Não sei de onde vem esse desejo louco de querer condensar todos os caracteres do mundo, todas as pessoas, químicas, formas, coisas vivas ou não, fenômenos naturais, cada concepção...
Os raios elétricos que percorrem o céu nebuloso, os impulsos que energizam o corpo, cada gengiva, língua, vulva, lascívia, os movimentos articulados do complexo formigueiro que percorre a Terra, essa gigante esfera que vagueia no breu, a fumaça, o veneno, a ciência, o tempo... Cachoeiras de lamentos....
O programa de TV, o sangue inocente, o Amor, o desalmado, a História, um deus imaginário de misericórdia equivocada, a grande invenção, frasco de remédio, cápsula de revolver, violino onde guilhotino a dor da humanidade, o aplauso, o estalo, o chicote, os Estados... Pra onde tudo vai?
Acervos bibliográficos, o seu melhor amigo, um edifício quase infinito, um desconhecido assassinado, pássaro comido por um gato, o esgoto por onde perambula um rato, o concreto, o metal, o dinheiro, a religião, o ganha-pão, alguma superstar, alguma supermodelo, aquele mendigo fedido que morreu doente na esquina, o soldado e o morteiro...
Nomes, nomes repetidos,
nomes ilustres, os nomes idos...
Tudo o que já foi dito.
Desejo louco de misturar cada elemento invisível, cada ponto infinito, pressioná-los uns contra os outros e comprimir toda essa lógica do caos, toda essa certeza de dúvida, até ter o sumo, a síntese. Até ter: Num só, num todo, num compacto, autosuficiente, minúsculo e absoluto... ter o porquê.
Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Caminhada.
Passo ante passo. Sem afobamentos ou precipitados saltos.
Pequenas distâncias percorridas em pequenos momentos.
No caminho que num momento corremos e n'outro caminhamos, ofegantes e doloridos das andanças, o objetivo é seguir seguindo, superando-se, em nome do aperfeiçoamento. Por vezes, aperfeiçoamento vaidoso, por vezes, aperfeiçoamento urgentemente necessário para um mínimo de amor-próprio e de amor-alheio. Mão estendida, corpo pindurado, pingo de suor, em meio ao cheiro de orvalho. Brando som d'um prazer rememoriado, eco do amigo distanciado.
E hoje o sol amanheceu à três. Água aquecida, leite e café diluído, manteiga e ovos em pães. Conversa simpática, conversa risonha. E uma leve picada de um bichinho chamado vergonha. Incômodo que a gente sara passando sobre o local picado uma pomada de maturidade e lição. Indispensável pra nossa evolução.
Eis minha grande vontade,
Pequena palavra
Pela gagueira prolongada.
Pequenas distâncias percorridas em pequenos momentos.
No caminho que num momento corremos e n'outro caminhamos, ofegantes e doloridos das andanças, o objetivo é seguir seguindo, superando-se, em nome do aperfeiçoamento. Por vezes, aperfeiçoamento vaidoso, por vezes, aperfeiçoamento urgentemente necessário para um mínimo de amor-próprio e de amor-alheio. Mão estendida, corpo pindurado, pingo de suor, em meio ao cheiro de orvalho. Brando som d'um prazer rememoriado, eco do amigo distanciado.
E hoje o sol amanheceu à três. Água aquecida, leite e café diluído, manteiga e ovos em pães. Conversa simpática, conversa risonha. E uma leve picada de um bichinho chamado vergonha. Incômodo que a gente sara passando sobre o local picado uma pomada de maturidade e lição. Indispensável pra nossa evolução.
Eis minha grande vontade,
Pequena palavra
Pela gagueira prolongada.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Reconstrução da Reconstrução.
O instante é absoluto, o infinito nele cabe.
Constante transformação, contínua fase de transição...
.
Constante transformação, contínua fase de transição...
.
Ansiedade.
Hoje vou-me pôr à prova.
Sendo o resultado bom, a felicidade vai me recompor de tudo de entristecedor que me aconteceu ultimamente, pois "Quem escapa a um perigo ama a vida com outra intensidade" como sabiamente observou Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de 1880. Por outro lado, sendo o resultado ruim...
Ah, só a pura "Anomia" Durkheimiana pra mim.
D'O Suicídio, de 1897.
Sendo o resultado bom, a felicidade vai me recompor de tudo de entristecedor que me aconteceu ultimamente, pois "Quem escapa a um perigo ama a vida com outra intensidade" como sabiamente observou Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de 1880. Por outro lado, sendo o resultado ruim...
Ah, só a pura "Anomia" Durkheimiana pra mim.
D'O Suicídio, de 1897.
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