Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma espécie de tensão...

Ver um vídeo bem focado, um desenho caprichado ou uma foto em alta resolução me dá uma noção assustadoramente bem mais forte da realidade... Não 'to sendo claro. Mas, tipo, é como pegar um choque, ficar doente, passar um dia na rua sob um sol impiedoso, deitar na praia de noite... ou desfazer um vínculo forte...

Ou quando você está incerto. Sabe? Quando você percebe que, de verdade, o futuro é um mistério pro ser humano. Quando tudo o que você tem se resume ao agora e a si mesmo. Quando você nota o quão intensamente bela são as minúcias do mundo e quão solitária e insignificantemente se configura a sua existência diante do algo infinito, absoluto e indizível que emana pr'além de seu corpo vedado, tolhido...

Sendo esse corpo tudo o que você realmente possui.

Quando se aguça a noção do real, do instante presente, das estruturas físicas e sensações emotivas, misturando você e todo o resto. Sabe do que estou falando? Isso me deixa inquieto. Dá vontade de ultrapassar todos os ditos limites dos quais se ouve falar... Tira o sono, todo esse negócio de andarmos por aí, de sermos parte e todo, autônomos mas interligados, de fios elétricos, bioquímicos, de nomes e mais nomes designando substâncias, de simbolismos segregadores e unificadores ou aproximadores e desaproximadores, feitos de tempo, sendo corpóreos e incorpóreos, falando por ondas e pulsações, decodificando luzes com nossos olhos, andando por sobre a face espetaculosa dessa peteca espacial...

Essa ânsia devoradora, viciada em sensações e entendimentos superiores, é produto homúnculo inerente desse órgão complexo que nosso crânio aloja? Essa ferramenta aguada e faíscante é realmente natural...? É um perpétuo defeito vivo biologicamente sistematizado que resume o bicho-homem? Seria instinto, seria utilitário, seria poder? É o deus selvagem que devemos domar e instrumentalizar em função de algo maior que deus?

Meu bocejo mecânico mandando dormir...?

Nenhum comentário: