Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sábado, 29 de novembro de 2008

Gente Que Existe e Gente Cabide

Odorizas o mundo com teu caráter
que, feito fumaça leve de cigarro, é liberto fácil da boca.
O fumo que dispersa, mas que incorpora ao ar que todos respiramos.

Inspiramos todos o tempo todo,
Todo o tempo todos inspiramos.

Pr'além de esmeradas palavras,
meio ao ciciar do dia-a-dia instituído
e da omissão dos objetos ao teu redor,
vai-se desvanecendo tua vida
em grãos caídos pelos chãos.

As sementes.

Vão teus atos constantes,
imprimindo marcas por aí,
as referências do que fostes,
lembranças, são resquícios de ti.

Um sujo rastro viscoso,
talvez um gostoso perfume.

Quando não és um tolo cabide à toa
que só propagandea a estampa das camisas que te atiram.
Um simples utensílio de outras pessoas, descartável como tantas
tu és um reflexo, ou o mero eco das que algo cantam.

Um soldado.

Se não pensas, não crias: não existes em âmbito não material.
Só repassas, descreves, citas, carregas, indicas isto aqui e aquele tal...
Tudo já existia antes de ti e agora utilizas-te de tudo feito penduricalho.
Somente tentas deles roubar o valor inexistente em ti, oh, boneco oco do caralho...

Mas na gentileza esperançosa de que mudes,
digo que és apenas uma inconsciente criança.

Que ainda vai aprender...

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