Em defesa do Povo Mapuche e contra a ofensiva do Governo Piñera, declaramos:
Piñera chora publicamente a morte de um empresário agrícola, acusando publicamente ao Povo Mapuche como culpado deste delito e anunciando a aplicação da Lei Antiterrorista e Estado de Exceção (ditadura militar em Araucanía) contra todo este povo irmão. Esta campanha que fala de "encapuzados" e "terroristas" para ligar imediatamente estes conceitos aos mapuche, sem provas concretas e em uma ridícula generalização, tem aliás o objetivo de transformar aos empresários da zona em vítimas destes supostos "terroristas".
Esta campanha tem um objetivo político e econômico a serviço dos empresários. Por isso quando em 2008 (Governo de Bachelet) um carabineiro - como chamam a força policial - matou pelas costas o jovem Matías Catrileo, defendendo um prédio dos Luchsinger, nenhum político da Concertação ou da Direita nem os empresários falaram de terrorismo e justiça. De fato, o carabineiro que matou a Matías saiu em liberdade e segue cumprindo funções na instituição, depois de ser declarado culpado de assassinato e de haver mentido reiteradamente em juízo, deixando em evidência que a justiça só funciona para os ricos.
O Governo esquece as milhares de denúncias por assassinato, torturas e investidas contra o Povo Mapuche pelas quais é investigado o Estado chileno em organismos internacionais. Esquece que durante os últimos 130 anos os governos chilenos tem usurpado o território mapuche para beneficiar a empresários agrícolas, condenando à miséria, à opressão e à exploração milhares de irmãos mapuches. Esquece de dizer que a única resposta que os governos chilenos tem dado ao "Conflito Mapuche" é militarizar a zona para seguir beneficiando aos grandes grupos econômicos.
As frequentes queimas de casas e ataques aos caminhões das empresas florestais, que tem roubado historicamente as terras do Povo Mapuche através dos distintos governos capitalistas, são a resposta indignada a esta injustiça que se prolonga no tempo. Por isso não nos enganemos: aqui há um agressor que é o Estado chileno e um agredido que é o Povo Mapuche. Por defender aos usurpadores de suas terras, o Governo de Piñera, como os anteriores a Concertação e a Ditadura, tem transformado a Araucanía em um inferno repressivo que provoca ações desesperadas que levaram a morte do casal Luchsinger.
Lamentavelmente estas ações extremas por parte de grupos que reivindicam a causa mapuche só justificam o cerco repressivo do Governo em Araucania. Por isso nós não compartilhamos destas ações, posto que não ajudam a unificar a luta do povo mapuche com a luta dos trabalhadores e do povo chileno contra o Governo e os empresários.
Enquanto o Estado chileno não devolver as terras ao Povo Mapuche e este não conquiste sua independência política e organizativa não haverá paz em Araucanía. Nesta luta apoiamos o povo mapuche incondicionalmente, e acreditamos que o único caminho de luta é a unidade com o conjunto dos trabalhadores e do povo.
Por isso declaramos:
- Fora Carabineros e a polícia de Araucanía!
- Liberdade a todos os mapuches presos!
- Abaixo a lei antiterrorista!
- Devolução das terras ancestrais!
- Pela autodeterminação do povo mapuche!
Comunicado do MST Solidariedade - 09/01/2013
Movimento Socialista de los Trabajadores de Chile (UIT-CI)

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