Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A luta dos negros e das mulheres: partes de uma mesma grande luta!

A luta das mulheres e dos negros, é parte de uma mesma e grande luta por igualdade, que precisa derrubar os governos do capital e este sistema!
No embalo dos dias 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, e 25 de Novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, ambas datas carregadas de importância histórica e, simultaneamente, ainda imensa urgência de discussão e ação prática contemporânea, nós, do coletivo Vamos À Luta, propomos debater criticamente a realidade vivida no Brasil, nesses méritos. Pois o que enfrentamos, longe do mundo fantástico das propagandas oficiais, é uma realidade de violenta desigualdade, negação de direitos, racismo e sexismo, num claro conservadorismo e negação governamental quanto à proposição de políticas públicas que possam construir uma solução de conjunto ao sofrimento do povo negro e das mulheres brasileiras. Para embasar este debate, apresentamos alguns dados muito importantes.

Considerações sobre o feminicídio no Brasil.
A "Lei Maria da Penha", em que pese sua importância simbólica e seus passos práticos, está muito longe de sanar a brutalidade praticada contra a mulher, como constata um estudo sobre feminicídio, divulgado nesse dia 25/11 pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Ele apresenta o impacto da lei sobre a quantidade de mulheres mortas em decorrência de violência doméstica, demonstrando que, entre 2001 e 2006, antes do advir da lei, a cada 100 mil mulheres uma média de 5,28 mulheres foram assassinadas. Enquanto que, entre 2007 e 2011, a média foi de 5,22 mulheres a cada 100 mil. Ou seja, praticamente nenhum efeito real no combate ao feminicídio. Mas não pára por aí, a violência tem proporções abissais, que tratamos a seguir.

É necessário visualizarmos a inter-relação existente entre as questões étnica, de gênero e de classe social, num todo coeso e inseparável, como agregam os demais estarrecedores dados da pesquisa. Diz que: "em relação ao perfil das principais vítimas de feminicídio, o Ipea constatou que são mulheres jovens e negras. Do total, 31% das vítimas têm entre 20 e 29 anos e 61% são negras. No Nordeste, o percentual de mulheres negras mortas chega a 87%; no Norte, a 83%". Não a toa Norte e Nordeste apresentam índices tão altos, pois a questão da desigualdade social nestes rincões, e da divisão em classes da sociedade, é o pano de fundo onde se constroem, desenvolvem e se aprofundam todas as mazelas engendradas historicamente - o Brasil foi o último país a "abolir" a escravatura, diga-se de passagem, meio à incansáveis lutas do negros, revoltas e constituição de resistência das comunidades quilombolas. Do escravagismo à escravidão moderna do capitalismo, persiste a opressão contra o povo pobre, negro e as mulheres; Para termos mais noção da aberrante situação da mulher negra, o Brasil ocupa a 7ª posição, na lista de 80 países da OMS (Organização Mundial da Saúde), com o maior índice de feminicídios.

Violência policial e questão étnica.
O Ipea também contribui apontando o "racismo institucional": 38,2% dos não negros vítimas de agressão tendem a não procurar a política para registrar o crime, enquanto que a proporção ao tratarmos de negros sobe para 68,8%. Entre as razões para não buscar auxílio policial se encontram a falta de crença no trabalho da polícia e o receio de sofrer represálias. O medo entre os negros é maior (60,7%) do que entre não negros (39,3%). Por que? Segundo o levantamento, negros são a maior parte das vítimas de agressão por parte dos policiais. Sendo que a Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que 6,5% dos negros agredidos no ano anterior à coleta dos dados pelo IBGE, em 2010, tiveram como agressores policiais ou seguranças privados, contra 3,7% dos brancos. É cada vez mais escrachada a violência da PM nas periferias, seja por meio de Caveirão, das UPPs, da tortura e morte de inúmeros Amarildos, desaparecimentos não explicados nos morros. A mesma força repressora responsável por espancar manifestantes nas ruas e trabalhadores em greve e em luta por melhores condições salariais por todo país!

Sobre o risco de morte comparado entre negros e não negros.
O Ipea destaca que a probabilidade de um brasileiro negro ou pardo ser assassinado no Brasil é oito pontos percentuais maior do que a de um não negro, no Boletim de Análise Político-Institucional divulgado dia 17 desse mês. Os dados do estudo apontam que a taxa média de não negros mortos a cada 100 mil é de 15,5. Enquanto que a de negros/pardos mortos a cada 100 mil chega a 36,5 mortos! A perda de expectativa de vida para negros devido à violência letal é 114% maior, de acordo com os pesquisadores. Levando em consideração que, como um todo, a possibilidade de morte violenta já é grande no Brasil, o indicativo é que a cada três assassinatos, dois são de negros. Sendo que a possibilidade do adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos...

