Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chave e Cadeado



O vício da ignorância é como um cadeado,
do qual a chave é o conhecimento.
Enquanto que o que é preso ou liberto
são idéias e práticas...

Mas idéias e práticas viciadas,
bem poderiam ser o cadeado da ignorância.
E preso o conhecer, a chave,
como seria este liberto?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Após o III congresso: Barrar as alianças que descaracterizam o PSOL

O ano começa com o PSOL intervindo na resistência do Pinheirinho, nas passeatas contra o aumento das tarifas de ônibus, na luta contra Belo Monte e nas greves de Policiais e Bombeiros. E nos próximos meses ainda teremos inúmeras campanhas salariais e outros conflitos. Esse também é um ano de eleições, com o PSOL bem cotado em Belém, Rio e Macapá.

Infelizmente o III congresso votou a “flexibilização da política de alianças”, seguindo a proposta da atual maioria (Bloco da APS). Uma resolução que abre a porta para coligações que descaracterizam o perfil de esquerda do partido e contrariam nosso papel nas lutas. Sabemos que existem negociações com inúmeras siglas, tentando impor fatos consumados a nossa militância. Porém, o III congresso colocou a decisão final nas mãos do Diretório Nacional, que “avaliará caso a caso as alianças... cabendo somente a essa instância a decisão final sobre a possível concretização de ampliações”. Sendo assim, os membros do Diretório Nacional tem em suas mãos uma enorme responsabilidade. Ao deliberar o arco de alianças, vão decidir o futuro do PSOL.

A militância deve refletir sobre o congresso e resistir, barrando essas coligações. Em 2010, garantimos a candidatura de Plinio e o diretório nacional rejeitou a coligação com o PTB em Macapá. Infelizmente, Randolfe Rodrigues não acatou e se elegeu senador em aliança com o PTB de quem foi coordenador de campanha no segundo turno. O Senador Randolfe é hoje o militante mais consequente dessa “flexibilização”, propondo alianças com qualquer um: da base de Dilma a falsa oposição de direita; dos Sarneystas ao PSB da oligarquia Capiberibe. Sem falar em Marina Silva, que reivindica FHC e Lula.

Temos que repetir rebelião que enterrou o apoio a Marina Silva em 2010, unificando os que não concordam com alianças com partidos corruptos e neoliberais. E o primeiro passo é unificar o setor que polarizou o congresso com resoluções alternativas (ENLACE–Debate Socialista–LSR e MÊS-CST).

III congresso e a situação política

O congresso ocorreu em meio ao agravamento da crise econômica mundial e da luta de classes. Os polos mais avançados desse enfrentamento são as revoluções árabes, os indignados e as greves gerais na Europa. Em nosso continente é a luta indígena na Bolívia e juvenil no Chile.

O Brasil já sente os efeitos da crise por meio da desaceleração da economia. O governo Dilma perdeu vários ministros e não tem a mesma capacidade de Lula para conter crises políticas. As lutas crescem como vimos na rebelião de Jirau e dos Bombeiros e em inúmeras greves. Processo que seguiu na rebelião dos militares no Ceará e nos protestos da juventude no Piauí, ES e Recife contra o aumento das passagens.

Diante da conjuntura favorável e da visibilidade alcançada pelo PSOL, o congresso deveria fazer o partido avançar corrigindo problemas e erros. Infelizmente a atual maioria (bloco da APS) desperdiçou essa oportunidade.

O congresso abriu a porta para “alianças amplas”

O congresso foi polarizado pela política de alianças do senador Randolfe, com apoio da APS. Junto ao MTL, Milton Temer e Edilson Silva defendem alianças amplas, do PTB ao PT, passando pelo PSB, PV e PPS, além de Marina Silva. A base estratégica está na tese do MTL/Temer: rechaço aos processos revolucionários e ao confronto com os capitalistas. O eixo é acumulo de força pela via institucional para negociar reformas. Trata-se de domesticar o PSOL conforme as resoluções votadas.

A resolução internacional coloca o PSOL no campo da ditadura sanguinária de Assad na Síria, uma contradição para quem deveria defender o “socialismo e a liberdade”. Além de seguir apoiando Chaves, Evo e Correa, três governos que aplicaram planos de ajuste fiscal, atacam povos indígenas, entregam recursos naturais para multinacionais e possuem ótimas relações com a Colômbia e Chile. Governos que comprovaram a falência da estratégia “democrática e popular”: através da institucionalidade e aliando-se a empresários não se fará socialismo no século XXI.
A resolução de conjuntura aponta para as eleições e a eleitoral propõe a “ampliação das alianças”, sendo o diretório nacional responsável de avaliar “caso a caso”.

