Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

domingo, 29 de novembro de 2009

Antes de Descansar

Queria muito aprender algo novo, num ambiente novo, com pessoas novas, pra sentir novas sensações e, assim, poder aproveitar nuances da vida, me aprimorar, me aplicar no mundo, entender mais, enxergar mais claramente, exercer mais minha capacidade de existência - Que, pra mim, existir não é só ocupar espaço.

Eu queria e, por incrível que pareça, eu quebrei paradígmas e Consegui. E por mais que por um instante eu pare e pense que "nossa, isso não é nada demais", numa medida autoprotetora de manifestação pública de pensamento até, sei que isso não é verdade.

Só nós mesmos sentimos o quão valioso algo pode ser, só nós mesmos sentimos o peso de nossas próprias proposições. Eu já cheguei na idade de acreditar em minhas próprias conjunturas, já alcancei um alto patamar de segurança, de confiança, de vontade, de consciência... Pra dizer o que acredito e o que não acredito. Pra dizer o que concordo e o que discordo. Pra lutar pelo que julgo merecer. A intimidação não funciona mais comigo, a vergonha se foi, a quase totalidade do medo se foi, então só ficou em mim a fé que deposito na minha própria fé.

O meu ideal de justiça, de dignidade, de respeito, de valor, de importância, a minha constante tarefa de autoanálise, autocrítica e autocorreção, minha diligência no exercício de mim, evitando ao máximo os egoísmos e as violências neles baseadas. E "esse ridículo desejo de ser útil". Esse querer semear, regar e ver vingar. E, conjuntamente, essa dor que dá quando não há como ajudar.

As pessoas são tudo.
São o mais importante.
São vida, são essência.

Me sinto culpado de ser tão frio e cruel nas minhas análises sobre as pessoas, as vezes. Sabe, tenho tanto apreço pelo ser humano... Ele não merece sofrer. Um bicho tão confuso e só. Que nasce indefeso e manhoso, vira uma criança sapeca, depois um adulto tão ápto (feliz ou triste) e que, mais tarde, envelhece e enfraquece, até ser reabsorvido por esse mistério infinito que é o mundo, num fenômeno inevitável que chamamos de morte.

Me pego pensando na razão de se viver. Me pego tentando mensurar o valor da nossa vida e das coisas todas nas quais nós a dedicamos. Será razoável? Será pertinente? Será vaidade? Porque, as vezes, um sonho me parece tão real. E o real, as vezes, me parece tão sonho.

A introspecção me deglute. Depois me cospe de volta ao mundo, num perceber súbito, num insight, embebido em consciência, em percepção: _ Sou um corpo vivo.

E vida não se desperdiça. Vida não se deveria desperdiçar.

Por que a humanidade teria se perpetuado tantos séculos no mundo, evoluindo e evoluindo, aprendendo e construindo, conhecendo e dividindo tanto? Nesse exato instante, eu sou um dos mais atualizados exemplares da espécie humana, chegando ao ápice da minha capacidade física e mental, com toda essa potência desbravadora da juventude, quando tudo posso. Possuo uma infinidade de ferramentas gerando uma infinidade de possibilidades. Tudo aqui é potência, tudo aqui é poder!

E o que eu sou? E o que eu faço?

E o que eu significo para a História da Existência? Qual a minha relevância? Qual a minha intenção? Qual a minha finalidade? E o que eu significo para as pessoas...? Na minha própria visão, elas não são tudo? Qual a parte que me cabe...?

[...]

Qual quem pede a um deus, deito e rezo:"Ai... faz-me enxergar, Essência do Universo."

Um comentário:

B. disse...

haha vc respondeu o meu comentário. q bom q gostou, foi mto sincero da minha parte.

a maioria das coisas q vc escreve faz sentido p mim, ou se encaixa em alguma situação... minha.

"Sabe, tenho tanto apreço pelo ser humano... Ele não merece sofrer."

é, eu acertei na definição.