofundam a precariedade usando da pobreza e desespero de toda essa gente, prometendo, humilhando e enganando com migalhas àqueles que os perpetuarem saqueando mais rios e rios de dinheiro público das máquinas do Estado como vereadores de Belém - vereadores que precarizarão ainda mais a vida de todos, com mais fraudes, roubos e ataques aos direitos do povo trabalhador e pobre, para aumentarem seu projeto social de privilégios particulares e astronômicos lucros dos empresários de ônibus, empreiteiras, tubarões do ensino e demais bandidos de toda espécie...
Por outro lado, nós que combatemos tudo isso sem abrir mão de nosso caráter, saímos fortalecidos em todo o Brasil! Pois mostramos que não nos vendemos, nem nos rendemos. E continuaremos lutando, pr'além das eleições, cotidianamente, remando contra essa maré criminosa e obscena, organizando os lutadores todos, para seguir construindo um projeto coletivo de sociedade justa, igualitária e verdadeiramente democrática! De um admirador das lutas por justiça social passo à um militante plenamente convencido sobre a URGÊNCIA na necessidade de uma mudança radical em nossa vida societária...
A LUTA CONTINUA! PSOL NELES!
VIVA AO SOCIALISMO E A LIBERDADE!
VIVA AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA!
sábado, 8 de outubro de 2011
Círio: "Starless and bible black..."
Meus pais
são católicos. Outros tantos parentes próximos também. Cresci até
bem familiarizado com algum punhado de elementos religiosos como: terços rezados
junto ao rádio, novenas em casa de vizinhos, missas de domingo, catequese, leitura
bíblica... Minha rua era cheia de meninos e meninas envolvidos com a igreja.
Coroinhas, catequistas, aspirantes à freiras e padres que conviviam nas
redondezas de minha comunidade, nas outras ruas onde faziam amizades. Se
visitavam, se buscavam para ir à igreja, comemoravam aniversários, etc. A
igreja esteve bem próxima quando da primeira vez que presenciei a morte de um
ente querido e, sempre em alguns dias especiais do ano, ela fazia seus discursos.
Apesar dessa
proximidade, nunca participei tanto quanto meus irmãos mais velhos, meus
parentes em geral e os demais conhecidos. Talvez pelas circunstâncias próprias da minha infância em particular... Verdade seja dita: sempre fui um marginal. Não por opção, mas simplesmente
por condições objetivas casuais. Sempre estive à margem da participação com a
galera da minha rua, à margem do futebol, à margem das brincadeiras e jogos, à
margem dos grupos da igreja, etc... Porque fui concebido entre grupos etários diferentes.
Tinha a galera mais velha que eu e tinha a galera mais nova que eu – sempre tento
fugir dessa constatação, mas, por mais repetitivo que isso soe dentro da minha
cabeça, enquanto alguma espécie de mágoa, de rancor, é desinraizável de uma
análise séria a respeito do que hoje sou. Então,
dada essa condição de filho do meio que não anda com os amigos dos irmãos mais
velhos e tampouco se sente à vontade em estar com seu irmão caçula e seus
amigos mais novos, fiquei só. Não para sempre, mas por um bom tempo.
Hoje vejo que, sem saber naquela época, o meu sentimento era mais de que a igreja consistia em mais um espaço de participação social, de interação – não
tinha nada a ver com buscar respostas, nem salvação, nem nada. Era outro espaço de participação e, pior!, espaço no qual eu não podia participar. Por razões óbvias. Então, depois de algumas
tentativas frustradas e até bastante humilhantes, desisti de insistir em participar. Aceitei minha
condição de solitário. Ficava em casa desenhando, pensando, me distraindo sozinho.
Mas, voltando a igreja, ainda cheguei a
fazer 3 anos de catequese. Acho que eu tinha uns 12 ou 13 anos de idade. Não lembro mais se era aos sábados ou domingos as aulas... Só
lembro que a catequese durava apenas 1 ano. Pena que depois ela passou a durar
2, quando "reprovei", hahaha! Frequentei missas, li a bíblia em casa, me confessei, coisas assim. Mas nunca houve
aquela “comunhão”, acho. Na igreja nunca me senti
em casa porque, de fato, nunca me pareceu um ambiente familiar... Claro que quando criança
eu tive alguns pesadelos com o inferno, com o fim do mundo, com condenações
divinas, esses amedrontamentos e sensações de culpa que a igreja gosta de martelar na nossa cabeça pra manter uma espécie de controle coercitivo, uma aproximação à base de ameaças.
No entanto, terminada
a catequese parei de freqüentar tudo.
Claro que ano após
ano as datas retornam. Círio, Natal e Páscoa, dentre outros momentos marcados no calendário, alguma coisa dos católicos é cobrada... Algumas vezes
fui à missa com a família, algumas vezes participei de alguma novena, algumas outras vi a
Santa passar na multidão, tiveram vezes que escutei o Papa falar na virada do ano, assim como fiz uma ou outra passeata cristã, algumas
vezes n’algum momento de perplexidade orei, rezei, pedi por alguma solução, angustiado atrás de um ombro amigo. Mas
tudo isso, toda essa “conexão” foi amiudando, esmorecendo, fragilizando,
perdendo o sentido, até que chegou o tempo em que eu nem sequer refletia mais sobre o assunto...
Também
existiu um período que, por influência de um primo, me aproximei de alguma
doutrina evangélica que nem sei mais direito qual era. Era ele quem sabia. Não cheguei a
participar de culto nem nada assim, mas me contagiei um pouco com os entusiasmos dele, as histórias e o até pelo proselitismo que ele praticou sobre mim durante
um tempo. Parecia uma coisa mais atenciosa, parecia mais acolhedor o método
todo. Mas ao final me vi só outra vez. Parecia que aquele pessoal gostava mais de calcular "almas convertidas", mas não sabia
muito bem fazer um acompanhamento que "mantivesse" as almas. Claro que a minha falta de aproximação assim como meu germes de ceticismo me ajudaram a rapidamente
largar.
Deixei tudo pra
lá novamente.
E não
demorou muito para que eu percebesse que nem sequer ligava tanto pra nada
disso. Eu não cria fervorosamente num ser superior, numa vontade sobrenatural
personificada em alguma entidade invisível que tivera arquitetado o mundo, nem sentia
uma necessidade de uma plena salvação, nada disso. Eu não me senti impuro, não me sentia o pedaço de pecado que precisava ser corrigido. Eu era um bom menino e sabia disso, haha. Não tinha a carência de um deus... Digo, claro que eu queria companhia, de fato. O meu histórico exigia que eu quisesse companhias, que eu me encontrasse, me ajustasse em algum grupo, sempre precisei de amigos. Mas não de amigos imaginários! Eu queria pessoas de verdade comigo. Queria poder conversar, compartilhar, viver em grupo, ser aceito, confidenciar as minhas preocupações, participar do mundo, etc...
Então, agora um
pouco mais velho – mas ainda muito muito jovem. Depois de passada a época de
necessidade de ter amigos urgentemente, depois de já ter conseguido firmar
alguma parte da minha personalidade, de ter amadurecido mais a minha visão de mundo,
esclarecido mais meus métodos de relacionamento com os outros, dado mais forma ao meu caráter, etc, etc... Eu
vejo a religião com outros olhos. Não mais com os olhos intimistas de quem
procura um lugar para se alocar e pronto. De alguma forma essa relação com os outros sempre foi o sentido da vida pra mim, daí concordo muito com o que andei assistindo do Ferreira Gullar nesse sentido. Foi o que me angustiou durante bastante tempo, enquanto que a religião foi um detalhe até hoje... Por maior que seja o detalhe.
Atualmente não procuro uma asa divina sob a qual possa me
aconchegar das dores do mundo, das dores da não-partilha que vivi, da exclusão do Outro... Hoje, pr'além da relação personalíssima entre Instituição da Fé e o ser humano, enxergo os interesses escusos da religião, dos líderes religiosos que são construídos. Eu vejo as contradições, eu vejo o palco que o altar consegue ser, eu vejo as ganas
políticas nas entrelinhas, eu sei que as igrejas não pagam impostos para o Estado e que arrecadam MUITO dinheiro, eu estudei as histórias horríveis da
hegemonia da religião na Idade Média e até hoje vejo brutalidades maquiadas de divindade, eu vejo o controle exercido, eu vejo o medo incutido, eu
vejo o abuso diante da ignorância das pessoas mais humildes, eu vejo o saquear
de bolsos de trabalhadores, a manipulação ideológica em torno de mesquinhez, a falta de argumentos de verdade para suas idéias, o atentado à lógica e a inteligência, o desinteresse em tomar medidas que realmente ajudem a melhorar o pedacinho de mundo no qual encontram-se, eu vejo a segregação, a disputa de espaço
entre as instituições, a hierarquia, a truculência, a discriminação, os
machismos, as chacinas realizadas em nome do deus de amor e, simplesmente, eu vejo o quão irracional a
religião consegue fazer com que seus fiéis sejam. E a promessa do inferno é a prova cabal do terrorismo e da tortura a que se pode prestar um deus, castigando por toda a eternidade.
Mas o negócio é que não
existem palavras pra descrever a sensação de impotência e de dor que eu sinto toda vez que
vejo aquelas casinhas de isopor erguidas sobre as cabeças, as pessoas velhinhas caminhando, todos aqueles clamores por uma vida melhor, pedidos de atendimento médico, de empregos, lágrimas de milhares e milhares de pessoas, na maior manifestação de fé do mundo... E, em resposta, só haver o silêncio. O silêncio dos abastados da cidade, o silêncio do Governo e o silêncio de deus. Calados admiram.
Não me sinto
à vontade de dizer que sou um ateu. Eu nem sei bem no que implica isso. Mas sinto que, mais do que nunca, não consigo mais aceitar um deus omisso diante
da dor do mundo. Como poderia um ser do bem, todo-poderoso e todo-sabedoria, permitir TANTO sofrimento? Qual a graça disso tudo!? Daí
desejo do fundo do meu coração que ele não exista. Pois se existir... Por que?
Starless
"Sundown dazzling day
Gold through my eyes
But my eyes turned within
Only see
Starless and bible black
Old friend charity
Cruel twisted smile
And the smile signals emptiness
For me
Starless and bible black
Ice blue silver sky
Fades int grey
To a grey hope that oh years to be
Starless and bible black"
(King Crimson)
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Audiência Pública na UNAMA, campus Senador Lemos.
Hoje o DCE-UNAMA realizou a Audiência Pública marcada com os estudantes e a Reitoria, para que fossem dadas soluções aos problemas do curso de Direito e dos problemas do Campus Senador Lemos - que foi palco de episódios inaceitáveis por conta da falta de Segurança. Depois de dias passando em sala, realizando conselhos de turmas para coletar as demandas estudantis e pondo em circulação um abaixo-assinado solicitando a presença da Reitoria, a Audiência foi realizada. No entanto, com uma postura de tremendo desrespeito por parte da Reitoria.
Mas, com o aglomerar de estudantes interessados em participar da audiência, uma professora, que não é sequer integrante da coordenação do curso, foi enviada ao nosso encontro. Declarou logo de início que estava ali simplesmente para dar uma "satisfação" aos estudantes, não resolveria nenhuma questão e só iria entregar um recado, logo, não haveria diálogo. Declarou a professora, contraditoriamente, que a Reitoria não tinha conhecimento das demandas mas que as estava analisando (?), e que pedia um prazo até dia 27. A "satisfação" dada pela professora durou menos de 2 minutinhos, depois ela se retirou.Temos aí então, claramente, o atentado da Reitoria contra a nossa inteligência e a integridade da atuação dos estudantes. Dizendo que não conheciam as demandas, quando o DCE, no dia 12, esteve com ela reunido e fez questão de entregar em mãos a lista de demandas que os estudantes haviam repassado nos conselhos de turma! Como a Universidade toma uma atitude de repreender a atuação do Diretório Central de Estudantes, coloca funcionários para fiscalizar a audiência e, ainda assim, tranca-se do lado de fora de sua obrigação de comparecer?!
Mesmo assim o DCE não se calou, deixou clara sua insatisfação e imediatamente colocou uma proposta em votação para o coletivo estudantil. Proposta de que se a Reitoria não tomar nenhuma atitude em favor dos interesses dos estudantes até o dia 27, haverá um ato público que denunciará, inclusive com o apoio da imprensa se necessário, os desmandos da instituição que permite que um carro seja levado do seu próprio estacionamento por falta de segurança, assim como se omite frente os assaltos dos quais os estudantes tem sido vítimas recorrentemente, por falta da instituição em não exigir do Poder Público o policiamento da região. Sem contar o abuso dos aumentos de mensalidade que todo ano acontecem, em conjunto com o aumento das necessidades dos estudantes, que ficam, como hoje, tendo que esperar e esperar! Pra onde vai o nosso dinheiro se não é revertido em bons serviços?!
A proposta de ato público para o dia 27 foi votada e teve aceitação unânime dos estudantes ali presentes. Nossa paciência tem limites. E o descaso da Universidade é esse limite... É INACETÁVEL que tenhamos que pagar caríssimo para ter em contraprestação uma universidade sucateada e omissa! Estudantes, uní-vos, porque já foi provado em situações anteriores na UNAMA que só com mobilização se consegue vitórias. Vejo as lutas do DCE desde quando entrei na Universidade, em 2007, e nunca estive tão convencido.
Vamos À Luta!
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
A fé bate à minha porta.
Hoje bateram à minha porta. Eu tinha acabado de acordar, nem queria sair da cama. Mas me vesti, peguei um copo de café e fui atender. Eram duas senhoras de vestidos, segurando sombrinhas. Duas Testemunhas de Jeová... Então pensei: "Beleza, vão querer me converter. Mas não serei grosseiro nem sectário diante do proselitismo das senhoras... Vamo ver". Afinal, pra mim, viver é aprender. Quem acha que já tem consigo a verdade absoluta está catastroficamente enganado e, claro, ser gentil e respeitoso não custa muito (as vezes)...
Desejaram bom dia, perguntaram meu nome e pediram um minutinho do meu tempo. Fui solícito. Elas disseram que era muito bom poder conversar com um jovem e com respeito e paciência escutei, apesar de não ter apreciado tanto um ou outro excesso didático que elas usaram - mas compreendi a necessidade, se o diálogo fosse com outra pessoa menos inteirada em discussões religiosas.
Elas iniciaram me perguntando o que eu pensava a respeito do tempo que estamos atravessando. Assim mesmo, latu sensu, de modo amplo. Respondi que acredito que passamos por um momento muito específico na nossa história e que, diante desse importantíssimo período, deveríamos repensar muito do que é o nosso mundo, pra evitar grandes problemas que se avizinham... Uma das senhoras em especial abriu mais os olhos com uma expressão de admiração pela resposta que escutou, depois concordou profundamente. Daí, falou sobre alguns problemas que encaramos no dia a dia e de algumas preocupações que todo ser humano carrega consigo, então me perguntou, "Diante dessas mudanças no mundo você está receoso ou esperançoso?".
Pensei - não nessas palavras, mas pensei: "sei que nós não estamos falando das mesmas coisas e que vai chegar o ponto em que vão ficar bem claras as diferenças entre o que eu penso e o que você quer me dizer". Respondi a pergunta da senhora dizendo que estava esperançoso. E mais uma vez ela se mostrou feliz com a resposta, pois era uma senhora bem simpática. Achei meio engraçado na hora. Parecia que estávamos em alguma brincadeira de "certo ou errado", mas tudo bem. Adoro tagarelar. "Que bom, que bom!", "Mas e essa sua esperança? Você deposita onde? No que é que você acredita que deva ser feito?". Ela me fez essas perguntas remexendo sua bolsa.
Achei melhor responder indagando também, porque diálogos são conduzidos por dois. Perguntei a elas se tinham escutado falar da Usina Hidrelétrica de Belo Monte que está sendo construída em nossa região e de tudo o que ela vai causar aqui... Bem, a reação foi de repúdio, que bom, disseram que conhecem um rapaz que trabalha como piloto de avião e que ele sempre menciona as grandes áreas de desmatamento que se apresentam por aqui. Complementei mencionando os indígenas e as comunidades ribeirinhas que serão atingidas pela barragem. Elas concordaram, disseram que era muito entristecedor. Depois questionei, "Então, diante dessas coisas que o nosso governo está fazendo, o que vocês, enquanto Testemunhas de Jeová, acham que deva ser feito?". Digamos que aí era o ponto crucial do meu ponto de vista... O que se faz diante das coisas que acontecem no mundo?
A gentil senhora teve um pequeno estalo de memória e disse, "Ah, sim! Eu tenho uma pequena revista que fala exatamente disso do que estamos conversando, veja que interessante". Ela puxou de sua bolsa a revista de título "Despertai! É possível mudar este mundo para melhor?". Pensei, "Uau, eles carregam um arsenal, hehe". Daí a senhora leu alguns pequenos relatos contidos na revista (que era de 2004. Portanto, bem desatualizada, mas, claro, talvez tivesse conteúdo interessante, pelo menos para os interesses em questão). O primeiro lido foi esse trecho, que tinha no alto o título "O CLAMOR POR REFORMAS (de um redator na Alemanha)":
"Se eu fosse mais nova, iniciaria um movimento de reforma!",
exclamou Anna, uma senhora de 80 anos na Alemanha.
"O que é que a senhora mudaria?", perguntou Robert.
"Tudo!", respondeu Anna.
Depois, a senhora leu a história de um capitão de navio que, defendendo o meio ambiente, algemou-se numa âncora de navio num ato de protesto e que acabou sendo arrastado para o fundo do mar, quase morrendo. Em seguida, leu a história de uma jovem nascida nos anos 60, em algum lugar da Ásia, num período conturbado de revolução e perseguições, que fazia parte de um grupo de oposição ao governo, que foi presa na rua quando estava pregando cartazes e teve amigas executadas. A revista dizia que a moça teve que fugir do país para sobreviver.
Depois dessas leituras a senhora Testemunha de Jeová disse que tanto o capitão do navio quanto a ex-ativista política haviam "chegado à conclusão" de que não valia a pena lutar, pois o poder e os governos sempre fariam o que bem entendessem, mesmo tendo boas intenções de início e que a única solução para todos os problemas da humanidade seria o "Reino Messiânico de Deus"...
Pronto. Aí estávamos nós três. No ponto em que se diferencia e se opõem as minhas concepções das concepções das duas senhoras na porta de casa, numa manhã de terça-feira... Algumas coisas passaram pela minha cabeça rapidamente, assimilando a longa e indireta resposta que elas haviam me dado... Questionei novamente, procurando uma resposta mais clara: "Então... quer dizer que mesmo com tudo de errado que o meu governo esteja fazendo, eu devo ignorar? Vocês Testemunhas de Jeová não acreditam que as pessoas unidas possam resolver nada dos nossos problemas aqui e só podemos esperar?"
O assunto ficou complexo. Claro que ficou. Os questionamentos mais profundos vão precisar de análises e caracterizações mais profundas sempre, o mundo é assim. E é preciso ter em mente que não será uma conversinha de 10 ou 15 minutos que se vai conseguir explicar uma vida de experiências pessoais, de situações coletivas ou avaliações históricas mais amplas, etc... E muitas vezes eu penso que esse é o grande problema de muita gente ou a grande impossibilidade. As vezes, não querem se dispôr a entender as coisas ou simplesmente não podem se dispôr, porque não gozam de tempo para isso... A outra senhora, que estava calada, já notava que a coisa estava começando a tomar ares mais densos, mais argumentativos. Era lógico que não chegaríamos longe ali se não houvesse um avanço aprofundador. A senhora simpática teve que apelar para o caráter mais abstrato, mais de fé, mais dogmático. Fez um sinal para a sua colega, que entregou em suas mãos: a Bíblia.
Leu alguns versículos. Falou sobre o Armagedom, uma guerra onde as "iniquidades" seriam destruídas pelos poderes divinos e seus representantes, falou do paraíso prometido e disse que toda a decadência humana só seria derrotada com o advir deste "Governo de Deus". Que só caberia agora a humanidade "aprender sobre este novo mundo e preparar-se para a sua chegada", que estaria próxima... Posto que muitos morrerão e os que não estão com Deus estariam com suas vidas em risco, em grande perigo de não serem salvos e serem exterminados, como no dilúvio ou outro momento de divina chacina bíblica.
"Bem, eu gostaria de saber de vocês, que argumento que vocês usam...? Porque, assim, eu tenho amigos que são católicos, amigos evangélicos, tenho amigos espíritas e de outras religiões que, assim como as testemunhas de jeová, dizem estar corretos, têm suas próprias leituras, etc... Qual a diferença entre vocês?", perguntei. Perguntinha bandidinha, mas necessária. Todo mundo tem que saber se posicionar num mundo cheio de vertentes, doutrinas e correntes diferentes, senão se perde.
A senhora respondeu que o problema era que, "como todo mundo pode notar", todas as outras religiões se envolvem com Política. Enquanto que as Testemunhas de Jeová não se envolvem, mantendo-se "neutros" com relação a essas coisas, mais preocupados no que virá, passando de casa em casa, conversando com as pessoas, estudando a Bíblia e resgatando o cristianismo antigo, etc...
Bem, a minha impressão é que nesse ponto da conversa a senhora já tinha um pouco mais de cautela, de cuidado, porque já passava a sentir alguma dificuldade em explicar qual a diferença da religião dela em relação as outras e, inclusive, sobre o que seriam esses envolvimentos políticos ou falta deles... A gente sabe de determinadas coisas sobre as Testemunhas de Jeová de vez em quando, por exemplo aquele negócio de não aceitarem transfusões de sangue, que gera algumas complicações jurídicas e médicas, e a questão da "moralidade sexual" - bem usual no campo religioso.
Eu sou completamente contra a "omissão política" das pessoas - uma coisa que é meio complicada de existir, quando até omissão consiste em uma espécie de decisão política. Cada vez mais acredito que é necessária a organização das pessoas em entidades de luta social, exigência de direitos, como vem acontecendo em todo o mundo ultimamente (no Chile, na Espanha, no Egito, na Líbia, na Tunísia).
Mas naquela situação tão informal e desprovida de elementos que embasassem um diálogo mais sério e produtivo, eu nunca iria tentar conversar sobre a "consciência de classe", "unidade popular" sobre "a nova onda de ataque do neoliberalismo sobre o mundo e a ampliação da exploração capitalista", "globalitarismo", "a crise estrutural do capital", "luta de classes" e "revolução" - assuntos que estou me acostumando a discutir... Mas ainda dava pra mencionar alguma coisinha sobre a fome, os sofrimentos humanos, a falta de empregos, os altos impostos e um pouquinho sobre Justiça Social. Tudo por alto, claro.
Ela se posicionou dizendo que os governos, por não serem de deus, não resolverão as coisas. Mas ela não pôde me explicar o que seria um "governo de deus". Ela só disse que o divino governaria direto dos céus e ninguém iria sofrer como hoje... Achei que não haveria mais avanços no nosso breve diálogo, porque estavam surgindo Máximas. E a desconstrução das Máximas é um tanto custoso, sem contar que eu realmente não esperava convertê-la numa militante política, hahaha.
Ela, por outro lado, me convidou para uma reunião, disse que lá eles estudam a Bíblia, primeiro de forma abrangente e superficial, depois aprofundam com leituras e reflexões... Respondi que pensaria no caso e pedi a revistinha que ela tinha em mãos, pois iria ler com curiosidade - é bom saber minimamente como as organizações pensam, pra que possamos nos posicionar sobre estas.
Ela, por outro lado, me convidou para uma reunião, disse que lá eles estudam a Bíblia, primeiro de forma abrangente e superficial, depois aprofundam com leituras e reflexões... Respondi que pensaria no caso e pedi a revistinha que ela tinha em mãos, pois iria ler com curiosidade - é bom saber minimamente como as organizações pensam, pra que possamos nos posicionar sobre estas.
Nos despedimos e desejamos Bom Dia.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Clube de Vanguarda
Tenho vivido uma época muito rica de experiências várias. E isso me proporciona diversos momentos com a aquela sensação de plenitude, de entusiamos, que todo mundo sente falta meio a rotina e o cansaço...
Pois bem, o Clube de Vanguarda é um desses espaços onde eu posso exercer um pouco de um "eu" que sempre me foi cobrado por meus "eus" demais, que sempre sentiram falta da satisfação daquela vontade de participar de uma banda adolescente que todo amante de música já sentiu. E, finalmente, por fazer parte acaba que me sinto mais completo. Esse é o grande lance de integrar-se à diversas formas de participação coletiva, inclusive... Fortalece nossa humanidade, nossa coletividade, essa nossa natureza de bicho social.
Marçal, Aulus e eu temos ótimas convergências, mesmo com diferenças na ampla visão de mundo e nas pequenas manias pessoais. Bem, pelo conjunto de toda a obra que nos enreda e nos constitui, existe essa presente perspectiva de criatividade, que o nosso clube tem ensaiado numa brincadeira de desafiar-se existir... Ambicionando produção autoral. Quando nenhum de nós está acima de um eterno aprendiz (digo, claro que uns são mais aprendizes que outros, em algum sentido - haha).
Enfim, ao que parece, posso dizer que logo pariremos algo da nossa arte.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
COLETIVO VAMOS À LUTA: no 52º Congresso Nacional da UNE, em Goiânia. [integrando a Oposição de Esquerda na UNE]
O 52º Congresso Nacional da UNE foi minha segunda grande experiência na reunião do movimento estudantil e me serviu como prova prática do descaso da
direção majoritária da UNE em relação a todos os problemas da Educação e as demais demandas sociais. E devo dizer que é impossível mascarar o governismo que assola a União Nacional dos Estudantes. Tendo em vista que desde a abertura do CONUNE podia-se constatar o papel que a entidade assumia: o papel de palco para o Governo. Lula foi recebido com ovação pelos oradores, aclamado pela direção majoritária (UJS/PCdoB e PT) numa babação completamente desnecessária quando se consideram os inúmeros problemas da Educação e os tantos avanços da política Neoliberal permitidos pelo governo.
"QUEM É? QUEM É? VAMOS À LUTA NO LOCAL!"
Logo de início, na abertura, uma PROUNIsta foi colocada para discursar sobre os benefícios do programa e de sua experiência de conseguir adentrar numa universidade (particular), sem questionar em nenhum momento a respeito de seu direito de estar estudando em uma Universidade Pública gratuita e de qualidade. Nem mencionou que com a isenção dada às universidade privadas pela adesão ao Prouni poderia gerar 4 vezes mais vagas numa Universidade Pública de qualidade, atendendo ao tripé ensino, pesquisa e extenção. Nem falou sobre o sucateamento da educação pública, nem da necessidade de se investir 10% do PIB com a maior urgência nessa área... Só agradeceu.
