Grande história de lutas contra o apartheid na África do Sul
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| Luta do povo sul-africano contra o regime rascista. |
Neste dia 5 de dezembro de 2013 morreu uma das maiores lideranças da África do Sul: Nelson Mandela, advogado e defensor de direitos humanos. Uma onda de solidariedade e tristeza atinge seu país e todo o mundo, uma vez que realmente foi um dos mais expressivos líderes do CNA (Congresso Nacional Africano), organização que encampara a luta contra o regime do apartheid oficializado no seu país em 1948 - um regime fascista comparável ao sionismo de Israel hoje ou mesmo de Hitler.
A longa luta desenvolvida contra o regime racista produziu grandes e históricas revoltas, como as dos estudantes de Soweto de 1976 e 1990, que culminou na vitória de uma poderosa revolução democrática no país. Em sua juventude Mandela foi uma liderança radical no CNA que combatia setores mais recuados e conciliatórios - como os estalinistas do Partido Comunista. Nos anos 60 começou a luta de autodefesa armada, sendo capturado e mantido preso por 27 anos. Foi então que o CNA ganhou proporções e influência de massas, organizando a luta contra o apartheid e encurralando a burguesia segregacionista branca e conduzindo ao fim do regime em 1994. Diante de tudo isso, torna-se impossível não nos comovermos com a morte de Nelson Mandela e seu histórico de luta contra o regime que vigorava até recentemente. Mas achamos oportuno e fundamental dizer que sua resistência política só foi possível pois não se tratava da luta de um homem só, mas sim da luta de todo um povo oprimido pelo imperialismo e seus colonizadores brancos.
Nelson Mandel, o CNA e as negociações com o imperialismo
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| Antes da eleição de 94: Nelson Mandela e Bill Clinton. |
Para além do carisma e de seu passado de luta. É preciso compreender também que, infelizmente, Mandela e o próprio CNA terminaram por pactuar com a elite branca e o imperialismo. No contexto do final dos anos 80 e início dos anos 90, o país havia sido expulso da ONU, descartado dos Jogos Olímpicos e atravessava uma profunda crise econômica. Enquanto cresciam as intensas mobilizações dos negros e colocavam em risco a estabilidade do regime capitalista. Foi quando o CNA iniciou negociações com o regime racista do apartheid, sob apreciação do imperialismo, para libertar Mandela e elaborar um processo de transição que mantivesse o status quo. Instalando um acordo dentro dos limites da democracia burguesa, para terminar o apartheid e manter a propriedade de importante parcela dos meios de produção do país nas mãos da burguesia branca, com um governo de transição onde participaram o CNA e Mandela. Depois, realizando as primeira eleições inter-raciais que deram o poder à Mandela em 1994. Um meio de colocar o prestígio de Mandela à serviço da desmobilização das massas e de preservação do status quo ante aos riscos que traziam as grandes mobilizações populares.
Atitudes muito criticadas e que posteriormente levaram a desagregação de segmentos que sempre o apoiaram, como sindicatos de trabalhadores e setores do próprio partido.
Winnie Madikizela, ex-mulher de Nelson Mandela, o criticou em 2010 dizendo que decepcionara os negros sul-africanos, desperdiçando uma grande oportunidade, e mantendo-os ainda na pobreza e fazendo os brancos mais ricos. "Ele foi para a prisão como um jovem revolucionário, e olha como saiu", chegou a dizer. Esta contradição foi acumulada uma vez que Mandela manteve para os setores capitalistas, através de seu governo, as expectativas do mercado, com lentas reformas e distribuição de renda, nos marcos do regime burguês, no lugar de uma ruptura total com sistema de exploração e a coletivização da riqueza. Hoje o CNA governa o país com todos os vícios da corrupção, da repressão às greves dos trabalhadores e da pobreza que o sistema do capitalismo mundial impõe à todas as nações pelo globo. Não à Obama, o Presidente do Conselho Europeu, o Papa e toda a imensa mídia mundial e o aparato ideológico do imperialismo mergulha Mandela em elogios. Pois fora útil à seus interesses da manutenção do apartheid neoliberal.
No Brasil o racismo se expressa mesclando opressão e exclusão social.
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| Ecoava nas Jornadas de Junho: "Cadê o Amarildo?!?" |
E veremos tão logo diversos líderes mundiais - muitos dos quais elitistas e autocratas - chorando "lágrimas de crocodilo", relembrando o processo de negociação e da nova África do Sul democrática, pela ocasião da morte de Nelson Mandela. Dentre eles, estará a presidenta Dilma Rousseff, que apesar de também possuir um passado de luta contra a ditadura militar, hoje compõe e representa um governo que não possui moral para falar sinceramente sobre igualdade social e racial, uma vez que no Brasil vigoram índices monstruosos sobre extermínio da juventude negra, da pobreza, marginalização nas favelas e brutalidade policial para a maioria da população de nosso país - negra, trabalhadora e pobre. População que vem saindo às ruas, descendo os morros e saindo das favelas, como nas manifestações de Junho, também protestando contra casos como o do pedreiro Amarildo, torturado e assassinado no Rio de Janeiro, e contra a precarização dos serviços públicos em nosso país. O Governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) que posa de igualitário ao mesmo tempo corta bilhões em verbas da saúde, educação, entrega nosso petróleo à multinacionais, como no caso do Campo de Libra, e despeja moradores das favela para construir suntuosos estádios de futebol em benefício da FIFA e seu projeto elitista de Copa do Mundo! O Governo Dilma também é servil às multinacionais e entrega quase metade de nosso PIB, cerca de 47%, para o mercado financeiro mundial...
É preciso estar ao lado do povo que segue em luta contra o racismo e a pobreza imposta a grande massa de trabalhadores. Compreendemos que é preciso ir além da conciliação burguesa que Lula e Dilma também vem aplicando em nosso país. Pois a luta contra o racismo não é apenas ético e moral, mas parte da luta de classes, é contra o sistema econômico do capitalismo que a todos nos explora. (
para ver recente texto de contribuição sobre o tema da situação do negro no Brasil,
clique aqui)
Nesses dias, que nós reflitamos e aprendamos com os
acertos e erros de Nelson Mandela.
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