O que seria da vida se não houvesse a certeza da morte?
A morte é um evento intrigante.
Sempre se inventam hipóteses do "além vida". Mas, de fato, ninguém faz ideia "do que vem depois". E grandes mentirosos são os que dizem saber. E que descriteriosos são os que, na ânsia por alguma resposta, aceitam promessas sem garantias, só para sanar o vazio de perspectivas. Ou que, com medo das possibilidades de "penalidade eternas" dantescas, aderem à cartilhas de "salvação", sem pensar na possibilidade de estarem errados, fazendo o jogo de um deus que nem exista...
A condição de estar vivo, não precisamos comentar. Perambulamos por aí pela face da terra com nossas ideias e propósitos, etc, buscando fazê-lo "da melhor forma possível". Uns, inclusive, lutando para construir um mundo melhor e outros fazendo, através da inércia ou da ação, o tremendo desfavor de mantê-lo justamente do jeito que ele vai: cada vez pior.
Se for para escolher o que mais conforta... eu prefiro a versão mais poético-materialista que diz: quando morremos, nos redistribuímos pela existência material, nos dissolvemos no mundo, na terra, no ar, nos sais, e servimos aos que permanecem, enquanto alimento de organismos micros e macros, no solo, na grama. Energia reaproveitada pelo ciclo natural da vida, em outra forma. "Fenecemos", mas continuamos fisicamente através de nossa transformação. Só restando o eco do que fomos, "quando gente", reverberando nas memórias dos que nos conheceram, nos corações dos que nos amaram, nas fotografias, lembranças, no que dissemos e ensinamos, no que compartilhamos e/ou no sangue dos filhos que deixamos, na nossa participação na História, nossas obras. Insignificante ou significantemente. Ordinária ou extraordinariamente, o que restará será o que fomos quando vivos e o que fizemos.
Se a nossa consciência se vai, fica, se transforma também, aí não há como saber. Mas, veja bem, o que eramos antes de nascermos, afinal? Você sabe explicar? De repente, voltemos a ser justamente isso... alguma inclassificável parte de um todo existencial maior do que nós e nosso tempo, anterior e posterior, que seguirá seguindo. Indiferentemente, sem nós.
Mas enquanto isso, vivamos e saibamos utilizar o "tempo" que temos.
Deixo aqui um vídeo, de um grosseiro e simpático velho ateu, nosso ''finado'' George Carlin.

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