Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Egito: Basta de repressão! Nenhum apoio aos militares!

Por Miguel Lamas (El Socialista - Izquierda Socialista, Argentina)

Egito após a queda de Mursi

Nesta última segunda-feira o Exército massacrou uma manifestação de civis desarmados, da Irmandade Muçulmana, assassinando a 51 pessoas e deixando a 451 feridos à bala de guerra, no Cairo. O terrível incidente ocorreu poucos dias depois da queda do presidente Mohamed Mursi causada por manifestações de milhões de pessoas que exigiam sua saída.

Os militares deram um golpe, em 3 de julho, fingindo estar ao lado do povo, jogando flores desde as aeronaves para a multidão e dizendo que era para "democratizar". Os militares já não podiam mais sustentar Mursi e corriam o risco de que destruíssem as próprias Forças Armadas, cujos soldados confraternizavam com os manifestantes.

A Irmandade Muçulmana é o movimento que constituiu a base do governo Mursi, e agora manifestavam-se para que o libertassem (está preso) e o reconduzissem ao poder. A brutal repressão militar se descarrega sobre eles, apesar de que até duas semanas atrás os militares apoiavam o governo de Mursi. Eles não se atreveram a reprimir milhões de pessoas mobilizadas contra Mursi. Em vez disso, reprimiram selvagemente a mobilização pacífica da Irmandade Muçulmana. Essa repressão pode se voltar amanhã contra a esquerda, os sindicatos ou aos jovens que se mobilizaram contra Mursi. Por isso é necessário repudiá-la como um ato aberrante que deve ser punido e que mostra que os militares e seu novo governo, liderado por Adli Mansur, um juiz que presidiu o Suprema Corte de Justiça, não são uma alternativa para o povo como eles dizem.

A rebelião contra Mursi, o golpe e o novo governo

Mursi venceu as eleições em junho de 2012 e rapidamente decepcionou as expectativas populares. Em janeiro de 2011, o povo egípcio se revoltou contra a ditadura de Mubarak exigindo liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e pôr um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Mas Mursi, pactuando com as Forças Armadas, seguiu com uma política neoliberal governando com as multinacionais, grandes empresários e banqueiros e pactuando com Obama, aplicando as prescrições do FMI sobre a flexibilização trabalhista. Ainda atribuiu a si próprio superpoderes, enquanto o país se afundava em uma grave crise sócio econômica, mantendo-se o massivo desemprego entre os jovens.

Como resultado, as massas se levantaram contra Mursi e ocuparam durante dias a Praça Tahrir, clamando por uma "segunda revolução". A queda de Mursi foi provocada por essa mobilização revolucionária do povo e não pelos militares. Equivocadamente milhares comemoraram o papel dos militares.

Na semana passada, a Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-CI), em uma declaração apoiando ao movimento popular pela derrubada de Mursi, advertiu: "Nós rechaçamos ao golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"! O golpe militar é um rearranjo das Forças Armadas, diante do medo da revolução e das massas. Assim querem evitar que siga se desenvolvendo a revolução e que percam o controle. (...) Seu principal objetivo não é atender às demandas das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde protejam seus interesses econômicos em aliança com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador segue afundando na pobreza e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias têm acordos com os EUA, dos quais recebem milionárias somas de dinheiro para seu armamento..."

A mobilização popular que derrubou a Mursi, foi liderada pelo movimento Tamaroud (Rebela-te), com grande peso da juventude, que afirma ter reunido cerca de 22 milhões de assinaturas por um abaixo-assinado exigindo a renúncia de Mursi.

Tamaroud faz parte da Frente de Salvação Nacional, composta por forças e figuras políticas burguesas como Mohamed Al Baradei, figura apoiada pelo imperialismo, ex-chefe da agência de controle nuclear da ONU. Esta frente apoiou abertamente ao golpe militar. A frente designou ElBaradei para estar no governo "de transição" junto com o partido ultra islâmico Al Noura.

Em poucos dias os militares, com a repressão, começam a desmascarar-se. Abrindo também uma crise política já que o partido Al Noura rompeu com o governo pela repressão da segunda-feira, 8. No fim das contas, seguia aberta a crise, a repressão e a instabilidade política.

É necessária uma alternativa revolucionária

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção revolucionária. Nem a Irmandade Mulçumana, nem os militares, nem os seus atuais aliados "liberais" liderados por Baradei podem oferecer uma saída a favor do povo, dos trabalhadores e dos jovens, porque todos servem ao imperialismo, às multinacionais e aos grandes empresários. E podem colocar o Egito à beira de uma guerra civil. Diante da crise é necessária uma alternativa revolucionária independente de todos os setores patronais. Uma alternativa dos movimentos juvenis, os comitês populares que começaram a se formar na mobilização, os novos sindicatos de trabalhadores, que devem repudiar a repressão e deixar de apoiar ao governo "civil-militar" para planejar a construção de um poder operário e popular.

O governo civil-militar reprime e pretende reformar a Constituição com um grupo de "notáveis", amigos das Forças Armadas. É necessário mobilizar-se para repudiar as ações militares repressivas, a comissão de "notáveis" e exigir a convocação imediata de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com plenos poderes para decidir como será a economia, a educação e a organização política do país.

Nesse sentido, devemos continuar impulsionando a mobilização de massas por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, pela expropriação das empresas multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, pela nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos e pela vigência do pleno exercício das liberdades democráticas e contra todas as formas de repressão; julgamento e punição aos autores dos massacres populares.

Fonte: UIT-CI

Nenhum comentário: