Ainda agora eu estava copiando os posts desse blog e jogando num documento de Word. Colocando data, hora e em seguida colando o que eu disse no dia em questão. Eu ia apagar o blog. Se for pra parar um momento e pensar num por que, logo me dou conta que eu desisto muito fácil das coisas. Tem coisas que não me agradam, mas acontecem. Tem coisas que eu fiz, que me arrependo. E em algumas situações, ainda falando do blog, não é possível desfazer pois a tal coisa está incorporada a algo que eu não domino, algo fora do meu controle. Se for transferir essa perspectiva de pensamento pra vida, o que eu não domino seria algo como a memória do tempo, a história do que acontece, o que passou.
Em decorrência dessa minha falta de poder veio a vontade de apagar o blog. Sendo que nem é a primeira vez que isso me dá.
Mas por que eu estou copiando tudo que eu já disponibilizei nele e guardando no documento, então? Ora, a idéia não seria simplesmente acabar com ele, fazê-lo desaparecer e pronto? Bem, eu não quero simplesmente perdê-lo pra sempre. Tem muitas coisas que não me agradam em toda parte dele, eu sei, só que há também muita coisa importante pra mim, coisas que foram construídas devagar, que começaram sem premeditação e sem uma real noção de rumo. Costumava ser apenas um exercício de algo que gosto, uma prática, um passatempo, uma distração, um espaço onde eu podia me escutar, me ver pensar e, assim, poder criticar em mim tudo o que eu não gosto de ver brotar. E por mais que eu, hoje, julgue pobre a totalidade de tudo isso aqui, eu sei que me engano. O meu temperamento muda e eu sei que com ele muda também o modo como encaro as coisas. Eu sei que não é riqueza pura. Mas não é lixo.
E por várias vezes eu considerei de suma importância um trabalho de mudança. Um trabalho de diálogo, consigo mesmo ou com os outros, a chave pra compreensão do que se é e do que se pode ser. Proferir, comunicar, compreender, conversar, tudo importantíssimo. Eu sei que não há plenitude em nada da palavra, eu compreendo que inexiste a comunicação real, que é um ideal abstrato e absurdo, eu sei, eu acho, no entanto, as pessoas tem que aprender a lidar com a vida apartir do que possuem, apartir de suas capacidades, apartir dessas ferramentas disponíveis, que por mais rudimentares que sejam, servem muito bem à quem muito bem souber utilizá-las. O falar, o interpretar, o aprender são imensidão e profundeza indizíveis, são sim, mas é preciso criar a habilidade de lidar com esses mares mentais para que se evite o próprio afogamento. Ninguém pode se cerrar em desistência e julgar-se ápito, digno, praticante ou dono de alguma sabedoria. É preciso o propósito, o intuito, a razão, o motivo, o fundamento, o objetivo, o fim que serve de guia para todos os pensamentos e todos os esforços, promovendo a utilidade de todo o maquinário que nos é disposto...
Eu tenho muitos momentos de desertor. Isso não é motivo de orgulho, e a minha ciência à respeito disso tampouco, se eu não estiver fazendo nada a favor de uma transformação, uma reversão desses instantes antes que eles consolidem-se em algum novo arrependimento.
Mas a minha vontade de apagar não passa. Não o apagar definitivo, de esquecer por completo, de modo algum. Apagar da vista de quem conhece isso tudo que me desagrada (pensar isso sinceramente me incomoda, porque é de uma vaidade e de um orgulho tamanhos... Que eu me sinto sujo. E eu queria só me livrar destes defeitos. Eu condeno a arrogância, o esnobismo, a cegueira, a mentira, a enganação, a trapaça, a descortesia e etc... E não quero deixar de condenar em mim cada uma dessas desvirtudes. E trabalho pra expulsar de mim até que me sinta limpo.)... Deixar existir é permitir ser estigmatizado? Não. O estigma não está em nós, não vem conosco, fica lá no tempo passado.
Mesmo sendo a pessoa o alvo da pena, o que lhe é condenável é a sua conduta, não é a pessoa propriamente dito, pois ela continua possuindo sua capacidade de mudança, seu direito de se redimir, sua dignidade humana e etc. Aqui, no blog, existem uns posts ruins. Como marcas no tempo...
Estou devagar, divagando, devaneando, vagabundeando por idéias e tentando exprimir simultaneamente. Até aqui não gostei da maior parte do produto. Mas ainda vou aprender a colocar melhor o meu pensamento, com fluidez e expressão. Apartir desses exercícios (eu espero)...
Sinto que evoluí em clareza de alguma coisa, de alguma forma, só por este simples momento de reflexão. É como estar empunhando uma vela e ir caminhando no escuro da própria cabeça, conhecendo aposentos de uma casa sem iluminação, clareando e entendendo as formas de ambientes que se vai visitando, descobrindo caminhos e passagens em si mesmo.
"Passeio no escuro,
me clareando..."
[...]
O melhor talvez seja procurar recobrar a dignidade do que eu tenho. Parece que se perdeu, mas eu compreendo que não. Rumar pro que eu considero melhor, recriar, ajustar o que não condiz com o que eu quero me parece mais coerente, menos dramático e tolo. Deve ser mais por aí do que guardar num documento de Word e apagar o blog por orgulho, vaidade. Deve ser mais por aí do que guardar na memória e apagar o que há por orgulho, vaidade. Não que a luta contra o próprio orgulho e vaidade sejam o fim em si, porque querer ser virtuoso pode ser por pura vaidade também. Há um propósito essencial que norteia, sendo isso íntimo demais (pra minha limitadíssima capacidade de comunicação exprimir).
Eu ainda gosto daqui
...?
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