Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quarta-feira, 4 de março de 2020

FHC e Lula defendem mandato de Bolsonaro. Não os escutemos! Fora Bolsonaro Já!

Eduardo Rodrigues, militante do PSOL.


De um lado, FHC diz para termos "paciência histórica com Bolsonaro", enquanto que, do outro lado, Lula pede a mesma paciência e reafirma o que diz desde que saiu da cadeia "(...) temos que esperar quatro anos". Ambos vão na contramão das mobilizações que ocorrem desde 2019.

Essa posição de manutenção do mandato presidencial é totalmente esperada de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pela simples defesa da ordem democrático burguesa. No entanto, a posição de Lula se choca frontalmente com todos os discursos que estão permeando o espectro da esquerda há vários e vários meses - na realidade, desde a vitória de Jair Bolsonaro. Enquanto as pessoas comuns querem brigar pela sua dignidade e direitos agora, a esquerda oficial agora ajusta todo o discurso e diz para aceitar e esperar as eleições.

A tese da "onda conservadora" que arrasaria toda a oposição, da "ameaça neonazista" que instalaria uma ditadura, do rompante da força "fascista miliciana", etc, serviram como um importante alerta perpassando os discursos de vários partidos e grupos da esquerda. As vezes de forma mais crítica, as vezes de forma mais impressionista e desesperada. Em especial nos discursos "antigolpe" do PT, PCdoB, PDT e setores do PSOL. A gravidade do momento exigiria radicalidade e organização superiores em relação a tudo que vinha sendo oferecido há décadas por esses partidos.

Logo no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro, os educadores e estudantes foram a ponta-de-lança para o enfrentamento de massas com os ataques de Bolsonaro e Mourão, indo às ruas e já ensaiando uma proposta de saída política pela deposição do governo através das ruas, ecoando a palavra-de-ordem "Fora Bolsonaro!" e "Fora Bolsonaro e Mourão!". A queda na popularidade do governo foi notória visto que muito acelerada, tanto que logo no primeiro semestre atingiu o maior índice de rejeição popular em início de mandato de qualquer governo eleito desde a redemocratização do Brasil. O "Ele Não", ainda no processo eleitoral, já mostrava como seria recorrente o enfrentamento político e como tendia a crescer essa rejeição popular. Não  a toa os protestos chegaram a pautar os editoriais de março de 2019 em todos os grandes jornais como uma verdadeira ameaça ao governo e alertando a possibilidade de não conclusão do mandato do presidente.

No entanto, é notório que a radicalidade advinda das ruas tem sido sistematicamente contida e abafada pela própria "oposição" ao governo, que desmontou as lutas da educação dispersando os calendários de ação, sabotou abertamente toda a luta contra a Reforma da Previdência e acabou dando um banho de água fria na ruas tentando transformar todas as ações de protesto em atos pelo "Lula Livre". Todo ativista honesto e minimamente antenado esteve percebendo o comportamento de entidades como UNE, UBES, CTB, CUT e suas direções lulistas, ao tentarem transformar o ex presidente na medida de todas as coisas e ao negligenciar pautas educacionais, ambientais e trabalhistas que foram a marca do ano de 2019 nas ruas. Todo aquela verborragia lulista pelo "antifascismo" e "antibolsonarismo" foi dando lugar a uma oposição comportada, tranquila, desarticulada e meramente parlamentarista, uma tática que só pode redundar em derrota permanente uma vez que a "oposição" é minoria no Congresso e ainda replica as políticas de contrarreformas onde é governo...

Agora em 2020 com calendário tão importante nesses dias 8, 14 e 18 de Março, a possibilidade de enfrentar e retomar aquelas ações de massas contra o governo Bolsonaro e Mourão poderia e deveria ser o objetivo central dos esforços daquelas forças políticas. No entanto, as burocracias tradicionais não tem esse compromisso, pelo que tudo indica. Muito ao contrário, seus porta-vozes maiores - desde a direita até a esquerda - estão todos defendendo o mandato do presidente Jair Bolsonaro, como bons moços que dão mais importância às formas normativas da democraria burguesa do que ao seu conteúdo abertamente antipopular nos planos de ajuste fiscal, retirada de direitos e na ampliação das margens de lucro dos capitalistas. Não a toa a CUT quis acabar com a greve dos Petroleiros esse ano, no seu momento mais forte. Não a toa ano passado sabotaram parcialmente a greve geral e permitiram aprovar a Reforma da Previdência sem nenhuma manifestação nós momentos de votação, um absurdo completo - que é fácil de explicar quando posteriormente esta mesma medida é também aplicada por governos do PCdoB e PT em outros estados, com apoio do PDT, inclusive.

O PSOL nesse momento atravessará o seu 7° Congresso Nacional e pode impulsionar um caminho diferente. Vários setores, grupos e correntes internas do partido escreveram teses que reivindicam a tarefa de derrotar imediatamente o governo Bolsonaro e Mourão nas ações de rua, na luta concreta e organizando um novo projeto de esquerda radical e socialista para o Brasil. Que esteja vinculando todas as lutas contra a exploração e opressões sistêmicas. Esse debate tem que chegar às ruas urgentemente e se materializar em uma política de organização de Comitês de Luta pelo Fora Bolsonaro. Para sistematizar e dar corpo ao processo de luta real, enraizar essa linha política entre ativistas que estão vendo as traições da velha esquerda, com respeito e democraria, para não permitirem que as burocracias dispersem novamente as lutas como fizeram em 2019. Quando se perdeu uma oportunidade de ouro de aprofundar a crise do projeto liberal autoritário que se gesta no governo e nas suas políticas.

Não devemos ouvir nem FHC e nem Lula, seus conselhos só favorecem a direita e os planos capitalistas, a estabilidade dos ataques aos trabalhadores. Devemos ouvir a voz das ruas por onde ecoa o "Fora Bolsonaro e Mourão!" e fortalecer esse caminho, porque o problema central são os ataques a direitos e retrocessos todos que estão impondo a todos nós. A luta é agora, não apenas em eleições, devemos seguir exigindo que todos somem consequentemente nessa luta, sem recuar. E, caso recuem, devemos denunciar as traições!

Fontes:

https://revistaforum.com.br/politica/fhc-diz-ser-contra-impeachment-e-recomenda-ter-paciencia-historica-com-bolsonaro/amp/

https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/lula-diz-que-e-contra-impeachment-de-bolsonaro/

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