Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mais uma visão sobre a morte




O que seria da vida se não houvesse a certeza da morte?
A morte é um evento intrigante.


Sempre se inventam hipóteses do "além vida". Mas, de fato, ninguém faz ideia "do que vem depois". E grandes mentirosos são os que dizem saber. E que descriteriosos são os que, na ânsia por alguma resposta, aceitam promessas sem garantias, só para sanar o vazio de perspectivas. Ou que, com medo das possibilidades de "penalidade eternas" dantescas, aderem à cartilhas de "salvação", sem pensar na possibilidade de estarem errados, fazendo o jogo de um deus que nem exista...

A condição de estar vivo, não precisamos comentar. Perambulamos por aí pela face da terra com nossas ideias e propósitos, etc, buscando fazê-lo "da melhor forma possível". Uns, inclusive, lutando para construir um mundo melhor e outros fazendo, através da inércia ou da ação, o tremendo desfavor de mantê-lo justamente do jeito que ele vai: cada vez pior.

Se for para escolher o que mais conforta... eu prefiro a versão mais poético-materialista que diz: quando morremos, nos redistribuímos pela existência material, nos dissolvemos no mundo, na terra, no ar, nos sais, e servimos aos que permanecem, enquanto alimento de organismos micros e macros, no solo, na grama. Energia reaproveitada pelo ciclo natural da vida, em outra forma. "Fenecemos", mas continuamos fisicamente através de nossa transformação. Só restando o eco do que fomos, "quando gente", reverberando nas memórias dos que nos conheceram, nos corações dos que nos amaram, nas fotografias, lembranças, no que dissemos e ensinamos, no que compartilhamos e/ou no sangue dos filhos que deixamos, na nossa participação na História, nossas obras. Insignificante ou significantemente. Ordinária ou extraordinariamente, o que restará será o que fomos quando vivos e o que fizemos.

Se a nossa consciência se vai, fica, se transforma também, aí não há como saber. Mas, veja bem, o que eramos antes de nascermos, afinal? Você sabe explicar? De repente, voltemos a ser justamente isso... alguma inclassificável parte de um todo existencial maior do que nós e nosso tempo, anterior e posterior, que seguirá seguindo. Indiferentemente, sem nós.

Mas enquanto isso, vivamos e saibamos utilizar o "tempo" que temos.

Deixo aqui um vídeo, de um grosseiro e simpático velho ateu, nosso ''finado'' George Carlin.

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