Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Se aprofunda ódio anti-sindical do Governo Mujica

Mujica permite substituição dos trabalhadores grevistas da saúde
Finalmente o governo decretou a "essencialidade"¹ na saúde como forma de quebrar as sucessivas greves e as ocupações e, acima de tudo, para não considerar sequer as mínimas reivindicações dos trabalhadores, cumprindo desse modo os ditames do FMI aos quais se submeteu e aos quais também submetera a todo o povo do Uruguai, garantindo que a economia nacional esteja sob o governo do Império e das multinacionais, através do FMI.

O governo de Mujica e ele, pessoalmente, tem sido caracterizado por um profundo ódio anti-sindical, anti-greves e paralisações dos trabalhadores. No Uruguai, ninguém mais se surpreende com esse tratamento desprezível que Mujica tem destinado àqueles que o levaram à cadeira presidencial, uma vez que tem sido marca do governo os piores ataques, insultos e tentativas de denegrir ao povo trabalhador e suas próprias organizações. No entanto, em muitos outros países, causa confusão porque apenas se divulgam as superficialidades colocadas em discursos supostamente filosóficos, mas que na prática se constatam como charlatanismo barato. Toda a sua pregação por um mundo melhor, seja em frente a Moncada em Cuba ou em qualquer de suas turnês intermináveis ​​de parcos ou nulos resultados, desmorona-se diante dos fatos concretos de seu governo no país, em particular a questão do mencionado ódio anti-sindical como uma forma de virar as costas ao setor majoritário de seus eleitores, quando reivindicam direitos, melhores condições de vida e de trabalho ou de salários dignos.

Muitos podem se perguntar como um dito "líder popular" é capaz de tomar tais medidas sempre acompanhadas dos insultos mais ordinários de seu arsenal. Ele é considerado como contraditório, uma vez que ataca o seu próprio eleitorado e, consequentemente, envolve a toda a Frente Ampla em suas provocações, como foi o caso do apoio público de que os professores trabalhariam quatro horas, em contraposição ao que foi seu discurso contra os trabalhadores desde que se instalou na cadeira a qual o levaram os votos desses mesmos trabalhadores. Ou quando disse que os catadores municipais queriam mudar o governo e trazer Hitler. Se poderá pensar que estas barbaridades são descaramentos. Mas nem de longe, nada mais que a pura realidade sobre o frio e calculista estrategista, cultor do maquiavelismo desde a cúpula.

O objetivo de Mujica desde a primeira greve ou disputa com os sindicatos foi: ISOLÁ-LOS, DIVIDI-LOS E COLOCAR TODO O RESTO DO POVO CONTRA ELES, seja o restante do povo composto por aqueles que estão um pouquinho melhor, trabalhadores afinal, ou aqueles que estão muito piores do que os que protestam. Aí é quando Mujica atinge altos níveis no seu trabalho intrigante: confrontar os que reclamam com os mais pobres, trata de apresentá-los como "privilegiados", que "não querem trabalhar", que pretendem "viver como reis" e ainda que "emperram o caminho" em sua suposta cruzada pelos pobres. A manobra passa por contrapor os setores do povo contra si próprios. Por exemplo, aqueles que estão sobrecarregados cotidianamente com salários miseráveis e ​​locais que caem aos pedaços, contra aqueles que estão desempregados, marginalizados, ou que nada tem. Este método sempre foi utilizado pelo fascismo liderado pela Itália e Alemanha, já que Mujica gosta tanto de falar sobre Hitler, que contrapôs os trabalhadores organizados contra os desempregados. Serviu para instalar regimes por todos conhecidos, ainda que nunca tenham conseguido liquidar aos sindicatos que sempre, como durante as ditaduras latino americanas, conseguiram ressurgir, reorganizar-se e voltar à luta por seus direitos violados.

