Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
sábado, 12 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Estudantes e o movimento "Ocupa Harvard"!
O acampamento foi apressadamente construído em frente à Universidade nessa noite de quarta-feira, durante um diálogo tenso entre manifestantes do movimento "Ocupar Harvard" e a decano dos estudantes, Suzy M. Nelson.
A ocupação seguiu um protesto no campus envolvendo mais de cerca de 350 participantes simpáticos ao movimento Occupy, durante a qual o pátio de Harvard foi fechado por oficiais da Harvard University Police. A intenção do protesto é de transmitir a desaprovação de cumplicidade da Universidade na crescente desigualdade de renda em todo o país. Entre os participantes estavam estudantes, funcionários, professores e membros da comunidade.
Por volta das 21:00, os manifestantes foram recebidos com segurança reforçada para impedir os moradores de Boston que não eram afiliadas a Harvard de entrar no pátio.
"Eu acho que é um absurdo. Será que realmente precisamos de oito guardas por porta?", Disse Nicandro GL Iannacci, que já participou de outras eventos do movimento de ocupação. "A idéia de que as únicas pessoas autorizadas aqui para ter essa conversa são membros de Harvard, especificamente, está errado. Por que não acolher mais pessoas?"
Em resposta ao acesso limitado ao pátio, manifestantes dirigiram-se para o campus da Faculdade de Direito de Harvard. Enquanto marchavam passando pelos dormitórios de calouros, eles entoavam "Out of your rooms and into the Yard" ("Pra fora de seus quartos e rumemos ao pátio"), reunindo os estudantes nos dormitórios para participar.
Depois de uma assembléia geral, os manifestantes deixaram o campus da Faculdade de Direito e tentaram voltar a entrar no Pátio para criar um acampamento, mas os guardas impediram os manifestantes de entrar, travando as portas.
Em uma troca tensa, os estudantes tentaram abrir seu caminho para o pátio - alguns segurando suas identificações de Harvard - enquanto guardas empurravam para trás para evitar que os manifestantes de rompessem os portões.
Os manifestantes dirigiram-se para a rua Massachusetts Ave, tentando entrar através da entrada da Biblioteca Widener, mas foram repreendidos por guardas. E enquanto os manifestantes tentaram entrar no Quintal através da entrada Widener, espectadores confusos assistiam do outro lado da rua.
"Eu acho que é um tanto ridículo. As pessoas precisam entrar, as pessoas têm coisas para fazer. Harvard está sendo um pouco supercautelosa", disse Leonie A. Oostrom, que não estava participando do protesto, mas que mora no campus. "Eu acho que é quase perigoso ter os portões fechados."
Várias portas foram abertas e fechadas durante toda a noite, causando confusão entre os calouros que não sabiam onde eles poderiam entrar, no fim das contas.
Depois de horas de tentativa de entrar no pátio, os alunos com identificações de Harvard foram autorizados a voltar a entrar em pequenas quantidades. Uma vez lá dentro, um grupo de cerca de 40 manifestantes reuniram-se no porão de Thayer Hall para planejar como iriam construir o acampamento.
Por volta das 22:30, cerca de 120 manifestantes - principalmente estudantes de Harvard - fizeram um círculo em frente à Estátua John Harvard onde começaram a montar as tendas. Enquanto os manifestantes estavam construindo seu acampamento, Nelson apareceu e tentou convencer os ocupantes para moverem-se para o Teatro Tricentenário, onde seriam menos prejudiciais. Os manifestantes rejeitaram a sugestão, mas disseram que iriam reconsiderar deslocalizar as tendas se tornassem-se muito incômodos.
Nelson finalmente concordou em permitir com o acampamento em frente à Universidade e pediu para se encontrar com os manifestantes na quinta-feira para discutir sobre o futuro da ocupação. Os termos dos manifestantes da reunião inclua aderir ao princípio de consenso de base para as tomadas de decisão e a participação inclusiva.
"Eu gostaria que esta reunião seja o início de uma conversa", disse Nelson. O Professor Timothy P. McCarthy, disse que reposicionar o protesto ao campus da Faculdade de Direito no início da noite era uma maneira de garantir que os manifestantes poderiam montar e fazer ouvir a sua manifestação.
"Este país foi fundado sobre a liberdade de expressão, de reunião, de petição, da religião e da imprensa. Hoje à noite, o país pareceu negar a liberdade mais essencial", McCarthy disse a uma multidão reunida frente a Faculdade de Direito. "A imprensa não pôde entrar, então as pessoas que falam virão a um lugar onde a imprensa possa ouvir, onde possamos ser ouvidos, onde possamos ser vistos."
Durante toda a noite, os manifestantes - incluindo vários funcionários de Harvard - manifestaram as suas preocupações sobre as condições econômicas em todo o país. Outras preocupações incluíram as negociações de contrato e benefícios de emprego. "Estou aqui porque eu acho que essa é uma das revoltas sociais mais importantes da história americana moderna", disse McCarthy. "Eu acredito profundamente que este é um momento na história dos Estados Unidos que exige tal movimento das pessoas. Estou feliz por fazer parte dela."
Ele também disse que a Universidade tem uma responsabilidade com a comunidade. "Se Harvard vai ser um lugar que produz pessoas com poder, então Harvard deve ser uma instituição onde o bem público é mais importante do que o lucro privado", disse McCarthy. Antes, ele disse a uma multidão que "Harvard tem economistas que nos ensinam que os lucros são mais importantes que as pessoas".
Os manifestantes disseram que queriam fazer um diálogo público em Harvard sobre o papel da Universidade no país e, mais amplamente, no mundo.
"Harvard é uma das instituições privadas mais conhecidas do mundo. Temos muita influência com o que fazemos", disse Evelyn M. Atkinson, um estudante do terceiro ano da Faculdade de Direito. "Eu diria que o passo de uma instituição privada como Harvard é realmente grande."
Sahil A. Khatod, 14 anos, partilhou a opinião de Atkinson sobre a responsabilidade da Universidade. "Minha frustração com Harvard tem a ver com o fato de que não há um diálogo sobre o que está acontecendo fora do campus", disse Khatod.
Tim McCarthy, Professor do curso Gen Ed “Literatura Americana de Protesto: de Tom Paine à Tupac”, falou na noite passada como parte do nascente movimento "Ocupar Harvard".
A ocupação seguiu um protesto no campus envolvendo mais de cerca de 350 participantes simpáticos ao movimento Occupy, durante a qual o pátio de Harvard foi fechado por oficiais da Harvard University Police. A intenção do protesto é de transmitir a desaprovação de cumplicidade da Universidade na crescente desigualdade de renda em todo o país. Entre os participantes estavam estudantes, funcionários, professores e membros da comunidade.
Por volta das 21:00, os manifestantes foram recebidos com segurança reforçada para impedir os moradores de Boston que não eram afiliadas a Harvard de entrar no pátio.
"Eu acho que é um absurdo. Será que realmente precisamos de oito guardas por porta?", Disse Nicandro GL Iannacci, que já participou de outras eventos do movimento de ocupação. "A idéia de que as únicas pessoas autorizadas aqui para ter essa conversa são membros de Harvard, especificamente, está errado. Por que não acolher mais pessoas?"
