Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Egito: A mobilização revolucionária derrubou Mursi!

Nenhum apoio aos militares! Só os trabalhadores e o povo no poder serão solução!

Egito. Praça Tahrir. Declaração da UIT-CI

A queda do presidente Mursi, no Egito, foi o resultado de uma imensa mobilização revolucionária do povo trabalhador, dos jovens e mulheres concentrados vários dias na Praça Tahrir. As Forças Armadas deram um golpe para derrubar Mursi e instalar um novo governo de "transição" obrigados pelas circunstâncias e para evitar que o processo revolucionário passasse por cima deles também, que vinham respaldando o governo de Mursi.

O povo egípcio voltou a sair às ruas e novamente ocupou a Praça Tahrir, exigindo que Mursi se fosse, porque este governo do partido islâmico da Irmandade Muçulmana (HH) rompeu com as expectativas abertas pelo povo egípcio há um ano. A revolução de 2011, foi feita para exigir liberdades democráticas, mas também para exigir melhores salários, mais trabalho e por um fim à exploração das multinacionais e grupos empresariais ligados aos militares. Essas expectativas foram frustradas pelo governo Mursi, apoiado pelas Forças Armadas, que seguiu governando para as multinacionais, grandes empresas e banqueiros, pactuando com Obama, e endossando o corrupto poder empresarial dos militares. O presidente Mursi, surgido a partir de uma poderosa revolução democrática, editou decretos que outorgavam a ele superpoderes como presidente. Enquanto isso, o país mergulhava em uma grave crise sócio-econômica, com uma inflação de 8%, um desemprego de cerca de 15% e uma economia semi-paralisada, onde o turismo, uma das principais fontes de receitas caiu 30%, o que foi aumentando a insatisfação e o protesto social.

Por isso as massas saíram às ruas sob as consignas "Fora Mursi" e "por uma segunda revolução". Estima-se que a mobilização na Praça Tahrir passou a ser maior do que a do triunfo da revolução no início de 2011 que pôs fim à ditadura de Mubarak. Então, também os militares, que tinham sido o sustentáculo do antigo regime, cederam à força da revolução popular e deixaram cair o ditador.

Outra vez os protagonistas centrais da mudança são as massas mobilizadas e não os militares, que na nova etapa, foram o principal esteio sustentador do governo Mursi e a Irmandade Muçulmana, que acaba de cair.

Repudiamos o golpe militar! Nenhuma confiança nos militares nem no governo de "transição"!

O golpe militar é só um rearranjo, um reacomocadamento, das forças armadas ante o medo da revolução e das massas. Não saíram a reprimir ao povo por medo de um estouro que os derrotasse. Querem assim evitar uma maior desestabilização e que se siga desenvolvendo a revolução até que percam o controle. É uma manobra dos de cima para tentar desviar e derrotar a revolução usando a reação democrática, combinando as eleições com novas medidas autoritárias e repressivas. Seu propósito fundamental não é atender às reivindicações das massas, mas permanecer no poder por meio de governos submissos, desde onde possam seguir protegendo seus interesses econômicos (controlam 40% do PIB) em alianças com multinacionais e setores do imperialismo, enquanto o povo trabalhador se afunda na miséria e no desemprego. Além disso, as Forças Armadas egípcias também têm pactos com os EUA, de quem recebem somas milionárias para seu armamento e equipamento.

Por tudo isto repudiamos o golpe militar e seu plano de transição política apoiado pelas máximas autoridades religiosas e os principais dirigentes da oposição política pró-EUA como o Prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei.

Entendemos o júbilo das massas na Praça Tahrir, pelo triunfo da queda de Mursi, mas não compartilhamos as expressões de apoio ou de confiança nos militares e na polícia que são forças repressivas e defensoras do sistema de exploração e de pilhagem das multinacionais e outros exploradores no Egito.

Somente o povo, seus trabalhadores, as mulheres e a juventude revolucionária mobilizados e no poder, pode conseguir as mudanças fundamentais que têm sido levantadas desde a revolução iniciada em 2011.

A mobilização revolucionária deve continuar

A queda de Mursi mostra que a revolução árabe continua e que não conseguiram pará-la no Egito, nem em todo o Norte da África e no Oriente Médio. Parte desse processo tem sido a rebelião popular da Turquia contra o governo de Erdogan e a continuidade da resistência contra o ditador da Síria.

Nem este governo de "transição" militar-civil nem nenhum outro que seja composto pelas forças militares e políticas pró-empresariais e pró-ianques darão saída aos objetivos democráticos e sociais das massas. A mobilização da classe trabalhadora e do povo egípcio e suas organizações devem continuar porque são a única garantia de mudança. Só um governo dos trabalhadores e suas organizações populares, sindicatos e juventude, trará uma saída definitiva aos problemas do povo.

O problema central da revolução egípcia é a falta de uma direção socialista revolucionária com peso de massas. Justamente esse vazio que é ocupado circunstancialmente pelos militares e por formações ou líderes políticos patronais, como antes fez a Irmandade Muçulmana (HH) e agora o Prêmio Nobel da Paz Baradei. As massas estão fazendo a experiência com os governos surgidos da revolução, encabeçados por forças políticas patronais islâmicas como a HH e outras. É necessário que ao calor das mobilizações, protestos e greves, venham se consolidando organismos alternativos de massas, tais como os sindicatos independentes ou as organizações juvenis que estão encabeçando as convocatórias à Praça Tahrir, para se construa um poder operário e popular alternativo.

Nesse sentido, e sem dar apoio ao governo cívico-militar, é preciso continuar impulsionando a mobilização operária e popular por um plano econômico que dê as soluções que o povo exige, para a expropriação das multinacionais, das empresas dos militares e dos grandes grupos econômicos nacionais, para a nacionalização dos bancos, pelo não pagamento da dívida externa para, com esses recursos, conceder um aumento salarial imediato, dar pleno emprego e melhor educação e saúde para todos. Pela o exercício pleno das liberdades democráticas, não a limitações e planos autoritários dos militares e seus pactos a partir do topo, não a Comissão de Notáveis ​​para fazer uma Constituição, pela livre eleição de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana que discuta tudo e que o país quer o povo mobilizado.

Viva a mobilização revolucionária da Praça Tahrir!

Nenhuma confiança nos militares nem em Baradei!

Continuar a luta para alcançar um poder dos trabalhadores e do povo!


Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI)

4 de julho de 2013

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