Nós do coletivo Vamos À Luta, não recebemos o ex-presidente sem críticas e cobranças, uma vez que visamos atender a uma necessidade de radicalização do movimento estudantil condizente com a atual conjuntura internacional e nacional, onde organismos internacionais forçam inúmeros países a atender as exigências do império por meio de inúmeros cortes sociais e extinção de direitos, com o intúito de fazer com que a juventude e a classe trabalhadora mundiais paguem pela crise estrutural do capital. A majoritária não abre espaço para que a Oposição se pronuncie, portanto, fomos incisivos e não poupamos garganta e cantamos palavras de ordem criticando o governo, para que fôssemos escutados:
"Ô-Ô-Ô DILMA, QUE PAPELÃO! CORTANDO VERBAS DA EDUCAÇÃO!"
"UJS, NÃO LEVE À MAL: O GOVERNO LULA DEU O VETO NO PRÉ-SAL"
"Ô-Ô-Ô-Ô-Ô, CADÊ O DINHEIRO?!
A DILMA COMANDA O BONDE DOS EMPREITEIROS!"
"VIVA À GREVE DOS SERVIDORES, VIVA À GREVE DOS SERVIDORES!"
Inúmeras são as constatações de que a direção majoritária da UNE atua de modo a frear as mobilizações no Brasil, ignorando os problemas sociais e ataques do governo do PT-PMDB-PCdoB e demais, servindo de cabo eleitoral e funcionando como escadinha para a conquista de cargos no poder, evitando debates fundamentais (como foi o caso do g.d. sobre o novo Código Florestal do Aldo Rebelo (PCdoB), que foi implodido pela majoritária), não mobilizando a classe estudantil contra o aumento das passagens de ônibus em todo o Brasil no início do ano (o que a Oposição de Esquerda fez), faltando com apoio às greves dos servidores públicos da Educação que reivindicam melhores condições de trabalho (que a Oposição defendeu no congresso, contando inclusive com a presença de trabalhadores técnico-administrativos grevistas), assim como a falta de denúncias dos inúmeros escândalos de corrupção que vemos, bem como a ausência de crítica sobre os sigilos do governo Dilma em torno das licitações para a construção das suas grandes obras e dos arquivos da Ditadura Militar brasileira - que reprimiu estudantes duramente.
A direção da UNE transformou a passeata que se seguiu a recepção de Lula em uma espécie de trio elétrico de auto elogios (a Juventude do PT só fazia duas coisas: escutava músicas no último volume e se envaidecia - o que me chamou muito a atenção), enquanto nós da Oposição de Esquerda à majoritária falávamos a respeito dos inúmeros problemas sociais que merecem solução urgente como: auditoria da Dívida Pública, parar o projeto jurássico da Hidrelétrica de Belo Monte e investir em energias limpas, a priorização do Ensino Público gratuito e de qualidade, defesa dos 10% do PIB para Educação já (e não somente para 2020, escalonadamente, como quer a juvetude do PT e a UJS), o Petróleo tem que ser nosso, à favor do PLC 122 que criminaliza a homofobia, parar o Código Florestal do Aldo Rebelo que anistia desmatadores e legitima os crimes no campo, dentre inúmeras outras pautas fundamentais como a Reforma Agrária. A Oposição de Esquerda falava sobre tudo isso enquanto os governistas diziam "Vamo lá, tá bonita a passeata, somos a juventude do PT. Que lindo! Toca o som!" e seguiamos caminhando. Quanto mais alto falávamos ao microfone de nosso carro-som, mais alto eles colocavam o volume das suas musiquinhas...

Na Espanha, na Grécia, no Egito, na Palestina, na Europa, e aqui ao lado no Chile, as passeatas da juventude tem crescido e radicalizado, tomando as ruas e somando muito mais mobilizações do que aquelas das históricas datas que estudamos na escola, como o Maio de 1968 - como bem observou um de nossos companheiros do Vamos À Luta. "A juventude se mobiliza porque é seu futuro que está em jogo! Cada vez mais perdemos o direito à aposentadoria, o direito à Educação Pública gratuita e de qualidade, o direito à participar da construção de nossos próprios países, de nosso próprio mundo", cada vez mais perdemos o direito à construir nossa História, perdemos nosso direito à emprego, à bons salários, à dignidade e vida plena, por conta de uma crise internacional da qual não temos culpa nenhuma! Todos somos INDIGNADOS, como apontamos em nossa tese (clique e leia na íntegra). Pois no Brasil não é diferente! 80% dos estudantes universitários estão matriculados em universidades pagas, somente 20% dos universitários do nosso país estudam em universidades públicas! Das 10 piores universidades do nosso país, 8 são particulares, são pagas!

"E QUEM SÃO ELES QUE NÃO CANSAM DE LUTAR?!
INDIGNADOS, VAMOS À LUTA JÁ!"
São inúmeros problemas... E a direção majoritária da UNE não os discute. Não mobiliza, não luta como antigamente, na época da Ditadura, das Diretas Já, dos Caras-Pintadas, do Fora Collor. São vinte anos de imobilidade! De UJS na direção da UNE. A independência da entidade está completamente perdida para o governismo e para a propaganda do status quo. Exatamente como o meu coletivo estudantil havia me alertado e como pude constatar, assistindo de perto!
Percebo que é justamente por tudo isso, e muito mais, que apontamos o dedo na cara, dando nosso recado, utilizamos diversas palavras de ordem politizadas, cobramos e denunciamos o governo, sem pedir licença a ninguém, porque é nosso dever lutar e construir um movimento estudantil crítico e independente que defenda os interesses da classe estudantil e da classe trabalhadora (na qual estaremos inseridos futuramente), cumprindo o papel real do militante estudantil - que a majoritária da UNE abandonou.
E não podemos simplesmente abandonar a UNE. Pois ela, por conta de seu passado de lutas, ainda aglutina uma grande massa estudantil que simpatiza com as mobilizações sociais. Se abandonarmos a UNE, abandonares uma infinidade de estudantes sob o comando de uma direção alienante que os fará de massa de manobra com seus discursos de comodismo governista. O papel que assumimos é o do diálogo com essa base numa atuação simpática, pedagógica e profundamente crítica sobre os rumos do movimento estudantil e as consequências dessa direção que engessa as mobilizações. Nossa disputa não é simplesmente pela entidade e seus cargos, mas pela consciência da classe estudantil. Que deve tomar os exemplos internacionais da mobilizações estudantil e dar uma guinada à radicalização necessária.
"ESPANHA, EGITO, PALESTINA,
QUE SIRVAM DE EXMPLO PARA A AMÉRICA LATINA!"

"EU QUERO VER NO DIA A DIA,
SÓ NO CONGRESSO UJS É MAIORIA!"
O fato da Oposição de Esquerda ter praticado uma dinâmica organizada contra os governistas também foi um ponto muito importante nesse congresso, sinalizando possibilidades de uma atuação conjunta e unificada para o futuro, desde que atendendo a uma programática acertada e clara de conduta. E - impossível negar - construímos juntos o bloco mais entusiasmado, mais dinâmico e crítico de toda a UNE, de modo que é perceptível o fortalecimento e ampliamento da esquerda nesse 52º congresso.
O meu coletivo, o Vamos À Luta, participou de vários debates, ferrenhamente, com nossos militantes fomentando o debate sobre o pobre monólogo da UJS de que está tudo lindo e maravilhoso, dando dados concretos, enriquecendo a criticidade do congresso e oferecendo uma opção aos estudantes que não estejam tão a par da realidade política que atravessamos, agitando com palavras de ordem e demonstrando os ventos indignados que sopram sobre o mundo. De modo que saio desse congresso com muito orgulho de ter ficado tão rouco, superando os tantos contratempos que a esquerda sempre enfrenta com a dificultação de sua atuação, em alojamentos precários, de banheiros péssimos, com falta de água, situados distante do congresso, com ônibus problemáticos e tentativas de censura, como as que eu e outros companheiros meus sofreram durante os momentos próprios para nossas intervenções.
Saímos atendendo ao que nos propomos enquanto coletivo estudantil. Agregamos companheiros para a nossa luta diária e praticamos o diálogo com a base da UNE. Contamos inclusive com ex-integrantes da juventude do PT, com ex-integrantes da UJS e independentes que se somaram a nós do Vamos À Luta, compreendendo e reconhecendo a nossa posição e a necessidade da continuidade da luta que empregamos. Acabou que minha delegação voltou pra casa entre discussões e pronunciamentos emocionados de como estivemos acertados em nossa linha e proposições, de como nos dá orgulho estarmos atuando no movimento estudantil e de como continuaremos lutando, independentemente da UNE, no dia a dia, em cada DCE e CA, em nossas universidades, apoiando as demandas sociais e as lutas dos trabalhadores. Com o fogo incendiário dos Indignados aceso mais forte ainda, aquecendo nosso espírito de luta nesse segundo semestre de 2011. Porque amamos a nossa luta, que é luta de amor!
Tenho muito orgulho do Vamos À Luta e da camisa da Oposição de Esquerda que vestimos conjuntamente com os companheiros dos demais coletivos nesse congresso. Espero ótimas atuações com o nosso calendário de lutas.
