Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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domingo, 22 de setembro de 2013

40 anos depois do Golpe: A derrota da "Via Pacífica ao Socialismo"

Introdução ao livro de mesmo nome publicado na Argentina por Izquierda Socialista.
Por: Abelardo Pardales

Em 11 de setembro de 1973 triunfava o golpe de estado que deram as forças armadas chilenas contra o governo da Unidade Popular (UP), liderado por Salvador Allende. Passadas várias décadas, segue sendo ainda válido perguntar-se: era possível vencer contra Pinochet? Poderiam os trabalhadores ter tomado o poder? A leitura dos artigos reunidos no livro que apresentamos, escritos entre 1970 e 1973, permitiria dar uma resposta afirmativa. Pinochet triunfou, mas poderia ter sido diferente. O processo histórico não está fatalmente determinado, como se estivesse seguindo um roteiro. Pelo contrário, depende da combinação das lutas e organizações e direções que se desenvolvem em defesa dos interesses das diferentes classes em luta. As variações nesta complexa combinação produzem resultados completamente diversos. Ver o que faltou ou esteve debilmente desenvolvido é a obrigação que temos os revolucionários de aprender com as experiências vividas - vitoriosas ou derrotadas -, e fazer com que as revoluções triunfem, em um período em que o mundo está cheio delas.

O Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista (PC) dizem que não se poderia derrotar Pinochet

Socialistas e Comunistas foram os principais partidos operários com base operária e popular que integravam ao governo da UP. Eles tem dado uma resposta negativa a essas perguntas.

O PS tem um balanço claro: o governo da UP fracassou porque foi muito rápido. Se tivesse ido mais devagar, não assustando a burguesia, educando-a sobre os benefícios do socialismo como um sistema mais racional, então as coisas poderiam ter sido de outra forma. O argumento é uma justificativa para ocultar a responsabilidade que teve o PS no triunfo do golpe. Toda a reacionária renovação deste partido, que culminou com a "transição" pactuada com a Democracia Cristina e o próprio Pinochet, se justificou sob este verdadeiro mea culpa. E tão fiéis foram ao preceito de não ir tão rápido que no período pós-Pinochet, os governos socialistas de Lagos e Bachelet tem sido os mais pró-imperialista da história do Chile, totalmente à serviço dos lucros dos conglomerados econômicos.

Para o PC em vez disso, não foi possível derrotar o golpe por causa da "traição das Forças Armadas" ao governo de Salvador Allende. Falar de "traição" é imprescindível para sustentar a farsa de que houvera nas instituições armadas uma conduta oposta, ou seja, a lealdade ao governo da UP, as chamadas Forças Armadas "patrióticas". E assim, durante todo o período da Unidade Popular este partido se dedicou sistematicamente a incutir a ideia contrarrevolucionária de que as forças armadas eram patriotas, ou pelo menos neutras, e que elas estariam ali se a direita ou o fascismo atacassem. Não está descartado que em um processo revolucionário conjunturalmente hajam divisões e que até mesmo algum general possa cumprir pontualmente algum papel em favor da revolução. Mas é um erro fatal confundir essa possibilidade excepcional e passageira com a definição marxista das forças armadas burguesas. Como disseram Engels e Lenin, sua razão de existir é a defesa da classe burguesa dominante e seu estado.

Em junho de 1973, o general Carlos Prats cumpriu um papel importante na derrota do "Tanquetazo", a primeira tentativa de golpe de estado. Após ele evitar esta ação golpista, o PC lançou em seu jornal El Siglo "Forças Armadas, puro povo". Assim, o PC reforçou falsas expectativas nas alegadas "Forças Armadas patrióticas" que levaria a Unidade Popular à derrota. O próprio general Prats, que agora encontra-se na imensa lista de vítimas da repressão, reafirmou o seu caráter solidário à ordem burguesa, já que não fez nada quando começaram as ações diretas que prepararam o golpe. Quando foram detidos e torturados os marinheiros de Valparaiso, que denunciaram estas preparações. Confrontado com a iminência do golpe antes preferiu dar um passo ao lado, do que combatê-lo. Na véspera do triunfo de Pinochet o PC acusava de "traidores" aqueles que denunciavam a detenção dos marinheiros e o golpe que estava por vir. E isso foi crucial para o resultado do golpe de Pinochet, como veremos adiante.

