Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Por que a "esquerda" jogou a toalha das lutas diante de Bolsonaro?




As lutas desse ano sofreram uma operação desmonte enorme pela esquerda brasileira, especialmente pelo Partido dos Trabalhadores e Partido Comunista do Brasil - estes dois possuem os maiores aparatos sindicais, estudantis e populares em suas mãos há décadas  e com isso as condições de influenciar e emperrar grandes processos quando colocam suas máquinas para funcionar. Mas por que a "esquerda" desarticularia lutas sociais contra um governo de "direita"? Essa é a indagação honesta e lógica que as pessoas fazem ao olhar para a situação, mas ainda é ingênua e pautada por uma visão distorcida de uma bipolaridade entre o "bem" versus o "mal", "mocinhos" versus "bandidos". O fato é que o mundo não é tão simples quanto qualquer esquema desse tipo e as relações de poder incluem muito mais problemas, interesses, compromissos e condicionantes menos nobres que nossos ideais.

A realidade é que estes dois partidos não querem e, à rigor, nem podem se chocar contra o regime político da burguesia. Toda essa (des)ordem estabelecida que desgraça a vida das amplas massas, pobres e sofridas. Para os dirigentes do PT e PCdoB não se pode questionar o jogo da elite: se o Congresso votou, então tá votado. Se a classe dominante quer, então tem que entregar direitos para desmonte - e nem protestar se deve protestar (e todo o Brasil pôde ver o completo imobilismo deles face a Reforma da Previdência. As redes sociais são fundamentais pra difundir essa denúncia, que foi uma traição longa, paulatina, durou vários meses, se estendendo ao longo das quatro votações, duas no Congresso e duas no Senado, um angustiante calvário para o fim da aposentadoria gerava mal estar e confusão). De fato, esses partidos dependem da anuência de setores da burguesia para fazer sua política, também dependem da burguesia para ter continuidade o seu projeto de conciliação de classes. Pois apesar do "comunista" ou "dos trabalhadores" em seus nomes, a verdade é que eles servem aos ditames do agronegócio, dos bancos, das empreiteiras corruptas, de toda a máfia burguesa dos negócios privados nacionais e internacionais que controlam com seu poder econômico toda a política institucional do Brasil. Nunca se propuseram a peitar o capitalismo, apenas a administrá-lo e seguir cumprindo o papel de fiador do sistema e se beneficiando de sua posição nas instâncias de poder, como burocracias parlamentares e sindicais. O "golpe comunista" tão falado pela direita durante 20 anos para disputar o apoio permamperm das elites do pais nunca ocorreu nos governos petistas, ocorreu sim foram recordes de lucros empresariais. O capital foi tão beneficiado que Lula foi elogiado em todo o mundo capitalista, pelos jornais capitalistas, pelos governos capitalistas e até chamado de "o cara" pelo governo dos Estados Unidos - o imperialismo mais violento e explorador do capitalismo mundial. A Dívida Pública cresceu de 800 bilhões para 3 trilhões nos governos petistas, agora bateu 4 trilhões e vai seguir sugando os recursos sociais até a barbárie. Ou seja, a burguesia aceitou durante anos que o PT e o PCdoB governassem sob a tutela de seus vários partidos burgueses e coordenação das empresas e negocios, pois assim haveria "situacao" e "oposição" sempre comendo nas mesmas mãos em um grandd esquema bipartidário que sempre lhe seria favorável. As vezes abertamente, as vezes de maneira mais velada para evitar revoltas.

Lá em 2017, a Reforma da Previdência - que já tinha parcialmente pavimentada a estrada por Lula desde 2003 - foi desidrata junto ao governo Temer que ficou por um fio por quê? Porque o movimento "Fora Temer" foi muito poderoso, surgiu das bases da sociedade e poderia até ter derrubado não só o presidente, mas sua agenda - que, lembremos, incluiu a aprovação da Reforma do Ensino Médio, a Reforma Trabalhista e a PEC do Teto de Gastos. Mas os próprios petistas, Lula e Dilma diziam em seus comícios que não era hora de dizer "Fora Temer" e sim esperar as eleições ao final do governo para colocá-los no poder de novo, que não era necessário rebeldia nas ruas e nem também impedir as reformas. Tudo era o voto, voto e voto (no Lula). Foi a luta popular que desidratou Temer, não os petistas e suas táticas e estratégias. Foi provada no Brasil a força que a luta tem pra impactar os rumos da realidade. Mas se as lutas derrotaram a Reforma em 2017, por que não derrotram agora?

Esse ano de 2019 de novo uma gigantesca onda de lutas surgiu puxada pelos trabalhadores da Educação, com a bandeira central da aposentadoria para o dia 15 de Maio e logo se uniu à bandeira contra os cortes de recursos feito por Abraham Weintraub, que gerou mais indignação ainda e enormes explosões de lutas estudantis. Os jornais burgueses como a Folha de São Paulo, O Globo e Valor Econômico, após o enorme 15 de Maio expressaram em seus editoriais uma grande preocupação de que "as ruas" voltavam a ameaçar o governo central e os planos capitalistas no Brasil. Sempre que há manifestações massivas, abre-se o grande risco que estamos vendo em tempo real na América Latina, onde - pelo grau de destruição do sistema sobre as condições de vida - vários países agora estão em aberta crise política. É um "fora Lenín" ali, é um "fora Pinera" mais pra lá, é "fora Moïse" acolá, é dois presidentes ao mesmo tempo e fechamento de Congresso ali e ali, é greve geral, é rebelião social que dá umas porradas na polícia, são várias mortes de manifestantes e mais ira ainda em resposta, e assim segue o baile em chamas dos planos econômicos do capitalismo na região. E o Brasil é um país MUITO importante nessa região, o que acontece aqui pode virar um baita problema internacional. Toda essa colônia moderna aqui, todo esse grande quintal de exportação e importação vantajosa ao capitalismo central em degrimento do capitalismo periférico, pesa. E, por isso, a operação política do impeachment, o desgoverno de Michel Temer com seus terminais 3% de apoio e a eleição do fenômeno Bolsonaro tem sido tudo muito arriscado, pois ainda ronda o espectro assustador de Junho de 2013 que teve coragem de peitar não só Dilma e o PT, mas todos os governadores e prefeitos por todo o país que já passa por eleições cada vez mais abstinentes em votos. Não há estabilidade real, há uma ilusão que haja outra coisa que não seja uma crise profunda e estrutural se arrastando cansativamente e agora permanentemente na corda-bamba. Estamos todos em um barril de pólvora, em uma panela de pressão e as rebeliões estouram é nas horas de estresse social e recessão econômica.

