Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sábado, 12 de janeiro de 2013

PSOL contra a velha política em Itaocara, Rio de Janeiro.

O início de 2013 em Itaocara, cidade interiorana do Rio de Janeiro, vem trazendo novidades para as disputas do Partido Socialismo e Liberdade e diferença em relação às prefeituras de todo o Brasil. Na pequena cidade onde o 1º prefeito do PSOL foi eleito, se vê o surgimento de uma nova política que desde antes do empossamento já destoava no quadro nacional.

Primeiramente, a vitória de Gelsimar Gonzaga, foi fruto de uma campanha popular, com o recurso de apenas um antigo fusca e a voz amplificada para que o sindicalista e servidor público dialogasse com as pessoas nas ruas da cidade. Não necessitou de coligações partidárias com outras siglas e demonstrou na prática como é descabida a contradição de um candidato que se reivindica de esquerda, radical e consequente, vir a receber apoio financeiro de empresários. Mas não apenas as vitórias política e eleitoral da candidatura socialista do PSOL estão sob a curiosa vigilância dos espectadores políticos país afora.

Praticamente a totalidade das demais prefeituras brasileiras seguem a lógica das cartas marcadas nas nomeações às Secretarias Municipais, de modo que os prefeitos eleitos escolhem e permutam livremente os interesses de seus conchavos político-partidários ("tu ajudas o meu parente e eu ajudo o teu"), como exemplificado aqui em Belém do Pará, minha cidade, onde venceu Zenaldo Coutinho (da coligação burguesa do PSDB com PSDC, PMN, PTC, PSB, PRP, PSD, PTdoB - com posterior apoio no segundo turno dos demais partidos burgueses PP, PSC, PRB, PRTB, PV e PPS). Zenaldo já iniciou o mandato de prefeito nomeando seu irmão à Secretaria de Administração, assim como a cunhada (denunciada de improbidade) de seu colega de partido e Governador do Estado, Simão Jatene, entre outros, no velho jogo do xadrez do nepotismo. Mais uma vez a velha política em nossa pobre cidade estará especialmente a serviço e beneficiará um pequeno grupo de empresários e políticos, enquanto Belém vive um caos social.

Construindo um Governo Popular

Em um, digamos, grande contraponto nacional, em Itaocara, Gelsimar Gonzaga, ainda enquanto "futuro prefeito" durante o ano passado, já fazia valer o slogan do PSOL, "um novo partido contra a velha política", chamando Assembleias Populares para que as categorias de trabalhadores da cidade pudessem decidir votando quem seriam os nomeados para as Secretarias do Município, pouco depois do resultado de vitória do PSOL contra as coligações burguesas do PMDB e do PR. Não existe ninguém mais apto que a própria categoria de profissionais da área para decidir quem estará fazendo o melhor trabalho em cada Secretaria, pois são os trabalhadores que entendem como cada setor funciona, o que precisa, etc. As secretarias de Educação, Saúde, Agricultura e Obras, por exemplo, foram decididas através das assembleias populares, coisa que em nenhum outro canto do Brasil ocorreu, constituindo uma demonstração de disposição de uma participação democrática mais direta. A repercussão foi nacional dessas demonstrações do modo PSOL de governar.



Depois desses primeiros bons indicativos, também foi publicado na internet uma das intervenções do já diplomado prefeito do PSOL, onde assume publicamente, de microfone na mão numa rua da cidade, claros compromissos de não governar "para todos" (slogan do PT que representa, nada mais e nada menos, do que seu projeto de conciliação de classes, dos inconciliáveis interesses dos pólos capital x trabalho), diz sim que irá governar para a maioria do povo, portanto, para a classe trabalhadora e os setores pobres e mais necessitados de Itaocara. Gelsimar convoca também a população à estar acompanhando de perto, observando presencialmente e pressionando as votações da Câmara de Vereadores em defesa de seus interesses, pois os ricos e poderosos irão querer contrariá-los. Coloca o mandato, que diz não ser seu, à disposição do povo trabalhador e conclui sua intervenção com os hinos de Itaocara, do Brasil e o hino mundial da classe trabalhadora, a Internacional Socialista.