Mujica desenvolve um trabalho muito consciente e um planejado exercício de produzir divisionismo dentro do movimento popular. O objetivo é arredar do caminho os setores organizados, com vida própria, que possam protestar, propor, reclamar e ainda levantar alternativas em benefício do povo trabalhador. Irrita-se Mujica porque o seu objetivo verticalista e intolerante é que ele seja o único que possa propor alguma coisa ("o povo me elegeu a mim!", diz ele) e que todo mundo esteja limitado a aceitar seus planos, muitas vezes errôneos e propostas de cortina-de-fumaça para se safar de qualquer crise interna ou externa. Os sindicatos tem sido para Mujica o "inimigo principal" já que eles têm se atrevido - segundo sua visão messiânica - ter suas próprias propostas e aplicar meios de exigir. Na visão anti-sindical de Mujica, os sindicatos e os trabalhadores deveriam ser um incondicional e acrítico sustentáculo de suas medidas governamentais, mesmo que vá contra os interesses dos trabalhadores, da mesma forma como todos os "frente-amplistas" deviam ser o "exército pacífico" deste organizador de derrotas. Derrotas que tem pautado seu mandato presidencial, marcado por exíguos resultados para os trabalhadores e enormes lucros para as multinacionais e investidores estrangeiros, período pautado pela formulação de planos sobre fantasias maravilhosas, mas que terminam se dissolvendo em nada.

Basta olhar para os números, desde a situação salarial ao tamanho da dívida externa, desde o inclemente leilão de terras para grandes empresas multinacionais aos índices da pobreza real, a marginalização e o desemprego. Mujica esconde os fracassos com proclamações vitoriosas dos interesses das multinacionais no Uruguai. Questão não muito difícil de responder quando elas têm carta branca para destruir e obter enormes lucros em um curto espaço de tempo, deixando apenas a "honra" ao país de ter sido o paraíso fiscal que se autodenomina uma república independente. "Educação, educação e mais educação" era seu lema de "Pátria ou Morte", com o qual deu largada seu governo. Relembraram os professores aos quais tem insultado e abusado ao máximo submetendo-os a vexações, assédios e calúnias. E o mesmo com cada um dos setores que "se atreveram" a enfrentar o "grande Messias".

Agora foi a vez dos trabalhadores da saúde. Impõe contra eles medidas repressivas ao estilo do governo pachequista carregadas com trechos de insultos como é seu estilo de "Pepe tal que é" como dizia a propaganda eleitoral. Cada vez mais se vai vendo "tal qual é", fazendo chegar a Juiza Mota e reimplantar a total impunidade aos seus proclamados "velhinhos" que estão presos, diga-se de passagem os assassinos e perversos criminosos de Lesa Humanidade, que planeja soltar antes de que termine seu mandato, e cumprir rigorosamente os planos do FMI. Qualquer um que se interesse pode constatar que o FMI tem um plano mundial e único que atravessa os mesmos eixos, independentemente do país ou região, e que são o catecismo do fundamentalismo neoliberal. Basta olhar para o que está acontecendo na Europa para ter uma idéia aproximada de qual o destino que reservam aos países latino-americanos. A educação, a saúde pública e a drástica esqueletização do aparato estatal, eliminando assim os benefícios sociais, são os eixos centrais. Assim como de "manter" certa percentagem de desempregos garantida. Tem sido os eixos do governo Mujica. E ao invés de dirigir-se aos trabalhadores e dialogar, se tem rido em sua cara, ao invés de negociações se tem zombarias macabras e em lugar de "concessões" se tem insultos, "mão de ferro", "essencialidade", ameaças, sanções, e até balas de borracha.

Em suma, se está fazendo frente a aplicação do ordenado pelo FMI, que determina até o montante dos aumentos salariais que estão sempre correndo atrás do custo de vida nesta austeridade decidida nos antros imperiais e aplicados por um governo lacaio que coloca em primeiro lugar o "dever de casa" imposto pelo FMI em lugar das reais necessidades dos trabalhadores. Neste momento a tarefa fundamental passa pela solidariedade com os trabalhadores da saúde que vão questionar nas instâncias internacionais a legalidade das represálias do governo Mujica e naturalmente algo que surge disso:

A NECESSIDADE DE UMA GREVE GERAL QUE EVITE O DESMEMBRAMENTO DO MOVIMENTO SINDICAL REALMENTE AMEAÇADO, AINDA QUE AS CÚPULAS SINDICAIS NÃO O DIGAM. E uma vez mais: SÓ O POVO LIBERTA O POVO!

(...)

¹ O decreto de "Essencialidade" garante que o serviço não possa ser paralisado pela sua importância essencial, de modo que as instituições possam substituir os trabalhadores em greve ou mobilização que abandonaram ao posto de trabalho.

FONTE: KAOSENLARED

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