Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sonho Confortável

Tamboreio da chuva dando no telhado,
sacolejando macio o ar e reverberando profundo
aqui dentro de casa e aqui dentro de mim.
O frio.

O distante, grave e gigantesco eco do trovão
que, chegando, parece cobrir o mundo todo.

Até sumir, ir embora, se desfazer,
simplesmente acabando no vão do longe.

O eriçar de pêlos. Mínimos tremores.
O morno de alma...
Todo mundo deveria poder apreciar.

Sensação boa, o corpo
a toa
e o sono
tranquilo se chegando pra me abraçar...
Onde,
calmo,
compartilho em sonho:

O Conforto de Todos a Aflorar.

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terça-feira, 24 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um Pensar Breve

O Amor existe - é uma postura tanto positiva quanto negativa. Não praticar o desamor e atuar em prol do amor, não deixar que as ruindades tomem espaço [precaução e lição]. Pois "para que o mal prevaleça, basta que os bons cruzem os braços."

O ser humano não é egoísta, burro e frio - esse conceito de Natureza Humana, tão amplamente difundido (por uma mídia emburrecente e um mundo dissimulador), é meramente justificativa mítica dos egoístas, autocomplacentes e apáticos pra não ter de fazer questão de serem naturalmente responsáveis por seus vícios e sua má vontade em evoluir. Altruísmo, inteligência e benevolência são as características pregadas pelo homem para o próprio homem seguir, metas desde sempre. O homem é dono de si próprio, portanto, dono de seus atos todos. A consciência é natural! A responsabilidade que é natural, o autodomínio que é natural, o autocontrole que é natural. O poder de aprender, de se criar e recriar, de mudar e se estabelecer. Necessidade de estar bem com os outros e consigo mesmo, bem-estar social, isso sim é natural. Característica que nos difere do animal: Podemos, constantemente, construir o que vamos ser.

A iniciativa material é primordial - a vontade e a disposição prática de dar movimento aos fatos [os atos]. Só o que acontece é que é real. E só o que é real muda o real.

[...]

As pessoas têm um potencial muito maior do que o mundo anda permitindo aflorar.

Eis minha grande frustração: Tamanho desperdício.
Mas ao mesmo tempo é uma grande motivação...
Pois terreno fértil é que não falta pra plantar algo bom, acredito.

[...]

Ando numa arrumação desordenada. :P

terça-feira, 17 de março de 2009

Seguir

Em sua cabeça, nada significa.
Seja lá o que for alguma coisa...
Só há a ciência de si e toda dor inerente.
Assim, não existe sequer um lugar onde separados hajam.

Já andas farto, porque é tudo decadência e não vale nada.
Você quer se livrar de tudo ao redor,
[as coisas como andam,
o papel que lhe é disposto,
todas as pessoas funcionais,
o vazio citadino, poder de ter,
a vida do consumo,
o consumo da vida,
o veneno em todo canto,
o cantarolar do veneno...]
mas o mundo parece grande e pesado demais.
Será que continuará como está...?

Um beco onde os muros são altos demais pra pular, escalar.

Vai fazer o que, então? Livrar-se de si próprio?
Apenas desistir de todo futuro, largando o agora...?
Viver um eterno prazer momentâneo?
Acatar uma esperança ilusória?

Uma pessoa, uma obra
pra dedicar a vida.
Aprendizagens.

E seja lá o que for, leve onde levar:
Qualquer mínimo broto do interesse é uma fresta,
uma chance pro (s/m)eu fútil continuar...
Algo deve ser feito. Mas deve ser feito já.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Mudanças

Num instante está contigo,
n'outro não está mais.
Você, ora sonhando,
ora acordado uma vez mais.

Naquele momento: só ternura.
Mais tarde: indiferença pura.

Imensamente feliz e depois, estranhamente, o sorriso faltou.
O minuto inconsequente, logo então: racional!
Uma hora você é assim, n'outra hora já mudou.

Você aproveitou o possível naquele dia,
hoje, sobre o dia, diz: - Nossa, vá pro diabo!

Agora és um enfermo,
já agora: foste curado.


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