O governo Bolsonaro está tendo que se adaptar a todas as maracutaias vulgares e normais de toda a bandalheira corrupta que é o Estado burguês brasileiro. É um aparato enorme que não vive sem conchavos entre todos os seus membros, não sobrevive a casta política nem pelas regras do próprio jogo da lei e da justiça e suas altas cúpulas se não for com rios de dinheiro, traições, negociatas, "acordões com o Supremo e com tudo", todos os partidos estão sujeitos a pressões e distorções enormes pois é assim que é desenhado para ser a reprodução do regime político aqui - da direita à esquerda, a "ordem" e damcar conforme a música da corrupcco. Até as milícias são o Estado, a máfia política é o Estado, a burguesia é o Estado, tudo é uma rede de circuito fechadíssimo que se retroalimenta e que é interdependente em suas frações. Se Bolsonaro não se adequa, não governa. Como se Lula não se adequasse, não governaria. Os ex operário e o ex capitão viraram parte do sistema para poder gerí-lo. Mas a insatisfação social e a classe trabalhadora tem um poder de bomba atômica na política, ela desestabiliza com facilidade toda a burocracia estatal, queima políticos, ergue ou afunda partidos e desorganizar e reorganiza toda vida "comum" da sociedade - se quiser e se armar pra isso. O PSL não era nada, virou o 2° maior partido da República. Bolsonaro era um zero a esquerda, mas virou o Presidente porque pareceu que era algo novo e radical e revoltado como anda revoltado o povo com essa política suja toda. De fato, mas, lá está, o "novo" era velho e o velho ja está enquadrado no esquemão nacional com a corda no pescoço, investigado, questionado, sem nenhuma habilidade política - pois realmente é um ogro tão inteligente quanto uma porta. Diante de todo esse cenário, algumas greves gerais e uma rebelião social já teriam mandado o Bolsonaro e o Congresso pelos ares como no Argentinaço em 2001. Simples assim, a burguesia ia falar "é, já deu desse palhaço. Bora pegar outro" ou "vamos mudar de tática, porrada não vai resolver, precisamos salvar o regime burguês - chama o Lula de novo que ele é um bom garoto pra impedir revolução". Mas não acontece essa rebelião exatamente porque toda a indignação social está difusa e desorganizada, tanto que foi fácil o PT e o PCdoB tomarem a frente das manifestações populares desse ano e as desarticularem ainda fazendo pose de esquerda enquanto tudo virava "um passeio na rua por mês" até ninguém mais ter disposição e nem paciência da falta de propostas e estratégias do movimento.

Pra eles tudo é "Lula Livre", nada mais importa, nada mais precisa de tanta atenção e nada mais vai resolver a situação do Brasil - um fanatismo louco que deixou muita gente incrédula com a tamanha baixaria de tentar roubar as lutas pra transformar numa pré-campanha eleitoral do PT. Agora em Agosto em Belém, os petistas chegaram a enfiar um carro-som só deles - e isso já numa manifestação muito pequena onde bastava um único carro - só pra ficar repetindo exaustivamente essa ladainha inócua de eleitoralismo barato enquanto a Reforma da Previdência era IGNORADA.  Eles não lutaram porque a luta bate de frente com o regime político e se eles não se comportarem, a burguesia não vai confiar neles para gerir os seus negócios, nem os vai permitir ganhar nas eleições e nem vai financiar suas campanhas eleitorais, e fim a estratégia petista de ser serviçal se o patrão não mais o quer para nada. Não precisamos mais de uma esquerda que seja a carta na manga da elite, precisamos de uma estratégia para destruir a elite e dar poder aos trabalhadores para mudar tudo. Tudo o que PT e PCdoB mantém: o capitalismo.

A rebelião no Brasil está se gestando, há uma enorme revolução popular se gestando pelo subterrâneo da crise da Nova República, vai explodir mais cedo ou mais tarde, todos os sinais de revolta estão cada vez mais recorrentes. E quando estourar a rebelião se irá varrer do mapa todos os burocratas traidores e todos aqueles que estiverem abraçados com eles, pois o povo não esquece. E nós estaremos aqui pra lembrar sempre que preciso, pois é tempo de abandonar a velha esquerda e construir uma outra, revolucionária e socialista. A única fórmula sócio econômica que não foi tentada ainda no Brasil neoliberal e pos-militarista e a única que se propõe a resolver os problemas dos explorados e oprimidos, dos trabalhadores em geral.

sábado, 12 de outubro de 2019

Devaneio sobre Coringa: entre revolta e loucura

(tem um monte de spoilers)