Em resposta ao acesso limitado ao pátio, manifestantes dirigiram-se para o campus da Faculdade de Direito de Harvard. Enquanto marchavam passando pelos dormitórios de calouros, eles entoavam "Out of your rooms and into the Yard" ("Pra fora de seus quartos e rumemos ao pátio"), reunindo os estudantes nos dormitórios para participar.
Depois de uma assembléia geral, os manifestantes deixaram o campus da Faculdade de Direito e tentaram voltar a entrar no Pátio para criar um acampamento, mas os guardas impediram os manifestantes de entrar, travando as portas.
Em uma troca tensa, os estudantes tentaram abrir seu caminho para o pátio - alguns segurando suas identificações de Harvard - enquanto guardas empurravam para trás para evitar que os manifestantes de rompessem os portões.
Os manifestantes dirigiram-se para a rua Massachusetts Ave, tentando entrar através da entrada da Biblioteca Widener, mas foram repreendidos por guardas. E enquanto os manifestantes tentaram entrar no Quintal através da entrada Widener, espectadores confusos assistiam do outro lado da rua.
"Eu acho que é um tanto ridículo. As pessoas precisam entrar, as pessoas têm coisas para fazer. Harvard está sendo um pouco supercautelosa", disse Leonie A. Oostrom, que não estava participando do protesto, mas que mora no campus. "Eu acho que é quase perigoso ter os portões fechados."
Várias portas foram abertas e fechadas durante toda a noite, causando confusão entre os calouros que não sabiam onde eles poderiam entrar, no fim das contas.
Depois de horas de tentativa de entrar no pátio, os alunos com identificações de Harvard foram autorizados a voltar a entrar em pequenas quantidades. Uma vez lá dentro, um grupo de cerca de 40 manifestantes reuniram-se no porão de Thayer Hall para planejar como iriam construir o acampamento.
Por volta das 22:30, cerca de 120 manifestantes - principalmente estudantes de Harvard - fizeram um círculo em frente à Estátua John Harvard onde começaram a montar as tendas. Enquanto os manifestantes estavam construindo seu acampamento, Nelson apareceu e tentou convencer os ocupantes para moverem-se para o Teatro Tricentenário, onde seriam menos prejudiciais. Os manifestantes rejeitaram a sugestão, mas disseram que iriam reconsiderar deslocalizar as tendas se tornassem-se muito incômodos.
Nelson finalmente concordou em permitir com o acampamento em frente à Universidade e pediu para se encontrar com os manifestantes na quinta-feira para discutir sobre o futuro da ocupação. Os termos dos manifestantes da reunião inclua aderir ao princípio de consenso de base para as tomadas de decisão e a participação inclusiva.
"Eu gostaria que esta reunião seja o início de uma conversa", disse Nelson. O Professor Timothy P. McCarthy, disse que reposicionar o protesto ao campus da Faculdade de Direito no início da noite era uma maneira de garantir que os manifestantes poderiam montar e fazer ouvir a sua manifestação.
"Este país foi fundado sobre a liberdade de expressão, de reunião, de petição, da religião e da imprensa. Hoje à noite, o país pareceu negar a liberdade mais essencial", McCarthy disse a uma multidão reunida frente a Faculdade de Direito. "A imprensa não pôde entrar, então as pessoas que falam virão a um lugar onde a imprensa possa ouvir, onde possamos ser ouvidos, onde possamos ser vistos."
Durante toda a noite, os manifestantes - incluindo vários funcionários de Harvard - manifestaram as suas preocupações sobre as condições econômicas em todo o país. Outras preocupações incluíram as negociações de contrato e benefícios de emprego. "Estou aqui porque eu acho que essa é uma das revoltas sociais mais importantes da história americana moderna", disse McCarthy. "Eu acredito profundamente que este é um momento na história dos Estados Unidos que exige tal movimento das pessoas. Estou feliz por fazer parte dela."Ele também disse que a Universidade tem uma responsabilidade com a comunidade. "Se Harvard vai ser um lugar que produz pessoas com poder, então Harvard deve ser uma instituição onde o bem público é mais importante do que o lucro privado", disse McCarthy. Antes, ele disse a uma multidão que "Harvard tem economistas que nos ensinam que os lucros são mais importantes que as pessoas".
Os manifestantes disseram que queriam fazer um diálogo público em Harvard sobre o papel da Universidade no país e, mais amplamente, no mundo.
"Harvard é uma das instituições privadas mais conhecidas do mundo. Temos muita influência com o que fazemos", disse Evelyn M. Atkinson, um estudante do terceiro ano da Faculdade de Direito. "Eu diria que o passo de uma instituição privada como Harvard é realmente grande."
Sahil A. Khatod, 14 anos, partilhou a opinião de Atkinson sobre a responsabilidade da Universidade. "Minha frustração com Harvard tem a ver com o fato de que não há um diálogo sobre o que está acontecendo fora do campus", disse Khatod.
Tim McCarthy, Professor do curso Gen Ed “Literatura Americana de Protesto: de Tom Paine à Tupac”, falou na noite passada como parte do nascente movimento "Ocupar Harvard".
"Harvard já foi ocupada antes (...) E Hoje, nesse momento em nossa História, temos que ocupar de novo! Contra todas esses responsáveis pela crise econômica mundial e as instituições políticas que facilitaram isso, criando o sofrimento que não só assola essa nação, mas o globo como um todo!"
(com minha péssima - mas bem intencionada - tradução)
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Machismo: ciladas e disfarces.
Foi criada e educada para ser submissa, a televisão lhe dizia que ela tinha que ser coisa, seus parceiros todos a tratavam como coisa e não poucas vezes a jogaram fora. Um dia a “coisa” resolveu cantar, e com sua música assumiu ser “coisa”, “objeto sexual”, “cachorra”, “puta”. Estava rompida a hipocrisia, mas as relações que construíram a menina pra ser coisa permanecem. O baile, o rebolado, a música escrachada é talvez uma forma de catarse, de denúncia quem sabe. (consciente ou não).Mas o sistema não custa a se apropriar da “denúncia”, esvaziá-la de sentido e transformá-la em mercadoria. Longe de levar a reflexão o canto agora só faz a galera descer até o chão, e muitas meninas a quererem e gostarem de ser tratadas como “coisa”, um desses itens que compramos na feira, tipo melancia, pêra, filé…
Esse é o machismo dos nossos dias, liberal, flexível, tão bem embalado que chega até a parecer libertário. Um machismo que faz rir e rebolar até os/as que se dizem feministas. Um machismo que sabe se adaptar as críticas e as derrotas históricas que sofreu ao longo dos anos. Um machismo que é capaz de nos ouvir, pois o sistema que nos quer como mercadoria também nos quer como consumidoras. Você pode estar no mercado de trabalho, desde que o seu salário seja inferior ao dos homens. Você pode votar, você pode até ser presidenta da república, desde que esqueça esse papo de leis feministas tipo legalização do aborto. Você pode fazer o quiser, dar pra quem quiser, desde que os homens também não percam o direito de fazerem o quiser com você, inclusive te bater ou te violentar, ah! Não esqueçam de agradecer o favor!