Para Randolfe a “flexibilização na política de alianças foi o que de melhor se aprovou" (Valor Econômico), pois seria “fundamental para o crescimento do partido”. Na verdade, a resolução abre a porta para as alianças que converteram o PT em um partido da ordem.

Não há como separar o programa da política de alianças ou afirmar que o problema do PT foi apenas “ético”, como faz Randolfe e atual maioria. O rebaixamento programático do PT ocorreu em sintonia com a flexibilização das alianças. No PT o “dialogo com outras forças políticas” era condicionado pela necessidade de aumentar o tempo de TV e o coeficiente eleitoral a qualquer custo. Hoje o PT governa com programa neoliberal e um vice do PMDB. Deixou no caminho o perfil de esquerda e a “ética” e foi absorvido pelas instituições do regime. Guinada ideológica combatida pela esquerda petista e os radicais do PT.

É impossível se aliar a um partido patronal e manter um programa de esquerda. Nada justifica uma aliança com o PTB de Roberto Jeferson, o PPS do bloco do PSDB/DEM, o PV de Gabeira ou o PCdoB de Orlando Silva e Aldo Rebelo. O mesmo vale para o PSB de Fernando Bezerra, das maracutaias no Ministério da Integração Nacional. O PSB dos governadores Cid Gomes e Wilson Nunes responsáveis pela crise social e repressão no Ceará e Piauí. A coligação com esses partidos só é possível traindo as lutas e rebaixando o programa do PSOL.

Desse modo, o que divide o partido não é a opção entre ser “vanguardista” ou ser “plural” como declara Randolfe. A questão é se trilhamos ou não o caminho que levou o PT a trair nossa classe. Sobretudo os acordos eleitorais municipais com o movimento de Marina Silva, figura rechaçada pela militância do Partido.

Randolfe diz que no congresso “não houve debate concreto sobre o Brasil” e que sentiu “uma distância enorme entre o que é debatido no parlamento e as discussões na militância". Para ele o parâmetro para o debate político nacional não é a luta de classes, mas sim o congresso nacional, a instituição mais desacreditada do país. Isso demonstra como as alianças oportunistas afetaram Randolfe, que hoje vislumbra parcerias com velhas raposas como Cristovam e Pedro Simon - que iludem o povo com a suposta faxina de Dilma- ou “investidores” estrangeiros.

No mundo todo, partidos que seguiram essa linha estão em crise ou fizeram péssimas eleições. Exemplo é o Bloco de Esquerda, que perdeu metade de seus deputados depois de apoiar Manuel Alegre do PS, o partido do ajuste em Portugal. Na Argentina, a centro-esquerda de Pino Solanas naufragou, fez menos votos que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores. 40% não votaram com o setor majoritário.

A APS/Randolfe, ENLACE-MUS, TLS conformaram a primeira chapa. Eles apresentam a mesma política que MTL-Temer-Edilson. Esses dois setores vão ter unidade na vida interna do partido, agrupando 60% do PSOL. Por outro lado, surgiu um bloco alternativo ao redor do Enlace, Campo Debate Socialista, LSR, MÊS e CST agrupando 40%. Esse campo votou unificado na conjuntura internacional e nacional, contra Marina, a política de Randolfe/APS e a coligação com PC do B em Belém. O único tema que o dividiu foi o PV no RJ, onde o MÊS votou com APS e MTL.

Infelizmente, esse polo não conseguiu conformar uma única chapa. ENLACE, Debate Socialista e LSR montaram chapa, vetando o MÊS pelo tema do RJ e polêmicas anteriores. O MES e CST conformaram outra chapa sustentando o programa dos 40% e a necessidade de derrotar a atual maioria. Entendemos que havia pontos programáticos para conformar uma chapa única. Isso não significava abrir mão das polêmicas entre nós. No RJ, por exemplo, a CST segue contra o PV.
A postura dos companheiros, contrária a chapa unificada, negou a dinâmica do congresso, marcada por realinhamentos e novos blocos. A dispersão favoreceu Randolfe e o setor Marinista. Esse era objetivo da APS, que militou para nos dividir.


