De Eduardo Rodrigues, militante do PSOL-PA
![]() |
| Totalmente ridículo, o futuro ex-presidente |
O contagioso fenômeno político que levou o nome dos Bolsonaros agora está em decadência aberta. Desmoralizado, derretendo e se decompondo bem diante de nossos olhos, crescentes alas da direita vão assumindo a deposição de seu Messias após a crescente indignação social passar por cima até da esquerda política, que estava tão imóvel até alguns dias atrás. Já são mais de 20 pedidos de impedimento contra Jair Bolsonaro, algumas denúncias no STF por crimes graves e uma imparável turbulência vinda de todos os lados, desde a oposição social com panelaços pelas janelas do país até sua base institucional no Congresso.
Diferentes partidos da direita e da esquerda já se posicionaram pela renuncia, impeachment e/ou derrubada do governo, seja pelo STF ou não. Os conflitos com os governadores e demais líderes partidários se agravou profundamente em face das posições suicidas na crise do coronavírus. A falta de testgem massiva da covid19, maquiando os dados sobre a pandemia, a política de não garantia de um verdadeiro lock down no país e a forma de minimizar tudo como "gripezinha" e "resfriadinho" piorou todos os problemas do governo e levou o Brasil ao "limite da barbárie" como diz o prefeito de Manaus - onde os cadáveres são enterrados em vala comum aberta com escavadeira há uma semana. Seja PSL, FHC, Ciro Gomes ou PT (em conflito com Lula), há crescente convergência pela queda do presidente. Cresce a agitação da consigna do "Fora Bolsonaro e Mourão" de socialistas do PSOL, PSTU e PCB que não querem trocar o ex-capitão burguês por um general burguês que vai dar continuidade ao projeto guedista.
Estamos revendo - só que de uma forma mais dramática, profunda e odienta - aquela crise política vivida pelo petismo no pré-Impeachment de Dilma Rousseff. A perda de base de apoio, os abandonos de aliados e movimentação em rumo à derrubada. Dessa vez é a ala populista da direita capitalista que está vivendo a crise que já viveu os populistas da esquerda capitalista. É muito importante dizer, inclusive, que o bolsonarismo não passa de uma espécie de "doppelganger" do lulismo, só um reflexo odioso que se impôs ao Brasil como desdobramento da frustração e da rejeição. O propulsor "antiPT" foi conquistado por Bolsonaro e agora o propulsor "antiBolsonaro" está em disputa. Na crise petista a falta de uma alternativa capaz de criticar com força os anos do PT e todo o resto, levou Bolsonaro a aparecer como o "novo" e "antissistêmico" que iria "mudar tudo isso daí" e, no final, mudou tudo pra pior. Mas a morte agora do bolsonarismo é uma nova oportunidade, como foi uma oportunidade perdida a crise do lulopetismo. Pois o sistema capitalista é o mesmo ao longo de todos os governos que a burguesia brasileira dirigiu com acordos com Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro e não irá mudar apenas com um novo presidente e sim com a mudança sistêmica.
Há um perigo de outra repetição piorada, a "manobra Temer" da burguesia
Se a direita derrubou o desgastado governo Dilma Rousseff após aplicar vários ajustes antipopulares, botou Michel Temer para acelerar o mesmo projeto. Isso aconteceu porque a esquerda se negou a ir até às últimas consequências do "Fora Temer", o deixou assumir e governar até o fim do mandato. O resultado foi a burguesia avançando de novo e colocando Jair Bolsonaro no comando. Ou seja, sempre a burguesia avança quando vê chances. E agora com a possível queda de Jair Bolsonaro, a possibilidade mais evidente vista pela burguesia é colocar Mourão pra avançar ainda mais no plano burguês no Brasil. Vai prometer estabilidade, satisfazer parte da indignação social e tocar o barco das contrarreformas antipopulares após já ter sacrificado a vida de milhares de trabalhadores. E se a esquerda do capitali (PT, PCdoB, PDT...) só ficar no "Fora Bolsonaro" e deixar Mourão no poder como deixou Michel Temer, estaremos cada vez pior. Ou seja: se correr pro Mourão o bicho pega e se ficar no Bolsonaro o bicho come!
É preciso seguir a linha do "Fora Bolsonaro e Mourão" pra garantir testagem massivo do covid19, garantir o fortalecimento do distanciamento social, dar renda básica aos trabalhadores e necessitados, investir pesado na proteção e saúde do Brasil, pois com eles no poder não poderemos fazer isso! Ainda, agora é a hora de construir uma nova saída política que negue todos esses bichões que até agora só propuseram mais e mais capitalismo ao Brasil. Se o país está sofrendo uma enorme tortura é porque todos esses velhos políticos burgueses passaram 30 anos construindo um país totalmente antidemocrático para a maioria do povo, que não deu a mínima para saúde e educação, ciência, nem saneamento, nada. Todos eles são o partido do sistema capitalista - da direita à esquerda, uns dizem "sim" ao sistema e outros "sim, senhor!" - e nos falta ainda uma alternativa que diga NÃO a essa lógica onde o Mercado é mais importante do que a dignidade e a vida dos trabalhadores, das periferias e dos pobres.
A morte do bolsonarismo agora nos abre de novo a oportunidade de não repetir velhos erros burgueses que prometem "mudar isso daí", sem mudar o sistema econômico e esse regime político, ambos totalmente antidemocráticos contra a população. .

Nenhum comentário:
Postar um comentário