Desde moleque eu tenho vontade de montar uma espécie de grupo de amigos que se organiza dentro de uma metodologia pra chegar a um determinado fim. Uma espécie de gangue, uma espécia de sociedade, clube, não sei que nome seria. Mas teria um nome. E teria um fim. E trabalharia conjuntamente em função desse fim. Não precisava se dedicar completamente, 100% do tempo, mas que, pelo menos, dedicasse algumas horas semanais ou mensais, fazendo algo próprio que fosse ficar como produto de nosso esforço. Algo relativamente durável, marcante, pros envolvidos e, na medida do possível, pra outras pessoas.
Esse é o típico pensamento daqueles grupinhos de colegas de escola no fundamental. Mas engloba uma série de coisas que, digamos assim, alcança campos pr'além de mero passa-tempo infantil. Se você for olhar bem, essa identidade de grupo e atividade conjunta, tem caracteres completamente maduros, de adulto, aspectos da natureza social e política do ser humano. Fora o quisito íntimo de satisfação pessoal por se estar exercendo sua personalidade em meio aos outros, existindo, fazendo coisas, dando-se utilidade, sepultando o tédio e o marasmo da solidão.
No decorrer da minha vida passei por alguns grupinhos de amigos. Uns promissores, outros vergonhosos. Mas todos dispertando aspectos meus, formas de análise, de atuação, de relacionamento, que hoje são essenciais para o aplainar da minha concepção de mundo, firmamento de minha personalidade, pedaços de minha experiência.
Foi no contato com outras pessoas que eu fiz as coisas mais admiráveis que já consegui, e foi no contato com outras pessoas que eu já cometi meus maiores erros. E, definitivamente, foi no contato com outras pessoas que eu aprendi a ser gente, que eu continuo aprendendo a ser gente, que eu significo a minha vida e escolho as minhas posições e assumo minhas posturas. Eu não discuto mais a importância de contato social, isso daí é básico - só pessoas que precisam aprender muito ainda questionam o valor dos outros ao seu redor e tentam demonstrar sua total autosuficiência com provas de autoafirmação bobocas.
Estava conversando com um amigo meu ainda a pouco, sobre como seria legal criar esse grupo com nossos amigos. Diga-se de passagem que meus amigos e eu costumamos viver lotados de idéias sérias-divertidas-úteis-inúteis de atividade em conjunto, é grupo diversificado e inteligente, mas que NUNCA conseguiu tocar em frente uma idéia. Chegamos a conclusão que estamos putos com o desempenho do grupo enquanto grupo, ahahah.
Lembro quando eu era criança e havia uma árvorezona no meu quintal. Toda criança pira naquela coisa de casa na árvore como sede de reuniões que se vê em seriados e filmes norte-americanos...
Lembro que na época que eu jogava rpg aos fins de semana, eu me sentia muito feliz e quase realizado no que diz respeito a essa vontade de montar um clã. Ê, saudade das visitas regulares de domingo. Hahaha, eu cresci e ainda amo certas recordações.
Ainda dá tempo de fazer muita coisa bacana. Talvez determinadas coisas estejam milhões de vezes mais propícias de acontecer justamente nessa fase da vida, nessa idade, com esse corpo e forma de pensar do que na época que meus amigos ou eu éramos mais jovens, inclusive. Mesmo que não role a tal casa na árvore...
Obs: Durante um tempo eu frequentei outras espécies de reuniões "mais adulta", com bebidas, safadezas e etc, sei lá, aqueela espécie de farras de juventude. Mas o tempo passou, a novidade acabou, e cheguei a conclusão de quão mais ridículas, prejudiciais e vexatórias essas coisas inúteis podem ser e quão inúmera são as possibilidades ainda não exploradas... É aquela coisa: a gente vai crescendo e aprendendo.
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