Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Gangues: fatia da vida.

Desde moleque eu tenho vontade de montar uma espécie de grupo de amigos que se organiza dentro de uma metodologia pra chegar a um determinado fim. Uma espécie de gangue, uma espécia de sociedade, clube, não sei que nome seria. Mas teria um nome. E teria um fim. E trabalharia conjuntamente em função desse fim. Não precisava se dedicar completamente, 100% do tempo, mas que, pelo menos, dedicasse algumas horas semanais ou mensais, fazendo algo próprio que fosse ficar como produto de nosso esforço. Algo relativamente durável, marcante, pros envolvidos e, na medida do possível, pra outras pessoas.

Esse é o típico pensamento daqueles grupinhos de colegas de escola no fundamental. Mas engloba uma série de coisas que, digamos assim, alcança campos pr'além de mero passa-tempo infantil. Se você for olhar bem, essa identidade de grupo e atividade conjunta, tem caracteres completamente maduros, de adulto, aspectos da natureza social e política do ser humano. Fora o quisito íntimo de satisfação pessoal por se estar exercendo sua personalidade em meio aos outros, existindo, fazendo coisas, dando-se utilidade, sepultando o tédio e o marasmo da solidão.

No decorrer da minha vida passei por alguns grupinhos de amigos. Uns promissores, outros vergonhosos. Mas todos dispertando aspectos meus, formas de análise, de atuação, de relacionamento, que hoje são essenciais para o aplainar da minha concepção de mundo, firmamento de minha personalidade, pedaços de minha experiência.

Foi no contato com outras pessoas que eu fiz as coisas mais admiráveis que já consegui, e foi no contato com outras pessoas que eu já cometi meus maiores erros. E, definitivamente, foi no contato com outras pessoas que eu aprendi a ser gente, que eu continuo aprendendo a ser gente, que eu significo a minha vida e escolho as minhas posições e assumo minhas posturas. Eu não discuto mais a importância de contato social, isso daí é básico - só pessoas que precisam aprender muito ainda questionam o valor dos outros ao seu redor e tentam demonstrar sua total autosuficiência com provas de autoafirmação bobocas.

Estava conversando com um amigo meu ainda a pouco, sobre como seria legal criar esse grupo com nossos amigos. Diga-se de passagem que meus amigos e eu costumamos viver lotados de idéias sérias-divertidas-úteis-inúteis de atividade em conjunto, é grupo diversificado e inteligente, mas que NUNCA conseguiu tocar em frente uma idéia. Chegamos a conclusão que estamos putos com o desempenho do grupo enquanto grupo, ahahah.

Lembro quando eu era criança e havia uma árvorezona no meu quintal. Toda criança pira naquela coisa de casa na árvore como sede de reuniões que se vê em seriados e filmes norte-americanos...

Lembro que na época que eu jogava rpg aos fins de semana, eu me sentia muito feliz e quase realizado no que diz respeito a essa vontade de montar um clã. Ê, saudade das visitas regulares de domingo. Hahaha, eu cresci e ainda amo certas recordações.

Ainda dá tempo de fazer muita coisa bacana. Talvez determinadas coisas estejam milhões de vezes mais propícias de acontecer justamente nessa fase da vida, nessa idade, com esse corpo e forma de pensar do que na época que meus amigos ou eu éramos mais jovens, inclusive. Mesmo que não role a tal casa na árvore...

Obs: Durante um tempo eu frequentei outras espécies de reuniões "mais adulta", com bebidas, safadezas e etc, sei lá, aqueela espécie de farras de juventude. Mas o tempo passou, a novidade acabou, e cheguei a conclusão de quão mais ridículas, prejudiciais e vexatórias essas coisas inúteis podem ser e quão inúmera são as possibilidades ainda não exploradas... É aquela coisa: a gente vai crescendo e aprendendo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Viradas

Gosto da noite. Do seu frio, da sua quietude.
E várias vezes eu passo a noite acordado
só por achá-la mais confortável...
Mas quando chega o dia,
eu não quero mais dormir...
Porque ele também dá o que aproveitar!
E por conta disso me estrago à toa...
Que cansaço. Que coisa tola.
Por que a gente tinha que precisar dormir...?
Não dava pra sermos...
Bichos pra continuar e continuar?

Última Casa de Julho

Nossa, o mês de Julho, pra quem fica de férias, é uma coisa muito boa. Eu tive um semestre longo e cansativo que, felizmente, foi bem sucedido academicamente. Ter esse tempo de descanso é ótimo, hoje admito. Não ligo mais praquele sussurro ansioso ecoando na minha cabeça, aquelas inquietações não tornam mais minhas férias num longo e arrastado período pra roer de unhas... Eu ando finalmente aprendendo a lidar com os fatos, eu acho. Vou indo.

E nessa ida, leio meu blog e penso, "nossa, quanta bobagem". E, de vez em quando, "nossa, bobagem mesmo era o início desse blog, que bom que andou se transformando"... Digo, é aquele negócio: as vezes a gente sabe que andou crescendo de verdade, por mais que não tenham se passado décadas necessariamente... E acabamos olhando de cara torta pro passado, com vergonha de si mesmo, saca? Por sermos tão exigentes com a gente mesmo.

Esse negócio de aprendizado é engraçado. Parece que no desenrolar da história, a gente vai tendo momentos de clareza. Agimos de um modo, daí aprendemos um modo melhor, então passamos a nos policiar, sendo que aos poucos amolecemos de novo, as vezes. Daí tentamos de novo com mais força. Umas pulsações de consciência, que vão e voltam. A cada estalo desse aprendemos a importância do agora, a necessidade de planejamento e diligência, o valor da vida, essas coisas todas... E vivemos lembrando e esquecendo, lembrando e esquecendo, mas, cada vez mais, o aprendizado enraiza mais fundo nos nossos hábitos, mudando de verdade o nosso dia-a-dia, acredito...

Tal qual no início do ano, eu agora planejo mais esforço nas minhas atividades, uma força renovada e ampliada pro próximo semestre. Atualmente é só isso que eu ando querendo, de certa forma. Não vou me torturar agora com a frustração de desejar o que eu realmente ainda não vou conseguir por questões fáticas, sólidas, decisivas, que ainda precisam ser transpostas. A gente tem que saber encarar a realidade dos nossos limites.

É necessário ser humilde e saber reconhecer até onde se pode ir... Assim como, a partir de então, se trabalhar pra ir ainda mais além, sendo também ambicioso. Vou por aqui passeando, nos dias restantes de Julho...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Eu não

eu não busco um passa-tempo
eu não busco qualquer coisa
eu não busco uma diversão, uma ocupação
eu não procuro um meio de me distrair
eu não quero ignorar
eu não quero mentir
eu não quero omitir
eu não quero fingir
deus

eu não quero.