Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Por um rolêzinho dos indignados em Belém!

Querem reduzir a discussão em um "contra ou a favor" do rolêzinho?

Não se trata apenas dessa importante posição política. É preciso, acima de tudo, ter clareza que: os pobres e favelados são parte da sociedade que nós construímos - inclusive, são grande parte da massa brasileira. É preciso ser científico pra falar das coisas, não ser mera e obitusamente ideológicos ["ideologia" - segunda Marx, é avisão distorcida da realidade]. Não podemos ser descriteriosamente taxativos, como tanta gente anda sendo, desde o topo de sua arrogância. Não vivemos um apartheid decretado juridicamente, é verdade, eu concordo, somos todos iguais no mundo FORMAL da Constituição Federal (e todo seu belo conto-de-fadas postivista). Mas vivemos sim um apartheid sócio-econômico que é MATERIAL. É só olhar os índices de pobreza, de miséria e concentração da riqueza. E não estou falando das categorias cosméticas que o Banco Mundial criou pra dizer que com tantos reais se é pobre e que acrescentando mais R$ 1,00 se é agora, tcharam!, classe tal. Bem como nada serve de parâmetro de análise científica senão o próprio mundo concreto: são inúteis os valores pessoais, os jargões pré-programados de TV a la Arnaldo Jabor e Rachel Cheherazade. Não são argumentos, são ideologia mastigada e escarrada pra rotular e convencer as pessoas sobre a posição que devem ter diante do mundo, buscando legitimar ações como a brutalidade policial - porque seriam só vagabundos, vândalos, arruaceiros, subvertendo a "ordem", a "paz" e os "bons costumes". Que "ordem"?! "Paz" e "bons costumes" de quem, colega?! Tampouco serve a parcialidade das organizações do tradicionalismo "ordeiro" e, muitas vezes, hipócrita de grupos partidários das correntes idealistas, empiristas, jus naturalistas, etc. É preciso ter método de análise das coisas, ao invés de reproduzir o lugar comum ou as manias dos inertes "observadores semi-críticos" a cada novo evento que surge - todo mundo leva um sustinho, aí comenta, depois mais um sustinho e comenta de novo. O eterno comentarismo sem práxis. Os pobres existem e os favelados existem, amigo, no mesmo mundo que nós e não vão ficar no curralzinho, domesticados, feito gado só porque desagrada a alguém ou a algum setor social. Tem criminalidade? Tem. Tem barbarização? Tem. Mas o que gera a criminalidade e a barbarização está aí desde antes de eu, você e eles chegarmos aqui, se reproduzindo e perpetuando através de nós todos. O povo da periferia vai reproduzir aquilo que a sociedade lhes oferece e permitiu conhecer, na matemática materialista do mundo concreto.

O "rolêzinho" não vai parar por aqui!

O rolêzinho tem grandes possibilidades de evoluir em futuro próximo e se transformar em explosões sociais sérias, de revolta como as ocorridas de Londres, porque a política econômica e a crise social só estão crescendo e sendo descarregadas nas costas das classes inferiores do mosaico social. Na Região Metropolitana de Belém cerca de 50% das pessoas vive em periferias e vemos perspectivas de melhora aqui na cidade-debaixo-água? Não. Então a lógica sistêmica é exatamente o aprofundamento dos choques sociais, na medida em que os "bombeiros loucos" do sistema e do governo continuarem jogando na fogueira dessa crise a gasolina da repressão e da exclusão sócio-econômica. Ser pobre não é gostoso, não é legal, é escroto pra $%#@# e ninguém é à favor da condição da pobreza humana. Mas se as pessoas não gostam desses efeitos colaterais do capitalismo, que passem a refletir sobre mudar o sistema QUE PRODUZ A POBREZA E A FAVELIZAÇÃO DO SER HUMANO EM LARGA ESCALA. QUE SE ORGANIZE PRA MUDAR AS COISAS, ao invés de repetir sem querer, ou querendo-por-querer, determinados discursos como papagaio e/ou bater palma ao que NÃO melhorará NADA: como a burra repressão estatal e a continuidade da política de aprofundamento das mazelas sociais.

Por um rolêzinho dos indignado em Belém!

Por outro lado, todos podemos ajudar e contribuir no "desenvolvimento positivo" do rolêzinho, dando a ele um conteúdo mais profundo e engajado. Claro que não será a mesma coisa. Em vez de viver reclamando, por que as pessoas não vão protestar contra a repressão, o racismo e a exclusão perpetrada, etc? cobrar o fim da Dívida Pública, essa Bolsa-Banqueiro, que ROUBA quase 50% do PIB brasileiro?! Esse dinheiro que falta pra educar, empregar e aprimorar a sociedade, dando perspectivas pra juventude, etc! Por que não vão protestar contra a política do Governo Dilma e os cortes de BILHÕES das áreas sociais!? Por que não vão protestar contra o raquitismo do Estado de Direitos em contraposição a uma hipertrofia de um Estado Penal repressor viciado? Contra essa Copa do Mundo inútil que não ajudará em nada! Contra o Zenaldo e o Jatene que tentam fechar Curisinhos/Vestibulares públicos, que negam o PASSE LIVRE à juventude e reproduzem o caos social em Belém. Temos muito do que reclamar! Dar uns rolêzinhos na Prefeitura de Belém.

Pois não se trata meramente de fazer avaliação moral e comportamental dos rolêzinhos, se baseando em valores de uma classe para julgar outra. Se trata de entender que eles são o efeito lógico de um modelo societário contraditório e desarmônico, cada vez mais conflituoso, em crise - no Brasil e em todo o planeta. Nos unirmos e nos organizarmos no combate às CAUSAS é infinitamente mais útil e digno do que ficarmos no loop-eterno do mimi sobre os efeitos, as medidas paliativas e a repreensão bestial que não quer resolver nada... Sejamos contra o sistema capitalista e os seus governos, isso sim! Pois somos todos vítimas deles.

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