"VAMOS À LUTA JUNTOS, ROMPENDO AS AMARRAS,
LEVANTE O CONTRAPONTO OPOSIÇÃO UNIFICADA!"
(palavra de ordem cantada pela oposição de esquerda que entrou organizada na arena, com a força de quem acredita de verdade no que faz)
"NÃO, NÃO, NÃO NOS REPRESENTA!"
(palavra de ordem usada pela Oposição de Esquerda contra a direção majoritária da UNE durante a plenária final - estudantes de costas à direção que abandona as lutas históricas do movimento estudantil e abraçam o governismo acriticamente)
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domingo, 10 de julho de 2011
Do coletivo Vamos À Luta e o CONEB no Rio de Janeiro.
Depois de minha primeira experiência de congresso político-estudantil, em Janeiro de 2011, escrevi esse textinho empolgado:

Aqui está presente o movimento estudantil!”
O coletivo Vamos À Luta deu início ao ano de 2011 com muita mobilização, chamando os demais coletivos estudantis que se opõem à atual direção majoritária da UNE (enquanto mera secretaria do governo PT) para uma mobilização unificada de esquerda, para reinvindicar pautas fundamentais para a Educação brasileira e protestar contra o absurdo aumento dos salários de parlamentares, ministros e chefes de estado aplicado quando o próprio governo declara necessidade de contenção de gastos sociais (pista sobre o tipo de governo nefasto que está encaminhado…).
“2011 com mobilização, é 10% do PIB pra Educação!”
Em vez de grupos de debates, a UNE quis dar pequenas palestras aos estudantes, em seu Conselho de Entidades de Base (CONEB). Sempre posicionando-se a favor das políticas do governo, em vez de estar primariamente interessada em avanços constantes, reinvindicação de recursos para a educação e denunciando pedagogicamente as falhas diversas que o governo comete, como, por exemplo, o veto do Lula em cima da destinação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação. A organização do conselho não deu voz aos estudantes, nem abriu espaços para discussões profundas que diagnosticassem a real intenção por trás dos programas de governo lulista.
“Contra o aumento parlamentar, o estudante vai a rua pra lutar!”
“Ô-ô-ô Dilma, que papelão! Aumenta o seu salário e privatiza a Educação!”
Notou-se de cara, que no CONEB, os coletivos de oposição foram os únicos que se manifestaram contra o absurdo aumento de salarial dos políticos. O aumento de 62% para parlamentares e aumento de 133% para presidente e vice, enquanto que o trabalhador brasileiro, o real produtor de riqueza nacional, recebe míseros 5% de reajuste salarial - cerca de 30 reais para o povo contra os 10 mil dados aos deputados. Nós, da oposição, fomos os únicos mencionando a dívida pública enquanto buraco negro no orçamento brasileiro, ou denunciando o maior interesse por parte do governo em fortalecer o ensino privado e o bolso dos particulares, numa maré de medidas neoliberais, em vez de uma maior preocupação com a coletividade e o bem comum.
“Oposição unificada pra derrotar a pelegada!”
Percebe-se que a UNE infelizmente deixou de ser a ponta de lança do movimento estudantil realmente preocupado com o progresso social. A direção majoritária, integrada pela UJS, o PT, o PCdoB, age como secretaria puxa-saco do governo petista, esquecendo-se, por exemplo, da necessidade de universalização do ensino público e de qualidade, e de seu papel de convocar os estudantes para mobilizações de reinvindicações progressistas. A UNE prefere fazer de eventos como o CONEB uma grande micareta sem sentido… Votando propostas favoráveis a uma elite governista, quando deveria estar propriamente ao lado da Educação, da sociedade como um todo e especialmente defendendo a dignidade dos mais pobres, que são sempre as maiores vítimas.
“Esse desastre não é natural, é o descaso do PT e do Cabral!”
Também prestamos nossa solidariedade em face das enchentes fatais ocorridas no Rio de Janeiro e São Paulo, apontando o dedo na cara daqueles que deveriam investir o mínimo em prevenção de calamidades desse gênero e garantir a moradia segura e o saneamento digno de tantas famílias Brasil a fora.
Colocamos o dedo na ferida, adotamos uma política pedagógica e dialogamos com a base estudantil desamparada pela UNE festiva e braço-de-governo, sem esconder a realidade, sem maquiá-la. Venha você também ajudar a construir um país melhor, participando de um movimento estudantil consciente, consequente e independente: Vamos À Luta! o/
“Me parece, me parece, me parece que o Socialismo cresce!”
[…]
Foi uma ótima experiência. Uma viagem longa, acompanhado de pessoas novas pra ir conhecendo numa pequena série de lugares e situações diferentes. Olhando agora, a impressão que dá é de que foi tudo muito rápido. E o engraçado é constatar que dá pra sentir saudade mesmo assim. Deve ser por conta do negócio da intensidade… Afinal, era tanta gente bacana fazendo tantas coisas bacanas que fica foda de não ficar meio apaixonado, certo?
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Você não cansa? Eu canso
De tropeçar e afundar-me em tanta gente instável e insegura, os egos movediços; De conviver com incansáveis e repetitivos pronunciamentos vãos, sem referências e sem fins, de quem não se apega a nada nem ninguém, que vive da sua egoísta solidão; De esgueirar-me na fuga do fogo-cruzado de asneiras, por vezes obrigado a esconder-me atrás d'alguma máscara de burrice ou puro descaso pra despistar os belicosos cães do caos, decisão desesperada; Dessa época do pós-moderno poetizado, pintado e cantado, escrito em blogs bobos, discursado em mesas de bar, bebido a cada copo magoado, esbaforido em auto-destrutiva fumaça cínica, posto em estandarte, como se fosse o avesso do abismo, como se fosse salvação ou sabedoria.
Eu vejo ao longe um brilho, fixado na abóboda celeste. Farejo o ar e percebo um desbotado gosto de coisa boa. Vou fazê-la de Norte, vou fazê-la Cabana. Porque eu já vi que seguir esse caminhar contínuo, que caleja e fere a palma dos pés, dá mais vida do que me revirar no solitário e liquidificante perder-se proporcionado pelo caminho que agora abandono... Posto que quem não vive de verdade, de mentiras vai morrendo: Escolho morrer de verdade, sincero e são, no contra-senso das chorosas flores cadentes. Sei que não sou o único a cansar de ver tanto cansaço...
Eu vejo ao longe um brilho, fixado na abóboda celeste. Farejo o ar e percebo um desbotado gosto de coisa boa. Vou fazê-la de Norte, vou fazê-la Cabana. Porque eu já vi que seguir esse caminhar contínuo, que caleja e fere a palma dos pés, dá mais vida do que me revirar no solitário e liquidificante perder-se proporcionado pelo caminho que agora abandono... Posto que quem não vive de verdade, de mentiras vai morrendo: Escolho morrer de verdade, sincero e são, no contra-senso das chorosas flores cadentes. Sei que não sou o único a cansar de ver tanto cansaço...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Vídeo ("Plínio do PSOL envia mensagem à militância") e os Pontos Positivos da Campanha.
No dia 3 de Outubro, pela parte da manhã, Plínio de Arruda Sampaio, candidato lançado pelo PSOL na concorrência pela presidência da república, enviou uma mensagem à militância. No vídeo, Plínio fala a respeito dos prováveis resultados da campanha (muito lucidamente versados, dadas as configurações injustas destas eleições), dos pontos altos alcançados nessas eleições e do maior aproveitamento desta: Disseminar o Socialismo enquanto única opção de justiça social num mundo de desigualdades e desrespeitos gerados e permitidos pelo Sistema Capitalista.
Pessoalmente, faço uma ótima avaliação desta campanha também. Foi um ótimo espaço para se colocar claramente as diferenças existentes entre o PSOL e os demais partidos. O PSOL não tem rabo preso com empresários porque recusa completamente esse tipo de contribuição que trás consigo segundas intenções. O PSOL não faz alianças com partidos contrários a sua proposta e por isso mantém a coerência, identidade e programática intactas (o ponto no qual o PT pecou, perdendo-se enquanto alternativa do povo e tornando-se servente dos ricos, assim como são os demais partidos de direita como o PMDB, o PSDB, etc...). O PSOL não pestaneja ao declarar a sua intenção de aumentar todos os investimentos sociais, mesmo que isso afete diretamente os interesses dos poderosos. O PSOL se faz presente nas lutas diárias, nas greves, nas passeatas, nas reinvindicações de direitos. O PSOL teve tanta repercussão que a grande mídia se viu obrigada a incluir Plínio em debates e entrevistas que seriam direcionados somente para os candidatos que interessavam aos detentores das concessões públicas de TV e Rádio, firmando o PSOL como partido de esquerda mais votado.
