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O dirigente operário Orlando Chirino, foi ao Consejo Nacional Electoral, na manhã de sábado dia 9 de Junho, para formalizar sua candidatura presidencial, com o apoio de sua organização política, o Partido Socialismo y Libertad (PSL). Ao postular sua candidatura, Chirino assegurou que "este é o candidato de quem sabe que é possível construir uma sociedade justa e democrática, sem exploradores nem explorados, sem miséria, uma sociedade verdadeiramente socialista. O socialismo que defendemos não tem nada a ver com o falso socialismo do século XXI do governo, nem tampouco com o passado antidemocrático e de exclusão do puntofijismo¹".
"Nós não acreditamos nesses setores que pretendem acaudilhar os trabalhadores e os setores populares, que se autodenominam socialistas do século XXI, ou progressistas, pois esses setores que pretendem seguir polarizando na política nacional concordam em implementar programas de ajuste que penalizam a população mais pobre, aumentando o IVA, desvalorizando a moeda, e congelando os salários dos trabalhadores do setor público e privado", afirmou Chirino.
Nós trabalhadores devemos governar
"As medidas exigidas pela nossa sociedade para sair da dependência e da desigualdade só pode ser tomada por um governo dos trabalhadores e dos setores populares. A indústria do petróleo tem que ser 100% sob propriedade do Estado e gerenciada por funcionários, técnicos e trabalhadores. Devemos resgatar as indústrias básicas da Guiana. Nenhum trabalhador deve ganhar menos do que o valor da cesta básica. Estas são medidas de emergência que necessitam as maiorias populares". Assim se referiu Chirino a alguns dos planos programáticos de seu partido.
Segundo o candidato do PSL, "um verdadeiro controle operário implica que as empresas operam sob o mandato democrático dos trabalhadores, não a farsa que aplica o atual governo sob essa denominação para perseguir as organizações sindicais. Somos defensores incondicionais da autonomia sindical e da independência política dos trabalhadores".
Contra o falso "socialismo do século XXI"
Uma vida inteira de luta
Ainda muito jovem, tornou-se envolvido nas lutas sindicais da indústria têxtil do estado de Aragua, onde trabalhou como operário. Desde a década de 70 está se esforçando para construir uma corrente sindical autônoma e combativa, desempenhando um papel muito importante nas greves têxteis nos anos 80 e 90, e também na luta contra a burocracia sindical da CTV, que na época se colocava a serviço dos governos de turno e de costas às reivindicações dos trabalhadores. Com a mesma contundência tem enfrentado a burocracia sindical do PSUV, que hoje desempenha um papel semelhante. Em 2002, ele desempenhou um papel importante na resistência ao golpe de Estado e, em seguida, se destacou na defesa da indústria do petróleo durante o bloqueio e sabotagem liderada pelo Gente del Petróleo, Fedecámaras² e Coordinadora Democrática.
Ele foi um dos fundadores da Unión Nacional de Trabajadores (Unete), e em 2005 tornou-se um dos impulsionadores e principais figuras da Corriente Clasista, Unitaria, Revolucionaria y Autónoma (C-Cura), corrente sindical que acabou separando-se da emergente central sindical quando esta foi cooptada, dividida e colocada a serviço do Estado.
Como dirigente político internacionalista também tem uma longa trajetória. Foi um destacado ativista do Movimiento de Izquierda Revolucionaria, participando da tendência conhecida como MIR Proletario. Posteriormente, ele foi membro fundador do Partido Socialista de los Trabajadores (PST). Em 2008 ele esteve, juntamente com dirigentes sindicais lendários como Richard Gallardo e Luis Hernández, entre os impulsionadores do partido Unidad Socialista de Izquierda (USI). Em 2010, a USI se funde com a organização Paso a la Nueva Democracia, e em 2012 mudou sua denominação para Partido Socialismo y Libertad (PSL), conquistando o reconhecimento do CNE como partido nacional.
¹ Puntofijismo: assim é chamado o acordo assinado na cidade de Punto Fijo entre os dois fundamentais partidos da burguesia e do imperialismo: AD (Ação Democrática, socialdemocratas) e COPEI (social cristãos) que governaram durante décadas se revezando no poder.
² Fedecamaras na Venezuela é uma entidade empresarial, a Federação da Câmara de Comércio da Venezuela. Uma organização com o mesmo caráter da Confederação Nacional do Comércio ou como a Confederação Nacional da Indústria no Brasil.
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