![]() |
| Fonte: CNN Brasil. |
(Ou: a pulverização dos socialistas como sintoma de uma fraqueza estratégica e um taticismo eleitoral autoproclamatório)
Temos visto que após o PSOL abrir mão de ter candidatura própria para apoiar a neoliberal chapa de Lula-Alckmin - portanto, buscando surfar na onda de rejeição ao Bolsonaro abraçando a direita - a esquerda socialista no Brasil retrocedeu das típicas formulações de criar uma unidade (Frente de Esquerda Socialista, já ocorrida em outras ocasiões) e caiu na pulverização, regada por sectarismo e uma auto proclamação sem lugar...
O prenúncio já vinha de meses atrás quando Vera Lúcia, Leonardo Péricles e Sofia Manzano disseram que era impossível fazer a Frente de Esquerda Socialista em um debate promovido por Plínio Jr (Contrapoder). Na ocasião, e em um sentido oposto, Glauber Braga disse ser sim possível e importante construir programa comum para unir os socialistas e potencializar suas forças, nas lutas e nas eleições. Que pena Glauber ter sido barrado no PSOL pelas correntes majoritárias, talvez isto tivesse garantido não só a maior alternativa de esquerda como talvez a unidade de todas elas.
As demais forças socialistas, UP, PSTU e PCB, poderiam ocupar o espaço deixado vago pelo PSOL da forma mais pedagógica e fraterna possível nesse grave momento de crise: com a construção daquele programa comum que colocasse acima de tudo a luta contra o capitalismo, a burguesia, a direita toda e a conciliação que pariram o bolsonarismo e que estão se reeditando. Mas, lamentavelmente, estas organizações passaram meses no rumo da diferenciação e na auto construção de seus aparatos eleitorais para disputar espaço uma contra as outras nas eleições burguesas, ao invés de saírem todas mais potentes à luta.
A UP foi a primeira a cravar um "não" oficial à proposta de Frente de Esquerda Socialista, ao lançar nesse último domingo sua candidatura individual "puro sangue". Mas, verdade seja dita, tanto PSTU e PCB também já vinham no mesmo movimento errático e sectário de escolher suas próprias pré-presidenciáveis e vices, independente da importância do campo socialista estar fortalecido contra Bolsonaro e a Frente Ampla de Lula-Alckmin. Não há aqui nenhum isento da responsabilidade - salvo todas as tendências e grupos que saíram na defesa da Frente de Esquerda Socialista (proposta negada no PSOL, PSTU, PCB, UP e também no Polo Socialista e Revolucionário, por suas respectivas direções). Logo veremos os lançamentos oficiais também do PCB e do PSTU pra jogar de vez uma pá de cal na necessária possibilidade de uma unidade classista no processo eleitoral de 2022.
O quadro é óbvio: o divisionismo e a tendência a marginalidade favorecem todas alternativas burguesas e a conciliação de classes, como a chapa Lula-Alckmin. Apontam desse modo as atuais direções da esquerda socialista no Brasil que não estão a altura das tarefas mais simples - afinal, não se unem nas eleições, como muitas vezes nem nas lutas e disputas na base da sociedade... A debilidade é grave e há, inclusive, um notório retrocesso em curso. Desse modo, a "miséria do possível" se impõe na conjuntura como o resultado da cascata de respostas céticas, derrotistas, impressionistas, oportunistas e sectárias que são dadas por todo lado. Justo quando mais o Brasil precisa de uma saída socialista, é essa tácita nulidade.
[...]
Mas para além de todo esse quadro, existem militância e vários agrupamentos dispersos que não concordam com o melancólico curso dos socialistas do Brasil. A nossa tarefa é nos encontrarmos e nos somarmos, num esforço fraterno e muito unitário, para seguir lutando e, sim, construindo um caminho - não sectário e não oportunista - que tenha o objetivo sólido de fazer a luta e a crítica antissistêmica, acima de tudo, com métodos saudáveis entre nós.
Ninguém disse que seria fácil. Nós da Luta Socialista seguiremos firmemente dando a batalha e fazendo as críticas cabíveis. Além disso, atuando nas lutas concretas porque é daí que virão as novas ferramentas e nas disputas da sociedade que precisamos. Ainda há muita água para rolar debaixo da ponte e a etapa da luta de classes acelerada como têm sido, logo irá gestar novos e radicalizados fenômenos, muito potentes para construir a alternativa necessária.
Seguirá o debate entre nós.

Nenhum comentário:
Postar um comentário