A criação do canal ProjetoSocialista no youtube serviu muito bem na divulgação das propostas do partido e na denúncia dos problemas estruturais do Brasil, disponibilizando os vídeos da propaganda eleitoral da TV pelo partido e mais vídeos de entrevistas e debates não veiculados em nível nacional. O Twitter, @pliniodearruda, também foi um grande aliado e aproximador da juventude com Plínio, que respondia diretamente a perguntas de internautas, assim como fazia uso do recurso de áudio-vídeo "Twitcam" para debater ao vivo, via internet, em pessoa. O resultado foi um grande número de diálogos, principalmente com a parcela da juventude que tem acesso a internet e se interessa mais profundamente em política, procurando conhecer e participar. E, claro, a internet, por vezes, configura uma media muito mais democrática que outros meios de comunicação que selecionam seus conteúdos arbitrariamente, omitindo os demais assuntos que venham a ser de interesse dos que acompanham. Essas omissões, num processo eleitoral, geram uma invisibilidade, um cortina silenciadora em torno desses candidatos omitidos, afastando-os de uma relação mais próxima do povo (afinal, a TV ainda é o veículo que mais pesa no que tange a lapidação da opinião pública). As próprias regras de propaganda eleitoral gratuita na TV são antidemocráticas por si só, dando tempo diferente aos candidatos e dificultando desse modo que eles alcancem publicidade e chances de maior representatividade no Congresso (o que, por uma questão de conveniência de uma política injusta, é requisito para ter tempo nesta mesma propaganda...). Daí os que tem mais publicidade (e poder econômico gera publicidade), com carrões de som, infinitas camisetas, adesivos, bandeiras, "militantes" pagos e etc, acabam por engolir completamente os demais candidatos menos amparados em recursos materiais. Tradução: os candidatos ricaços e os financiados por ricaços (grandes empresas e outros poderosos) são super projetados e acabam sendo vistos, por aquela população sem informação (os pobres), como se fossem os únicos candidatos existentes...
Mas, sim. O PSOL teve conquistas. Agora é só acompanhar e fiscalizar o trabalho dos eleitos, pois o partido conseguiu dois senadores, três deputados federais e quatro estaduais http://migre.me/1ualy
Pessoalmente, faço uma ótima avaliação desta campanha também. Foi um ótimo espaço para se colocar claramente as diferenças existentes entre o PSOL e os demais partidos. O PSOL não tem rabo preso com empresários porque recusa completamente esse tipo de contribuição que trás consigo segundas intenções. O PSOL não faz alianças com partidos contrários a sua proposta e por isso mantém a coerência, identidade e programática intactas (o ponto no qual o PT pecou, perdendo-se enquanto alternativa do povo e tornando-se servente dos ricos, assim como são os demais partidos de direita como o PMDB, o PSDB, etc...). O PSOL não pestaneja ao declarar a sua intenção de aumentar todos os investimentos sociais, mesmo que isso afete diretamente os interesses dos poderosos. O PSOL se faz presente nas lutas diárias, nas greves, nas passeatas, nas reinvindicações de direitos. O PSOL teve tanta repercussão que a grande mídia se viu obrigada a incluir Plínio em debates e entrevistas que seriam direcionados somente para os candidatos que interessavam aos detentores das concessões públicas de TV e Rádio, firmando o PSOL como partido de esquerda mais votado.
A criação do canal ProjetoSocialista no youtube serviu muito bem na divulgação das propostas do partido e na denúncia dos problemas estruturais do Brasil, disponibilizando os vídeos da propaganda eleitoral da TV pelo partido e mais vídeos de entrevistas e debates não veiculados em nível nacional. O Twitter, @pliniodearruda, também foi um grande aliado e aproximador da juventude com Plínio, que respondia diretamente a perguntas de internautas, assim como fazia uso do recurso de áudio-vídeo "Twitcam" para debater ao vivo, via internet, em pessoa. O resultado foi um grande número de diálogos, principalmente com a parcela da juventude que tem acesso a internet e se interessa mais profundamente em política, procurando conhecer e participar. E, claro, a internet, por vezes, configura uma media muito mais democrática que outros meios de comunicação que selecionam seus conteúdos arbitrariamente, omitindo os demais assuntos que venham a ser de interesse dos que acompanham. Essas omissões, num processo eleitoral, geram uma invisibilidade, um cortina silenciadora em torno desses candidatos omitidos, afastando-os de uma relação mais próxima do povo (afinal, a TV ainda é o veículo que mais pesa no que tange a lapidação da opinião pública). As próprias regras de propaganda eleitoral gratuita na TV são antidemocráticas por si só, dando tempo diferente aos candidatos e dificultando desse modo que eles alcancem publicidade e chances de maior representatividade no Congresso (o que, por uma questão de conveniência de uma política injusta, é requisito para ter tempo nesta mesma propaganda...). Daí os que tem mais publicidade (e poder econômico gera publicidade), com carrões de som, infinitas camisetas, adesivos, bandeiras, "militantes" pagos e etc, acabam por engolir completamente os demais candidatos menos amparados em recursos materiais. Tradução: os candidatos ricaços e os financiados por ricaços (grandes empresas e outros poderosos) são super projetados e acabam sendo vistos, por aquela população sem informação (os pobres), como se fossem os únicos candidatos existentes...
Mas, sim. O PSOL teve conquistas. Agora é só acompanhar e fiscalizar o trabalho dos eleitos, pois o partido conseguiu dois senadores, três deputados federais e quatro estaduais http://migre.me/1ualy
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Movimento Estudantil, DCE-UNAMA e Boicote da Taxa de Estacionamento
Ser universitário não se limita ao comparecimento em sala de aula, cheio de livros em mãos, para apreensão de conteúdos de cunho puramente academicistas. A universidade é um ambiente de múltiplas espécies de formação (histórico-social, político-econômica, artística e cultural, científica, humana...). E a prática das atividades de nossa profissão devem sempre estar associadas a participação social, porque é aí que estamos tendo uma formação plena, no que tange a agentes sociais críticos e ativos que a universidade deve gerar em prol da evolução da sociedade. O movimento estudantil, indiscutivelmente, é parte da formulação de uma educação cidadã, posto que nele reconhecemos melhor determinadas esferas da nossa responsabilidade enquanto indivíduos integrantes da dinâmica da realidade meio ao cenário sócio-político, promovendo integração entre as pessoas e troca de análises multidisciplinares que serão ponto de partida para melhorias e transformações no mundo. O movimento estudantil é um dos passos fundamentais para a formação do agente social, o movimento estudantil é uma das formas de participação popular no seio social. Viver tão somente num plano ideal, abstrato, não tem utilidade se isso não fomenta ou gera concomitantemente um positivo efeito prático, sólido, real.
O DCE-UNAMA é referência nacional no que tange a mobilização estudantil nas instituições privadas, assim como referência em todo o Norte em participação junto a outros âmbitos sociais e suas reinvidicações (professores, rodoviários e outras categorias trabalhadoras). Eles combatem o reajuste de mensalidades que crescem há 15 anos acima do índice da inflação na instituição (e diga-se de passagem: salário de trabalhador nenhum aumenta nessas proporções, o que gera, inclusive, um grande número de desistência de estudantes - eu mesmo, testemunha ocular, tive vários colegas, amigões, que vi obrigados a abandonar o curso justamente porque fica cada vez mais difícil de arcar com as mensalidades), combatem as taxas que a universidade cobra para a prestação de serviços que deveriam ser gratuitos (um exemplo de vitória do DCE-UNAMA foi a retirada da taxa de prova substitutivas, que era de 10 reais por disciplina - ora, veja só, você era obrigado a pagar pra ter a possibilidade de aumentar a sua média. Imagine se cada aluno da instituição fizesse 2 provas substitutivas, cada um pagando esse preço, de quanto seriam os lucros semestralmente?), a taxa de estacionamento, a taxa na biblioteca, taxa de retirada de segunda via de carteirinhas estudantis e etc, combatem também o descaso da reitoria quanto as necessidades da universidade no que concerne a infraestrutura em geral (necessidade de um restaurante universitário, melhoria nos laboratórios, atualização dos livros da biblioteca...) e o ínfimo investimento em pesquisa e extensão, que são exigências legais da condição de universidade. Pr'além dos muros da universidade, o DCE adota posturas críticas quanto a problemas de cunho político, sócio-econômico e cultural, promovendo atividades que visam uma didática que transcenda a educação dentro das salas de aula ou do entendimento puramente academicista, estabelecendo diálogos do estudante/cidadão com a realidade social e suas problemáticas, através de eventos culturais, palestras, mobilizações em aberto e exercendo uma grande receptividade para o contato dos estudantes com os seus membros coordenadores. Isso faz com que o DCE seja criação do corpo estudantil, legitimamente, acatando as críticas, ouvindo as demandas, passando em sala e conversando com os estudantes que vivem a realidade da universidade odiernamente, para que haja a possibilidade de construção de uma educação de qualidade sem agressões e assassinatos (frutos de concepções mercadológicas) sobre o nosso direito ao ensino digno.
Boicote a Taxa de Estacionamento?
