Domingo, 16/12/2012.
John Lennon nasceu em 9 de Outubro de 1940 e foi assassinado em 8 de Dezembro de 1980. Completam 32 anos do assassinato de quem fundara a banda ícone do rock mundial, The Beatles, que marcou um antes e um depois na cultura pop. Mas existe um perfil intencionalmente pouco difundido sobre Lennon, sobre o progresso de seus ideais, a tal ponto que chegou a simpatizar com o trotskismo.
Em 20 de Dezembro de 2006 vieram a público os arquivos secretos do FBI sobre Lennon, entre os quais se encontram uma carta de John Edgar Hover - diretor do FBI entre 1924 e 1972 - ao então Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Nesta carta se pode apreciar que a investigação sobre o Beatle tinha caráter político de alto nível de significação para o governo de Nixon. Uma das partes da carta ilustra bem estes entendimentos:
"Lennon tem se interessado pelas atividades da extrema esquerda britânica e é um conhecido simpatizante dos comunistas trotskistas da Inglaterra". A frase faz referência à proximidade que Lennon mantinha com os ativistas da nova esquerda de Londres e com os escritores Tariq Ali e Robin Blackburn (ambos trotskistas), os quais lhe fizeram uma entrevista publicada no periódico trotskista "Red Mole" em 1970. O FBI enfatizou que os conceitos usados por Lennon nessa reportagem "colocavam em risco a segurança dos Estados Unidos".
A entrevista ao "Red Mole" é muito sugestiva; John reconhece que no início de sua carreira não tinha uma postura clara em respeito a seus ideais, tendo tomado posições idealistas como a religião ou acreditando que o rock era um instrumento revolucionário que tinha mudado o mundo; segue com uma interessante autocrítica a respeito a suas posições anteriores, rompendo com mitos, que as razões para sua saída dos Beatles foi uma decisão eminentemente política e da influência que tinha recebido de sua cidade natal, Liverpool, um povo de trabalhadores, que marcou seus interesses e destino político.
"...sendo da classe trabalhadora, sempre me interessaram a Rússia e China e tudo o que se relacionava com a classe trabalhadora, apesar que estivesse metido no jogo capitalista. Em uma época estive tão metido na merda religiosa que andava por aí auto-intitulando-me comunista cristão, mas como disse Janov, a religião é a loucura legalizada. A terapia afugentou tudo isso e me fez sentir minha própria dor...".
O segmento da entrevista está marcado por um Lennon que expressa com clareza sua proximidade com as ideias marxistas, ainda que por momentos Lennon vacile e os entrevistadores se ocupem de encorajá-lo. Assim surge o tema do papel do artista diante da política operária, bem Robin Blackburn coloca a Lennon que tanto cultura como política estão ligados, que a burguesia a usa como instrumento de opressão e que o artista comprometido com a classe trabalhadora deve combater com a cultura como si fosse seu fuzil.
Dissemos também que a entrevista é reveladora porque mostra um John Lennon que superou o pacifismo. Em outro instante da entrevista, em choque frontal com sua mulher, mostra seu convencimento de que a via violenta é a única maneira através da qual a classe trabalhadora pode tomar o poder, e também que é a classe trabalhadora a que antes e depois da Revolução será motor impulsionador para realizar e sustentar a revolução. É interessante ver como a entrevista chega tão longe a ponto de trazer à tona as questões que tem a ver com a burocratização, e o problema do que se deve fazer para evitá-la depois da revolução. A entrevista que custou ao Beatle ser mais um na lista de "caça às bruxas" tem um final revelador e o copiamos textualmente:
Pergunta: Como pensas que podemos destruir o sistema capitalista aqui na Grã Bretanha, John?
Resposta: Penso que só se conseguirmos que os trabalhadores sejam conscientes da posição realmente infeliz na qual se encontram, destruindo o sonho que os rodeia. Acreditam que vivem em um país maravilhoso, com liberdade de expressão. Tem carros e televisões, e não querem pensar que pode haver algo mais na vida. Estão dispostos a encaminhá-los, mas não veem que os seus filhos estão arruinando na escola. Eles sonham o sonho de seres alienígenas, não o sonho deles próprios. Deveriam dar-se conta de que os negros e os irlandeses são perseguidos e reprimidos e que eles mesmos serão depois. Enquanto começam a dar-se conta disso tudo, podemos começar realmente a fazer algo. Os trabalhadores podem começar a assumir. Como dizia Marx: "A cada um segundo a sua necessidade". Penso que funcionaria bem neste país. Mas também teríamos que nos infiltrar no exército, porque estão bem treinados para matar-nos todos. Teremos que começar tudo isso e desde o fato de que nós mesmos somos os oprimidos. Penso que é falso, frívolo, dar aos outros quando tua própria necessidade é grande. A ideia não é reconfortar as pessoas, não é fazer que se sitam melhor, mas sim que percebam que o sofrem pra conseguir isto que chamam de "salário mínimo"...
Enquanto não se sabe se chegou a militar, as aproximações que teve este artista com o marxismo nos parecem interessantes e dignas de se analisar e debater. A entrevista completa se pode ler em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=24226
Fonte: La Clase

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