O mundo não para de lutar

O ano de 2012 foi muito importante quando se verifica panoramicamente o aprofundamento das lutas no mundo. Na Europa, fruto do aprofundamento da "crise econômica", viu-se uma fortíssima Greve Geral unificada em vários países, em 14/11, onde a classe trabalhadora e a juventude demonstrou as proporções da luta contra os planos de austeridade dos seus governos que precarizam a vida do povo para salvar os capitalistas. Vimos também a continuidade da "Primavera Árabe", depois da queda de ditaduras no Norte da África, agora vemos os trabalhadores e a juventude do Egito retomando novamente a Praça Tahir pela saída do presidente Mursi que pretende ter superpoderes por meio de um decreto que remete à um retorno a ditadura. Os protestos no Iraque se intensificam. Também na Síria a ditadura segue sendo questionada e tem possibilidades de cair, tendo, inclusive, o ditador Bashar Al Assad pedido exílio na América Latina. As grandes lutas dos povos indígenas na América Latina e a luta da juventude, como no Chile onde centenas de milhares vão às ruas denunciar a crise do ensino pago são importantes eventos que conformam um mosaico mundial de retomada das lutas. O Brasil onde o funcionalismo público em diversas categorias teve uma das maiores greves das últimas décadas, numa onda de lutas. As Universidades Federais protestaram massivamente e tiveram o apoio dos estudantes e seu Comando Nacional de Greve Estudantil, passando por cima das velhas burocracias que travam as lutas estudantis e o Governo Dilma, que ataca os serviços públicos com privatização e ajustes, numa clara demonstração de que a crise já afeta nosso país, com uma economia desacelerada e com uma dívida pública que suga mais de 47% de nossa riqueza nacional. Toda esta realidade de convulsões sociais, questionamento da democracia burguesa, revoluções, levantes de massas de diversas proporções, reforça a necessidade de uma incansável, organizada luta dos socialistas em unidade, pelo avanço da consciência dos trabalhadores para outro projeto de sociedade. Portanto, cada vitória da esquerda consequente é um importante ponto de apoio neste rumo. A continuidade do desgaste das velhas direções sindicais e políticas no Brasil como a CUT e o PT, são fruto de uma dura batalha pelo avanço das lutas e, com isso, da consciência da classe trabalhadora e dos setores populares, o que podemos ver aprofundar-se, com o PT cada vez mais ocupando o espaço da velha direita.

Fortalecer a esquerda socialista!


O processo de lutas deve seguir e aprofundar-se nacional e internacionalmente neste ano. E ficou claro o compromisso que a prefeitura do PSOL de Itaocara assume, quando Gelsimar Gonzaga leu seu discurso de posse, no dia 1º de Janeiro, numa Praça Pública abarrotada do povo da cidade e visitantes nacionais e internacionais que vinham prestigiar esta importante vitória do povo trabalhador do Rio de Janeiro e do Brasil. Em seu discurso, o herdeiro da antiga Convergência Socialista e membro da Corrente Socialista dos Trabalhadores (tendência interna do PSOL), denunciou a crise mundial e a tentativa dos poderosos de passar para as costas da classe trabalhadora a conta desta crise. Diz que a luta em Itaocara também se aprofundará em defesa dos interesses do povo trabalhador e contra as novas investidas dos poderosos que virão sobre os direitos da classe, mandando a mensagem aos vereadores eleitos de que assumirá uma relação republicana com a Câmara, limpa e transparente, e que construirá, com o povo, os novos rumos de Itaocara. E desde antes mesmo de assumir a prefeitura se constrói um diálogo com os trabalhadores da cidade, sonda-se a situação das estradas, das escolas e creches, dos postos de saúde, de modo que o prefeito já apareceu em reportagem na TV denunciando as péssimas condições deixadas pela antiga prefeitura e buscando solucionar os diversos problemas e contas acumuladas da gestão anterior.

É importante o apoio e o fortalecimento do projeto de esquerda que o PSOL constrói, com seu Programa fundacional, de perfil independente e de Oposição de Esquerda ao Governo do PT e a velha direita tradicional brasileira. Inclusive, diante das disputas internas existentes no próprio PSOL onde o agrupamento  chamado Dissidência/APS procura cada vez mais deformar este caráter socialista e de esquerda, ampliando o arco de alianças e outras violações programáticas, vemos que se fortalece uma resistência de bases que repudia com indignação este projeto de retrocesso. Chegou a ser votado e apresentado pedidos de expulsão de Randolfe Rodrigues e Clécio Luis, ambos do Amapá, responsáveis por uma política de coligações espúrias com a direita, fato profundamente questionado pela militância do PSOL em todo o Brasil, que aguarda o próximo Congresso Nacional para responder desde a base. Queremos o avanço da experiência do PSOL em Itaocara e o fortalecimento da esquerda socialista no Brasil.

Que outro prefeito no Brasil reduzirá seu próprio salário como forma de combate aos privilégios políticos? Que outro prefeito no Brasil declarou que não governará para todos, mas para a classe trabalhadora e os setores pobres ao som da Internacional Socialista? Que outro prefeito no Brasil está construindo assembleias e conselhos populares e de trabalhadores para que estes possam intervir cada vez mais diretamente nas decisões políticas? A ordem do dia é fortalecer a esquerda socialista, organizar a classe trabalhadora e avançar num programa de luta!

Venha fortalecer a experiência mais dinâmica da esquerda no Brasil. Venha pro PSOL!

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