O Poder dos trabalhadores

Mas se o tema da política quanto às Forças Armadas foi tão crucial deve-se a que a luta entre a burguesia e o imperialismo, por uma parte, e os trabalhadores e o povo, por outra, se fazia cada vez mais aguda. Por fora do governo da UP começou a surgir um crescente poder operário, nos chamados Cordões Industriais, que se unificavam não por ramos de produção, mas territorialmente. Esta organização alternativa da classe trabalhadora deu um salto e se generalizou diante do bloqueio patronal de outubro de 1972. Em essência foi a resposta exitosa à “greve da burguesia”. Diante do perigo que significava esta bloqueio à UP, as massas deflagraram toda sua energia revolucionária, fazendo por sua própria conta funcionar a sociedade. Na vanguarda desta iniciativa estiveram os trabalhadores dos cordões, que generalizaram sua organização aos centros industriais mais importantes do país. Emergiram como o verdadeiro poder dos trabalhadores, dirigiram as fábricas expropriadas para evitar o boicote econômico e a sabotagem, mantiveram a produção e a distribuição. Em coordenação com as distintas fábricas, compartilharam o transporte, trocaram matérias-primas, combustíveis, etc. Em suma, surgiram como os organismos que centralizavam e dirigiam a luta. Assim foram vistos por moradores e camponeses que recorriam a eles em busca de orientação. Os Corões Industriais demonstraram na prática não só que desempenharam um papel central na derrota do bloqueio patronal, mas também que eram capazes de colocar em funcionamento a produção e sua distribuição sem a tutela patronal. Comprovaram desta maneira que a burguesia não era necessária no processo produtivo e que constituía só uma classe parasitária

Sem dúvida, este poder dos trabalhadores onde estava a chave do triunfo da revolução chilena, foi boicotado e combatido pelo Governo da UP e especialmente pelos ministros comunistas que constituíam sua ala direita. Foi assim como Orlando Millas, ministro de economia, e Mireya Baltra, ministra do trabalho, insistiram para conseguir que as fábricas fossem devolvidas aos seus antigos donos. Por sua parte a CUT, transformada de fato em parte do governo e dirigida pelo comunista Figueroa, quis submeter os cordões industriais a suas diretivas burocráticas. O PS nunca os apoiou como partido, se bem a título individual, heroicos militantes cumpriram trabalhos de direção nos cordões, mas em conflito com as diretivas de seu partido. Da parte do MIR, não se deu importância a este fenômeno por sua concepção popular e não operária da revolução, pela qual apostavam em trabalhar sobre os camponeses e povoados como seu lugar preferencial. Em suma, a maioria das forças de esquerda não colocaram no centro de sua política o apoio aos cordões industriais e seu desenvolvimento.

O Enfrentamento Armado

A burguesia estava cada vez mais alarmada, pois via que as massas haviam derrotado o bloqueio patronal, que surgia um poderoso poder operário nos Cordões Industriais, que expropriava as industriais e as fazia funcionar. O governo da UP, que o imperialismo e a burguesia haviam tolerado para ganhar tempo, conter e desviar as lutas, estava sendo transbordado pelas demandas cada vez mais radicais dos trabalhadores e do povo. Todos estes elementos combinados produziu na burguesia uma mudança radical no ano de 1973: sem renunciar a travar o funcionamento do governo desde a Justiça e especialmente desde o Parlamento, se lançou de cheio à preparação do golpe de estado. Para isso contou com a condução e financiamento do imperialismo norte americano que, através da CIA, de seus diplomatas, as multinacionais e altos funcionários do próprio governo ianque, lhe deu seu pleno apoio. Todos recordarão o famoso “Comitê dos 40”, dirigido pessoalmente por Henry Kissinger, que levou a cabo o plano concreto para assessorar as forças armadas na derrubada de Allende.

Sem dúvida, paralelamente a esta realidade, que se fez cada vez mais evidente, surgiram dentro das próprias forças armadas, desde baixo e espontaneamente, sem que nenhum partido o propusesse, numerosos grupos de suboficiais e soldados que se organizavam e denunciavam aos oficiais golpistas. Foi um crime político que ninguém tomara essas denuncias como ponto de partida para organizar os soldados e os suboficiais contra o golpe com a clássica política leninista de levar a luta de classes ao seio das forças armadas para dividi-las, para quebrar a verticalidade do comando, para destruir a conspiração, e para organizarem-se e unirem-se aos cordões industriais.