Dentre as várias possibilidades de interpretação, uma das mais evidentes é que o filme Coringa - em diversas camadas - é a de ligação entre protestos populares por dignidade, empregos, salários e direitos sociais à ideias beirando a insanidade coletiva, rebeliões vingativas, vontade de assassinatos e até terrorismo revanchista. Por mais que não se afirme isso, por mais que haja uma nublada relação de nexos de causalidade entre as ações das massas revoltas em Gotham com os atos pessoais do protagonista em contínua decadência mental, essa talvez seja a impressão que mais fique no imaginário dos espectadores: há uma lógica de "liderança popular" anti-herói. Todo o martírio de Artur até tornar-se Coringa produz revolta anticapitalista, afinal é dos desdobramentos desse sistema em crise e apodrecido que compõem parte importante de seus sofrimentos, bem como dos sofrimentos dos demais trabalhadores da cidade. No entanto, o caminho que trilha o personagem é o de um ressentimento individual violentamente vingativo... Nessa perspectiva, é terrível e reacionário como o filme mescla a lógica e legitimidade da luta popular, a consciência de classe, o ímpeto de rebelar-se contra a injustiça de governos cruéis e tão frios às nossas necessidades, como se tudo isso fosse uma marcha ao abismo geral do caos puro e simples, sem objetivos, sem organização, sem nenhum projeto de libertação estruturado e facilmente aderente ao mais anárquico dos extremismos - como no imaginário do que seria o estopim de um atual "neofascismo" ordeiro como resposta a uma rebelião "anarcoterrorista" por parte dos pobres. O contexto que vivemos hoje é de uma época de crise política, econômica e social que tanto detona vários protestos nos Estados Unidos, coração do capitalismo, quanto também na China, no Brasil, na Venezuela, na Argentina e agora recentemente no Peru e Equador - não é curioso pensar que ao mesmo tempo que o filme passa nos cinemas, há governos caindo por aqui? O contexto, definitivamente, é este. As castas governantes sejam de "direita" ou "esquerda", sejam estatistas ou ultra liberais das corporações transnacionais estão incomodadas por todo lado pela marcha caótica que trilham. Coringa está nessa vibe de: "turbulências narrativas". É o espírito do nosso tempo esse conflito. O filme - fodasticamente construído em todos os sentidos - atira para todos os lados, tendo como eixo o desconserto e a perplexidade, ambiguidades e contradições inúmeras em um enredo que confunde real e irreal numa mente doente e um mundo conturbado, apela ao conflito emocional da plateia submetendo Artur a sofrimentos contínuos na intenção de desatar compaixão e empatia pelo desgraçado comediante do proletariado. Sofreu na mão da família, talvez seja abandonado pelo pai, desempregado, sendo espancado nas ruas, sofrendo de transtornos que não pode tratar pois foi destruída a assistência social que lhe garantia remédios, até seu ato desesperado de auto defesa - comove e revolta, como a realidade da nossa classe. Há uma questão aqui também: o suicídio. Artur planejava se suicidar ao vivo, na TV aberta, durante sua entrevista de estréia como se fosse a piada fatal que ele contaria. Mas a pressão da oportunidade e da revolta de Artur, transformando-o no Coringa encaminhou outra decisão. Entre explodir seus miolos diante da plateia, ele explodiu sua fúria junto aos miolos do âncora do talkshow, que ali representou o também frio e cruel deboche da TV contemporânea aos problemas populares. Da auto-defesa do primeiro assassinato ao extremo do terror individual que mata, há um salto. Enquanto "palhaços" vão às ruas e terminam lá elegendo como líder-símbolo um "palhaço louco" inspirandor de um movimento pautado por assassinatos (kill the rich) e que termina revirando a cidade toda do avesso, qual será o lado da plateia? Conflito. Essa miríade de conflitos e contradições é a engrenagem do filme. Inclusive, há uma coisa em comum entre HQs de super heróis e filmes de hollywoodianos: primeiro, o povo é sempre uma massa de gado que precisa de heróis para sempre serem salvos; segundo, a ideia de rebeliões e revoluções sociais nunca chega a uma conclusão positiva ou mudança fundamental, essas ideias sempre tem que ser massacradas, amaldiçoadas e esvaziadas de racionalidade sã e objetivos claros. O filme, evidentemente, é sobre o Coringa. Mas a mensagem é à nossa classe: "não pirem!". A mensagem é aos governos: "olhe, como eles estão pirando, hein!". E, podemos ainda esticar a corda até interpretar outro recado, como um convite e uma ameaça, talvez? "Parece incurável. Precisamos de Batman". Talvez seja por isso que Coringa ao final do filme ri e responde à sua psiquiátra que ela não entenderia a piada. A piada de que a loucura coletiva é que cria os "super heróis" - entra aqui a cena de Bruce Wayne com seus pais abatidos no chão pelos palhaços mascarados da multidão que roubavam o colar de pérolas de sua mãe. Há tantas vítimas e vilões-colaterais na narrativa, mas os "verdadeiros vilões" que constroem todo o sistema em crise de Gotham nem sequer tem máscaras, nem nomes e nem aparecem... Ou é impressão minha? Coringa é como um fenômeno-resultado da degeneração social de Gotham, que afunda na depressão e produz as condições para uma rebelião. Mas a loucura sistemática antipopular que massacra tanto Artur como o restante dos "clowns" da cidade é a raiz do problema central que o filme não esgota: a loucura capitalista contemporânea.

"A vida é assim..."?

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Ainda há quem sonhe e lute

Ainda há pessoas dispostas a fazer sacrifícios pelo bem comum, por grandes causas e belos sonhos.

Ainda há gente disposta a sofrer as consequências de não se dobrar a um absoluto individualismo, pôr a cara à tapas de calúnias, perseguição e dúvidas.

Ainda há quem pacientemente tente desatar os nós tão apertados do mal entendido, da má fé e vilania, revertendo venenos em curas graciosas...

Ainda há os que com coragem amam, amam sem medo dos gritos histéricos de repulsa bárbara dos odiosos e amam repelindo toda a tóxica inveja dos encoleirados nos costumes

Ainda há aqueles que cantam, dançam e contam um lindo mundo gestado e parido dos cinzentos escombros desse mundo-cão ao qual a palavra da igualdade social, diversidade humana e liberdade plena colorirá aos céus ensolarados de arte!

Ainda há esses que sofrem e choram, ao mesmo passo que organizam e lutam com raiva, a raiva ardorosa e terna de quem sabe que para que o sofrimento acabe será preciso acabar com o status quo, a (des)ordem estabelecida e o mundo lunático, lucrocrático.

Ainda há a que sonha. Se perguntando se sonha ou se vive. Há a que vive se perguntando: tudo não passa de um pesadelo contra o qual a principal arma com a que se defender seja... este sonho?