Ainda a discriminação salarial no mundo do trabalho.
Mesmo depois das terríveis estatísticas anteriores sobre riscos de morte e a questão da violência, ainda o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos divulgou nesse mês de novembro, na pesquisa "Negros e o Mercado de Trabalho", que mesmo tendo ocupado 48,2% do mercado de trabalho, a média salarial dos negros é 36,1% menor que a registrada entre não negros. E que o trabalhador negro com nível superior completo recebe na indústria, em média, R$ 17,39 por hora, enquanto um não negro chega a receber R$ 29,03 pelo mesmo período. Mas para ilustrar melhor as diferenças, utilizamos visualmente aqui um demonstrativo entre o que é pago ao homem branco, ao homem negro e à mulheres branca e negra, respectivamente.

Veja o decréscimo salarial do branco ao negro e da mulher branca à mulher negra.

Um Governo que sustenta a opressão e a repressão sistêmica.

Esses dados, que não são o quadro completo relativo à brutal opressão, discriminação, violência e morte, está localizada em uma realidade de negação de inúmeros direitos ao povo trabalhador e pobre, às mulheres, aos negros, aos LGBTs, ao conjunto da maioria dos brasileiros. Nesses dias da consciência negra e de combate à violência contra as mulheres, é fundamental sermos críticos e não cairmos nos contos da carochinha de que tudo vai muito bem e cada vez melhor. Assim como precisamos entender que tudo isto tem causa e responsáveis. A falta de acesso à transporte, educação, saúde, saneamento, moradia, enfim, a carência do conjunto de serviços que, por natureza, deveriam ser públicos, gratuitos e de qualidade, é sintomática de um sistema e de um governo serviçal das elites. Que não servem aos que precisam!

Décadas de governos burgueses na manutenção da opressão e desigualdade.
O Governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB/etc), que apesar de trazer uma mulher enquanto Presidenta, não atende aos interesses das mulheres e do povo, está junto de Sarneys, Calheiros, Dirceus, Barbalhos, Collor, Felicianos e Malufs, e uma larga camada da elite brasileira. Latifundiários, empreiteiras, mercado financeiro, mega-empresários. São exatamente esses capitalistas que nos roubam os sonhos e a possibilidade de felicidade cotidianamente!

Os governos da burguesia que excluem socialmente a maioria do povo brasileiro, negro e trabalhador, tirando já quase 50% do Orçamento da União para enriquecer banqueiros (via Dívida Pública)!! Estes que negam o direito aos Indígenas de terem suas terras e dignidade, destruindo-as com projetos como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte! Assim como negam aos Quilombolas de terem direitos históricos atendidos, como saúde e saneamento. Negam à mulher o direito ao seu próprio corpo. De escolher, se quiser, um aborto seguro, que lhe garanta a própria vida, ao invés de permitir morrer em massa, por métodos inseguros, as pobres e negras, enquanto que os ricos tem dinheiro para pagar tranquilamente pela saúde de suas filhas e mulheres em clínicas, sem grandes transtornos. Saindo de pé no mesmo dia! Foi o conjunto do Governo Dilma que engavetou o Kit Anti-Homofobia e abandonou a pauta do Aborto para agradar aliados ultra-conservadores como Feliciano!

É preciso lutar para vencer!

Essas Injustiças, e diversas mais, só serão superadas a partir da mobilização e organização das mulheres, da juventude, dos negros, dos trabalhadores, que devem seguir na luta, como nas Jornadas de Junho, sem poupar críticas e sem cair nas ilusões daqueles que nos exploram e oprimem. Nós do coletivo Vamos À Luta! damos o batalho na construção de uma alternativa feminista, anti-homofóbica, anti-racista, classista, de luta anti-governista e anti-sistêmica no movimento estudantil brasileiro, para combater às burocracias que vem na contra-mão da real transformação social que precisamos. Convidamos todos os lutadores dessas causas a somar conosco nas ruas, e em cada escola secundarista e técnica, e universidade!

Viva à Luta das Mulheres e dos Negros! Vamos À Luta!

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