Allende, o PC e o PS, fizeram tudo ao contrário. Ante as numerosas denúncias que realizavam suboficiais e soldados sobre os golpistas, Allende as subestimava, o que levou a que a oficialidade se encarregasse dos denunciantes. O PC, como já vimos, seguia proclamando aos quatro ventos que as forças armadas eram “patrióticas” e que defendiam o governo de Allende, enquanto os preparativos do golpe se faziam mais palpáveis. O PS, por sua vez, trazia ao palco o verborrágico esquerdista Carlos Altamirano para dizer que se havia que realizar a ditadura do proletariado, que havia que superar o parlamentarismo burguês, que havia que tomar o poder, etc, no entanto, não dizia concretamente como fazê-lo e terminava apoiando Allende, que seguia na direção oposta. O MIR teve em alguns momentos consignas corretas como “soldado denuncie o oficial golpista”, mas que não tinham consequências organizativas práticas pois as suas se davam em uma orientação conspirativa distante do verdadeiro poder centralizador que surgia nos Cordões Industriais.

Este foi um grande crime político, que impediu o triunfo da revolução chilena, já que as direções majoritárias não se apoiaram nessa divisão horizontal que se dava massiçamente nas Forças Armadas, não a aproveitaram para derrotar os golpistas. A simples orientação de organizar aos soldados quando saíam gratuitamente a apoiá-los e organizá-los em sua luta no interior das forças armadas, teria criado à alta oficialidade dificuldades insuperáveis para levar a cabo seu plano. Se aproveitassem esta oportunidade, tendo a política correta para dividir as forças repressivas e para mobilizar e armar os trabalhadores, o golpe não teria triunfado.

Faltou uma política revolucionária de independência de classe

Então a conclusão é clara: se podia derrotar a Pinochet, e estaria colocada a luta pela tomada do poder e avanço na revolução socialista. O golpe triunfou porque Allende, o PC e o PS durante anos destilaram o veneno da conciliação de classes e a confiança nas forças repressivas burguesas, própria de todos os reformistas, sejam comunistas stalinistas ou socialdemocratas. Eles disseram aos trabalhadores e ao povo chileno que avançariam até o socialismo pactuando com a burguesia progressista que tinha contradições com o imperialismo ou de mãos com as forças armadas patrióticas e neutras. Estes partidos se dedicaram a molhar a pólvora, ao tirar o pavio revolucionário das massas, que demonstraram uma e outra vez, especialmente desde seus Cordões Industriais, a força e a organização necessária para fazer a revolução socialista. Faltou uma política de independência de classe e a busca clara de avançar até a conquista do poder, como fez na experiência vitoriosa de 1917 o partido bolchevique, com Lenin e Trotsky na Revolução Russa.

Recorrendo aos artigos deste livro, o leitor encontrará as caracterizações e propostas políticas que foram desenvolvendo a corrente trotskista que encabeçava Nahuel Moreno, e que se foi expressando em suas publicações de então.

O PRT-A Verdade e o PST, sendo consequentemente internacionalistas, iam seguindo os processos revolucionários de Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile, ao calor da situação revolucionária aberta em todo o mundo desde 1968 com o maio francês. Polemizavam com a maioria das forças de esquerda latino americana, que defendiam a política equivocada defendida pelos partidos comunistas encabeçados por Fidel Castro, de apoiar aos distintos governos burguesas nacionalistas, em lugar de desenvolver a mobilização independente das massas por seu próprio poder.

O “Socialismo do Século XXI” não é uma política revolucionária

Passadas várias décadas, o “Socialismo do Século XXI” de Hugo Chávez ou o “Socialismo Andino” de Evo Morales, assessorados por Fidel Casto, reeditam a fracassada e trágica experiência da Unidade Popular chilena na utópica e reacionária política de que é possível conseguir um progresso para os povos, e, inclusive, o “socialismo”, convivendo com o imperialismo, com uma economia mista capitalista com as multinacionais estrangeiras, e com setores das burguesias “nacionais” ou “progressivas”.

Na Venezuela longe de se avançar ao socialismo, o que fez o presidente Chávez durante mais de uma década de governo, e agora seu assessor Maduro, é manter salários miseráveis, desabastecimento, violar e desvalidar os contratos coletivos, enfraquecer a autonomia das organizações sindicais, criminalizar os protestos, levar as empresas estatais a um verdadeiro desastre, e entregar a indústria petroleira às transnacionais através das empresas mistas. No caso boliviano, as frequentes paralisações, greves e mobilizações por pensões e salários dignos ou dos indígenas do Tipnis pela integridade de seu território, tem demonstrado que Evo Morales, longe de governar para seu povo, o faz para as multinacionais que dominam os grandes negócios de gás e de petróleo. As penúrias que seguem sofrendo esses povos em seu suposto avanço ao “socialismo” demonstram mais uma vez que para conseguir um progresso duradouro, um autêntico bem estar para as maiorias populares e de trabalhadores, não há outro caminho senão romper com a burguesia e o imperialismo, expropriar as grandes empresas exploradoras, e reorganizar o conjunto da economia, para que passe a ser dirigida democraticamente pelos trabalhadores. Os governos do suposto “socialismo do século XXI” não só mantém a exploração capitalista-imperialista, como também, com uma linguagem de esquerda, são o maior obstáculo para que as massas tomem o caminho da revolução e conquistem autênticos governos dos trabalhadores, camponeses e do povo.