Esse machismo fala e fala muito alto, muitas vezes com voz de mulher, nos stand up’s, nas letras de músicas, nos programas de TV, nas leis, nas escolas, nas famílias e até nos discursos de alguns companheiros. Diz que não existe mais machismo, que isso é invenção de mulher mal-amada e o que feminismo - eis o cúmulo de todas as inversões! - é careta, conservador, puritano.
Em meio a tanto barulho, tanta confusão é preciso celebrar o verdadeiro feminismo que nem de longe se parece com essas falsificações que o sistema nos empurra. Ser feminista é querer o fim de toda e qualquer opressão e não uma inversão dos lugares de oprimido e opressor, feminismo não é revanchismo, igualdade de gênero não é querer transformar o corpo masculino em mercadoria. Não, o feminismo não é liberal, não é capitalista, é libertário e socialista, pois sabe que é impossível que haja o fim das opressões de gênero dentro de um sistema que tem como base a dominação e a exploração de uma classe pela outra.
Por Joice Souza
Estudante de Comunicação Social - Jornalismo/UFPA
Coord. Nacional da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação/Enecos.
domingo, 9 de outubro de 2011
Vídeo: George Paar explica as causas da crise financeira mundial de uma forma simples e direta.
Talvez você já tenha escutado alguma menção à Crise Financeira que vem gerando a falência de vários bancos e empresas norte-americanas, assim como tem imposto através do FMI e do Banco Mundial uma série de pacotes de austeridades para diversos países no mundo. Pacotes estes que visam transferir a conta dos grandes rombos financeiros para a juventude e a classe trabalhadora mundial através de reduções de salários, cortes nos orçamentos dos direitos sociais (como educação, saúde, lazer, saneamento, moradia), numa onda de cruel ataque neoliberal... Se você não sabe a causa desta crise e nem como funciona o mercado financeiro, então confira:
George Paar explica as causas da crise financeira mundial de forma simples e direta.
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sábado, 8 de outubro de 2011
Círio: "Starless and bible black..."
Meus pais
são católicos. Outros tantos parentes próximos também. Cresci até
bem familiarizado com algum punhado de elementos religiosos como: terços rezados
junto ao rádio, novenas em casa de vizinhos, missas de domingo, catequese, leitura
bíblica... Minha rua era cheia de meninos e meninas envolvidos com a igreja.
Coroinhas, catequistas, aspirantes à freiras e padres que conviviam nas
redondezas de minha comunidade, nas outras ruas onde faziam amizades. Se
visitavam, se buscavam para ir à igreja, comemoravam aniversários, etc. A
igreja esteve bem próxima quando da primeira vez que presenciei a morte de um
ente querido e, sempre em alguns dias especiais do ano, ela fazia seus discursos.
Apesar dessa
proximidade, nunca participei tanto quanto meus irmãos mais velhos, meus
parentes em geral e os demais conhecidos. Talvez pelas circunstâncias próprias da minha infância em particular... Verdade seja dita: sempre fui um marginal. Não por opção, mas simplesmente
por condições objetivas casuais. Sempre estive à margem da participação com a
galera da minha rua, à margem do futebol, à margem das brincadeiras e jogos, à
margem dos grupos da igreja, etc... Porque fui concebido entre grupos etários diferentes.
Tinha a galera mais velha que eu e tinha a galera mais nova que eu – sempre tento
fugir dessa constatação, mas, por mais repetitivo que isso soe dentro da minha
cabeça, enquanto alguma espécie de mágoa, de rancor, é desinraizável de uma
análise séria a respeito do que hoje sou. Então,
dada essa condição de filho do meio que não anda com os amigos dos irmãos mais
velhos e tampouco se sente à vontade em estar com seu irmão caçula e seus
amigos mais novos, fiquei só. Não para sempre, mas por um bom tempo.
Hoje vejo que, sem saber naquela época, o meu sentimento era mais de que a igreja consistia em mais um espaço de participação social, de interação – não
tinha nada a ver com buscar respostas, nem salvação, nem nada. Era outro espaço de participação e, pior!, espaço no qual eu não podia participar. Por razões óbvias. Então, depois de algumas
tentativas frustradas e até bastante humilhantes, desisti de insistir em participar. Aceitei minha
condição de solitário. Ficava em casa desenhando, pensando, me distraindo sozinho.
Mas, voltando a igreja, ainda cheguei a
fazer 3 anos de catequese. Acho que eu tinha uns 12 ou 13 anos de idade. Não lembro mais se era aos sábados ou domingos as aulas... Só
lembro que a catequese durava apenas 1 ano. Pena que depois ela passou a durar
2, quando "reprovei", hahaha! Frequentei missas, li a bíblia em casa, me confessei, coisas assim. Mas nunca houve
aquela “comunhão”, acho. Na igreja nunca me senti
em casa porque, de fato, nunca me pareceu um ambiente familiar... Claro que quando criança
eu tive alguns pesadelos com o inferno, com o fim do mundo, com condenações
divinas, esses amedrontamentos e sensações de culpa que a igreja gosta de martelar na nossa cabeça pra manter uma espécie de controle coercitivo, uma aproximação à base de ameaças.
No entanto, terminada
a catequese parei de freqüentar tudo.
Claro que ano após
ano as datas retornam. Círio, Natal e Páscoa, dentre outros momentos marcados no calendário, alguma coisa dos católicos é cobrada... Algumas vezes
fui à missa com a família, algumas vezes participei de alguma novena, algumas outras vi a
Santa passar na multidão, tiveram vezes que escutei o Papa falar na virada do ano, assim como fiz uma ou outra passeata cristã, algumas
vezes n’algum momento de perplexidade orei, rezei, pedi por alguma solução, angustiado atrás de um ombro amigo. Mas
tudo isso, toda essa “conexão” foi amiudando, esmorecendo, fragilizando,
perdendo o sentido, até que chegou o tempo em que eu nem sequer refletia mais sobre o assunto...
Também
existiu um período que, por influência de um primo, me aproximei de alguma
doutrina evangélica que nem sei mais direito qual era. Era ele quem sabia. Não cheguei a
participar de culto nem nada assim, mas me contagiei um pouco com os entusiasmos dele, as histórias e o até pelo proselitismo que ele praticou sobre mim durante
um tempo. Parecia uma coisa mais atenciosa, parecia mais acolhedor o método
todo. Mas ao final me vi só outra vez. Parecia que aquele pessoal gostava mais de calcular "almas convertidas", mas não sabia
muito bem fazer um acompanhamento que "mantivesse" as almas. Claro que a minha falta de aproximação assim como meu germes de ceticismo me ajudaram a rapidamente
largar.
Deixei tudo pra
lá novamente.
E não
demorou muito para que eu percebesse que nem sequer ligava tanto pra nada
disso. Eu não cria fervorosamente num ser superior, numa vontade sobrenatural
personificada em alguma entidade invisível que tivera arquitetado o mundo, nem sentia
uma necessidade de uma plena salvação, nada disso. Eu não me senti impuro, não me sentia o pedaço de pecado que precisava ser corrigido. Eu era um bom menino e sabia disso, haha. Não tinha a carência de um deus... Digo, claro que eu queria companhia, de fato. O meu histórico exigia que eu quisesse companhias, que eu me encontrasse, me ajustasse em algum grupo, sempre precisei de amigos. Mas não de amigos imaginários! Eu queria pessoas de verdade comigo. Queria poder conversar, compartilhar, viver em grupo, ser aceito, confidenciar as minhas preocupações, participar do mundo, etc...
