De Eduardo Rodrigues, militante do PSOL-PA
Palavras-chave: agenda liberal; bolsonarismo; lulopetismo; crise capitalista brasileira; alternativa antissistêmica; Cirismo; 7° CONPSOL; programa e união socialista.
Palavras-chave: agenda liberal; bolsonarismo; lulopetismo; crise capitalista brasileira; alternativa antissistêmica; Cirismo; 7° CONPSOL; programa e união socialista.
Diante de uma crise brasileira brutal onde o povo sofre cada vez mais restrições de direitos e dignidade, além de desastres ambientais, econômicos e de saúde pública agora, que há de saídas políticas?
Com uma "esquerda tradicional" morta que vive em uma irreversível "retirada permanente" das lutas sociais, com as direitas vivíssimas e atuantes na política e dirigindo os poderes, a disputa pela nova alternativa que represente a necessária saída antissistêmica está posta de novo no tabuleiro político e eleitoral... Bolsonaro disputa ainda essa mesma posição antissistêmica da forma mais reacionária possível, com sua saída aos moldes liberal-autoritário. A população acumula uma enorme indignação e frustração que estoura em lutas esporádicas e desorganizadas, mas corretas. Que ecoam em carnavais e outros eventos culturais de massas, mas insuficientes.
A realidade é que essa saída antissistêmica é a única disputa política que existe no Brasil para se opor ao continuísmo. Como um país parte do capitalismo periférico e dependente, as nossas tarefas históricas são sempre a negação da grave situação de miséria e autoritarismos da qual nasceu e que segue vivendo o Brasil, desde a colônia até a moderna "neocolonia" do século XXI. Toda grande alternativa politica de massas aqui faz essa disputa antissistêmica porque a vida da maioria aqui é sempre uma desgraça a ser denunciada como culpa contínua dos governos anteriore, posto que é estrutural do capitalismo a nossa desgraça.
É evidente que o mal estar atual está ligado a todas as agendas antipopulares de reformas contra os trabalhadores, parte das orientações mundiais para fazer frente a crise capitalista internacional que não para de avançar e gerar mais crises políticas por todos os lados. A América Latina - mas não só ela - tem sido palco de rebeliões populares contra governos burgueses tradicionais e contra governos progressistas da esquerda capitalista. No entanto, nessa atual conjuntura constata-se que a nossa política no Brasil está unificada em um consenso do capital contra os direitos dos trabalhadores. E dividida publicamente apenas entre aqueles que diante dessa tão monstruosa agenda liberal e antipopular só são capazes de dizer "sim" (esquerda) ou "SIM, SENHOR!" (direita). Na realidade, o mais preciso e correto de afirmar é que há um pacto entre direita e esquerda no Brasil, um pacto dos expoentes políticos do capitalismo atual: bolsonarismo e lulismo. E a quebra de todas as falsas polarizações bipartidárias na política é a ÚNICA forma visível e instantânea de se diferenciar aos olhos do povo em todas as últimas eleições presidenciais, exatamente porque é a verdade. Seja Heloísa Helena, Eduardo Campos, Marina Silva, Plínio de Arruda ou Luciana Genro, não importa, toda as oposições que realmente disputaram uma posição fizeram essa discussão.
Ontem o Ministro Ciro Gomes deu entrevista ao Roda Viva e reafirmou querer ocupar o espaço que agora se reabre de "alternativa contra tudo que está aí" - mesmo sendo parte histórica de tudo que aí já esteve durante décadas... Qual a sua posição? O combate simultâneo ao lulopetismo sujo e ao bolsonarismo tresloucado que ele advogou é CORRETÍSSIMO e inegociável para aqueles que querem uma alternativa a tudo isso. O combate ao "rentismo", às radicalizações reacionárias e, óbvio, à destruição dos serviços públicos do Estado brasileiro são CORRETOS e urgentes.
Ciro - inclusive, em contradição ao próprio PDT e a todos os seus aliados, fazendo discurso à esquerda - está muito melhor posicionado hoje do que toda a esquerda tradicional capitalista que lambeu as botas do FMI e do Banco Mundial no que tange à denúncia do desmonte da indústria nacional, da estrutura antidemocrática e corrupta de poder que permeia as instituições brasileiras e da gravíssima desigualdade que vivemos. No entanto, é evidente que o projeto Ciro é mais um matiz dos reformismos nacionais que se opõem à rupturas com o capitalismo e se propõem a domar a fera selvagem que estrutura todo sofrimento dos trabalhadores e dos desalentados pelo sistema, o que é ilusão.