O mundo segue mostrando processos revolucionários por todos os lados, incendiados pela contínua crise do sistema capitalista e os ascensos de massas. Em um momento, é América Latina, em outro a queda das ditaduras dos países árabes, ou as greves e mobilizações dos trabalhadores europeus. Depois que foi derrubado pelas mobilizações de massas o aparato ditatorial e burocrático dos partidos comunistas, na ex-URSS e o leste europeu, surgem novas organizações. Se abrem novas oportunidades para avançar nas lutas e para retomar o caminho até a construção de partidos revolucionários que retomem a tradição e a política de um autêntico socialismo, e que vá conquistando os triunfos que permitam a derrota definitiva do capitalismo imperialista em todo o planeta. O socialismo será com democracia e mundial ou não será.

FONTE: La Clase

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Repudiamos a brutal repressão no Egito!! Abaixo o governo civil-militar!!

Declaração da Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI

No Egito se produziu um massacre pelas mãos dos militares e da polícia da nova ditadura instalada em julho. O violento despejo dos dois acampamentos de manifestantes egípcios que apoiavam ao deposto presidente islâmico, Mohamed Mursi deixou mais de 600 mortos e milhares de feridos. Estes são os primeiros cálculos, mas pode ser maior.

Esta é a jornada mais sangrenta que o país vive em sua história. A selvagem repressão ordenada e executada pelo governo civil-militar ocorreu não só na capital, Cairo, mas também em várias cidades do interior.

Desde o golpe de Estado de 3 de julho, os partidários do ex-presidente Mursi, convocados pela Irmandade Muçulmana se mobilizaram massivamente de forma permanente e terminaram instalando vários acampamentos reivindicando a liberdade de Mursi e sua reintegração no governo. O exército reprimiu várias vezes seus protestos e, finalmente, na quarta-feira 14 lançou uma selvagem repressão sobre os acampamentos em várias cidades e em diferentes bairros do Cairo. Especialmente na praça de Rabaa al Adaweya onde ficava um dos acampamentos.

Muitos dos corpos tinham sido baleados na cabeça ou no peito, mostrando claramente a ação de atiradores de elite do Exército. "As balas caem sobre os manifestantes de Rabaa al Adaweya de todas as direções", disse o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Mohammed el Beltagui, quem mais tarde foi detido pela polícia nas imediações da praça. Entre os assassinados pela repressão se encontram um jornalista do Gulf News e um cinegrafista do canal Sky News.

Após o massacre, o governo declarou o estado de emergência por um mês e anunciou um toque de recolher no Cairo e em 10 províncias (Gizé, Alexandria, Beni Sueif, Menya, Assiut, Sohag, Beheira, Sinai do Norte e do Sul e Suez), em uma tentativa de controlar a situação e evitar novas mobilizações.

Os povos do mundo deve repudiar este massacre

Cinicamente o governo de Obama "condenou" a violência, embora nunca tenha repudiado o golpe e siga enviando uma milionária "ajuda" militar de 1550 milhões de dólares para o exército egípcio. Tudo isso para continuar "pagando" seu apoio para a "paz" com Israel, contra o povo palestino. É por isso que logo após o golpe de julho, o governo e o exército egípcio fechou a fronteira com Gaza.

São os povos árabes e do mundo os que devem sair às ruas exigindo que pare este massacre e que se dê um fim a esta nova ditadura instalada no Egito.

São os militares que realmente exercem o poder no Egito, liderados pelo sanguinário e repressor general Abdel Fatah al Sisi, o ex-Ministro da Defesa do Governo Mursi, utilizado em Julho, na genuína rebelião popular contra o governo de Mursi e a Irmandade Muçulmana, com milhões mobilizados na emblemática Praça Tahrir, para tomar o poder com um golpe de Estado.

Em julho, equivocadamente o povo e os jovens mobilizados, saudaram a intervenção militar e a ocorrência de um golpe. Inclusive, os militares e seu novo governo receberam o apoio de setores da esquerda egípcia, que impulsionam a Frente de Salvação Nacional, entre eles a organização juvenil Tamarud, que impulsionou a revolta contra Mursi, e a Federação Sindical Independente, que colocou o Ministro do Trabalho. Somente o movimento juvenil 6 de abril tomou distância do governo militar.