Meio às greves. Passeatas nas ruas. A repressão recua face a multidão. Palavras de ordem estão em vez de trovão, ecoando em todas as cidades. O poder vacila, sibila e cai! Derrubado todo o monumento da pirâmide. Eis a luta, o sonho.

Ainda há eles que semeiam, que colhem, que subtraindo repartem e multiplicam. Ainda há os que enfrentam! Ainda há vocês que apontam, propagandeiam, recrutam, formam e bradam:

"Lá está! Nossa utopia é alcançável. A podemos construir com as próprias mãos, corações e mentes. Se destruirmos essa muralha-cárcere de egoísmo terrível: abaixo o capitalismo!"

Ainda há imprescindíveis

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Devaneio: consciência ingênua sobre líderes, representação e participação direta

Estava refletindo coisas sobre o episódio da votação em 1° turno no Congresso Nacional quanto a Reforma da Previdência e a reação ao voto de Tábata Amaral e outros deputados federais. Aí acabei digitando esse devaneio bagunçado no Facebook. Mas não quis publicar porque lembrei que tenho um Blog abandonado que agora quero ressignificar. Então, aí está o texto pra quem quiser compartilhar ideias ou fazer colocações.


É muito importante levar os debates para fora da cultura de linchamento e deboche que redes como o Facebook acabam repercutindo. Então, por isso prefiro refletir sobre esse assunto aqui, nesse formato, porque é um exercício saudável a reflexão sobre como contribuir melhor para que as discussões sobre as coisas que ocorrem levem para conclusões e não só para conflitos gratuitos e infrutíferos.

Hoje vejo que um dos principais problemas que as lutadoras e os lutadores sociais se confrontam nas batalhas politicas cotidianas é com uma grande dificuldade de "leitura" dos fenômenos da política. Pois impera, infelizmente, uma consciência ingênua generalizada sobre nosso povo, em verdade sobre todos nós e nossos iguais, trabalhadores e pobres, enquanto classe. As pessoas olham para as coisas da política, mas só enxergam as aparências e não conseguem perceber as essências. Ou seja, não se analisa em profundidade, mas apenas em superficialidade as disputas políticas em curso. É por isso que vivem caindo numa espécie de "seguidismo carismático" que termina em desilusões e experiências frustrantes, sem nem ao menos conseguir perceber quando estão sendo iludidas e muito menos em como está se dando essa ilusão até que reste o constrangimento público. E a indignação.

Não se lê o conjunto dos processos como o "filme" que são, se olha para os fatos de forma tão estática como se fosse uma "fotografia". Falta consciência dialética, falta enxergar que as coisas todas são dinâmicas, mudam e mudam. Falta consciência crítica de entender causas, efeitos e prognósticos quanto ao futuro, análises profundas e mais detalhadas dos fenômenos. O conteúdo dos programas, a localização dentro da luta de classes das diversas organizações e forças políticas.

E pior ainda, pois existe uma tendência desgraçada dentre os não-críticos de se achar ou de tentar sempre colocar uma pecha de que as pessoas que fazem crítica são pessoas que querem ser "donas da verdade", que sejam "arrogantes", que pensem que "só elas estão certas" e uma série de outras generalizações agressiva ao debate para tentar, objetivamente, impedir a realização das discussões e da reflexão crítica. É um método de não-debate para evitar que sejam deslocadas consciências para fora da zona de conforto acrítico e do lugar comum dos consensos sociais pré fabricados. Divergir é sempre tratado como algo ruim, negativo e penoso, não construtivo, ou divisionista e prejudicial quando isso é o completo oposto da realidade. Pois sem ambiente de debate livre e saudável impera o monolitismo autoritário de opiniões e decisões de alguém que exerce o poder.

Além de tudo isso existe uma grande falta de consciência do próprio poder, do poder coletivo, da força das pessoas, da importância da participação direta, ativa, coletiva, contributiva e dinâmica do máximo de pessoas no processo de luta social, da organização e mobilização das batalhas que se encampar, no se tem muita consciência sobre nosso própria capacidade de intervir e mudar os rumos dos fenômenos em desenvolvimento. Da nossa capacidade transformadora e de como ficamos mais fortes, mais capazes e mais inteligentes quando estamos agindo em unidade. E acabamos entregando o nosso poder coletivo a pessoas, a indivíduos ou grupos e vamos nos esvaziando inconscientemente desse poder.

Esse é o caso dos "líderes". Estas figuras são um fenômeno político também, que se dá em um tempo e um espaço como parte de um processo vivo e dinâmico de relações interpessoais que se transforma continuamente. Portanto, nós precisamos ser cirúrgicos na análise do papel que cumprem essas figuras. Seja quando são papéis progressivos e positivos para o avanço e contrução da luta ou seja quando passam a ser um fator negativo, obstrutivo e nocivo, onde o "eu" vai agindo em detrimento do "nós", se deixando de lado o coletivo e a coletividade em nome do individual e da individualidade. Quando projetos pessoais são maiores que os projetos coletivos, é o momento mesmo da traição, muito provavelmente.

É a vulnerabilidade crítica, é a armadilha da ingenuidade política que nos impede de nos livrarmos dos "mitos" que surgem sempre e a todo momento em todo lugar desse país. Há por todo lado fábricas e mais fábricas de "mitos" políticos, religiosos, comunitários, estudantis, acadêmicos, jurídicos, enfim, a sociedade está cheia de pessoas artificialmente construídas consciente ou inconscientemente preparadas para enganar as pessoas e detonar e destruir os sentimentos e os valores de comunidade, coletividade, civilidade, solidariedade, construção conjunta, bem comum, etc. Porque ao sistema capitalista no qual vivemos só interessa o que se pode fazer de propriedade privada, lucros e vantagens de seus agentes sociais e ideológicos. Ou seja, essa própria "consciência ingênua" é parte dos programas de poder da classe burguesa sobre toda a nação brasileira, pois ela quer um povo ignorante, sem escola, sem nível superior, sem política, sem debate e liberdade, ou mesmo quaisquer sociabilidades diversas aos seus padrões estéticos, morais, éticos e econômicos. A ingenuidade política, no caso, é um desastre completo onde tudo é decidido pelo voto nessa democraria dos ricos, mas que, na prática, não decide nada além de indivíduos e simulações em crise de processos democráticos.

