Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

32 anos após a morte de John Lennon: a simpatia pelo trotskismo

Por: José María Mendoza (Bolpress)
Domingo, 16/12/2012.

John Lennon nasceu em 9 de Outubro de 1940 e foi assassinado em 8 de Dezembro de 1980. Completam 32 anos do assassinato de quem fundara a banda ícone do rock mundial, The Beatles, que marcou um antes e um depois na cultura pop. Mas existe um perfil intencionalmente pouco difundido sobre Lennon, sobre o progresso de seus ideais, a tal ponto que chegou a simpatizar com o trotskismo.

Em 20 de Dezembro de 2006 vieram a público os arquivos secretos do FBI sobre Lennon, entre os quais se encontram uma carta de John Edgar Hover - diretor do FBI entre 1924 e 1972 - ao então Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Nesta carta se pode apreciar que a investigação sobre o Beatle tinha caráter político de alto nível de significação para o governo de Nixon. Uma das partes da carta ilustra bem estes entendimentos:

"Lennon tem se interessado pelas atividades da extrema esquerda britânica e é um conhecido simpatizante dos comunistas trotskistas da Inglaterra". A frase faz referência à proximidade que Lennon mantinha com os ativistas da nova esquerda de Londres e com os escritores Tariq Ali e Robin Blackburn (ambos trotskistas), os quais lhe fizeram uma entrevista publicada no periódico trotskista "Red Mole" em 1970. O FBI enfatizou que os conceitos usados por Lennon nessa reportagem "colocavam em risco a segurança dos Estados Unidos".

A entrevista ao "Red Mole" é muito sugestiva; John reconhece que no início de sua carreira não tinha uma postura clara em respeito a seus ideais, tendo tomado posições idealistas como a religião ou acreditando que o rock era um instrumento revolucionário que tinha mudado o mundo; segue com uma interessante autocrítica a respeito a suas posições anteriores, rompendo com mitos, que as razões para sua saída dos Beatles foi uma decisão eminentemente política e da influência que tinha recebido de sua cidade natal, Liverpool, um povo de trabalhadores, que marcou seus interesses e destino político.

"...sendo da classe trabalhadora, sempre me interessaram a Rússia e China e tudo o que se relacionava com a classe trabalhadora, apesar que estivesse metido no jogo capitalista. Em uma época estive tão metido na merda religiosa que andava por aí auto-intitulando-me comunista cristão, mas como disse Janov, a religião é a loucura legalizada. A terapia afugentou tudo isso e me fez sentir minha própria dor...".

O segmento da entrevista está marcado por um Lennon que expressa com clareza sua proximidade com as ideias marxistas, ainda que por momentos Lennon vacile e os entrevistadores se ocupem de encorajá-lo. Assim surge o tema do papel do artista diante da política operária, bem Robin Blackburn coloca a Lennon que tanto cultura como política estão ligados, que a burguesia a usa como instrumento de opressão e que o artista comprometido com a classe trabalhadora deve combater com a cultura como si fosse seu fuzil.

Dissemos também que a entrevista é reveladora porque mostra um John Lennon que superou o pacifismo. Em outro instante da entrevista, em choque frontal com sua mulher, mostra seu convencimento de que a via violenta é a única maneira através da qual a classe trabalhadora pode tomar o poder, e também que é a classe trabalhadora a que antes e depois da Revolução será motor impulsionador para realizar e sustentar a revolução. É interessante ver como a entrevista chega tão longe a ponto de trazer à tona as questões que tem a ver com a burocratização, e o problema do que se deve fazer para evitá-la depois da revolução. A entrevista que custou ao Beatle ser mais um na lista de "caça às bruxas" tem um final revelador e o copiamos textualmente:

Pergunta: Como pensas que podemos destruir o sistema capitalista aqui na Grã Bretanha, John?
Resposta: Penso que só se conseguirmos que os trabalhadores sejam conscientes da posição realmente infeliz na qual se encontram, destruindo o sonho que os rodeia. Acreditam que vivem em um país maravilhoso, com liberdade de expressão. Tem carros e televisões, e não querem pensar que pode haver algo mais na vida. Estão dispostos a encaminhá-los, mas não veem que os seus filhos estão arruinando na escola. Eles sonham o sonho de seres alienígenas, não o sonho deles próprios. Deveriam dar-se conta de que os negros e os irlandeses são perseguidos e reprimidos e que eles mesmos serão depois. Enquanto começam a dar-se conta disso tudo, podemos começar realmente a fazer algo. Os trabalhadores podem começar a assumir. Como dizia Marx: "A cada um segundo a sua necessidade". Penso que funcionaria bem neste país. Mas também teríamos que nos infiltrar no exército, porque estão bem treinados para matar-nos todos. Teremos que começar tudo isso e desde o fato de que nós mesmos somos os oprimidos. Penso que é falso, frívolo, dar aos outros quando tua própria necessidade é grande. A ideia não é reconfortar as pessoas, não é fazer que se sitam melhor, mas sim que percebam que o sofrem pra conseguir isto que chamam de "salário mínimo"...

Enquanto não se sabe se chegou a militar, as aproximações que teve este artista com o marxismo nos parecem interessantes e dignas de se analisar e debater. A entrevista completa se pode ler em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=24226

Fonte:  La Clase

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