Rejeitamos a política de colaboração de classes de um setor das forças de esquerda que hoje participa da Frente de Salvação Nacional, junto aos fulul (setores remanescentes do antigo regime) e as forças liberais. O apoio de uma maioria da esquerda ao golpe militar - que o legitima perante as massas - terá um preço muito alto. Somente o povo, seus trabalhadores, as mulheres e a juventude revolucionária mobilizados e no poder podem alcançar as mudanças fundamentais que têm sido levantadas desde a revolução iniciada em 2011.

Os socialistas revolucionários dissemos naquele momento que era um grave erro aprovar o golpe e abrir uma confiança nos militares e em seu novo governo integrado por forças políticas e lideranças políticas patronais e pró-imperialistas que se opunham à Irmandade Muçulmana. Como o Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que agora renunciou, depois de ter apoiado repressões anteriores. O verdadeiro poder são os militares que vem reprimindo e prendendo milhares de partidários da Irmandade Muçulmana. Se trata de uma nova ditadura que massacra o povo e que ameaça as conquistas democráticas da revolução árabe.

Basta de repressão! Abaixo a nova ditadura! Liberdade para os presos políticos!

Rejeitamos a repressão contra a Irmandade Muçulmana. Os setores populares que hoje são massacrados são imprescindíveis para aprofundar a revolução. Eles devem romper com a direção islâmica neoliberal, mas isso só é possível se a esquerda assumir uma política de independência de classe. Além disso, os ataques dos militares contra partidários de Mursi, só preparam a repressão contra as forças da esquerda amanhã.

Em primeiro lugar, devem ser os trabalhadores, a juventude e o povo do Egito que tomem as ruas para acabar com estes massacres e exigindo o fim da ditadura. Os mesmos que se mobilizaram contra Mursi devem fazê-lo agora. Começando pelo movimento Tamarud e a Federação Sindical Independente, que devem romper já com os militares e ir às ruas para exigir o fim da repressão à Irmandade Muçulmana e a libertação de todos os seus dirigentes e militantes presos.

Nós, socialistas revolucionários, apoiamos a mobilização popular contra o governo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, porque Mursi junto com os militares seguiu reprimindo o povo e governando para os de acima. Nós não demos nenhum apoio político para a Irmandade Muçulmana porque se trata de uma força social e política patronal, ligada a grandes sectores empresariais egípcios. Mursi foi cavando sua própria cova porque não quis romper com o antigo regime, mas sim uma transição pactuada para conter a revolução. Para este objetivo encontrou o apoio do Exército e dos Estados Unidos.

Mas nunca apoiaremos a um governo militar e sua repressão. E menos ainda que sejam eles os que julguem a Mursi e aos líderes da Irmandade Muçulmana. Será o povo e as suas organizações que o farão. Este tem sido um grande erro de setores da juventude e da esquerda egípcia. Não há nem militares nem golpes progressivos. Apenas os trabalhadores, a juventude revolucionária e o povo no poder trarão a mudança fundamental que impulsionou a revolução árabe. Por isso exigimos que pare toda a repressão, que se retire o estado de emergência, se liberte o ex-presidente Mursi e a todos os dirigentes e militantes da Irmandade Muçulmana, que saiam todos os militares e se constitua um governo das organizações sindicais, juvenis e populares que derrubaram Mubarak em 2011 e imponha-se um plano econômico operário e popular de emergência.

Em uma dinâmica de revolução permanente, as massas avançam na experiência da mobilização e estão derrotando obstáculos, como o islamismo político, que aparecia como a principal força política com capacidade para desviar a revolução de seus objetivos. Mas as necessidades das massas e suas reivindicações democráticas e sociais não têm saída sem um projeto que avance em direção ao socialismo e rompa com qualquer resto do antigo regime. A derrubada de Mursi comprova que este processo não pode se dar por etapas, consolidando primeiro uma democracia parlamentar burguesa e, em seguida, avançando em medidas sociais, porque toda política que não progrida em direção a ruptura com o capitalismo, dará às forças reacionárias uma chance de se reagrupar. E porque, se a democracia não significa pão e trabalho, que sentido terá para os milhões de que saíram à ruas em 30 de junho? O dilema não é islamismo ou ditadura, mas sim ditadura ou revolução.

Desde o Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI chamamos aos trabalhadores e os povos do mundo e todas as organizações que se declaram democráticas e de esquerda a pronunciar-se contra esta repressão criminosa e pelo fim desta nova ditadura militar.