Porque as pessoas ao invés de ver as práticas, os métodos e os conteúdos, acabam sendo condicionadas por essa consciência ingênua a se apegarem a seus afetos passionais e não-racionais, ao carisma das "figuras públicas". Quando deveriam, na verdade, se apaixonar e fazer reproduzir estas práticas, estes métodos e estes conteúdos que são apenas representados por pessoas, sim, obviamente, mas que não são características exclusivas delas! O "culto a personalidade" é o escárnio da coletividade. A idolatria de heróis e o menosprezo do comum.

Por exemplo, se formos olhar criticamente para além da pessoa e estudarmos o que, de fato, Lula significou em várias áreas da sociedade brasileira, veremos o seu ataque contra aposentados e pensionistas quando alterou as regras da previdência e quebrou a paridade entre aposentados e da ativo, gerando perdas econômicas aos idosos e seus cônjuges; ou como seu projeto educacional gerou uma explosiva privatização do ensino brasileiro que chegou na casa dos 85% das instituições de ensino superior, com transferência massiva de recursos públicos aos negócios privados via FIES e ProUni; ou como o abandono do projeto da Reforma Agrária e o incentivo ao Agronegócio exportador reforçou o caráter de Neocolonia do Brasil ao mesmo tempo que ativou um retrocesso industrial nacional que nos enfraqueceu diante a divisão internacional do trabalho; ou de como as sucessivas alianças e apoios do lulopetismo ao fundamentalismo religioso nutriu Edir Macedo, Marco Feliciano e até a própria família Bolsonaro, posto que todos eles foram aliados ou membros da base aliada do PT e saíram muito mais fortes do que entraram na política, destruindo o kit de combate a homofobia nas escolas, entre outras pautas, direitos femininos, que viraram moeda de troca por apoio eleitoral; ou a linha ascendente do encarceramento de jovens negros e de uma técnica de militarização das favelas via UPPs, a criação de novas forças de repressão e até uma lei "antiterror", sendo que sabemos que o terrorismo no Brasil vem do Estado e não dos movimentos sociais; E um longo etc...

Infelizmente, a ampla maioria das pessoas nem sequer sabe dos dados mais básicos desses problemas. Que seria um problema também de informação, mas, para além disso, também de formação porque: apenas conseguem enxergar um velhinho barbudo, simpático e de fala simples, que veio do nordeste e prometia destruir a corrupção e mudar tudo de horrível que havia. Tocante. Mas que não vai além dessa superficial análise, que FOI real em certo tempo e em certo espaço, mas que não é nem a totalidade da realidade e nem é mais realidade hoje, depois de tanta corrupção e servilismo a elite brasileira e ínfimos projetos aos pobres que não resolveram nada do que se prometia resolver. Há muito no subterrâneo que não se explora. Há muito que não se alcança, posta a ingenuidade política. E isso serve tanto para o ex operário como para o ex capitão ou a ex guerrilheira. As coisas mudaram e nenhum deles é hoje igual ao que já foram no passado. A dissonância da palavra e das ações é também algo essencial de termos em mente que ocorre.

A ampla maioria das pessoas não reflete para além do discurso e conceitos oficiais sobre a pobreza - nem sequer refletiram o que significa a palavra "pobreza", que não expressa apenas o número de reais e centavos no bolso, mas todas as condições de reprodução social das pessoas que são alijadas de seus direitos. A ampla maioria das pessoas não reflete que não acabou a pobreza, e nem percebeu que nós todos caminhamos para um país onde o fosso entre os mais ricos e os mais pobres cresceu muitas vezes mais do que qualquer "digestão moral da pobreza" praticado em programas assistencialistas governamentais.

Outro caso é do Guilherme Boulos do PSOL que foi candidato pelo partido que eu milito e que eu crítico sempre que vejo erros que, em minha opinião, precisam ser enfrentados com dureza e honestidade. Boulos teve um modus operando interno e outro externo, por dentro das entranhas do processo político interno sua candidatura foi uma imposição autoritária, burocrática e que negou a que a militância do PSOL pudesse realizar uma eleição direta desde suas bases e decidir coletivamente e democraticamente. Boulos foi colocado como candidato por delegados de um Congresso que não debateu em suas etapas e pautas nada sobre candidaturas presidenciais, foi algo que entrou pela janela e, bionicamente, feriu a democraria interna como nunca antes tinha ocorrido na organização. Isso gerou uma crise no partido que casou desgaste e levou a pior votação de toda a trajetória do PSOL, vários militantes decidiram abandonar a campanha e não mover forças por ele. Eu era contra a su candidatura, mas achei que as bandeiras do PSOL estavam hasteadas parcialmente e por isso era preciso disputar ainda o espaço que fosse aberto por ela, mas com críticas. Enquanto isso, para fora do partido parecia que Boulos era o líder e campeão da "defesa da democracia", o que, na prática, é falso pois não respeitou nem sequer os militantes do partido pelo qual concorreu e aplicou uma política diferente da usual do partido e o fez, inclusive, nos fez perder parte grande do nosso eleitorado mais fiel. Isso é um exemplo de fábrica de lideranças biônicas por cima e não por baixo, que gera desconfiança e deseduca. Boulos acabou perdendo votos para outras ilusões como Ciro Gomes, para Bolsonaro, para Haddad, etc. Mas a realidade mais importante é que todo o processo eleitoral já é, por si mesmo, uma ilusão e a tarefa dos lutadores é denunciar essa farsa antidemocrática e disputar consciências para a crítica e para a luta e para a organização contra essa ordem do capital e sua democraria burguesa. Não sonhar em entrar nas regras do jogo como fez o PT e sim destruí-las para criar novas regras, as regras de uma Democracia Direta, de uma Democraria dos Trabalhadores. Coisa que Boulos e sua Plataforma "VAMOS" não conseguem fazer...

