Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O acordo Irã-Estados Unidos: se fecha o cerco contra a Revolução Síria

Por Layla Nassar, Josep Lluis del Alcazar

Na publicação "Lucha Internacionalista", do Estado Espanhol. Em 10/12/13.


No dia 24 de novembro Estados Unidos e Irã firmaram em Genebra um tratado provisório segundo o qual Teerã congelará durante sei meses seu programa nuclear em troca de um abrandamento das sanções. Nesse período se poderá negociar um acordo definitivo. O pacto tem o aval da alta representante da política exterior europeia, Catherine Ashton, e dos ministros de exteriores da Rússia, França, Alemanha, Reino Unido e China.

Israel, lança altos brados. Como sempre, fomenta o discurso do medo, ainda mais quando a luta dos povos da região abala seu quadro de estabilidade. Mas por trás de toda a conversa, Obama está fazendo seu trabalho: sem armas nucleares no Irã (e sem armas químicas na Síria) nada poderá ofuscar o maior exército do mundo. Mas no fundo fica uma pergunta que não tem nenhuma resposta justificável: Por que Israel pode ter armamento nuclear fora de todo o controle internacional (...) e o Irã tem que ceder senão quer ser afogado por sanções? Todo o aparato imperialista está trabalhando para conseguir que Israel - um dos quatro países do mundo que não ratificou o tratado de não proliferação nuclear - continue sendo a única potência nuclear no Oriente Médio, uma zona estratégica do planeta.

Por que Irã aceita as condições do imperialismo? A resposta chave é interna. As mobilizações e o mal estar entre a população, derivadas do impacto econômico da crise capitalista, agravado pelas sanções e a falta de liberdades (depois do esmagamento da revolta de 2008), tudo isto, poderia fazer chegar ao Irã a onda revolucionária que sacode, todavia, o Norte da África e o Oriente Médio.

O desemprego, que agora chega a 11,2% (3,5 milhões) ameaça disparar.

A taxa anual de inflação é de 39%. O rial, a moeda local, perdeu 75% de seu valor em dezoito meses. As exportações de petróleo passaram de 2,5 milhões de barrís diários em 2011 (por valor de 95.000 milhões de dólares) para menos de um milhão (69.000 em 2012). O valor de 2013 será ainda menor. Com o acordo se aliviam as sanções contra Teerã e a possibilidade de começar a exportar bruto.

Mas a colaboração entre o regime dos aiatolás e o imperialismo na região leva anos. De fato, Irã tem sido determinante para manter o governo da ocupação americana no Iraque de Nuri Al Maliki, que viveu o exílio entre Damasco e Teerã. No último 1º de novembro o primeiro ministro iraquiano visitava Washington com o tema das relações com Irã na agenda e se oferecia a facilitar a reta final das negociações.

O acordo sela a unidade contra a Revolução Síria


Os primeiros a felicitarem-se pelo acordo foram o ditador sírio Bashar Al-Assad e os islâmicos do Hezbollah, a milícia libanesa aliada de Teerã que combate na Síria junto ao regime. Também desde o Iraque, Maliki o saudou como um "grande passo para a segurança e estabilidade" na região. A negociação do acordo se cruzou com a ameaça de ataque imperialista na Síria. O teatro dos enfrentamentos entre os interesses do Irã e os do imperialismo quanto ao regime sírio desaparece e se evidencia o acordo de fundo entre o imperialismo e os Aiatolás: afogar a luta da juventude e dos trabalhadores.

Se fecha o cerco e o imperialismo pactua com os principais aliados do regime sírio: primeiro com Rússia a entrega do arsenal químico sírio para evitar um ataque direto; e agora com Irã que renuncie a disputar com Israel a hegemonia militar na região. Parece que as discrepâncias se acabam e se certifica a frente de "todos" contra o povo da Síria. Al-Assad pode estar tranquilo: ninguém de fora irá se interpor em seu caminho. Tampouco é casual que a outra contraofensiva da contrarrevolução, o golpe de estado do Egito que conta com o apoio dos norteamericanos e de Israel, também contara com o apoio do regime de Bashar Al Assad.

Com o acordo entre os Estados Unidos e Irã, o regime de Al Assad tem carta branca para interromper a Revolução, agora ainda mais isolada. Nos dias em que se firmavam os acordos, o regime lançava uma nova ofensiva na região de Qalamun contra as posições rebeldes com o apoio de Hezbollah e das milícias xiitas iraquianas.

Faz falta a solidariedade internacional com a luta do povo sírio

A Revolução Síria se enfrenta com um governo ao qual não falta armamento, que chega da base russa e do Irã, enquanto se aplica o embargo dos Estados Unidos e da União Europeia contra as forças revolucionárias. A entrada de armamento procedente de Qatar e Arábia Saudita, e consentida pela Turquia a conta-gotas, tem sido dirigida a setores islâmicos (Al Nusra e o Exército Islâmico do Iraque e Síria), que lutam por objetivos totalmente alheios ao da Revolução e tem imposto um conflito sectário que trouxe confrontos com os comitês locais, o exército livre e os curdos.