Hoje ocorreu uma mobilização que ocupou as guaritas do estacionamento da universidade de modo amistoso e tranquilo, com diálogo e clareza. Todos os estudantes que vão de carro para a Unama da BR puderam entrar de graça, à partir das 18:30, quando os membros do DCE e outros estudantes se uniram com apitos, uma grande faixa, um bocado de adesivos, um microfone e um carro-som, dos quais fizeram uso para o protesto contra os aumento da taxa e para repúdio da proposta de aumento exorbitante prevista para o próximo semestre. A resposta dos estudantes frente a atitude do DCE foi de unânime concordância quando os grupos passaram em sala para a avaliação conjunta, o que demonstra a completa legitimidade da insatisfação e da postura combativa adotada. A reitoria não se manifestou, ficou em silêncio mais uma vez. Isso quer dizer que a mobilização deve continuar denunciando e convocando o corpo estudantil para a mudança deste quadro. Participar, nesse sentido, é também um meio de exercer nossa responsabilidade solidária num plano material - o que realmente importa.
O DCE-UNAMA é referência nacional no que tange a mobilização estudantil nas instituições privadas, assim como referência em todo o Norte em participação junto a outros âmbitos sociais e suas reinvidicações (professores, rodoviários e outras categorias trabalhadoras). Eles combatem o reajuste de mensalidades que crescem há 15 anos acima do índice da inflação na instituição (e diga-se de passagem: salário de trabalhador nenhum aumenta nessas proporções, o que gera, inclusive, um grande número de desistência de estudantes - eu mesmo, testemunha ocular, tive vários colegas, amigões, que vi obrigados a abandonar o curso justamente porque fica cada vez mais difícil de arcar com as mensalidades), combatem as taxas que a universidade cobra para a prestação de serviços que deveriam ser gratuitos (um exemplo de vitória do DCE-UNAMA foi a retirada da taxa de prova substitutivas, que era de 10 reais por disciplina - ora, veja só, você era obrigado a pagar pra ter a possibilidade de aumentar a sua média. Imagine se cada aluno da instituição fizesse 2 provas substitutivas, cada um pagando esse preço, de quanto seriam os lucros semestralmente?), a taxa de estacionamento, a taxa na biblioteca, taxa de retirada de segunda via de carteirinhas estudantis e etc, combatem também o descaso da reitoria quanto as necessidades da universidade no que concerne a infraestrutura em geral (necessidade de um restaurante universitário, melhoria nos laboratórios, atualização dos livros da biblioteca...) e o ínfimo investimento em pesquisa e extensão, que são exigências legais da condição de universidade. Pr'além dos muros da universidade, o DCE adota posturas críticas quanto a problemas de cunho político, sócio-econômico e cultural, promovendo atividades que visam uma didática que transcenda a educação dentro das salas de aula ou do entendimento puramente academicista, estabelecendo diálogos do estudante/cidadão com a realidade social e suas problemáticas, através de eventos culturais, palestras, mobilizações em aberto e exercendo uma grande receptividade para o contato dos estudantes com os seus membros coordenadores. Isso faz com que o DCE seja criação do corpo estudantil, legitimamente, acatando as críticas, ouvindo as demandas, passando em sala e conversando com os estudantes que vivem a realidade da universidade odiernamente, para que haja a possibilidade de construção de uma educação de qualidade sem agressões e assassinatos (frutos de concepções mercadológicas) sobre o nosso direito ao ensino digno.
Boicote a Taxa de Estacionamento?
Hoje ocorreu uma mobilização que ocupou as guaritas do estacionamento da universidade de modo amistoso e tranquilo, com diálogo e clareza. Todos os estudantes que vão de carro para a Unama da BR puderam entrar de graça, à partir das 18:30, quando os membros do DCE e outros estudantes se uniram com apitos, uma grande faixa, um bocado de adesivos, um microfone e um carro-som, dos quais fizeram uso para o protesto contra os aumento da taxa e para repúdio da proposta de aumento exorbitante prevista para o próximo semestre. A resposta dos estudantes frente a atitude do DCE foi de unânime concordância quando os grupos passaram em sala para a avaliação conjunta, o que demonstra a completa legitimidade da insatisfação e da postura combativa adotada. A reitoria não se manifestou, ficou em silêncio mais uma vez. Isso quer dizer que a mobilização deve continuar denunciando e convocando o corpo estudantil para a mudança deste quadro. Participar, nesse sentido, é também um meio de exercer nossa responsabilidade solidária num plano material - o que realmente importa.
Afinal, do que adianta reclamar, reclamar e reclamar,
se na hora H, ninguém tiver queixo de participar da mobilização
das realidades que tanto incomodam?
O que importa é ajudar na mobilização, participando dela.
(parabenizo o DCE e os estudantes que estiveram juntos no boicote)
se na hora H, ninguém tiver queixo de participar da mobilização
das realidades que tanto incomodam?
O que importa é ajudar na mobilização, participando dela.
(parabenizo o DCE e os estudantes que estiveram juntos no boicote)
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sobre Democracia, Partidos Políticos, PSOL vs PT, Não se pode perder o ânimo, No que você acredita...?
Bem, esse post de hoje eu direciono a minha estimada amiga Andrea, a responsável pelo único comentário que o meu humilde blog recebeu no meu último post. Vai funcionar um tanto como uma resposta, mas resposta embutida dentro do proveito que vou tentar tirar do comentário que ela fez, enquanto idéias que já vinha querendo explanar mesmo. Muito obrigado, Andrea.
Bem, nos dias 24 e 25 de Agosto, eu participei de um seminário que tratava de Direito Eleitoral. Os encarregados de promoverem as apresentações foram certas figuras do Conselho Nacional de Justiça, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, do Ministério Público do Pará, da OAB, divididos entre doutores e mestres que ora realizavam ótimas palestras, ora davam sono ou náuseas. Era uma palestra onde se pagava caro pra ter um serviço ruim. Um dos pontos de incômodo foi o curtíssimo tempo das palestras, de modo que todos os palestrantes reclamaram disso. É difícil tratar coisas com profundida em tempo corrido quando o assunto tem tanta complexidade, longa História, tantos ângulos de análise e tantos paralelos traçáveis no plano internacional. Mas algumas coisas dali serviram, ainda bem. Afinal, eu só fui atrás desse seminário porque eu ando cada vez mais interessado em aprender o funcionamento da política, da nossa democracia e dos nossos meios de participação no seio social.
Eu procuro ser humilde e deixar claro que eu sei que a vida é um constante aprendizado. Talvez a gente mude de idéia de vez em quando, mas eu tenho a impressão de que a tendência é mudar pra melhor, como um reajuste necessário. Como "uma conquista de posicionamentos". Senão for assim, aí são outros quinhentos... Procuro ser sincero, dizer o que eu sinto e como eu vejo as coisas de verdade. E aqui vou eu:
Inicio o real teor do presente texto utilizando palavras de José Saramago, um tremendo expoente da literatura mundial e comunista declarado (ah, sim, eu julgo esse fator importante de se observar, haha - não por me iludir, acreditando que os títulos irão dar definição cristalina inconfundível e imodificável as pessoas e diferenciá-las definitiva e matematicamente, mas porque as palavras foram criadas pra significarem, conceituarem, explicarem características, adjetivarem os sujeitos e objetos dos quais tratamos nos discursos. E as palavras claream por vezes num plano geral, por vezes num plano totalmente específico. Aqui é num plano geral...).
Saramago disse: "Tudo se discute neste mundo, menos uma coisa. Não se discute a democracia. A democracia está aí como se fosse uma espécie de santa do altar de quem não se esperam milagres, mas que está aí como uma referência. Uma referência: a democracia. E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada... Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós limita-se, na esfera política, a tirar um governo de que não gosta e a por outro de que talvez venha a gostar. Nada mais."
Nesse discurso, José Saramago tratava o assunto da falsa democracia da qual se aproveitam as grandes organizações mundiais, ou seja, tratava do imperialismo que domina nosso mundo travestido de discurso democrático e humanista para exercer os males inerentes a sistemática de exploração mundial que o capitalismo defende. (para assistir o trecho discursado por Saramago, clique aqui)
Bem, dou continuidade a prévia exposição de idéias para depois chegar ao que quero dizer, agora rememorando algo dito por um ótimo professor que tive na disciplina de Teoria Geral do Estado, quando tratava do assunto "Poder", na parte que mencionava os poderes políticos do povo, instante que aproveitou para tecer comentários sobre democracia.
Ele disse: "Democracia sem educação, não é democracia. É mentira! O povo, nessa grande bagunça que chamamos de democracia hoje, só pode exercer o seu poder se for inteligente, se tiver acesso a informação e formação. Um povo sem educação não sabe votar, porque não sabe compreender o mundo, porque é vulnerável à seduções demagogas, porque se torna massa de manobra, porque não sabe a diferença entre senadores e deputados, os papéis do legislativo, judiciário e executivo, do presidente, como pode votar?! Repito, democracia sem educação, não é democracia. É uma mentira!", ele ainda continuou, "No entanto, algo temos que reconhecer: temos uma margem que antigamente não tínhamos. Um pedaço de liberdade, uma fatia pequena de democracia, que podemos usar. Vocês são parte privilegiada da porcentagem do Brasil que tem acesso a educação. Vocês estudantes aqui, não devem saber o poder que juntos vocês possuem... Pode parecer clichê como for. Vocês são o futuro. Lembrem da ditadura militar."