Mas ele capitaliza pois aproveita que todo dia, de fato, há uma nova prova que aquela esquerda do Partido dos Trabalhadores e do ex-PCdoB já morreu para as necessidades populares, traindo mobilizações, furando greves e aderindo às reformas bolsonaristas. Um exemplo foi o trágico episódio da restroescavadeira que usa como desmontração de afinco na luta social contra as milícias e uma forma de "contundência" ao passo que aquela esquerda que ele quer substituir ja está fedendo a cadáver e, pior!, intoxicando com os seus fracassos a cabeça do povo brasileiro. Seja com o imobilismo que ele chama de "bom mocismo inerte" ou - pela negativa - empurrando ao apoio de aventuras militaristas ditatoriais bolsonaristas, sob o peso da influência de parte da mídia e do ultra conservadorismo que reina. Mais pela falta de alternativa do que propriamente por uma concordância absoluta - não a toa os atos do dia 15 março foram tão minguados e a isolada pauta extremista vista na rua.
Mas ele capitaliza pois aproveita que todo dia, de fato, há uma nova prova que aquela esquerda do Partido dos Trabalhadores e do ex-PCdoB já morreu para as necessidades populares, traindo mobilizações, furando greves e aderindo às reformas bolsonaristas. Um exemplo foi o trágico episódio da restroescavadeira que usa como desmontração de afinco na luta social contra as milícias e uma forma de "contundência" ao passo que aquela esquerda que ele quer substituir ja está fedendo a cadáver e, pior!, intoxicando com os seus fracassos a cabeça do povo brasileiro. Seja com o imobilismo que ele chama de "bom mocismo inerte" ou - pela negativa - empurrando ao apoio de aventuras militaristas ditatoriais bolsonaristas, sob o peso da influência de parte da mídia e do ultra conservadorismo que reina. Mais pela falta de alternativa do que propriamente por uma concordância absoluta - não a toa os atos do dia 15 março foram tão minguados e a isolada pauta extremista vista na rua.
No campo socialista estamos enfraquecidos e alheios às grandes disputas, infelizmente. Hoje o PSOL (junto aos camaradas do PSTU e PCB) poderia estar cumprindo esse papel urgente e fundamental - como cumpriu ao longo de sua história - destacando-se em denúncias no cenário nacional e ainda oferecendo a única resposta adequada: uma agenda de socialização econômica e empoderamento popular, uma ruptura com a desordem estabelecida e que garanta todos os direitos básicos que são PROIBIDOS pela economia política do "FODA-SE" aplicada pela burguesia e todos os seus partidos (incluindo o PDT), um sistema que está contra a população brasileira ao longo de toda a agenda liberal dos governos FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro que estão nos conduzindo à maior catástrofe social, política e econômica da Nova República. Nós estamos assistindo a própria falência sem freio dessa Constituição de 1988 e Ciro até comentou no programa a necessidade de uma "reformulação federativa" evidentemente precisa.
Esse é o debate mais importante hoje entre os militantes que defendem mudanças profundas no Brasil, em favor do povo e a criação da força política e social necessárias pra lutar contra o sistema capitalista e seus quadros burgueses todos. Meio ao 7° Congresso Nacional do PSOL, cruzado pela crise do COVID19 e da catástrofe econômico-social do país, é preciso reforçar os debates críticos a figuras como Guilherme Boulos, Edmilson Rodrigues, Marcelo Freixo e a toda a grave insuficiência de seus programas e política de alianças para essas tarefas - aliados a burguesia, ninguém fará mudanças profundas. Parte dos quadros políticos do PSOL e de correntes internas que estão abrindo mão de um necessário protagonismo nacional do partido e dos socialistas, planejando alianças com PT, PV, PDT, PCdoB e Rede. Essa política da "Aliança" interna que disputa o nosso 7° CONPSOL está funcionando como os aparelhos respiratórios e desfibriladores para o morimbundo lulopetismo decrépito e agonizante, contaminado e sem salvação. Sendo funcional a falsa polarização de lulismo x bolsonarismo, fortalecendo não só a ultra direita como também permitindo o espaço para que um novo projeto burguês como de Ciro Gomes se vista de "Bernie Sanders" brasileiro. Por isso a disputa de camaradas como Renato Cinco, David Miranda, Sâmia Bomfim, Carlos Giannazi e outros é fundamental de ser seguida por um grande movimento contra o neolulismo interno no PSOL.
Nós da tese "Bloco da Esquerda Radical - PSOL" e outras teses socialistas no partido devemos reforçar essas denúncias e unificar nessa tarefa de combate interno e externo pra evitar mais atrasos na construção da alternativa socialista brasileira. E os camaradas do PSTU, PCB e demais setores socialistas legais e não-legalizados como partidos eleitorais devemos reforçar a estratégia dos camaradas da Argentina: a Frente de Izqueirda e de los Trabajadores Unidad (FIT-U) pra avançar ou sim ou sim num pólo social e político unitário. O "Contrapoder" organizado por Plínio Jr é uma proposta nesse sentido também, urgente. Pois é uma necessidade pra construir um programa e uma coordenação das lutas dos explorados e oprimidos que estão a mercê de todos os ataques do capital hoje e sem condições de resistir como precisam. A burguesia está em guerra contra nós e nós urgente precisamos estar armados pra enfrentar isso. A organização coletiva é a nossa arma principal. Precisamos de uma força política que diga o "NÃO!" necessário contra o consenso do capital que hegemoniza o Brasil.
Esse é o grau do problema.

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