Outro dia, estava lendo sobre a Síndrome de Asperger (que no final das contas, acho que não tenho... mesmo vendo tantas coincidências), vendo o que batia e o que não batia. Foi por acaso que encontrei esse texto e o que me chamou atenção, e fez com que eu parasse pra ler, foi o fato de que nele estavam os nomes "Stanley Kubrick" e "Syd Barrett" (dois caras que admiro muito). Bateu a curiosidade e fui lendo, lendo e fui ficando grilado. Eu tenho uma mania de associar as coisas o tempo todo e estava me indentificando naquele texto! Passei aquele dia pensando no que tinha lido.
"Como é que pode? Será que eu tenho?"
"Mas isso explicaria muita coisa a meu respeito."
"Talvez, eu esteja sendo paranóico... Estou agindo hipocondriacamente."
"É... Pode ser que... Sei lá, de repente... Talvez sofra de um nível baixo."
"Ou talvez eu esteja sendo ridículo! To associando detalhes comigo..."
"Ê, bicho, mas não são só detalhes! Tem coisas que..."
"Ah, fala sério! Até em horóscopo existem essas coincidências..."
Ah, sei lá. Talvez, inconscientemente, eu só estivesse tentando justificar os fatos. Quando eu era pequeno não tinha ninguém da minha idade na minha rua, então ficava em casa. Era um saco ficar sozinho. Porque eu realmente não dei muita sorte nesse sentido. Eu dividia a rua em: garotos mais velhos que eu e as crianças menores que eu. Eu nasci entre dois grupos etários. Então, mais do que um saco, ficar só era um castigo! E desenhar é resultado disso. Resultado de uma época em que o convívio social era um problema pra mim. Mas como eu costumo pensar... Não se pode dizer que um fato da vida é bom ou ruim. Essas coisa que simplesmente acontecem, que não podemos lutar contra, são o que são e não devem ser questionadas. Ao contrário de outras coisas que podem ser mudadas (como, por exemplo, a praga assassina que é a mentalidade capitalista que explora a sua base de sustento, a classe trabalhadora). O fato é que eu era solitário e isso trouxe muitos efeitos. Desenho, é um desses efeitos. E eu gosto de desenhar.
Os amigos de meus pais, ao me verem desenhando, sempre perguntavam se eu fazia algum curso e ficavam surpresos ao escutarem que não. Os elogios eram bons de se ouvir, ao mesmo tempo que me incomodavam por eu lembrar do que me levou a desenhar bem...
Já não desenho tanto quanto antes. Talvez até já esteja perdendo isso... Veja por esse lado, se fosse uma relação de grandezas inversamente proporcionais: Quanto mais à margem eu estiver, melhor eu desenharei. Opa! então, com base nisso, posso afirmar que eu estou melhor no ambito social, com certeza. E é verdade. As coisas mudaram muito, mas eu ainda sou chegado em arte. Desenho, fotografia, literatura, teatro, cinema, música... (e falando nisso, Arthur Moreira Lima, estava tocando piano ontem na praça da bíblia. Eu não fui. Mas, no mesmo momento, estava sendo muito bem tratado no aniversário da Amanda. Parabéns de novo pra ela e agradeço a hospitalidade de toda sua família. Gostei muito da conversa.)
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