Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Todo Tiene Que Ver


Descobri essa canção interpretada pelo Quilapayún (grupo musical chileno composto por vários cantores-tocadores). Achei linda, cantada com duas vozes completando as palavras. Ela inicia no minuto 1:34. Eis a letra:

“Todo tiene que ver con las palomas,
todo tiene que ver con un tranvía,
todo tiene que ver con la mirada,
con una carta que no se escribe,
un cigarrillo y una guitarra.

Todo tiene que ver con cerraduras,
todo tiene que ver con una almohada,
todo tiene que ver con un perfume,
con los botones de una camisa,
con un vestido que cae al suelo.

Todo tiene que ver con una duda,
todo tiene que ver con otra historia,
todo tiene que ver con calles solas,
con los andenes, con ciertas lluvias,
con despedidas y con faroles,
con la memoria, con el olvido.”

partícula de sensibilidade meio ao desastre

Nesse mundo no qual vivemos a tensão é constante.

Aqui, onde há tanta infelicidade e fatalidade distribuídas sobre a vida humana e tanta, tanta pressa nos tomando tempo. Em meio a descobertas fantásticas, avanço tecnológico exponencial, construções magníficas, constatações científicas mirabolantes, velocidade, cores, sabores e lascívia coordenada. O mínimo não é satisfeito, mas evitado ao máximo.

Em meio a todo o êxtase sintético das drogas visuais, sonoras, líquidas, ingeríveis, aplicáveis e inaláveis pelas esquinas apinhadas de zumbis, em ruas apinhadas de fantasmas, conglomerado de corpos sem cérebro, em tráfegos sintilantes, em fluxos metalizados, cantos de pneu e veneno motociclístico, impulsividade desvairada e alienação alquímica… A histeria é a língua-mãe, a lógica é caótica.

Nesse mundo onde existem gigantes invisíveis brincando conosco… Nos submetendo a normas invisíveis, axiomática robótica, dogmática psico-emocional, o Poder legisla dores e executa horrores em julgamentos torpes. Linearidade em rumo ao fim, como uma locomotiva rumo ao abismo.

Nesse mundo onde o níquel manda, barra, espele ou suga o fluxo de corpos-mercadoria que perambulam vãos, com medo, sozinhos, secretos, doentes, suicidas, fugindo nas sombras e nas luzes, na quietude, nas festas e futilidades o tempo todo, fugindo daquele imenso e crescente monstro neles alojado, que os devora todos os dias, todas as noitas, em cada sonho aturdido surgindo nefasto, o monstro do vazio, o monstro que dorme debaixo da cama daquele adulto, daquele diligente e profissional “ser humano”, derramando lágrimas silenciosas, molhando travesseiros mudos que não consolarão, embasando vícios, o buraco-negro cresce…

O eco eterno das mazelas humanas dentro das linhas demarcadoras de cada país, em cada esquina recolhida sob papelões e agasalhos, em bastidores de lojas, fábricas, cozinhas de família e linhas de ônibus, mãos humanas estendidas. Eco das crianças, crianças… Da fome, fome… E miséria, miséria… A pobreza, pobreza… E morte, morte… E o ciclo dos filhos destas crianças "sem sorte" que passarão fome também, revivendo a sina de seus pais amaldiçoados - não pelo acaso, mas pelo descaso!

Nesse mundo onde pessoas compram pão toda manhã, enquanto outros mal comem, ou comem lixo; onde crianças saem de casa e pegam o ônibus para ir a escola, enquanto outras ainda sem comer, na rua, sem casa, sobem ao mesmo ônibus para pedir e descem para cheirar; onde, nesse exato instante no qual digito, alguém definha, enquanto não sei colher palavras suficientes para demonstrar o meu compadecimento, nem notas ou acordes, nem linhas e cores para expressar minha raiva, nem lágrimas e auto-açoitamento para aliviar meu pesar… Mundo onde odeio a idéia de um Deus, com todas as minhas forças, por este não fazer nada diante do sofrimento de seus ditos filhos amados, largando-os para os bichos sujos e morte indigna, produto de uma vida indigna…

Nesse mundo, no qual existe muita riqueza disponível para poucos e migalhas miúdas para todo o resto de nós… Num mundo cruel como este, a sensibilidade sempre chora dentro de nós. Pingando na poesia, na música, no teatro, na literatura, no cinema, no seu quarto, nas ruas, nas praças, na voz, nas mãos, nos passos daqueles que, ainda assim, vão adiante em busca de um sonho, mesmo que distante, porque sentem… Sentem muito.

Que quem não sente, não é gente.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vai chegando o Natal. E o que o governo faz? Suas "Boas Festas".

