Você sabe que pretende, que almeja, que aspira, que intenta... Você tem ciência de que se trata de uma caminhada, que muito ainda falta, que ainda não é o momento de receber um elogio. Porque te envergonha ser elogiado pelo que você próprio julga falho, imperfeito, incompleto. De repente, elogios não façam sentido pra você, na verdade.
Você acredita que não sabe usar bem as palavras, aí alguém elogia seu modo de expor as idéias; Você se sente um tremendo tolo, aí num dado instante alguém vem dizer que admira a sabedoria que você transmite; Você pensa que é um fraco impotente, então alguém declara que considera você um exemplo de persistência e firmeza; Você se avalia um desleixado, daí alguém elogia seu último desempenho; Você se sente tanto quanto inoportuno, quando então alguém te parabeniza as colocações; Você se percebe sendo cada vez mais imaturo, quando alguém diz que nunca te viu tão crescido...
[Não que o outro possua deficiências na sua sensibilidade analítica, nem que este não possa querer demonstrar alguma espécie de insentivo sutil pr'aquele onde visualizou uma faísca de potencial ou, menos ainda, que, abrangendo logo a generalidade de tudo, seja previsível cada possibilidade da subjetividade alheia também.]
Por mais que ambas as partes, você e o outro, incorram numa considerável parcela de ilusão e engano vinculado à casualidade de circunstâncias específicas, aí está exposta a relação entre o objetivo sucedido e o sucesso objetivado, aquela mescla da satisfação com a insatisfação, aquilo que dá margem à uma satisfação insatisfeita, uma espécie de insatisfação satisfatória que te move. Uma sensação híbrida relacionada a sua evolução, sei lá. Que não deve ser dissimulada desta sua única utilidade de movimento regrado, guiado, instruído, fito e, er..., dignificante?
Sobre este blog:
Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.
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