Então, agora um
pouco mais velho – mas ainda muito muito jovem. Depois de passada a época de
necessidade de ter amigos urgentemente, depois de já ter conseguido firmar
alguma parte da minha personalidade, de ter amadurecido mais a minha visão de mundo,
esclarecido mais meus métodos de relacionamento com os outros, dado mais forma ao meu caráter, etc, etc... Eu
vejo a religião com outros olhos. Não mais com os olhos intimistas de quem
procura um lugar para se alocar e pronto. De alguma forma essa relação com os outros sempre foi o sentido da vida pra mim, daí concordo muito com o que andei assistindo do Ferreira Gullar nesse sentido. Foi o que me angustiou durante bastante tempo, enquanto que a religião foi um detalhe até hoje... Por maior que seja o detalhe.
Atualmente não procuro uma asa divina sob a qual possa me
aconchegar das dores do mundo, das dores da não-partilha que vivi, da exclusão do Outro... Hoje, pr'além da relação personalíssima entre Instituição da Fé e o ser humano, enxergo os interesses escusos da religião, dos líderes religiosos que são construídos. Eu vejo as contradições, eu vejo o palco que o altar consegue ser, eu vejo as ganas
políticas nas entrelinhas, eu sei que as igrejas não pagam impostos para o Estado e que arrecadam MUITO dinheiro, eu estudei as histórias horríveis da
hegemonia da religião na Idade Média e até hoje vejo brutalidades maquiadas de divindade, eu vejo o controle exercido, eu vejo o medo incutido, eu
vejo o abuso diante da ignorância das pessoas mais humildes, eu vejo o saquear
de bolsos de trabalhadores, a manipulação ideológica em torno de mesquinhez, a falta de argumentos de verdade para suas idéias, o atentado à lógica e a inteligência, o desinteresse em tomar medidas que realmente ajudem a melhorar o pedacinho de mundo no qual encontram-se, eu vejo a segregação, a disputa de espaço
entre as instituições, a hierarquia, a truculência, a discriminação, os
machismos, as chacinas realizadas em nome do deus de amor e, simplesmente, eu vejo o quão irracional a
religião consegue fazer com que seus fiéis sejam. E a promessa do inferno é a prova cabal do terrorismo e da tortura a que se pode prestar um deus, castigando por toda a eternidade.
Mas o negócio é que não
existem palavras pra descrever a sensação de impotência e de dor que eu sinto toda vez que
vejo aquelas casinhas de isopor erguidas sobre as cabeças, as pessoas velhinhas caminhando, todos aqueles clamores por uma vida melhor, pedidos de atendimento médico, de empregos, lágrimas de milhares e milhares de pessoas, na maior manifestação de fé do mundo... E, em resposta, só haver o silêncio. O silêncio dos abastados da cidade, o silêncio do Governo e o silêncio de deus. Calados admiram.
Não me sinto
à vontade de dizer que sou um ateu. Eu nem sei bem no que implica isso. Mas sinto que, mais do que nunca, não consigo mais aceitar um deus omisso diante
da dor do mundo. Como poderia um ser do bem, todo-poderoso e todo-sabedoria, permitir TANTO sofrimento? Qual a graça disso tudo!? Daí
desejo do fundo do meu coração que ele não exista. Pois se existir... Por que?
Starless
"Sundown dazzling day
Gold through my eyes
But my eyes turned within
Only see
Starless and bible black
Old friend charity
Cruel twisted smile
And the smile signals emptiness
For me
Starless and bible black
Ice blue silver sky
Fades int grey
To a grey hope that oh years to be
Starless and bible black"
(King Crimson)
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Audiência Pública na UNAMA, campus Senador Lemos.
Hoje o DCE-UNAMA realizou a Audiência Pública marcada com os estudantes e a Reitoria, para que fossem dadas soluções aos problemas do curso de Direito e dos problemas do Campus Senador Lemos - que foi palco de episódios inaceitáveis por conta da falta de Segurança. Depois de dias passando em sala, realizando conselhos de turmas para coletar as demandas estudantis e pondo em circulação um abaixo-assinado solicitando a presença da Reitoria, a Audiência foi realizada. No entanto, com uma postura de tremendo desrespeito por parte da Reitoria.
Mas, com o aglomerar de estudantes interessados em participar da audiência, uma professora, que não é sequer integrante da coordenação do curso, foi enviada ao nosso encontro. Declarou logo de início que estava ali simplesmente para dar uma "satisfação" aos estudantes, não resolveria nenhuma questão e só iria entregar um recado, logo, não haveria diálogo. Declarou a professora, contraditoriamente, que a Reitoria não tinha conhecimento das demandas mas que as estava analisando (?), e que pedia um prazo até dia 27. A "satisfação" dada pela professora durou menos de 2 minutinhos, depois ela se retirou.Temos aí então, claramente, o atentado da Reitoria contra a nossa inteligência e a integridade da atuação dos estudantes. Dizendo que não conheciam as demandas, quando o DCE, no dia 12, esteve com ela reunido e fez questão de entregar em mãos a lista de demandas que os estudantes haviam repassado nos conselhos de turma! Como a Universidade toma uma atitude de repreender a atuação do Diretório Central de Estudantes, coloca funcionários para fiscalizar a audiência e, ainda assim, tranca-se do lado de fora de sua obrigação de comparecer?!
Mesmo assim o DCE não se calou, deixou clara sua insatisfação e imediatamente colocou uma proposta em votação para o coletivo estudantil. Proposta de que se a Reitoria não tomar nenhuma atitude em favor dos interesses dos estudantes até o dia 27, haverá um ato público que denunciará, inclusive com o apoio da imprensa se necessário, os desmandos da instituição que permite que um carro seja levado do seu próprio estacionamento por falta de segurança, assim como se omite frente os assaltos dos quais os estudantes tem sido vítimas recorrentemente, por falta da instituição em não exigir do Poder Público o policiamento da região. Sem contar o abuso dos aumentos de mensalidade que todo ano acontecem, em conjunto com o aumento das necessidades dos estudantes, que ficam, como hoje, tendo que esperar e esperar! Pra onde vai o nosso dinheiro se não é revertido em bons serviços?!
A proposta de ato público para o dia 27 foi votada e teve aceitação unânime dos estudantes ali presentes. Nossa paciência tem limites. E o descaso da Universidade é esse limite... É INACETÁVEL que tenhamos que pagar caríssimo para ter em contraprestação uma universidade sucateada e omissa! Estudantes, uní-vos, porque já foi provado em situações anteriores na UNAMA que só com mobilização se consegue vitórias. Vejo as lutas do DCE desde quando entrei na Universidade, em 2007, e nunca estive tão convencido.
Vamos À Luta!
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
"Stalin", dirigido por Ivan Passer, 1992.
Vou assistir esse "Stalin". Filme de 1992, dirigido por Ivan Passer. Que seria uma biografia do primeiro Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética...
domingo, 18 de setembro de 2011
nostalgia amanhecida
Na quietude serena da noite é mais fácil ser nostálgico.