Construir um polo alternativo no PSOL

Mesmo saindo em duas chapas diferentes podemos conformar um polo ou campo único. A unidade que construímos durante as resoluções do congresso são bases para iniciar um trabalho em conjunto. A CST se coloca a serviço da unidade, ao redor de pontos unitários e iniciativas comuns que possibilitem o surgimento de um bloco ou campo dos que rejeitam a política de alianças com partidos da ordem e combatem Marina Silva e seu projeto capitalista disfarçado de defesa do meio ambiente; dos que lutam para que o PSOL tenha como eixo central a luta de classes e defendem o Fora Assad da Síria.

Rio de Janeiro, 23/01/2012 - Coordenação Nacional da CST
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E aqui disponibilizo duas intervenções da Corrente Socialista dos Trabalhadores no III Congresso Estadual do PSOL (RJ e PA):


Defesa de tese feita por Silvia Santos da Corrente Socialista dos Trabalhadores no III Congresso Estadual do PSOL Rio de Janeiro.

1
2

"Psol classista, combativo e militante!" Esta foi a tese defendida por Michel Oliveira, da Corrente Socialista dos Trabalhadores na Plenária municipal de Belém ao 3° Congresso do PSOLPa - 2011.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Movimentos Sociais contra o BRT de Duciomar.

O Diário do Pará de hoje traz uma matéria especial sobre a nota publicada pelo SINTSEP-PA, SINTRAM, DCE UNAMA, Grêmio Estudantil Ulisses Guimarães, Coletivo de Juventude Vamos À Luta e Associação de sindicatos Unidos Pra Lutar, questionando o BRT de Duciomar. A matéria também reforça a divulgação da plenária dessa quarta-feira que ocorre no SINTSEP-PA pela formação de um fórum em defesa do transporte público. Confira http://ee.diariodopara.com.br/

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sábado, 12 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Estudantes e o movimento "Ocupa Harvard"!

O acampamento foi apressadamente construído em frente à Universidade nessa noite de quarta-feira, durante um diálogo tenso entre manifestantes do movimento "Ocupar Harvard" e a decano dos estudantes, Suzy M. Nelson.

A ocupação seguiu um protesto no campus envolvendo mais de cerca de 350 participantes simpáticos ao movimento Occupy, durante a qual o pátio de Harvard foi fechado por oficiais da Harvard University Police. A intenção do protesto é de transmitir a desaprovação de cumplicidade da Universidade na crescente desigualdade de renda em todo o país. Entre os participantes estavam estudantes, funcionários, professores e membros da comunidade.

Por volta das 21:00, os manifestantes foram recebidos com segurança reforçada para impedir os moradores de Boston que não eram afiliadas a Harvard de entrar no pátio.

"Eu acho que é um absurdo. Será que realmente precisamos de oito guardas por porta?", Disse Nicandro GL Iannacci, que já participou de outras eventos do movimento de ocupação. "A idéia de que as únicas pessoas autorizadas aqui para ter essa conversa são membros de Harvard, especificamente, está errado. Por que não acolher mais pessoas?"

Em resposta ao acesso limitado ao pátio, manifestantes dirigiram-se para o campus da Faculdade de Direito de Harvard. Enquanto marchavam passando pelos dormitórios de calouros, eles entoavam "Out of your rooms and into the Yard" ("Pra fora de seus quartos e rumemos ao pátio"), reunindo os estudantes nos dormitórios para participar.

Depois de uma assembléia geral, os manifestantes deixaram o campus da Faculdade de Direito e tentaram voltar a entrar no Pátio para criar um acampamento, mas os guardas impediram os manifestantes de entrar, travando as portas.

Em uma troca tensa, os estudantes tentaram abrir seu caminho para o pátio - alguns segurando suas identificações de Harvard - enquanto guardas empurravam para trás para evitar que os manifestantes de rompessem os portões.

Os manifestantes dirigiram-se para a rua Massachusetts Ave, tentando entrar através da entrada da Biblioteca Widener, mas foram repreendidos por guardas. E enquanto os manifestantes tentaram entrar no Quintal através da entrada Widener, espectadores confusos assistiam do outro lado da rua.