O problema de termos uma população sem consciência crítica, mergulhada em uma consciência ingênua superficial e alienante de sua capacidade de ver as coisas é que as pessoas estão mais vulneráveis a acreditar em qualquer coisa. E também ficam incapazes de com essa consciência crítica poder mudar as coisas com suas próprias mãos, com suas próprias forças. Tudo parece recair sobre os líderes, sobre os políticos, sobre as instituições, sobre as representações de todo tipo, tudo parece ter mais força do que as pessoas comuns. Parece que quem tem menos poder somos justamente nós e nossas mãos de cidadãos. Mas isso não é real, isso é ilusão.

O problema é que isto acostuma as pessoas a receber pouco, sempre se satisfazendo com a lógica de "pelos menos isso", então nossa classe sempre está subjugada e dominada e submetida a aceitar péssimos acordos. Desarmada para disputar algo maior e mais estratégico, desarmada de Sonhos e Bandeiras pelas quais lutar, muitas vezes. Aceitando a "miséria do possível". E assim também sempre deixando que os outros peguem a sua responsabilidade de resolver os problemas do país, sem nunca se resolver nada e sempre ainda conseguir piorar muita coisa.

É fácil enganar o brasileiro, infelizmente.

Toda a nossa consciência política mais avançada foi amputada pela Ditadura Militar e todo o autoritarismo obscurantista que veio junto nos mantém até hoje em uma "idade mental social" infantil - ou senil. Porque conseguimos chegar à loucura de ter gente hoje dizendo até que o Brasil já foi "socialista" ou que o PT é "comunista", quando o petismo foi fiador das classes dominantes e sempre estave servindo a capitalistas nacionais e mais ainda aos capitalistas e banqueiros internacionais! O próprio Obama, presidente imperialista do país mais capitalista e bélico do mundo todo, chamava o Lula de "o cara" por sempre estar a disposição dos EUA. Foi, inclusive, o Lula quem mandou as tropas do Exército brasileiro irem oprimir como um exército racista o povo do Haiti! Ou seja, o Brasil já até serviu de cachorro dos EUA quanto a sua atuação geopolítica, fingindo que cumpria uma missão de paz quando ia bater em pobres famintos desesperados que queria pegar comida nos supermercados...

O mundo é todo ao contrário e as pessoas se enganam como crianças, bebendo tinta pensando que é um suco delicioso de morango. E tanto mais velho alguns, às vezes, mais infantil parecem se tornar os membros de nossas gerações anteriores, lamentavelmente.

A ignorância - no sentido do desconhecimento - é a condição que as classes dominantes conseguiram vitoriosamente instalar no país pra melhor dominar e pilhar os pobres e quem vive do seu trabalho. Da venda de suas forças e suor por um salário de fome que não paga nem o que a Constituição diz que deveria ser pago, como função social do salário para alimentos, vestuário, lazer, saúde, etc. Não só os ricos gananciosos mas também os seus serviçais políticos canalhas de "esquerda" são campeões em falar bonito e fazer terrível o tempo todo. No parlamento: mocinhos. Na luta de classes: burocratas traidores da pior espécie dispostos a desmontar greves, lutas e mobilizações.

As pessoas precisam de CRÍTICA pra conquistar sua emancipação política, epistemológica, ideológica, religiosa, sexual, relacionamental, em geral, em tudo. Para conseguir se livrar desse vício doentio de gostar de viver ilusões inúmeras, viver falsificações das mais perversas e tolas e muitas vezes cruéis.

O cotidiano é cheio de ilusões, as relações são cheias de acriticidade, cheias de paixões tão irracionais que se tornam tóxicas, venenosas pra própria saúde mental e emocional das pessoas que convivem, um em relação às outras. As pessoas estão se adoecendo umas às outras também como efeito da deterioração do tecido social da sociedade burguesa, uma sociedade que vive uma decadência estrutural tanto no Brasil quanto no mundo. Na sua moral, na sua civilização. O suicídio e a depressão são debates feitos já pela nossa própria juventude, tão atingida pela crise de desemprego e a falta de perspectiva de futuro,. A tristeza se abate de forma crônica, a solidão mata aos pouquinhos pelos golpes que as opressões conscientes e inconscientes produzem. A violência. O medo. Há demais pressões nos ambientes de moradia, estudo e trabalho. Isso quando você tem onde morar, onde estudar e onde trabalhar. Sorte de quem ainda não teve o mundo desmoronado em pedacinhos de esperança perdida por todos os lados.

Veja bem...

Quantos casais abusivos, amigos-juízes e colegas autoritários a gente conhece em todo lugar? Que não ouvem uns aos outros e que não procuram ser compreendidos e nem compreender ninguém. Quantos patrões ou quantos representantes do Estado que cruzam nossa vida não aplicam assédios morais contra nós? Quantos egoístas arrogantes conhecemos? Que vivem só em função de si e de suas vontades, seus objetivos e "fodam-se vocês pra lá" todos ao seu redor? Que acham engraçado e fazem deboche sistemático do própria ideia de disposição ao diálogo? Que batalham e militam pra que as pessoas se sintam mal e excluídas dos espaços que mais deveriam ser de todos nós? Quantos oprimidos que são campeões em oprimir que a gente acaba conhecendo no dia a dia? Que falam de liberdade, mas só defendem a própria enquanfo vivem pra julgar e fazer troça dos seus desafetos? Nossa! É de cima a baixo, seja do Congresso ou do Presidente da República, até os mais ferrados, até os mais na rabeira da cadeia alimentar, nós temos uma sociedade doente e em crise e em degeneração. Quantos falso moralistas, cínicos e falsários a gente não conhece nos espaços religiosos, empresariais e políticos? Corrupção generalizada, com certeza. Mas organizada de cima pra baixo, contra tudo e contra todos, até ter ares de cultura... Mas cultura é resultado de algo concreto, ou seja, dos sistemas sociais que sempre foram instalados contra o povo.