- Repudiamos o massacre perpetrado por militares no Egito!
- Basta de repressão! Fora o estado de Emergência!
- Liberdade a Mursi e a todos os presos políticos da Irmandade Muçulmana!
- Fora o governo civil-militar!
- Por um governo das organizações sindicais, juvenis e populares que derrubaram Mubarak!

Comitê de Coordenação UIT-CI/CEI

Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI) / Comitê de Enlace Internacional (Frente Operária da Turquia - Luta Internacionalista do Estado Espanhol)

FONTE:  UIT-CI

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Egito: Basta de repressão! Nenhum apoio aos militares!

Por Miguel Lamas (El Socialista - Izquierda Socialista, Argentina)

Egito após a queda de Mursi

Nesta última segunda-feira o Exército massacrou uma manifestação de civis desarmados, da Irmandade Muçulmana, assassinando a 51 pessoas e deixando a 451 feridos à bala de guerra, no Cairo. O terrível incidente ocorreu poucos dias depois da queda do presidente Mohamed Mursi causada por manifestações de milhões de pessoas que exigiam sua saída.

Os militares deram um golpe, em 3 de julho, fingindo estar ao lado do povo, jogando flores desde as aeronaves para a multidão e dizendo que era para "democratizar". Os militares já não podiam mais sustentar Mursi e corriam o risco de que destruíssem as próprias Forças Armadas, cujos soldados confraternizavam com os manifestantes.

A Irmandade Muçulmana é o movimento que constituiu a base do governo Mursi, e agora manifestavam-se para que o libertassem (está preso) e o reconduzissem ao poder. A brutal repressão militar se descarrega sobre eles, apesar de que até duas semanas atrás os militares apoiavam o governo de Mursi. Eles não se atreveram a reprimir milhões de pessoas mobilizadas contra Mursi. Em vez disso, reprimiram selvagemente a mobilização pacífica da Irmandade Muçulmana. Essa repressão pode se voltar amanhã contra a esquerda, os sindicatos ou aos jovens que se mobilizaram contra Mursi. Por isso é necessário repudiá-la como um ato aberrante que deve ser punido e que mostra que os militares e seu novo governo, liderado por Adli Mansur, um juiz que presidiu o Suprema Corte de Justiça, não são uma alternativa para o povo como eles dizem.

A rebelião contra Mursi, o golpe e o novo governo

Mursi venceu as eleições em junho de 2012 e rapidamente decepcionou as expectativas populares. Em janeiro de 2011, o povo egípcio se revoltou contra a ditadura de Mubarak exigindo liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e pôr um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Mas Mursi, pactuando com as Forças Armadas, seguiu com uma política neoliberal governando com as multinacionais, grandes empresários e banqueiros e pactuando com Obama, aplicando as prescrições do FMI sobre a flexibilização trabalhista. Ainda atribuiu a si próprio superpoderes, enquanto o país se afundava em uma grave crise sócio econômica, mantendo-se o massivo desemprego entre os jovens.

Como resultado, as massas se levantaram contra Mursi e ocuparam durante dias a Praça Tahrir, clamando por uma "segunda revolução". A queda de Mursi foi provocada por essa mobilização revolucionária do povo e não pelos militares. Equivocadamente milhares comemoraram o papel dos militares.

Na semana passada, a Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-CI), em uma declaração apoiando ao movimento popular pela derrubada de Mursi, advertiu: "Nós rechaçamos ao golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"! O golpe militar é um rearranjo das Forças Armadas, diante do medo da revolução e das massas. Assim querem evitar que siga se desenvolvendo a revolução e que percam o controle. (...) Seu principal objetivo não é atender às demandas das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde protejam seus interesses econômicos em aliança com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador segue afundando na pobreza e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias têm acordos com os EUA, dos quais recebem milionárias somas de dinheiro para seu armamento..."

A mobilização popular que derrubou a Mursi, foi liderada pelo movimento Tamaroud (Rebela-te), com grande peso da juventude, que afirma ter reunido cerca de 22 milhões de assinaturas por um abaixo-assinado exigindo a renúncia de Mursi.

Tamaroud faz parte da Frente de Salvação Nacional, composta por forças e figuras políticas burguesas como Mohamed Al Baradei, figura apoiada pelo imperialismo, ex-chefe da agência de controle nuclear da ONU. Esta frente apoiou abertamente ao golpe militar. A frente designou ElBaradei para estar no governo "de transição" junto com o partido ultra islâmico Al Noura.

