Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Chile: Em defesa do Povo Mapuche e contra a ofensiva do Governo Piñera

Fonte: Unidad Internacional de los Trabajadores - UIT-CI

Em defesa do Povo Mapuche e contra a ofensiva do Governo Piñera, declaramos:

Piñera chora publicamente a morte de um empresário agrícola, acusando publicamente ao Povo Mapuche como culpado deste delito e anunciando a aplicação da Lei Antiterrorista e Estado de Exceção (ditadura militar em Araucanía) contra todo este povo irmão. Esta campanha que fala de "encapuzados" e "terroristas" para ligar imediatamente estes conceitos aos mapuche, sem provas concretas e em uma ridícula generalização, tem aliás o objetivo de transformar aos empresários da zona em vítimas destes supostos "terroristas".

Esta campanha tem um objetivo político e econômico a serviço dos empresários. Por isso quando em 2008 (Governo de Bachelet) um carabineiro - como chamam a força policial - matou pelas costas o jovem Matías Catrileo, defendendo um prédio dos Luchsinger, nenhum político da Concertação ou da Direita nem os empresários falaram de terrorismo e justiça. De fato, o carabineiro que matou a Matías saiu em liberdade e segue cumprindo funções na instituição, depois de ser declarado culpado de assassinato e de haver mentido reiteradamente em juízo, deixando em evidência que a justiça só funciona para os ricos.

O Governo esquece as milhares de denúncias por assassinato, torturas e investidas contra o Povo Mapuche pelas quais é investigado o Estado chileno em organismos internacionais. Esquece que durante os últimos 130 anos os governos chilenos tem usurpado o território mapuche para beneficiar a empresários agrícolas, condenando à miséria, à opressão e à exploração milhares de irmãos mapuches. Esquece de dizer que a única resposta que os governos chilenos tem dado ao "Conflito Mapuche" é militarizar a zona para seguir beneficiando aos grandes grupos econômicos.

As frequentes queimas de casas e ataques aos caminhões das empresas florestais, que tem roubado historicamente as terras do Povo Mapuche através dos distintos governos capitalistas, são a resposta indignada a esta injustiça que se prolonga no tempo. Por isso não nos enganemos: aqui há um agressor que é o Estado chileno e um agredido que é o Povo Mapuche. Por defender aos usurpadores de suas terras, o Governo de Piñera, como os anteriores a Concertação e a Ditadura, tem transformado a Araucanía em um inferno repressivo que provoca ações desesperadas que levaram a morte do casal Luchsinger.

Lamentavelmente estas ações extremas por parte de grupos que reivindicam a causa mapuche só justificam o cerco repressivo do Governo em Araucania. Por isso nós não compartilhamos destas ações, posto que não ajudam a unificar a luta do povo mapuche com a luta dos trabalhadores e do povo chileno contra o Governo e os empresários.

Enquanto o Estado chileno não devolver as terras ao Povo Mapuche e este não conquiste sua independência política e organizativa não haverá paz em Araucanía. Nesta luta apoiamos o povo mapuche incondicionalmente, e acreditamos que o único caminho de luta é a unidade com o conjunto dos trabalhadores e do povo.

Por isso declaramos:

- Fora Carabineros e a polícia de Araucanía!

- Liberdade a todos os mapuches presos!

- Abaixo a lei antiterrorista!

- Devolução das terras ancestrais!

- Pela autodeterminação do povo mapuche!


Comunicado do MST Solidariedade - 09/01/2013
Movimento Socialista de los Trabajadores de Chile (UIT-CI)

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