É uma vida caótica viver nessa sociedade como está. Estamos longe, muito longe, totalmente distantes de ter consciência de como o Brasil ainda vive relações desumanas e de séculos passados, ao mesmo tempo que vive o tempo moderno da tecnologia informacional rápida e reproduz das crendices mais ri-dí-cu-las já inventadas pelo homem primitivo... Vivemos um puta exemplo do que é o "desenvolvimento desigual e combinado", com pensamentos e crenças ainda coloniais e práticas modernas de exploração e opressão. Chocante.

Por isso se acredita em Messias.

Por isso se acreditou e ainda se acredita em Lula. Por isso se acreditou e ainda se acredita em Bolsonaro. Por isso se acreditava em Sérgio Moro. Porque não vivemos uma sociedade emancipada e livre, capacitada para realizar análises profundas das coisas, mas numa nação prisioneira de todos os seus mais velhos e carcomidos autoritarismos. Nossos heróis são aqueles que a História não conta, que vão nadando contra a maré, que morreram e que morrem em combate contra velhas forças da ganância e da violência do capital.

Imagine, então, sonharmos de chegar ao patamar da população saber separar o indivíduo de suas práticas, métodos e conteúdos? Imagine lutar politicamente se não se sabe nem criticar o tio que espanca a mulher em casa com falas como "ninguém mete a colher"?!? Se não conseguimos nem criticar o autoritarismo institucional que se comete em nosso local de estudo e trabalho?!

Mas é urgente aprender a lutar e a identificar quem luta ao nosso lado ou não, se não nossa vida vai ser pra ter Tábatas e Úrsulas e Marinas posando de diferente, quando são iguais a todo o resto da estirpe de traidores e traidoras dos trabalhadores e sua juventude.

Práticas. Métodos. Conteúdos.

É preciso uma Prática diante dos ataques do governo, qual? Lutar com força, essa é a prática dos lutadores sociais. É preciso método, qual? Coletividade, construção conjunta e participativa, envolver o máximo de cérebros no processo de luta. Esse é o Método de quem quer mudanças coletivas e não louros personalistas, um.exemplo é o debate que mais tem surgido contra os burocratas sindicais e estudantis, como os "Comitês de Base" nos locais de moradia, trabalho e estudo. É preciso Conteúdo que dê objetivos para nossos esforços, qual conteúdo? Avançar nos direitos e em mais conquistas como, por exemplo, os "10% do PIB para a Educação" para enfrentar a política de cortes do governo.

Às vezes as lideranças nem lutam com força, nem constroem de forma coletiva e nem apresentam nenhuma proposta. Isso já é um risco enorme, mas ainda pode alguma pessoa ganhar a condição de "representação" pelo afeto e carisma. Pois muitas pessoas se deixam levar por líderes e não por ideais, são levadas por formas aparentes e não por proposições objetivas.

E, em geral, as pessoas tratam a política como qualquer coisa que não seja uma luta entre as práticas, os métodos e os conteúdos, mas como uma luta entre indivíduos, um jogo de futebol, uma luta de UFC, um esporte onde estas são apenas parte da torcida e não dos participantes reais do jogo. Só vem as pessoas que encarnam um papel de caudilho, de referência-controle, super heróis messiânicos. Isso é um desastre porque as eleições burguesas, por exemplo, são feitas para só fazer as pessoas acreditarem menos no seu próprio potencial de contribuição participativa, essa democracia é contra a democracia direta porque ela é representativa apenas, onde o povo vota para ser substituído por um indivíduo ou grupo que se absolutiza no poder. Do micro ao macro, nas relações mais corriqueiras do cotidiano até às relações titânica internacionais da geopolítica. Essa ingenuidade, essa consciência ingênua sobre tudo é algoz do nosso povo, é algoz de todos nós, porque é um subproduto da vontade das classes dominantes que nos querem ingênuos.

Está entre nossas tarefas urgentes  sempre pensar e construir maneiras de superar essa despolitização e deseducação tão grave, de maneira revolucionária. De maneira que faça mudanças profundas e estruturais, portanto, em toda a nossa sociabilidade de maneira contundente permanentemente. Política é Educação e Educação é Política. Estão ligadas umbilicalmente porque ambas são aspectos de  toda a sociabilidade humana, não existe ação que não seja educacativa e política em algum sentido. E arrisco dizer que é a participação direta nos processos sociais a mais educativa de todas as ações políticas, provavelmente.

Enfim, acabei de decidir que vou estudar nessas férias sobre essa questão da consciência ingênua. Quem tiver recomendações, aceito.

"Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam emtre si, mediatizados pelo mundo"

- Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

"VOTO ÚTIL"? CIRO ESTÁ COM OS PARTIDOS DO AJUSTE E DA CORRUPÇÃO!


Crítica pela esquerda de Eduardo Rodrigues, militante do PSOL no Pará. Por uma luta e por votos antifascistas e anticapitalistas!


Temos visto uma importante e necessária vontade social de derrotar Bolsonaro, que está politizando ainda mais a polarização social. Por outro lado, temos visto crescer também uma enorme ilusão em torno do projeto de Ciro Gomes - um candidato que não teve o apoio nem do "Centrão" e nem do "Lulismo" na chapa nacional com Kátia Abreu. Uma vez que parte dos seus almejados aliados está com Alckmin e Haddad, ou com candidaturas próprias. No entanto, o PDT de Ciro está coligado a TODOS os velhos partidos que aplicam a retirada de direitos e inúmeros casos de corrupção no Brasil. É fundamental travar um bom debate sobre a derrota de Bolsonaro, com certeza, mas sem cair cegos nas demais armadilhas criadas pela burguesia e suas castas políticas de mãos sujas.