É meio um problema a nostalgia aparecer de manhã cedo, depois de toda uma noite acordado, pois o dia cobra atenção. De dia as pessoas estão de pé, vivendo a vida, espreitando e, sem querer, inibindo o intimismo que paira livre durante a noite. O dia cobra alguma sociabilidade... que ocupa o espaço da solidão que de vez em quando quer seu momento. De modo que a noite me parece sempre mais apropriada para os sentimentalismos solitários e pequenos tormentos.
Ter companhias não apaga a Solidão da qual falo... Mas companhias outras distanciam o desfrutar da nostalgia, essa doce amiga. Essa visita constante alojada no meu peito...
Linda, o dia é cheio...
E pra conservar a magia:
Venha à noite, quando teremos a madrugada toda em nosso leito.
Onde os sonhos que não nos permitem durante o dia
sejam nosso desejado tempo perfeito.
É meio um problema a nostalgia aparecer de manhã cedo, depois de toda uma noite acordado, pois o dia cobra atenção. De dia as pessoas estão de pé, vivendo a vida, espreitando e, sem querer, inibindo o intimismo que paira livre durante a noite. O dia cobra alguma sociabilidade... que ocupa o espaço da solidão que de vez em quando quer seu momento. De modo que a noite me parece sempre mais apropriada para os sentimentalismos solitários e pequenos tormentos.
Ter companhias não apaga a Solidão da qual falo... Mas companhias outras distanciam o desfrutar da nostalgia, essa doce amiga. Essa visita constante alojada no meu peito...
Linda, o dia é cheio...
E pra conservar a magia:
Venha à noite, quando teremos a madrugada toda em nosso leito.
Onde os sonhos que não nos permitem durante o dia
sejam nosso desejado tempo perfeito.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
As ocupações de reitoria e os indignados brasileiros

A juventude brasileira voltou a ser manchete dos jornais nas últimas semanas. Além das grandes manifestações contra a corrupção em várias cidades no 7 de setembro e das passeatas contra o aumento da tarifa de ônibus em Teresina-PI, as ocupações de reitoria são a marca de uma geração que cansou de esperar a boa vontade dos reitores e do governo para que solucionem os nossos problemas. O clima é dos mais favoráveis, pois rebeliões sacodem os quatro cantos do planeta, e hoje já deixou de ser piegas falarmos em revoluções. Desde a ocupação da reitoria da UFF, onde tivemos participação mais ativa, o nosso coletivo traz esse texto como contribuição para todo o movimento estudantil brasileiro. Trata-se de uma breve reflexão sobre o que está ocorrendo e dos desafios impostos. Boa leitura!
As ocupações

Todas as ocupações saíram vitoriosas em suas pautas. É muito importante demarcar isto porque outras seriam as tarefas daqui para frente se o movimento estivesse saindo derrotado. Basta olharmos rapidamente os documentos assinados pelas reitorias da UFSC, UFPR e UFF, por exemplo, para percebermos que conseguimos arrancar muita coisa. É verdade que o movimento deve seguir mobilizado para efetivar tais conquistas, mas o temor das reitorias e a fraqueza que demonstraram só foram possíveis porque há uma situação de instabilidade nas IFES. Além da heróica greve dos servidores das universidades, as crises do REUNI estão cada vez mais latentes. Nos arriscamos a dizer que a equação: contradições do REUNI + corte de verbas + instabilidade política do governo federal + situação mundial (crise e rebeliões) + custo de vida elevado (inflação, tarifas de ônibus, preço dos alimentos, etc.), + a disposição de luta da juventude, é a combinação que está gestando os indignados brasileiros.A maior mobilização da história da UFF, que em seu ponto alto contou com mais de mil estudantes em mobilização permanente, foi por mais professores, salas de aula, por segurança nos campi e seus arredores, por moradia, bandejões, etc. Mas, além disso, por democracia na universidade, que se demonstrou mais descaradamente antidemocrática por estes dias quando o Reitor Roberto Salles tentou passar por cima de tudo e de todos se aliando à Prefeitura de Niterói (não nos esqueçamos das vítimas do Bumba e outras comunidades e dos 10 mil novos desabrigados que Niterói “ganhou”) para passar por dentro do Campus do Gragoatá uma via meramente turística no megalomaníaco Caminho Niemeyer, projeto de cidade mercadoria do prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT). Nossa ocupação também foi muito classista, pois o apoio a greve dos servidores foi uma das bandeiras gerais mais agitadas nas manifestações. O fato do SINTUFF ter ocupado a reitoria junto com os estudantes ajudou a selar a unidade que foi a responsável pela derrota da reitoria. Contamos também com o apoio da ADUFF e de inúmeros professores que se dispuseram a dar aulas dentro da ocupação. A unidade entre os estudantes e trabalhadores foi fundamental e vemos que este é o caminho.
O papel da UNE
Do outro lado da trincheira, a jornada da UNE em Brasília foi um grito sem eco, visto que não refletiu a luta direta das ocupações. Pelo contrário, tentou armar um palco para Dilma na audiência que tiveram com ela, que como sabemos está comprometida com os banqueiros e empreiteiros e não com os estudantes e os trabalhadores. Nenhuma das ocupações ocorreu por vontade ou linha da direção majoritária da UNE e se os mesmos chegaram a “visitar” alguma delas, foi para não se desmoralizarem ainda mais perante os estudantes. Na UFF, por exemplo, toda vez que a bandeira da UNE era empunhada pela majoritária ocorria um enorme rechaço dos estudantes, confirmando essa característica antiburocrática.
Os indignados
Os indignados são Marias, Josés, Marianas e Pedros que começaram a perceber que somente se mobilizando é possível melhorar a vida.Dentre tantas características, uma das mais visíveis desta nova vanguarda que surge, é a luta por democracia real e contra as burocracias, sejam elas do Estado ou dos movimentos. Nossa ocupação teve muito esta cara, democrática, combativa e de base.É algo parecido com o que tem ocorrido no Chile, onde cresce a indignação contra a forma burocrática com que a CONFECH tem se proposto a dirigir as mobilizações. Se fortalece a ACES que inclusive se solidarizou com nossas ocupações. Enviamos três companheiras ao Chile como um esforço de solidariedade, aprendizado e articulação internacional.
15 de outubro: dia mundial de ocupação de praças
Outro ponto fundamental é o 15 de outubro. Ainda há, mesmo na vanguarda, desconhecimento sobre as mobilizações deste dia. Vemos ser uma tarefa da oposição de esquerda da UNE ser parte da construção deste Dia Mundial de Ocupação de Praças. Propomos uma reunião que possa tratar deste tema.
A campanha dos 10% do PIB para a Educação Já!