"Eu acho que é um tanto ridículo. As pessoas precisam entrar, as pessoas têm coisas para fazer. Harvard está sendo um pouco supercautelosa", disse Leonie A. Oostrom, que não estava participando do protesto, mas que mora no campus. "Eu acho que é quase perigoso ter os portões fechados."

Várias portas foram abertas e fechadas durante toda a noite, causando confusão entre os calouros que não sabiam onde eles poderiam entrar, no fim das contas.

Depois de horas de tentativa de entrar no pátio, os alunos com identificações de Harvard foram autorizados a voltar a entrar em pequenas quantidades. Uma vez lá dentro, um grupo de cerca de 40 manifestantes reuniram-se no porão de Thayer Hall para planejar como iriam construir o acampamento.

Por volta das 22:30, cerca de 120 manifestantes - principalmente estudantes de Harvard - fizeram um círculo em frente à Estátua John Harvard onde começaram a montar as tendas. Enquanto os manifestantes estavam construindo seu acampamento, Nelson apareceu e tentou convencer os ocupantes para moverem-se para o Teatro Tricentenário, onde seriam menos prejudiciais. Os manifestantes rejeitaram a sugestão, mas disseram que iriam reconsiderar deslocalizar as tendas se tornassem-se muito incômodos.

Nelson finalmente concordou em permitir com o acampamento em frente à Universidade e pediu para se encontrar com os manifestantes na quinta-feira para discutir sobre o futuro da ocupação. Os termos dos manifestantes da reunião inclua aderir ao princípio de consenso de base para as tomadas de decisão e a participação inclusiva.

"Eu gostaria que esta reunião seja o início de uma conversa", disse Nelson. O Professor Timothy P. McCarthy, disse que reposicionar o protesto ao campus da Faculdade de Direito no início da noite era uma maneira de garantir que os manifestantes poderiam montar e fazer ouvir a sua manifestação.

"Este país foi fundado sobre a liberdade de expressão, de reunião, de petição, da religião e da imprensa. Hoje à noite, o país pareceu negar a liberdade mais essencial", McCarthy disse a uma multidão reunida frente a Faculdade de Direito. "A imprensa não pôde entrar, então as pessoas que falam virão a um lugar onde a imprensa possa ouvir, onde possamos ser ouvidos, onde possamos ser vistos."

Durante toda a noite, os manifestantes - incluindo vários funcionários de Harvard - manifestaram as suas preocupações sobre as condições econômicas em todo o país. Outras preocupações incluíram as negociações de contrato e benefícios de emprego. "Estou aqui porque eu acho que essa é uma das revoltas sociais mais importantes da história americana moderna", disse McCarthy. "Eu acredito profundamente que este é um momento na história dos Estados Unidos que exige tal movimento das pessoas. Estou feliz por fazer parte dela."

Ele também disse que a Universidade tem uma responsabilidade com a comunidade. "Se Harvard vai ser um lugar que produz pessoas com poder, então Harvard deve ser uma instituição onde o bem público é mais importante do que o lucro privado", disse McCarthy. Antes, ele disse a uma multidão que "Harvard tem economistas que nos ensinam que os lucros são mais importantes que as pessoas".

Os manifestantes disseram que queriam fazer um diálogo público em Harvard sobre o papel da Universidade no país e, mais amplamente, no mundo.

"Harvard é uma das instituições privadas mais conhecidas do mundo. Temos muita influência com o que fazemos", disse Evelyn M. Atkinson, um estudante do terceiro ano da Faculdade de Direito. "Eu diria que o passo de uma instituição privada como Harvard é realmente grande."

Sahil A. Khatod, 14 anos, partilhou a opinião de Atkinson sobre a responsabilidade da Universidade. "Minha frustração com Harvard tem a ver com o fato de que não há um diálogo sobre o que está acontecendo fora do campus", disse Khatod.

Tim McCarthy, Professor do curso Gen Ed “Literatura Americana de Protesto: de Tom Paine à Tupac”, falou na noite passada como parte do nascente movimento "Ocupar Harvard".


"Harvard já foi ocupada antes (...) E Hoje, nesse momento em nossa História, temos que ocupar de novo! Contra todas esses responsáveis pela crise econômica mundial e as instituições políticas que facilitaram isso, criando o sofrimento que não só assola essa nação, mas o globo como um todo!"

(com minha péssima - mas bem intencionada - tradução)