Ciro Gomes no Pará está com o DEM - um partido filhote da Ditadura Militar - e o PSDB de Jatene e Zenaldo, dois inimigos do povo paraense e de Belém, apoiando que caia sobre nós o militar Márcio Miranda. Quando dizemos isso, os adeptos da candidatura Ciro-Kátia ficam chateados pelas denúncias. Mas precisamos dizer as coisas como elas são, sem medo e sem mascarar a verdade: Ciro também está com o DEM no Mato Grosso, ao lado do MDB do Michel Temer e do fundamentalista PSC. Está ainda com o PP - o partido mais corrupto do Brasil - e o PRTB que é outro partido igrejeiro fundamentalista, com Suely Campos em Roraima! Ao mesmo tempo lá no Ceará, apoia o Camilo Santana do PT junto ao DEM e o PP! Veja que lambança é o tal "projeto nacional" do Ciro e da Kátia Motosserra. O ruralismo, o latifúndio e o agronegócio não são problemas para eles? Concordam também com a política de Belo Monte em Altamira do lulismo e das isenções milionárias a Hydro Alunorte em Barcarena que os tucanos fazem.

Não basta discursos e firulas, a prática política do PDT é tão fisiológica, tão fisiológica e tão velha que Osmar Dias (PDT) desistiu da candidatura ao governo no Paraná porque teria que subir no palanque de duas candidaturas adversárias, dado o grau de coligações cruzadas de cima a baixo. Isso é de uma inviabilidade tão gritante que caiu fora pra não passar mais vergonha! O Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo está com PSDB, DEM, PP, PCdoB e o PSC, veja só. E na Bahia, o Rui Costa (PT) também está tendo apoio do DEM, do PSD da Bancada da Bala - que aqui no Pará é responsável por Éder Mauro e Coronel Neil - também o PCdoB e o PP, apoiados pelo Cirão da Massa. Só se for a argamassa da corrupção! O Fernando Pimentel (PT), que o PDT apoia em Minas Gerais, está com o PR além do PCdoB, DC e PSB. Foi esse mesmo Pimentel quem reprimiu duramente a greve de educadores em MG e foi denunciado pelas organizações populares... Todas essas informações de coligacões estão no site da Gazeta do Povo no Especial das Eleições e com todas as informações publicadas pela Fonte: Tribunal Superior Eleitoral.

Eu não estou nem falando dos inúmeros processos e escândalos nos quais todos esses partidos batem recordes, seja no Mensalão, no Propinoduto ou na Operação Lava Jato! Será tão difícil entender que o Bolsonaro deve ser derrotado sim, mas que o Ciro representa tudo que o povo odeia e que tem levado a mais completa desilusão política nas massas trabalhadoras e pessoas comuns? É a DEMAGOGIA do Ciro o que irrita, mas ela está velada sob o manto do medo que as pessoas tem da política fascistizante do PSL. O Bolsonaro se fortalece se briga com o Ciro, porque o Ciro tá com toda a turma podre do país - igual o próprio Bolsonaro sempre esteve. Foram tantos os partidos que ambos passaram, inclusive, para mostrar suas inconsistências ideologicas! Ciro simplesmente não conseguiu o apoio na chapa nacional, mas babou o ovo tanto do "Centrão" (a direita tradicional) quanto do Lulopetismo (a exquerda que a direita gosta, pra brincar de polarização).

Substancialmente podemos afirmar que não vai mudar nada se Ciro ganhar e, pior, a ultradireita ainda vai ter um tempão pra dizer "Viu? Deu no mesmo! A saída era e continua sendo nós, os 'honeeeestos'". Que autoridade vai ter o eleitor de "esquerda" que votou na direita toda que vai formar o novo governo e que não seria negada por Ciro?!? Não se combate o fascismo fortalecendo a direita e seu projeto fisiológico de poder! Precisamos ser sérios e responsáveis, defender o central: um programa político que faça uma revolução política e social no Brasil guiada por garantir os direitos dos trabalhadores e não de tirá-los com estas reformas terríveis. Nem as privatizações que enfraquecem o trabalho em favor do capital. Se não for isso, se esse projeto de igualdade não vingar urgente, haverá um projeto de uma verdadeira contrarrevolução social que será um retrocesso absoluto em médio prazo. Essa é a polarização real: capital x trabalho. Apostar na mobilização das mulheres e de todo o povo é o caminho pra reverter isso, indicando uma saída real. Não esse "projeto nacional" da burguesia com Ciro e Kátia! O PSOL tem autoridade política e programática, é sempre premiado pelo CONGRESSO EM FOCO com os melhores parlamentares do Brasil, não está em nenhum dos inúmeros escândalos de corrupção que nutre o Congresso Nacional, e ainda propõe mais poder ao povo e caminhar para findar oa privilégios da casta política!

Vote sim no que você acredita, numa atuação política pautada pelos interesses do povo e não do PSDB, PT, MDB, PP, seus financiadores de campanha e marketeiros, é toda essa corja que está com Ciro pelo país todo e com o Alckmin também. Bolsonaro, Alckmin, Ciro, Marina, Haddad, Álvaro Dias, Meirelles, nenhum dos candidatos da "direita" e da "esquerda" desse podre regime político nos serve. A rejeição de Bolsonaro está em cerca de 41% de acordo com as últimas pesquisas do Ibope e DataFolha, ainda as mulheres são barreira importante contra o seu neofascismo e agora que os indecisos podem começar a se posicionar, embalados pela vontade de protesto. Não tem sentido definir-se por um "voto útil" com tanta água pra rola de debaixo da ponte ainda com quase um mês de campanha e fatos políticos possíveis. A grave facada em Bolsonaro no dia 6, o atual pedido de seu vice General Mourão de assumir o seu lugar e a criação do Mulheres Contra Bolsonaro com já mais de 1 milhão e 500 mil membros são exemplos. Com o teu reforço nessa reta final de campanha o PSOL pode e deve passar a crescer como um Projeto de Brasil aplicável! Contra o desemprego e por infraestrutura que dê os direitos a quem mais precisa e promova a dignidade de todos os setores hoje oprimidos e marginalizados por essa falsa democracia. Proteste nas ruas! E também nas urnas! Vote 50 e se organize pra derrotar esse sistema podre que promete um terremoto em 2019 com o novo plano de ajuste fiscal que todos esses partidos irão aplicar contra nós!

Fortaleça uma saída verdadeira, o PSOL fica mais forte com VOCÊ!