A campanha dos 10% do PIB pela educação, uma bandeira correta, tem que partir dos problemas concretos, a começar pela denúncia do corte de verbas da educação e da crise do REUNI. Devemos refletir que nenhuma ocupação se deu por esta bandeira. Há uma proposta de adiamento da data do plebiscito para março de 2012. Não vemos que o centro da questão seja a data, pois mesmo que estivéssemos em muitas eleições de DCE´s e perto do CONUBES, se estivesse acontecendo mobilizações, passeatas e ocupações de base por esta bandeira seria correto priorizá-la. Mas não vemos desta forma. Em nossa opinião o que é urgente é articularmos os nossos movimentos para a nova dinâmica que se abriu, de ocupações e passeatas, de mobilizações educativas para toda uma nova geração que tem surgido. É necessário nos prepararmos para a ocupação das maiores reitorias do país, temos que reeditar a ocupação da USP, da UnB, da UFMG, etc. Os comitês de base que deveremos construir na campanha dos 10% para educação devem funcionar como comitês de mobilização concreta, que para além de formar as pessoas nos debates sobre financiamento, organize mobilizações pelas pautas concretas, como vem ocorrendo com as ocupações e seja uma ponte de apoio a luta dos servidores em greve.A oposição da UNE hoje dirige a maioria dos DCE’s das públicas, por isso temos uma responsabilidade de coordenar e unificar essas ocupações. É urgente uma reunião dos DCE´s referenciados na oposição de esquerda à direção majoritária da UNE, para que articulemos um Fórum de DCE´S, com a ANEL, que possa ir ajudando e incentivando que mais e mais rebeliões ocorram pela base.
Corrupção
Por último o tema da corrupção tem que ser novamente agarrado pelo movimento estudantil organizado. A UJS e os aliados do PT não podem mais tocar lutas com esta pauta, pois são base do governo que não sara suas crises de corrupção. Não existe uma “faxina ética” realizada por Dilma, pois a mesma teria que demitir o vice-presidente, todo o PMDB, e muitos “companheiros” de PT. Aliás, Paloci não é mais ministro mas está livre para desfrutar da sua fortuna conseguida com tráfico de influência. Os atos do dia 7 de setembro são a demonstração da indignação que a corrupção causa às pessoas, em especial na juventude. Somente em Brasília mais de 25 mil pessoas participaram da manifestação. O Senado de Sarney e Calheiros não tem condições de propor uma reforma política. O STF barrou o fica-limpa; A câmara perdoou Jaqueline Roriz. Apenas nas ruas e mobilizações é que podemos impor uma reforma política radical propondo voto aberto, financiamento de campanhas exclusivamente público, fim do Senado, revogação de mandatos, fim da imunidade parlamentar, definição do salário dos parlamentares através de plebiscitos populares, fim dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos políticos e de empresas que tenham contratos com o Estado, o fim ao sigilo comercial dos empresários doadores de campanha e pela abertura da contabilidade de suas empresas e, por fim, derrubar o regime diferenciado das licitações das obras da copa, etc. Devemos participar dos atos organizados pela internet e organizar tantos outros.Tudo isto para ajudarmos com que os mais de mil indignados da ocupação da UFF e das demais ocupações, tornem-se centenas de milhares de indignados por outra universidade, outra educação e outro tipo de sociedade. Vamos à Luta
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Allende vive – Twitter fura bloqueio midiático à História
Em 11 de setembro de 1973 se encerrava um governo popular, socialista e democrático que trazia belas perspectivas ao Chile e à América Latina. No mesmo dia, no mesmo lugar, tinha início a mais sangrenta ditadura que o continente americano já viveu. O Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, era bombardeado pelos golpistas aliados ao governo norte-americano, morria Salvador Allende e chegava ao poder o general Augusto Pinochet. Na ditadura instaurada a partir daí, e que durou até 1990, calcula-se que tenham sido assassinadas mais de 50 mil pessoas, além de a tortura ter sido prática comum.
No último domingo completaram-se 38 anos da morte de Allende e da ascensão de Pinochet, e um silêncio doído tomou conta da mídia hegemônica brasileira. No Fantástico, da Rede Globo, e no Domingo Espetacular, da Rede Record, nenhuma palavra, nenhuma lembrança sobre a morte de Allende ou sobre as tantas violências que daí decorreram. A morte de Allende foi uma pequena morte para o povo chileno.
Enquanto sua revista semanal silenciava sobre o Chile, a Rede Globo fez, durante toda a semana, uma enorme cobertura do “outro” 11 de setembro, o mais recente, no qual morreram quase 3 mil pessoas nos Estados Unidos.
É inegável a importância histórica do 11 de setembro norte-americano. Um ataque diferente do usual, em um país que nunca fora atacado nessa escala, e que deu início a mudanças profundas pelo mundo, começando pelo avanço da xenofobia contra os povos árabes e muçulmanos e chegando, é claro, aos centenas de milhares de civis assassinados pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque. Além disso, a data redonda (dez anos), ao contrário dos 38 da morte de Allende e do Golpe no Chile, justificam efetivamente uma cobertura maior.
Porém, 25 minutos tratando dos acontecimentos em torno do World Trade Center e nenhum instante para falar de Allende e Pinochet é uma distorção histórica grave. Como disse acima, o bombardeio ao La Moneda deu início a uma forma de terror ainda mais grave do que o terrorismo da Al Qaeda: a situação em que o Estado, representação institucional da sociedade, aterroriza a própria população que deveria proteger. Foi parte de uma estratégia internacional, com particularidades locais, de combate aos governos progressistas – muitos nem tanto – que se espalhavam pelo mundo. Quase toda a América Latina foi, no mesmo período, violentada por Ditaduras Militares apoiadas pelos Estados Unidos, e o Chile foi a expressão máxima da repressão e da violência de Estado, além de ver morrer uma das lideranças mundiais mais importantes daquele contexto de avanço democrático popular.
Tudo isso foi ignorado pela grande mídia brasileira, mas não pelas redes sociais. Durante uma boa parte do dia a hashtag (etiqueta, ou marcador) #AllendeVive esteve entre a segunda e a terceira colocação entre as expressões mais citadas no Twitter. Algumas pessoas relatavam não saber bem o que significava ou quem fora Allende, e acabaram se informando por ali. O bloqueio midiático à História foi furado mais uma vez.
* O último discurso de Salvador Allende:
* Documentário do cineasta Ken Loach, traçando um paralelo entre os dois 11 de setembro, 1973 e 2001.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Todo Apoio À Greve da Construção Civil!

"Nos últimos dias, a região metropolitana de Belém presenciou a poderosa greve da construção civil. A luta faz parte de um processo que começou no primeiro semestre, na rebelião de Jirau e nas greves nos canteiros de vários estados. Movimento que continuou quando os peões cruzaram os braços nas obras dos estádios da copa do mundo, em MG e RJ.
Como em anos anteriores, o governo do Estado, hoje comandado por Jatene do PSDB, criminalizou o movimento destacando a tropa de choque, o canil e a cavalaria para defender os patrões. Repetem-se cenas, que se tornaram cotidianas, da polícia criminalizando os trabalhadores e o povo pobre das periferias. Novamente a ROTAM atuou contra operários que exerciam seu legítimo direito de protestar contra baixos salários e péssimas condições de trabalho. Além disso, a justiça proibiu os piquetes em frente aos canteiros, impondo pesada multa ao sindicato da categoria, caso descumpra a decisão.
No entanto, quem deveria prestar contas à polícia e à justiça é a patronal do ramo, responsável pela morte de 9 operários nas obras do Pará. Tudo para manter a expensão de casas de luxo e condomínios para os ricos, enquanto os trabalhadores moram em cubículos nas baixadas, sem acesso a nenhuma infra-estrutura.
Os próximos dias são decisivos para a greve. São determinantes para a luta de classes em nosso estado. A patronal, Jatene e a justiça querem derrotar o movimento. Todos os sindicatos classistas, todos os partidos de esquerda, todos os operários conscientes devem se esforçar para que a greve triunfe.
Estamos à disposição da categoria e do sindicato da construção civil, para impulsionar as decisões da assembléia geral e do comando de greve, visando à derrota dos patrões e a vitória de nossa classe.
Pelo atendimento de todas as reinvindicações!
Contra a criminalização da greve e do sindicato da construção civil!
Em defesa da democracia operária! Contra a interferência do Estado nas greves!"
UNIDOS PRA LUTAR - SINTSEP - SINTRAM
VAMOS À LUTA - DCE UNAMA - GRÊMIO DO ULISSES
CST-PSOL
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Grito dos Excluídos: "Grito em Defesa da Amazônia". Dia 7 de Setembro.
Tendo em vista que os palanques, os assentos nos palácios, os altares dos templos políticos, os microfones das rádios, as câmeras das TVs, as páginas dos jornais e demais espaços de "palavra" são reservados aos vaidosos discursos dos usurpadores do Poder... As ruas tornam-se o palco do povo, o seu púlpito, sua tribuna, onde é dito o que é sentido por ele próprio, diretamente, de modo incontestavelmente legítimo... O povo diz, canta, declama, berra o que quer. E este foi mais um grito dos excluídos.
Um "Grito em Defesa da Amazônia"!
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Grito dos Excluídos: "Grito dos Indignados em Defesa da Amazônia".
No dia 7 de Setembro.
Grito dos Excluídos: "Grito dos Indignados em Defesa da Amazônia".
No dia 7 de Setembro.
Cerca de mil liderenças ambientalistas, estudantis, sindicais e vegetarianos sob o comando do Movimento Xingu Vivo (Comitê Metropolitano) foram às ruas do centro para protestar contra a construção de barragens na Amazônia, em especial da hidrelétrica de Belo Monte (no Rio Xingu), em Altamira (848 km de Belém).
A defesa da Amazônia, a solidariedade aos trabalhadores da Construção Civil, em greve desde o dia 05, a denúncia da impunidade aos patrocinadores dos crimes no campo, a corrupção que enfesta todas as esferas de governos. De Duciomar à Dilma, passando por Jatene foram a tônica das palavras de ordem que durante o percurso, foram ouvidas pela população que acompanhava o desfile militar.
"Oh, oh, oh, lá vai dinheiro! Belo Monte é obra da Dilma pros empreiteiros!", cantavam os ativistas em marcha. "Este é um ato em defesa da Amazônia, dos seus rios, contra as barragens e à construção da hidrelétrica de Belo Monte. Portanto, defendemos a vida, a preservação da natureza, dos povos que habitam nossa região, a fauna e a flora como patrimônio dos povos que vivem nas nossas florestas", disse Dion Carvalho, do Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre. Na altura da Avenida Oswaldo Cruz, uma barreira do batalhão de choque da Polícia Militar bloqueou o acesso da coluna.
Cantando: "Para Belo Monte se firmar, quantos índios vão matar? Mas se o povo se unir, Belo Monte vai cair! Vai cair, vai cair, Belo Monte vi cair!", a marcha seguiu a caminhada.
A alternativa foi seguir pela Avenida Assis de Vasconcelos, "subir" a Avenida Serzedelo Correa e "entrar" pela Presidente Vargas, sentido Praça Pedro Teixeira, e assim foi feito. Só que os ativistas marcharam de costas, em protesto às tentativas da PM de impedir a caminhada que encerrou com uma mística [performance teatral] em defesa da Amazônia, em frente ao teatro Waldemar Henrique.
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
A fé bate à minha porta.
Hoje bateram à minha porta. Eu tinha acabado de acordar, nem queria sair da cama. Mas me vesti, peguei um copo de café e fui atender. Eram duas senhoras de vestidos, segurando sombrinhas. Duas Testemunhas de Jeová... Então pensei: "Beleza, vão querer me converter. Mas não serei grosseiro nem sectário diante do proselitismo das senhoras... Vamo ver". Afinal, pra mim, viver é aprender. Quem acha que já tem consigo a verdade absoluta está catastroficamente enganado e, claro, ser gentil e respeitoso não custa muito (as vezes)...
Desejaram bom dia, perguntaram meu nome e pediram um minutinho do meu tempo. Fui solícito. Elas disseram que era muito bom poder conversar com um jovem e com respeito e paciência escutei, apesar de não ter apreciado tanto um ou outro excesso didático que elas usaram - mas compreendi a necessidade, se o diálogo fosse com outra pessoa menos inteirada em discussões religiosas.
Elas iniciaram me perguntando o que eu pensava a respeito do tempo que estamos atravessando. Assim mesmo, latu sensu, de modo amplo. Respondi que acredito que passamos por um momento muito específico na nossa história e que, diante desse importantíssimo período, deveríamos repensar muito do que é o nosso mundo, pra evitar grandes problemas que se avizinham... Uma das senhoras em especial abriu mais os olhos com uma expressão de admiração pela resposta que escutou, depois concordou profundamente. Daí, falou sobre alguns problemas que encaramos no dia a dia e de algumas preocupações que todo ser humano carrega consigo, então me perguntou, "Diante dessas mudanças no mundo você está receoso ou esperançoso?".
Pensei - não nessas palavras, mas pensei: "sei que nós não estamos falando das mesmas coisas e que vai chegar o ponto em que vão ficar bem claras as diferenças entre o que eu penso e o que você quer me dizer". Respondi a pergunta da senhora dizendo que estava esperançoso. E mais uma vez ela se mostrou feliz com a resposta, pois era uma senhora bem simpática. Achei meio engraçado na hora. Parecia que estávamos em alguma brincadeira de "certo ou errado", mas tudo bem. Adoro tagarelar. "Que bom, que bom!", "Mas e essa sua esperança? Você deposita onde? No que é que você acredita que deva ser feito?". Ela me fez essas perguntas remexendo sua bolsa.
Achei melhor responder indagando também, porque diálogos são conduzidos por dois. Perguntei a elas se tinham escutado falar da Usina Hidrelétrica de Belo Monte que está sendo construída em nossa região e de tudo o que ela vai causar aqui... Bem, a reação foi de repúdio, que bom, disseram que conhecem um rapaz que trabalha como piloto de avião e que ele sempre menciona as grandes áreas de desmatamento que se apresentam por aqui. Complementei mencionando os indígenas e as comunidades ribeirinhas que serão atingidas pela barragem. Elas concordaram, disseram que era muito entristecedor. Depois questionei, "Então, diante dessas coisas que o nosso governo está fazendo, o que vocês, enquanto Testemunhas de Jeová, acham que deva ser feito?". Digamos que aí era o ponto crucial do meu ponto de vista... O que se faz diante das coisas que acontecem no mundo?