Em poucos dias os militares, com a repressão, começam a desmascarar-se. Abrindo também uma crise política já que o partido Al Noura rompeu com o governo pela repressão da segunda-feira, 8. No fim das contas, seguia aberta a crise, a repressão e a instabilidade política.

É necessária uma alternativa revolucionária

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção revolucionária. Nem a Irmandade Mulçumana, nem os militares, nem os seus atuais aliados "liberais" liderados por Baradei podem oferecer uma saída a favor do povo, dos trabalhadores e dos jovens, porque todos servem ao imperialismo, às multinacionais e aos grandes empresários. E podem colocar o Egito à beira de uma guerra civil. Diante da crise é necessária uma alternativa revolucionária independente de todos os setores patronais. Uma alternativa dos movimentos juvenis, os comitês populares que começaram a se formar na mobilização, os novos sindicatos de trabalhadores, que devem repudiar a repressão e deixar de apoiar ao governo "civil-militar" para planejar a construção de um poder operário e popular.

O governo civil-militar reprime e pretende reformar a Constituição com um grupo de "notáveis", amigos das Forças Armadas. É necessário mobilizar-se para repudiar as ações militares repressivas, a comissão de "notáveis" e exigir a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com plenos poderes para decidir como será a economia, a educação e a organização política do país.

Nesse sentido, devemos continuar impulsionando a mobilização de massas por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, pela expropriação das empresas multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, pela nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos e pela vigência do pleno exercício das liberdades democráticas e contra todas as formas de repressão; julgamento e punição aos autores dos massacres populares.

Fonte: UIT-CI

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O que sou nunca escondi (2009) - Um filme sobre Geraldo Vandré


Dirigido por Alexandre Napoli, Helena Wolfenson e William Biagioli.
Projeto experimental em Videojornalismo - PUC-SP.
Orientação de Renato Levi.
56 minutos / São Paulo- SP / 2009

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Chile: Em defesa do Povo Mapuche e contra a ofensiva do Governo Piñera

Fonte: Unidad Internacional de los Trabajadores - UIT-CI

Em defesa do Povo Mapuche e contra a ofensiva do Governo Piñera, declaramos:

Piñera chora publicamente a morte de um empresário agrícola, acusando publicamente ao Povo Mapuche como culpado deste delito e anunciando a aplicação da Lei Antiterrorista e Estado de Exceção (ditadura militar em Araucanía) contra todo este povo irmão. Esta campanha que fala de "encapuzados" e "terroristas" para ligar imediatamente estes conceitos aos mapuche, sem provas concretas e em uma ridícula generalização, tem aliás o objetivo de transformar aos empresários da zona em vítimas destes supostos "terroristas".

Esta campanha tem um objetivo político e econômico a serviço dos empresários. Por isso quando em 2008 (Governo de Bachelet) um carabineiro - como chamam a força policial - matou pelas costas o jovem Matías Catrileo, defendendo um prédio dos Luchsinger, nenhum político da Concertação ou da Direita nem os empresários falaram de terrorismo e justiça. De fato, o carabineiro que matou a Matías saiu em liberdade e segue cumprindo funções na instituição, depois de ser declarado culpado de assassinato e de haver mentido reiteradamente em juízo, deixando em evidência que a justiça só funciona para os ricos.

O Governo esquece as milhares de denúncias por assassinato, torturas e investidas contra o Povo Mapuche pelas quais é investigado o Estado chileno em organismos internacionais. Esquece que durante os últimos 130 anos os governos chilenos tem usurpado o território mapuche para beneficiar a empresários agrícolas, condenando à miséria, à opressão e à exploração milhares de irmãos mapuches. Esquece de dizer que a única resposta que os governos chilenos tem dado ao "Conflito Mapuche" é militarizar a zona para seguir beneficiando aos grandes grupos econômicos.

As frequentes queimas de casas e ataques aos caminhões das empresas florestais, que tem roubado historicamente as terras do Povo Mapuche através dos distintos governos capitalistas, são a resposta indignada a esta injustiça que se prolonga no tempo. Por isso não nos enganemos: aqui há um agressor que é o Estado chileno e um agredido que é o Povo Mapuche. Por defender aos usurpadores de suas terras, o Governo de Piñera, como os anteriores a Concertação e a Ditadura, tem transformado a Araucanía em um inferno repressivo que provoca ações desesperadas que levaram a morte do casal Luchsinger.

Lamentavelmente estas ações extremas por parte de grupos que reivindicam a causa mapuche só justificam o cerco repressivo do Governo em Araucania. Por isso nós não compartilhamos destas ações, posto que não ajudam a unificar a luta do povo mapuche com a luta dos trabalhadores e do povo chileno contra o Governo e os empresários.

Enquanto o Estado chileno não devolver as terras ao Povo Mapuche e este não conquiste sua independência política e organizativa não haverá paz em Araucanía. Nesta luta apoiamos o povo mapuche incondicionalmente, e acreditamos que o único caminho de luta é a unidade com o conjunto dos trabalhadores e do povo.

Por isso declaramos:

- Fora Carabineros e a polícia de Araucanía!

- Liberdade a todos os mapuches presos!

- Abaixo a lei antiterrorista!

- Devolução das terras ancestrais!

- Pela autodeterminação do povo mapuche!


Comunicado do MST Solidariedade - 09/01/2013
Movimento Socialista de los Trabajadores de Chile (UIT-CI)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Argentina: Marcha a la embajada de Siria en apoyo al heroico pueblo sirio - 7/6/2012 (subtitulos en árabe)



07/06/2012 | Argentina | Buenos Aires | Marcha a la embajada de Siria en apoyo al heroico pueblo sirio:

Varias organizaciones estudiantiles y de izquierda se movilizaron el jueves 7, para repudiar las masacres de la dictadura siria de Bashar El Assad, como parte de las jornadas internacionales contra la dictadura y en solidaridad con la lucha del pueblo sirio.
La movilización fue convocada por el Comité de apoyo al pueblo sirio, de Filosofía y Letras. Participaron de la marcha, los centros de estudiantes Ciencias Sociales y Filosofía y Letras (CEFYL), Izquierda Socialista, Convergencia Socialista, Democracia Obrera, Opinión Socialista, Comuna Socialista, Torre, TPR, entre otras.
Al final se hizo un acto frente a la embajada, acordonada por fuerzas policiales. Hubo varios oradores, entre ellos José Castillo, dirigente de Izquierda Socialista, que repudió las masacres de la dictadura siria y rechazó cualquier forma de intervención imperialista, ratificando que solo la resistencia popular siria y la movilización mundial podrán derribar a la dictadura genocida. Castillo también reclamó que el gobierno de Cristina Kichner rompa relaciones con la dictadura.

Video Original
http://vimeo.com/43981910

http://goo.gl/XBliW
http://on.fb.me/KoDJq7

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Catastroika", 2012.



Num momento em que as políticas de austeridade se comprovam como catastróficas, vale a pena ver Catastroika, filme dos mesmos autores de Dividocracia, agora no Youtube com legendas em português. O filme de Aris Chatzistefanou e Katerina Kitidi explica as motivações por trás das privatizações e as consequências brutais desta austeridade selvagem que, com a desculpa da dívida, traz apenas uma resposta - a subjugação e a miséria.

Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.

De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.

As consequências mais devastadores registram-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de "resgate". Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.

Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.

www.catastroika.com/

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Geraldo Vandré, "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores" (Caminhando)



Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

sábado, 31 de março de 2012

Documentário: O Dia Que Durou 21 Anos (TV Brasil)

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

O mundo vivia a Guerra Fria quando os Estados Unidos começaram a arquitetar o golpe para derrubar o governo de João Goulart. As primeiras ações surgem em 1962, pelo então presidente John Kennedy. Os fatos vão se descortinando, através de relatos de políticos, militares, historiadores, diplomatas e estudiosos dos dois países. Depois do assassinato de Kennedy, em novembro de 1963, o texano Lyndon Johnson assume o governo e mantém a estratégia de remover Jango, apelido de Goulart. O temor de que o país se alinharia ao comunismo e influenciaria outros países da América Latina, contrariando assim os interesses dos Estados Unidos, reforçaram os movimentos pró-golpe.

Fonte do texto: http://www.tvbrasil.org.br/novidades/?p=17740

Primeiro Episódio:
As ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas neste primeiro capítulo. O discurso do presidente João Goulart pregando reformas sociais torna-se uma ameaça e é interpretado pelos militares como uma provocação. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

Segundo Episódio:
Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o ex-presidente americano chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson.

Imagens focam no discurso de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”.

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

Terceiro Episódio:


O cargo de presidente é declarado vago pelo presidente do Senado, Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado. No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse. Castelo tinha relações amistosas com Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

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sábado, 17 de março de 2012

Jogo do Poder RJ com Jair Bolsonaro e Chico Alencar, em 10.04.11.

Entrevista com os deputados federais Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), realizada em 10/04/11, no Jogo do Poder, programa apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno na Rede CNT, aos domingos, às 23h, no Rio [canais 9 (TV aberta), 24 (Net Rio, regional) e 115 (Sky, nacional)].