Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Movimento Estudantil, DCE-UNAMA e Boicote da Taxa de Estacionamento

Ser universitário não se limita ao comparecimento em sala de aula, cheio de livros em mãos, para apreensão de conteúdos de cunho puramente academicistas. A universidade é um ambiente de múltiplas espécies de formação (histórico-social, político-econômica, artística e cultural, científica, humana...). E a prática das atividades de nossa profissão devem sempre estar associadas a participação social, porque é aí que estamos tendo uma formação plena, no que tange a agentes sociais críticos e ativos que a universidade deve gerar em prol da evolução da sociedade. O movimento estudantil, indiscutivelmente, é parte da formulação de uma educação cidadã, posto que nele reconhecemos melhor determinadas esferas da nossa responsabilidade enquanto indivíduos integrantes da dinâmica da realidade meio ao cenário sócio-político, promovendo integração entre as pessoas e troca de análises multidisciplinares que serão ponto de partida para melhorias e transformações no mundo. O movimento estudantil é um dos passos fundamentais para a formação do agente social, o movimento estudantil é uma das formas de participação popular no seio social. Viver tão somente num plano ideal, abstrato, não tem utilidade se isso não fomenta ou gera concomitantemente um positivo efeito prático, sólido, real.

O DCE-UNAMA é referência nacional no que tange a mobilização estudantil nas instituições privadas, assim como referência em todo o Norte em participação junto a outros âmbitos sociais e suas reinvidicações (professores, rodoviários e outras categorias trabalhadoras). Eles combatem o reajuste de mensalidades que crescem há 15 anos acima do índice da inflação na instituição (e diga-se de passagem: salário de trabalhador nenhum aumenta nessas proporções, o que gera, inclusive, um grande número de desistência de estudantes - eu mesmo, testemunha ocular, tive vários colegas, amigões, que vi obrigados a abandonar o curso justamente porque fica cada vez mais difícil de arcar com as mensalidades), combatem as taxas que a universidade cobra para a prestação de serviços que deveriam ser gratuitos (um exemplo de vitória do DCE-UNAMA foi a retirada da taxa de prova substitutivas, que era de 10 reais por disciplina - ora, veja só, você era obrigado a pagar pra ter a possibilidade de aumentar a sua média. Imagine se cada aluno da instituição fizesse 2 provas substitutivas, cada um pagando esse preço, de quanto seriam os lucros semestralmente?), a taxa de estacionamento, a taxa na biblioteca, taxa de retirada de segunda via de carteirinhas estudantis e etc, combatem também o descaso da reitoria quanto as necessidades da universidade no que concerne a infraestrutura em geral (necessidade de um restaurante universitário, melhoria nos laboratórios, atualização dos livros da biblioteca...) e o ínfimo investimento em pesquisa e extensão, que são exigências legais da condição de universidade. Pr'além dos muros da universidade, o DCE adota posturas críticas quanto a problemas de cunho político, sócio-econômico e cultural, promovendo atividades que visam uma didática que transcenda a educação dentro das salas de aula ou do entendimento puramente academicista, estabelecendo diálogos do estudante/cidadão com a realidade social e suas problemáticas, através de eventos culturais, palestras, mobilizações em aberto e exercendo uma grande receptividade para o contato dos estudantes com os seus membros coordenadores. Isso faz com que o DCE seja criação do corpo estudantil, legitimamente, acatando as críticas, ouvindo as demandas, passando em sala e conversando com os estudantes que vivem a realidade da universidade odiernamente, para que haja a possibilidade de construção de uma educação de qualidade sem agressões e assassinatos (frutos de concepções mercadológicas) sobre o nosso direito ao ensino digno.

Boicote a Taxa de Estacionamento?
Hoje ocorreu uma mobilização que ocupou as guaritas do estacionamento da universidade de modo amistoso e tranquilo, com diálogo e clareza. Todos os estudantes que vão de carro para a Unama da BR puderam entrar de graça, à partir das 18:30, quando os membros do DCE e outros estudantes se uniram com apitos, uma grande faixa, um bocado de adesivos, um microfone e um carro-som, dos quais fizeram uso para o protesto contra os aumento da taxa e para repúdio da proposta de aumento exorbitante prevista para o próximo semestre. A resposta dos estudantes frente a atitude do DCE foi de unânime concordância quando os grupos passaram em sala para a avaliação conjunta, o que demonstra a completa legitimidade da insatisfação e da postura combativa adotada. A reitoria não se manifestou, ficou em silêncio mais uma vez. Isso quer dizer que a mobilização deve continuar denunciando e convocando o corpo estudantil para a mudança deste quadro. Participar, nesse sentido, é também um meio de exercer nossa responsabilidade solidária num plano material - o que realmente importa.

Afinal, do que adianta reclamar, reclamar e reclamar,
se na hora H, ninguém tiver queixo de participar da mobilização
das realidades que tanto incomodam?

O que importa é ajudar na mobilização, participando dela.
(parabenizo o DCE e os estudantes que estiveram juntos no boicote)

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