A gentil senhora teve um pequeno estalo de memória e disse, "Ah, sim! Eu tenho uma pequena revista que fala exatamente disso do que estamos conversando, veja que interessante". Ela puxou de sua bolsa a revista de título "Despertai! É possível mudar este mundo para melhor?". Pensei, "Uau, eles carregam um arsenal, hehe". Daí a senhora leu alguns pequenos relatos contidos na revista (que era de 2004. Portanto, bem desatualizada, mas, claro, talvez tivesse conteúdo interessante, pelo menos para os interesses em questão). O primeiro lido foi esse trecho, que tinha no alto o título "O CLAMOR POR REFORMAS (de um redator na Alemanha)":
"Se eu fosse mais nova, iniciaria um movimento de reforma!",
exclamou Anna, uma senhora de 80 anos na Alemanha.
"O que é que a senhora mudaria?", perguntou Robert.
"Tudo!", respondeu Anna.
Depois, a senhora leu a história de um capitão de navio que, defendendo o meio ambiente, algemou-se numa âncora de navio num ato de protesto e que acabou sendo arrastado para o fundo do mar, quase morrendo. Em seguida, leu a história de uma jovem nascida nos anos 60, em algum lugar da Ásia, num período conturbado de revolução e perseguições, que fazia parte de um grupo de oposição ao governo, que foi presa na rua quando estava pregando cartazes e teve amigas executadas. A revista dizia que a moça teve que fugir do país para sobreviver.
Depois dessas leituras a senhora Testemunha de Jeová disse que tanto o capitão do navio quanto a ex-ativista política haviam "chegado à conclusão" de que não valia a pena lutar, pois o poder e os governos sempre fariam o que bem entendessem, mesmo tendo boas intenções de início e que a única solução para todos os problemas da humanidade seria o "Reino Messiânico de Deus"...
Pronto. Aí estávamos nós três. No ponto em que se diferencia e se opõem as minhas concepções das concepções das duas senhoras na porta de casa, numa manhã de terça-feira... Algumas coisas passaram pela minha cabeça rapidamente, assimilando a longa e indireta resposta que elas haviam me dado... Questionei novamente, procurando uma resposta mais clara: "Então... quer dizer que mesmo com tudo de errado que o meu governo esteja fazendo, eu devo ignorar? Vocês Testemunhas de Jeová não acreditam que as pessoas unidas possam resolver nada dos nossos problemas aqui e só podemos esperar?"
O assunto ficou complexo. Claro que ficou. Os questionamentos mais profundos vão precisar de análises e caracterizações mais profundas sempre, o mundo é assim. E é preciso ter em mente que não será uma conversinha de 10 ou 15 minutos que se vai conseguir explicar uma vida de experiências pessoais, de situações coletivas ou avaliações históricas mais amplas, etc... E muitas vezes eu penso que esse é o grande problema de muita gente ou a grande impossibilidade. As vezes, não querem se dispôr a entender as coisas ou simplesmente não podem se dispôr, porque não gozam de tempo para isso... A outra senhora, que estava calada, já notava que a coisa estava começando a tomar ares mais densos, mais argumentativos. Era lógico que não chegaríamos longe ali se não houvesse um avanço aprofundador. A senhora simpática teve que apelar para o caráter mais abstrato, mais de fé, mais dogmático. Fez um sinal para a sua colega, que entregou em suas mãos: a Bíblia.
Leu alguns versículos. Falou sobre o Armagedom, uma guerra onde as "iniquidades" seriam destruídas pelos poderes divinos e seus representantes, falou do paraíso prometido e disse que toda a decadência humana só seria derrotada com o advir deste "Governo de Deus". Que só caberia agora a humanidade "aprender sobre este novo mundo e preparar-se para a sua chegada", que estaria próxima... Posto que muitos morrerão e os que não estão com Deus estariam com suas vidas em risco, em grande perigo de não serem salvos e serem exterminados, como no dilúvio ou outro momento de divina chacina bíblica.
"Bem, eu gostaria de saber de vocês, que argumento que vocês usam...? Porque, assim, eu tenho amigos que são católicos, amigos evangélicos, tenho amigos espíritas e de outras religiões que, assim como as testemunhas de jeová, dizem estar corretos, têm suas próprias leituras, etc... Qual a diferença entre vocês?", perguntei. Perguntinha bandidinha, mas necessária. Todo mundo tem que saber se posicionar num mundo cheio de vertentes, doutrinas e correntes diferentes, senão se perde.
A senhora respondeu que o problema era que, "como todo mundo pode notar", todas as outras religiões se envolvem com Política. Enquanto que as Testemunhas de Jeová não se envolvem, mantendo-se "neutros" com relação a essas coisas, mais preocupados no que virá, passando de casa em casa, conversando com as pessoas, estudando a Bíblia e resgatando o cristianismo antigo, etc...
Bem, a minha impressão é que nesse ponto da conversa a senhora já tinha um pouco mais de cautela, de cuidado, porque já passava a sentir alguma dificuldade em explicar qual a diferença da religião dela em relação as outras e, inclusive, sobre o que seriam esses envolvimentos políticos ou falta deles... A gente sabe de determinadas coisas sobre as Testemunhas de Jeová de vez em quando, por exemplo aquele negócio de não aceitarem transfusões de sangue, que gera algumas complicações jurídicas e médicas, e a questão da "moralidade sexual" - bem usual no campo religioso.
Eu sou completamente contra a "omissão política" das pessoas - uma coisa que é meio complicada de existir, quando até omissão consiste em uma espécie de decisão política. Cada vez mais acredito que é necessária a organização das pessoas em entidades de luta social, exigência de direitos, como vem acontecendo em todo o mundo ultimamente (no Chile, na Espanha, no Egito, na Líbia, na Tunísia).
Mas naquela situação tão informal e desprovida de elementos que embasassem um diálogo mais sério e produtivo, eu nunca iria tentar conversar sobre a "consciência de classe", "unidade popular" sobre "a nova onda de ataque do neoliberalismo sobre o mundo e a ampliação da exploração capitalista", "globalitarismo", "a crise estrutural do capital", "luta de classes" e "revolução" - assuntos que estou me acostumando a discutir... Mas ainda dava pra mencionar alguma coisinha sobre a fome, os sofrimentos humanos, a falta de empregos, os altos impostos e um pouquinho sobre Justiça Social. Tudo por alto, claro.
Ela se posicionou dizendo que os governos, por não serem de deus, não resolverão as coisas. Mas ela não pôde me explicar o que seria um "governo de deus". Ela só disse que o divino governaria direto dos céus e ninguém iria sofrer como hoje... Achei que não haveria mais avanços no nosso breve diálogo, porque estavam surgindo Máximas. E a desconstrução das Máximas é um tanto custoso, sem contar que eu realmente não esperava convertê-la numa militante política, hahaha.
Ela, por outro lado, me convidou para uma reunião, disse que lá eles estudam a Bíblia, primeiro de forma abrangente e superficial, depois aprofundam com leituras e reflexões... Respondi que pensaria no caso e pedi a revistinha que ela tinha em mãos, pois iria ler com curiosidade - é bom saber minimamente como as organizações pensam, pra que possamos nos posicionar sobre estas.
Ela, por outro lado, me convidou para uma reunião, disse que lá eles estudam a Bíblia, primeiro de forma abrangente e superficial, depois aprofundam com leituras e reflexões... Respondi que pensaria no caso e pedi a revistinha que ela tinha em mãos, pois iria ler com curiosidade - é bom saber minimamente como as organizações pensam, pra que possamos nos posicionar sobre estas.
Nos despedimos e desejamos Bom Dia.
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