Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Argentina: Uma eleição histórica da esquerda

Visivelmente, as eleições de 27 de Outubro confirmaram as tendências dos resultados das prévias de Agosto: a) o descalabro eleitoral do governo K; b) o que mais capitaliza, entre a oposição política patronal, é o peronista Sergio Massa; c) a grande eleição da "Frente de Esquerda e dos Trabalhadores" (PO, PTS e Izquierda Socialista).

Neste contexto, para os trabalhadores e lutadores populares, sindicais e estudantis, o mais significativo é que a esquerda fez a melhor eleição da história do país. O resultado do FIT é sem precedentes em sua magnitude. Superou em 30% dos votos conquistados em todo o país em agosto. Se passou de 900.371 votos para 1.182.620 votos. Se conquistaram três deputados nacionais e um quarto acento em Córdoba, de Liliana Olivero, dirigente da Izquierda Socialista, em disputa conta a fraude, e seis ou sete legisladores em distritos. Na primeira apresentação da eleição do FIT em 2004, constatado o crescimento de quase 200%, quando então tinha recebido 512.000 votos.

Isso vai se fortalecer ainda mais nas próximos eleições de novembro em Salta, onde a Frente de Esquerda, ali representado pelo Partido Obrero, repetirá a eleição histórica que já fez conseguindo alcançar um segundo lugar. Nela poderão obter vários legisladores provinciais. O que vai fazer com que em 10 de dezembro, quando assumam os novos mebros, o FIT contar com quatro deputados nacionais, 15 legisladores provinciais, se somarmos os três atuais de Córdoba, Neuquén e Salta, e vários vereadores em Salta e Mendoza.

O triunfo político do FIT é o outro lado do colapso político do peronismo K. Porque ele está mostrando que milhares e milhares de trabalhadores, ou seja, uma setor de massa quebra seu voto tradicional, com o peronismo, em todas as suas variantes, e vai à esquerda com seu. Isso mostra que começam a buscar por uma mudança de fundo no país. Isso é fundamental para o que está por vir.

A confirmação da derrota política do governo e do peronismo governante mostra que entramos no período final do Kirchnerismo. Isso se explica porque já milhões não acreditam em suas mentiras. Porque tornou-se claro que não há nenhum projeto "nacional e popular" ou "redistribuição da riqueza", nem "década vencedora". Mas a continuação de uma política à serviço da Chevron, da Monsanto, da Barrick, do capital financeiro e grandes grupos económicos nacionais (Techint, Roggio, Arcor, entre outros). E, o pagamento da dívida, a inflação e, portanto, a queda dos salários e fos padrões de vida das massas. O governo de Cristina Kirchner tem sido muito fraco, atravessado pela crise econômica que cada vez mais se sentida, a crise política e a crescente crise social. Assim, as perspectivas para 2014 será o aprofundamento desses fatores que se traduzirão na intensificação das lutas do povo trabalhador e da juventude por suas reivindicações.

Isso pode colocar o país novamente em situações como já conhecemos antes, como o Cordobaço de 69, o Rodrigaço de 75 ou o Argentinaço de 2001. Em cada uma dessas grandes crises, o movimento operário e popular não tinha uma direção política e sindical que superasse o âmbito do peronismo e da burocracia sindical. Justamente o salto do FIT apresenta o desafio de dar continuidade nas lutas e nos acontecimentos políticos que temos pela frente, para preparar essa alternativa política dos trabalhadores.

Os resultados do dia 27 também mostraram que ante a crise do governo justicialista K, um setor do peronismo se reorganiza, rompe com o governo para tentar reconstruir uma alternativa política patronal que ofereça uma saída dentro do sistema ante uma nova crise que bate à porta. É claro que Cristina não pode buscar a reeleição e Scioli aparece como um candidato para liderar uma derrota. Então, um Massa e  Frente Renovadora que procurará utilizar a sua contundente vitória na província de Buenos Aires para tentar uma reconstrução de uma nova frente peronista patronal para 2015. Procurarão reconstruir uma vala para que milhões não confluam para a esquerda. Por outro lado, os restos mortais do radicalismo*, divididos em vários setores em conflito (Cobos, Alfonsín, Sanz, Barletta), buscarão liderar uma frente patronal não peronista, com verniz de centro-esquerda, em disputa com Binner, Carrio, Solanas. Mas se trata de um saco de gatos de políticos fra6cassados ​​que vêm do governo de Alfonsín e com a Aliança de De la Rúa. Enquanto a centro-direita de Macri segue sem chegar a ser uma verdadeira alternativa nacional para governar em nome de grandes empregadores.

Todos eles, oficialistas e opositores patronais, vêm para se preparar para as eleições presidenciais de 2015. É o oposto ao que fará a Frente de Esquerda e Izquierda Socialista. O FIT cumprirá com o que se comprometeu e apregoou. Seus parlamentares nacionais e legisladores por distrito chegaram ao Congresso e as legislaturas para ser a voz dos trabalhadores e de todos aqueles que lutam. Dentro e fora das legislaturas a tarefa da Frente de Esquerda, a de seus partidos e militantes, estará em toda a luta do trabalhador, estudantil e popular que se apresente em todos os cantos do país, para buscar unificá-las em uma mobilização nacional pelos salários, trabalho, educação, saúde, pelo não pagamento da dívida, para resolver estes problemas, pela re-nacionalização dos trens e do metrô sob o controle dos trabalhadores e usuários, pelo fora Chevron e Monsanto. Em outras palavras, pelas mudanças substantivas exigidos pelo povo trabalhador e dos jovens.

FONTE: UIT-CI

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