Agora chego onde queria chegar. Existe uma coisa que se chama participação popular. Esta participação popular consiste, como já diz o nome, no poder que a população tem de criar, modificar, desfazer, discutir, sugerir e uma penca de verbos que descrevam outras formas de atuação na configuração da realidade de seu meio social. Através da participação popular, através do poder de pressionar que a população tem, pode-se fazer e desfazer qualquer coisa no país, no que tange a sua estrutura social, política, econômica, etc. Pode-se tirar pessoas do governo, botar pessoas no governo, forçar o governo a tomar medidas, votar projetos, voltar atrás em decisões, recriar um sistema sócio-econômico ou adotar um novo sistema, qualquer coisa... É através de grandes movimentações populares que a Humanidade construiu e continua construindo seu mundo, reinvindicando e instituindo direitos, garantindo-os, etc.
O que acontece é que para que a massa trabalhe junta em prol de algo, referências são necessárias, diretrizes são necessárias, um plano é necessário, idéias para servir de guia são necessárias, um objetivo deve ser traçado e os meios de alcançar este objetivo devem ser explicados. Porque a massa não se organiza por instinto... Aí entram os grupos de pessoas que, chegando a convergências de análise da realidade, traçam métodos de atuação, elaboram formas de compreensão do mundo e correspondentes formas de lidar com ele na prática. Aqui podemos então ter a noção do que são e pra que servem os Partidos Políticos.
Partidos políticos são, portanto, um grupo de pessoas concordantes total ou parcialmente numa análise da realidade, em plano regional, nacional ou internacional (e tudo junto). O partido político, elaborando sua visão de mundo, elabora também seu método de lidar com o mundo, dentro de todos os temas que correspondem a sociedade (política, economia, educação, saúde, alimentação, saneamento, transporte, meio ambiente, informação, cultura, lazer, esporte, comércio, construção civil, moradia, distribuição de renda e de terras, remuneração salarial e todas as formas de atuação vinculadas a construção de políticas públicas pra a sociedade, metodologia de atendimento das necessidades da sociedade).
Os partidos políticos geram seus perfis. O povo, ao analisar os partidos, irá se vincular justamente àquele que mais agradar, o que mais tiver sentido e coerência, que mais estiver de acordo com o que ele pensa a respeito do mundo e que mais estiver de acordo com o que ele acha que deve ser feito em face desse mundo. Daí, através da ferramenta do partido, onde o povo contribui ativamente e acerta as vias e os objetivos que quer percorrer e alcançar, ele procura disseminar suas idéias, procura buscar apoio, procura ganhar representatividade e influência de massas, de modo que possa dentro das disputas eleitorais (já que estamos falando de atuar dentro das regras do sistema) destaque, votos, cargos e poder pra colocar em prática, com amplitude nacional, todas as diretrizes traçadas por seu partido na busca daquele objetivo inicialmente traçado.
Uma óbvia observação: O caminho é espinhoso.
Porque, como foi colocado mais acima, nas declarações de José Saramago e de meu querídissimo professor que, infelizmente, eu não lembro o nome (fato pelo qual lamento e me envergonho muito, dada a minha admiração por ele), não vivemos numa democracia, o mundo não é justo e a nossa sociedade é minada de inúmeros vícios muito, muito, muito venenosos pra saúde da humanidade, com picuinhas políticas e grandes interesses econômicos passando por cima de tudo e todos constantemente, sem remorsos, em nome da ganância e gerando retrocessos crônicos. O esquema que usamos de script pra nossa vida em sociedade, é um esquema de desigualdades e violências que é perpetuado por uma imensa série de mecanismos institucionais, comunicacionais, educacionais, míticos, psicológicos, emocionais... Mas tudo o que eu disse até agora não é muita novidade pra ninguém, imagino.
[...]
Falando agora do meu posicionamento mais claramente e do posicionamento do PSOL: O PSOL fez a análise de que nesse momento o que se deve ser feito é a criação das condições objetivas e subjetivas para a implantação da cultura socialista. De início, o objetivo é fazer uso do embasamento que a referência da democracia nos dá, para que se brade aos quatro ventos todas as contradições que constituem a realidade na qual vivemos, a fim de conscientizar a população e, concomitantemente, tomar medidas concretas que solucionem imediatamente os problemas que já estão aí corroendo nossa nação, sempre indicando que a única saída correta não é reformar o capitalismo, mas implantar o socialismo. O partido pretende implementar mudanças radicais na distribuição de renda e redução da desilguadade existente no país, tanto como método para promover a efetivação da dignidade do povo quanto para, desse modo, adquirir influência de massas. Falando as verdades, tomando as atitudes. Não por meio de medidas paliativas como Bolsa Família, PROUNI (que "Pra Todos" só tem no nome) e demais doses homeopáticas para gradual inclusão social (leia-se assistencialismo, populismo, pão-e-circo), mas por meio de medidas corajosas e firmes que afetam sim os grandes empresários, limitando a terra dos grandes latifundiários, a renda dos banqueiros, medidas que reduzam a jornada de trabalho sem reduzir os salários dos brasileiros, aplicando a taxação das grandes fortunas, implementando a total universalização da saúde e do ensino públicos com qualidade para o fim da mercantilização do conhecimento (saber não é negócio, é direito!), entre outras medidas tantas. (novamente, disponibilizo todo o programa do PSOL aqui). Portanto, estas medidas procuram a criação de um país saudável de corpo e mente, pra que seja capaz de suportar e compreender, de modo a sustentar, a transformação socialista, definitivamente. O PSOL propõe medidas anti-imperialistas ao passo que não teme ferir os interesses do capital e não temer represálias.
E eu acho muito importante que a gente analise a trajetória política do Brasil. O PT foi a grande referência do povo durante muito tempo, enquanto o governo anterior sucateava todas as nossas possibilidades de crescimento e igualdade, e nele estava depositada toda a esperança da grande maioria da população brasileira. A expectativa era de mudanças profundas na configuração social, já que o PT possuía tanta influência de massas, tanto apoio popular. Lula tinha o poder de, junto com o povo, transformar o sistema educacional, o sistema de saúde, promover as reformas política e agrária, sem medo de represálias imperialistas, dada a grande riqueza natural e capacidade produtiva do nosso país (Se Cuba que é um país POBRE e sofre desde 1962 o embargo econômico dos Estados Unidos consegue ser referência internacional por ter conseguido universalizar a saúde e a educação, por que o Brasil que é uma potência dos recursos naturais não conseguiria? Recursos e meios existem, o que não existe é interesse dos governos que assumiram até agora. Porque eles trabalham pro capital). O fato foi que o PT se deteriorou ao fazer alianças com partidos de direita e mantendo a política econômica do FHC, abandonou seu programa inicial num grande ato de TRAIÇÃO, desorganizando todo o movimento popular que confiava nele. O PT vive agora de uma propaganda completamente enganosa nos discursos, onde o Brasil só melhora, sendo que isso acontece só com relação ao bolso dos empresários e dos banqueiros que recebem 36% da riqueza nacional, enquanto que a saúde tem um investimento ínfimo de 7%... Pro pobre, pro povão, pra nós só ficam migalhas.
O PSOL é um partido nascido de uma ruptura. Membros fundadores do PT que não concordavam com o abandono das diretrizes combativas iniciais, que não concordavam com o abandono das propostas de mudança da miserável realidade brasileira em favor da classe trabalhadora, decidiram romper com o Partido dos Trabalhadores que agora tomava configurações indesejadas e viciosas, mantendo a política de beneficiamento de poucos em detrimento de muitos. Estes membros romperam com o antigo partido para que mantivessem a sua coerência na luta contra a desigualdade, mesmo que fosse necessária a criação de um novo partido. Dentre os fundadores do PT está presente o ilustre candidato à presidência Plínio de Arruda Sampaio (site do PSOL-50 e do Plínio, aqui) que é um grande e conhecido humanista, que sempre lutou em prol da reforma agrária e das demandas sociais na História do nosso Brasil e que hoje ainda luta, esperançoso, sincero e firme.
Diante de pessoas que lutaram a vida toda por um país melhor e consolidação de uma situação realmente democrática sem nunca ter benécies burguesas ou vantagens financeiras, quem é que vai me convencer que políticos são todos farinha do mesmo saco? Generalizações dessa espécie são um erro muito cruel. É preconceito, pessoal. Apesar de reconhecer que o quadro geral é bem triste, eu sei que não é por aí. Tem muita gente trabalhadora, dedicada, capaz e que almeja boas coisas pra sua vida e pra dos seus semelhantes... E existe muita coisa que deve ser mudada, de verdade. E quem vai promover as mudanças são as pessoas que tomarem a responsabilidade pra si, a trajetória da humanidade demonstra que a maioria das mudanças não foi promovida por grandes concensos, mas sim por conta da atitude daqueles, na maior parte das vezes poucos, indivíduos que decidiram tomar as rédias da carruagem da História em suas mãos.
P.S: Decidi usar em outro post o restante do conteúdo que iria usar neste.
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