Bem... O fim de ano está aí. O Governo começa avisando a população que todas aquelas promessas durante o período eleitoral não passavam de balela, meras promessas eleitoreiras. Primar pelo povo, os investimentos nele, na saúde, na educação, no saneamento, no seu bem estar, tudo balela. Já foi anunciado pelo governo Dilma que estão previstos cortes orçamentários nos investimentos sociais. Congelamento de salários dos servidores públicos, congelamento do programa Bolsa Família, congelamento de obras do tão falado PAC do PT, meu amigo, entramos numa geleira, só falta o governo fazer nevar de tão desconsolante que a situação se mostra nesse fim de ano. Por outro lado, os políticos nacionais enchem sua própria sacola de presentes, aumentando em quase 62% o salário do legislativo (e, de quebra, do executivo também)! Ou seja, o governo beneficia uns e abandona outros (nós somos os abandonados!). Meus amigos, o PSOL foi o único partido que votou contra esse aumento exorbitante de salários de 16 para 26 mil reais... Os demais partidos votaram majoritariamente no aumento. PT, PSDB, PMDB, PDT, PP, PR e DEM, todos votaram a favor. O povo brasileiro que trabalha pra caramba recebe migalhas, lá seus 500 reais suados de salário mínimo e ainda é reprimido e mal falado quando faz greve e reivindica aumentos salariais, já os políticos não consultam ninguém mais pra aumentar seus próprios salários?! Esse NÃO É o Brasil que o povo quer.

Boas festas? Só para os agraciados do governo: o próprio.
Quando Plínio avisou, quem deu bola? Aqui ele fala sobre o assunto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mobilização secundarista pede desvinculação do ENEM da UFPA

Ontem, 24/11, aconteceu uma poderosa mobilização dos estudantes secundaristas pela desvinculação do vestibular da UFPA do ENEM. Na semana passada haviam sido realizados dois atos, um no centro da cidade e outro no entroncamento com os estudantes de Ananindeua, que juntos reuniram cerca de 300 pessoas. Ao longo da semana foram recolhidas cerca de 5 mil assinaturas num abaixo-assinado sobre essa pauta e marcado o dia da entrega do mesmo na quarta-feira na reitoria da universidade, quando ocorreria o CONSEPE.

Cerca de 400 estudantes estavam no ato, muito radicalizado, organizados pelos coletivos Vamos à Luta e Contraponto. Os estudantes não se intimidaram com a chuva e realizaram passeata do terminal de ônibus até a reitoria da UFPA, onde num primeiro momento foram recebidos pelo vice-reitor que informou que a única forma de se discutir a desvinculação seria num CONSEPE extraordinário e que deveríamos recolher assinaturas dos conselheiros para essa convocação. Nesse momento o impasse se acentuou. Os estudantes fecharam as duas portas de acesso da reitoria e os conselheiros só sairiam se assinassem a convocação. Numa tentativa de mediar o impasse a comisão propos que Zaraia, e Anderson (Conselheiros estudantis do CONSEPE) e Julio (do coletivo Vamos à Luta) fossem até o CONSEPE, mas a segurança não queria deixar por ordens da reitoria. Nisso os estudantes pressionaram para que entrassem e a confusão se generalizou. Foram postos, Júlio, Zaraia e Anderson pra dentro da reitoria com socos, pontapés e tapas dos seguranças. O vidro da porta da reitoria foi quebrado e a pancadaria seguiu até que um representante da reitoria aparecesse e cedesse, dizendo que receberia uma comissão pra defender no CONSEPE a proposta do movimento. Ficou acordado que um conselho extraordinário será convocado para a próxima terça onde será rediscutido e votada a desvinculação do vestibular da UFPA do ENEM.

O processo que os secundaristas estão imprimindo contra o ENEM mostra o tamanho do espaço que existe pras lutas no próximo período. Ocorrem atos em todo o país em repúdio aos transtornos que esse exame traz ao conjunto dos 4 milhões de estudantes que fizeram a prova. É preciso que o conjunto dos lutadores estejam inseridos nessa luta até o fim. Mostramos ser possível a desvinculação desse exame do vestibular no PARÁ. Tudo vai depender da mobilização. Vamos à Luta!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Você não cansa? Eu canso

De tropeçar e afundar-me em tanta gente instável e insegura, os egos movediços; De conviver com incansáveis e repetitivos pronunciamentos vãos, sem referências e sem fins, de quem não se apega a nada nem ninguém, que vive da sua egoísta solidão; De esgueirar-me na fuga do fogo-cruzado de asneiras, por vezes obrigado a esconder-me atrás d'alguma máscara de burrice ou puro descaso pra despistar os belicosos cães do caos, decisão desesperada; Dessa época do pós-moderno poetizado, pintado e cantado, escrito em blogs bobos, discursado em mesas de bar, bebido a cada copo magoado, esbaforido em auto-destrutiva fumaça cínica, posto em estandarte, como se fosse o avesso do abismo, como se fosse salvação ou sabedoria.

Eu vejo ao longe um brilho, fixado na abóboda celeste. Farejo o ar e percebo um desbotado gosto de coisa boa. Vou fazê-la de Norte, vou fazê-la Cabana. Porque eu já vi que seguir esse caminhar contínuo, que caleja e fere a palma dos pés, dá mais vida do que me revirar no solitário e liquidificante perder-se proporcionado pelo caminho que agora abandono... Posto que quem não vive de verdade, de mentiras vai morrendo: Escolho morrer de verdade, sincero e são, no contra-senso das chorosas flores cadentes. Sei que não sou o único a cansar de ver tanto cansaço...