Mas, apesar desse brutal isolamento, a resistência do povo sírio contra o regime não pára. Possivelmente porque os 150.000 mortos e as dezenas de milhares de detidos, desaparecidos e torturados são muitas razões para continuar a luta. Mas a esquerda internacional, a que deveria se colocar ao lado deste povo contra o tirano, o imperialismo e o bloqueio das grandes potencias que querem estabilidade a qualquer preço, abandonou este povo.

Aqueles que se identificam com o chavismo o fazem abertamente, apoiando o regime assassino. Os PCs assinando teorias conspiratórias, negam mesmo a existência da revolução. E outro setor diz: "que não se molha" porque tudo é "muito complicado", que exige uma revolução "pura" para terminar impondo ao povo sírio uma série de condições que não se aplica à esquerda em sua prática cotidiana. E com esta política de uns e outros, a esquerda síria está cada dia mais isolada, sem armamento e sem apoio político nem material, enquanto o islamismo vai se impondo sobre o terreno, com a força que chega de fora. Basta de silêncio cúmplice, faz falta de uma vez por todas colocar em marcha a solidariedade internacional com o povo da Síria.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Venezuela: O governo e MUD fazem pacto de governabilidade contra os professores

Professores nacionais vão à greve por tempo indeterminado
Entrevista com Dario Gomez, diretor de Sinafum Lara. Por: Laclase.info

Como já é conhecido pela opinião pública, no marco da discussão da VII Covenção Coletiva os professores protestam por um aumento de 140%, muito distante da proposta original da executiva nacional do sindicato que pedia cerca de 60%, e do aumento aprovado pelo governo, que é de 75 % mas dividido em 4 partes e durante dois anos (2013-2014).

No calor da combativa assembleia dos professores, realizada na manhã de hoje no Liceu Gualdrón de Barquisimeto, conversamos com Dario Gomez, que é diretor do Sinafum Lara, uma das seções de vanguarda da disputa, o que levou a seus diretores a enfrentarem a Sinafum nacional, encabeçada por Orlando Pérez.

Quais são as razões para o conflito?

A razão fundamental é a corrosão dos salários dos professores, e o fato de que a proposta da Sinafum nas mesas de negociação de contrato foi de apenas um aumento de 60%, algo que a maioria dos professores não concordam. A verdade é que agora um professor hoje mal ganha Bs. 2.400. Neste país com uma inflação tão alta, que ninguém pode viver nesse salário. O descontentamento dos professores começou com o fato de que as mesas de negociação do acordo coletivo foram estabelecidas em agosto, quando deviam ter sido instalados em maio. A partir daí, começou a agitação entre os professores em todo o país.

Quem sentou-se à mesa de negociação do contrato?

Nesse momento há 9 federações discutindo com o governo o acordo coletivo. Entre elas, Fenaprodo e a Federação dos Professores da Venezuela, ambas dirigidas por setores ligados ao MUD, e Sinafum, sindicato liderado pelo chavismo, liderada por Orlando Pérez, que certamente, não teve eleições, mas que o governo colocou irregularmente na discussão do acordo coletivo.

O fato é que todas essas organizações sindicais, tanto da oposição como do governo, fizeram um pacto de governabilidade para ignorar e chicotear aos trabalhadores. Esta é a mesma situação que ficou evidente em Helados Efe, onde o governo, através do Ministério do Trabalho e o patrão se puseram de acordo em ignorar os direitos dos trabalhadores, ou o caso de Aceites Diana.

E qual é a posição atual da seção Lara da Sinafum?

Estamos aqui ao lado dos professores e seus direitos. Que são contra o aumento pífio aprovado pelo governo em conchavo com a direção nacional do Sinafum que pactuou com as federações ligadas ao MUD. Estamos propondo que o aumento salarial deve ser de 140%, 60% em 2013 e 70% em 2014, dividido em duas partes, 35% em janeiro e 35% em agosto.

Qual é a atitude de vocês frente a Sinafum nacional?

Nós os identificamos como pelegos e inimigos dos trabalhadores.

O que decidiu a assembléia de hoje?

Os professores em sua maioria decidiram partir para uma greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, e a realizar mobilizações e assembléias permanentes.

Qual é a atitude das outras seções da Sinafum?

A maioria está ajoelhada ao patrão e a burocracia do Sinafum nacional, liderada por Orlando Perez.

Mas há chances dos professores a partir da base continuem a luta pela greve nacional?

Sem dúvida que sim, por isso vamos realizar reuniões com os professores de Barinas, que desde ontem iniciaram uma greve de 48 horas, por fora do sindicato. Tal como acontece com os professores Portuguesa, Yaracuy, Sucre e outros estados.

Qual é o chamado aos professores de todo o país?

Fazemos um chamado para que os professores se mobilizem e se organizem a partir da base, em comitês de mobilização ou plataformas de luta, para organizar a greve nacional que já em Lara começa na segunda-feira.

Qual é a sua opinião sobre a posição do C-cura para convocar uma reunião de sindicatos, a Unete, Fadess e outros setores em luta, como os trabalhadores da Sidor, Gas Comunal e outras empresas, para coordenar ações conjuntas de mobilização?

Estamos de acordo com esta iniciativa. Sem dúvida que estamos de acordo com a unidade das lutas no país. Como dizia Fabricio Ojeda: "A única maneira de conquistar o salário e as reivindicações é na rua, com a mobilização e a luta dos trabalhadores."