Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pesquisas Duvidosas, "Votos Que Se Perdem" e Debate Presidencial da Rede TV

Vou dividir em duas partes o post de hoje.
Na primeira, as considerações gerais sobre os temas do título, enquanto que,
na segunda parte, disponibilizo o debate hospedado no youtube.

Ontem, foi realizado mais um debate entre os presidenciáveis de 2010. Estavam presentes apenas quatro canditados, constatação da brutal situação de desigualdade das eleições desse ano. Os candidatos presentes foram Plínio de Arruda, José Serra, Marina Silva e Dilma Rousseff (que compareceu neste debate depois das seguidas ausências em dois outros debates realizados, respectivamente, pela Rede Vida, que transmitiu conjuntamente com outras Rádios e TVs Católicas, e pela TV Estadão em conjunto com a Gazeta).

O comparecimento de Dilma Rousseff gera automaticamente uma grande mudança na dinâmica das discussões, tornando-a alvo constante das críticas e questões dos demais candidatos. Natural, dada sua condição de sucessora petista e a situação que figura nas estatísticas abundantemente adotadas pelas comunicações de massa sobre as tais "intenções de voto". Inclusive, tenho que declarar o meu repúdio quanto a esse assunto das estatísticas apresentadas odiernamente nos meios de comunicação.

Primeiramente, devo até frizar o meu entendimento sobre o caráter manipulador dos meios de comunicação, seja pela omissão ou pela atuação ativa sobre a deformação das informações que devem ser repassadas a população.

No seminário de Direito Eleitoral que participei mês passado, esse assunto das estatísticas até foi um dos pontos interessantes que foram tratados. De acordo com o entendimento do palestrante, existe um mal costume por parte dos eleitores de tomar como guia pro seu voto a situação dos candidatos nas estatísticas, com a idéia de "temer perder seu voto". Idéias como: "Ah, não vou votar no fulano, mesmo preferindo definitivamente as suas propostas, porque ele está baixo nas pesquisas e não vai ganhar", "Eu voto pra vencer" e coisas do gênero. Existe uma tendência por parte de grande parte do eleitorado de votar em quem está na liderança, seguir a maioria numa imensa corrente de Maria-vai-com-as-outras. Temos que ter claro em mente que a única estatística realmente confiável só aparece DEPOIS das eleições, que é a constatação do resultado REAL, e não das espaculações anteriores.

Essa impressão de perda de voto e essa postura de votar no que está na frente, só por estar na frente, está completamente errada. É uma grande tolice. Porque o que tem que servir de guia pro voto do cidadão não é uma pesquisa feita com não sabe-se que número de pessoas, uma pesquisa que não sabe-se com que pessoas foi feita, uma pesquisa que não sabe-se em que região foi realizada, uma pesquisa da qual não sabe-se a confiabilidade da coordenação elaboradora e executora. Claro que existem pesquisas e pesquisas, umas razoavelmente confiáveis outras completamente fajutas - a questão é que pesquisas não são cabais e nem carregam em si explicitamente as questões mais importantes para a verificação de sua utilidade, pois pesquisas são completamente interpretativas sobre análise de âmbitos regionais, métodológicos na abordagem das pessoas, os locais onde foram executados, o público alvo submetido a pesquisa, envolvendo aspectos como idade, formação, tendência política e etc. Inclusive, sobre esse assunto, na universidade, uma das leituras que foram indicadas aos estudantes, na aula de Metodologia Científica, foi deste livro aqui, que fala sobre a manipulação de dados de pesquisa em favor de interesses políticos e de empresas privadas [livros mais específicos voltados pra interesses eleitoreiros com certeza absoluta existem, vou procurar - depois coloco aqui].

Grande detalhe: Voto NÃO SE PERDE! Votar expressa a sua aceitação quanto a certo candidato e, implicitamente, a sua negação em relação aos demais candidatos não votados por você. Quando você vota em determinado candidato, você automaticamente vota no partido dele e demonstra a sua concordância com o método que o partido aplica ou quer aplicar na sociedade. Portanto, se você não gosta da Dilma e acha que votar no Serra, que você também não gosta, vai ajudar a dificultar as coisas pra Dilma, você acaba fazendo um mal negócio também: vai votar em quem você não gosta, de qualquer forma. Então, se você prefere determinadas propostas, você TEM que votar nelas, pra que elas ganhem força e espaço, e por mais que não vençam logo agora nessa eleição elas se tornam mais capazes de vencer a próxima. Não importa se o partido é pequeno, porque quando você vota em um partido pequeno, o seu voto ajuda ele a crescer e ganhar representatividade. Seu voto serve sempre, ele não se perde, ele tem uma função que vai ser exercida, de um jeito ou de outro, contra ou a seu favor. Se um candidato que você não gosta vence, você acha bonito ter ajudado isso a acontecer? Os únicos votos perdidos são os nulos, e isso é jogar no lixo um direito conseguido com sangue de pessoas que lutaram muito pra que você o tivesse!

O que deve guiar o voto?
Como já disse, o voto não "se perde" quando você vota em alguém que não ganha. O voto vai expressar a sua concordância com a pessoa e com o partido no qual você votou. E isso é muito importante, as eleições são extamente isso: o eleitorado dizendo com quem está concordando, dentre os candidatos colocados. E é isso que deve guiar seu voto. O histórico do candidato, o histórico do partido, os prós que ele carrega em favor da sociedade que você quer, a respeitabilidade, idoneidade de sua carreira e sua atuação política, essas coisas que devem guiar o nosso voto! O voto deve ser dado por confiança e com consciência. Não deve ser dado por um favor, por um valor em dinheiro ou outras espécies de pagamentos, formas de compra. Vender voto é vender sua opinião, e fazê-lo é transformar-se num produto comprável, num objeto, algo sem vontade própria, coisificar-se e renunciar a um dos poucos meios de participação que essa sociedade doentia te possibilita pacificamente...

DEBATE PRESIDENCIAL DA REDE TV
com Plínio de Arruda (PSOL), Dilma Rousseff (PT), José Serra (PMDB) e Marina Silva (PV)













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