Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Venezuela: O governo e MUD fazem pacto de governabilidade contra os professores

Professores nacionais vão à greve por tempo indeterminado
Entrevista com Dario Gomez, diretor de Sinafum Lara. Por: Laclase.info

Como já é conhecido pela opinião pública, no marco da discussão da VII Covenção Coletiva os professores protestam por um aumento de 140%, muito distante da proposta original da executiva nacional do sindicato que pedia cerca de 60%, e do aumento aprovado pelo governo, que é de 75 % mas dividido em 4 partes e durante dois anos (2013-2014).

No calor da combativa assembleia dos professores, realizada na manhã de hoje no Liceu Gualdrón de Barquisimeto, conversamos com Dario Gomez, que é diretor do Sinafum Lara, uma das seções de vanguarda da disputa, o que levou a seus diretores a enfrentarem a Sinafum nacional, encabeçada por Orlando Pérez.

Quais são as razões para o conflito?

A razão fundamental é a corrosão dos salários dos professores, e o fato de que a proposta da Sinafum nas mesas de negociação de contrato foi de apenas um aumento de 60%, algo que a maioria dos professores não concordam. A verdade é que agora um professor hoje mal ganha Bs. 2.400. Neste país com uma inflação tão alta, que ninguém pode viver nesse salário. O descontentamento dos professores começou com o fato de que as mesas de negociação do acordo coletivo foram estabelecidas em agosto, quando deviam ter sido instalados em maio. A partir daí, começou a agitação entre os professores em todo o país.

Quem sentou-se à mesa de negociação do contrato?

Nesse momento há 9 federações discutindo com o governo o acordo coletivo. Entre elas, Fenaprodo e a Federação dos Professores da Venezuela, ambas dirigidas por setores ligados ao MUD, e Sinafum, sindicato liderado pelo chavismo, liderada por Orlando Pérez, que certamente, não teve eleições, mas que o governo colocou irregularmente na discussão do acordo coletivo.

O fato é que todas essas organizações sindicais, tanto da oposição como do governo, fizeram um pacto de governabilidade para ignorar e chicotear aos trabalhadores. Esta é a mesma situação que ficou evidente em Helados Efe, onde o governo, através do Ministério do Trabalho e o patrão se puseram de acordo em ignorar os direitos dos trabalhadores, ou o caso de Aceites Diana.

E qual é a posição atual da seção Lara da Sinafum?

Estamos aqui ao lado dos professores e seus direitos. Que são contra o aumento pífio aprovado pelo governo em conchavo com a direção nacional do Sinafum que pactuou com as federações ligadas ao MUD. Estamos propondo que o aumento salarial deve ser de 140%, 60% em 2013 e 70% em 2014, dividido em duas partes, 35% em janeiro e 35% em agosto.

Qual é a atitude de vocês frente a Sinafum nacional?

Nós os identificamos como pelegos e inimigos dos trabalhadores.

O que decidiu a assembléia de hoje?

Os professores em sua maioria decidiram partir para uma greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, e a realizar mobilizações e assembléias permanentes.

Qual é a atitude das outras seções da Sinafum?

A maioria está ajoelhada ao patrão e a burocracia do Sinafum nacional, liderada por Orlando Perez.

Mas há chances dos professores a partir da base continuem a luta pela greve nacional?

Sem dúvida que sim, por isso vamos realizar reuniões com os professores de Barinas, que desde ontem iniciaram uma greve de 48 horas, por fora do sindicato. Tal como acontece com os professores Portuguesa, Yaracuy, Sucre e outros estados.

Qual é o chamado aos professores de todo o país?

Fazemos um chamado para que os professores se mobilizem e se organizem a partir da base, em comitês de mobilização ou plataformas de luta, para organizar a greve nacional que já em Lara começa na segunda-feira.

Qual é a sua opinião sobre a posição do C-cura para convocar uma reunião de sindicatos, a Unete, Fadess e outros setores em luta, como os trabalhadores da Sidor, Gas Comunal e outras empresas, para coordenar ações conjuntas de mobilização?

Estamos de acordo com esta iniciativa. Sem dúvida que estamos de acordo com a unidade das lutas no país. Como dizia Fabricio Ojeda: "A única maneira de conquistar o salário e as reivindicações é na rua, com a mobilização e a luta dos trabalhadores."

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