O mundo é misterioso. A vida, a composição das coisas, as coisas compostas, o funcionamento das coisas, desde cada incompreensível detalhe mínimo de mundo à todo o gigantescamente inalcansável mecanismo superior que rege a Existência. É tudo mistério.
Não acredito na compreensão disso tudo. Considero além dos limites humanos e, então, não faço mais tanta, tanta questão de me esforçar em compreender, sejam as origens e fins da vida, seja o que viria depois, seja o que gera tudo ou o que mais for relacionado a essas transcendências todas... Prefiro ficar dentro do âmbito do possível pois, esse sim, está ao alcance.
Procurar conhecer, claro, é ótimo. Mas querer conhecer o que é possível não soa sempre mais proveitoso, razoável e natural? O que vem depois de tudo, ora, só vem depois de tudo... Crer, por simplesmente crer, não é saber. Só saberemos à respeito da morte quando, afinal, morrermos (e isso se for pra saber alguma coisa realmente); espíritos, deuses, fantasmas, outras vidas, tudo que diz respeito ao além, fica por lá mesmo. Não há certeza sobre essas coisas aqui: não existem garantias cabais sobre julgamentos finais, sobre salvadores fatais, sobre eternidades de paz, nada disso.
Onde estão as provas?
Conhecer não é fantasiar, não é supor.
Conhecer é verificar, isso é o fato posto!
O mundo do palpável, do sensível, do verificável, do concreto, dos fatos, do aqui, do dia-a-dia, do agora, o mundo que se vive, sem as fantasias, sem ilusões, sem ingenuidades, sem romantizações, sem fuga, é alcansável, é possível, é entendível, compreensível e é tudo o que realmente está à nossa disposição, afinal. O nosso mundo. Nós, os seres humanos e nossas relações, nossa postura diante das coisas e pessoas, o vice-versa da dialética.
Essas relações humanas são cotidianas, são verificáveis, são reais, portanto, podem ser compreendidas. Seja na minúscula relação entre duas pessoas, seja na gigantesca máquina social em escala mundial.
O mundo do suor pingando,
O mundo da dor e do cansaço,
O mundo da fome e do trabalho,
O mundo do músculo tensionado,
O mundo do estritamente necessário...
O mundo do que se tem em mãos.
O mundo do que não se tem também.
Esforçar-se para fazer uso do possível é a chave dessa vida confusa. Claro que trata-se do possível sob as rédeas do Porquê. E para que tenhamos noção do valor do que se faz, devemos analisar: Os por quês + os meios + os fins. Para que depois venhamos a dizer se presta ou não presta o que andamos fazendo, baseado no juízo (cultura, conhecimentos, personalidade e etc) que temos em relação aos outros indivíduos.
O mundo real é tudo que temos, na verdade. O real sob a nossa ótica subjetiva natural... Mas nunca um real transformado definitivamente por nosso subjetivo. Há uma eterno conjugar, uma contínua conjunção...
Só o real muda o real, o imaterial não.
Eu sempre odiei e sempre vou odiar (na atitude humana) o que não tem sentido, o que não tem razão, o que não tem motivo ou que é vago e descompromissado, que é perdido, que perambula acidentando-se no acaso irracional, no ébrio, no esvair-se. Descartável, desnecessário, fútil, tolo... Mais ódio só sinto pelo egoísmo, o decorrente descaso, e pela agressão. Juntando-se tudo isso: Egoísmos fazendo uso de agressividades sem sentido,
Me faz querer a morte.
Esse mundo me faz querer a morte...
[real ou simbólica, mas, inevitavelmente, a morte. Um fim.]
Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
terça-feira, 28 de abril de 2009
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