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| Figura: Montagem de Eduardo Rodrigues. |
Nós amazônidas estamos em situação especialmente complicada. O pano de fundo são sistemas de saúde locais precários e já colapsados desde antes da pandemia, evidentes falhas e atentados contra as orientações de distanciamento social, a nula testagem de covid-19 para ampla população e a estação de chuvas. Nesta quinta-feira (23), o Amazonas contou com um salto de 409 novos casos chegando aos 2.888 e 234 óbitos confirmados, uma situação dramática que chama a atenção pelas valas comuns sendo abertas em Manaus, fotos que circularam por todo país. O Pará, com a 3ª maior taxa de crescimento da curva de contágio já está sem capacidade de atender em várias unidades de saúde de Belém - de modo que no dia 05/04 eram 102 casos e dez dias depois já eram 487, e alcançou 1267 casos e 53 óbitos no dia de ontem, com menos de 200 leitos de UTI e já todos ocupados. Estamos apenas no começo do contágio comunitário, com pessoas morrendo em porta de hospitais ou em casa, com trabalhadores da saúde sem EPI's para se protegerem e o IML sem capacidade de fazer a busca dos corpos - demorando até 12 horas para efetuá-las. Pense nas cidades menores, nos ribeirinhos, indígenas e comunidades periféricas mais empobrecidas que há aos montes em nossa região... O pior está por vir. Tudo culpa de décadas de negligência de todos os governos do capital, que só legaram rombos nas terras e nas contas ao invés de construir infraestrutura social aqui.
Essa realidade de colapso ainda nem se deu nos primeiros estados a ter casos e contágio generalizado por coronavírus no Brasil. O que demonstra cabalmente que as condições de garantia de dignidade aos nossos povos do campo, da cidade e da floresta é um quadro grave, de uma Amazônia negligenciada em direitos apesar de super explorada em seus recursos pela federação brasileira. Uma periferia bárbara e subcolônia de um país já periférico, cuja principal frente de expansão econômica desse capitalismo dependente - "o agro é pop" - não possui sequer a capacidade de produzir respiradores, EPI's e máscaras pra sua população em geral, muito menos para nortistas em especial. Se Norte e Nordeste - regiões mais "empobrecidas" - já somam 38,1% dos casos em todo país, então a aceleração é enorme! Mas a diferença qualitativa é que aqui, amazônidas e nordestinos, viveremos uma versão ainda mais cruel e barbarizada da realidade da pandemia que abate a sociedade em crise profunda que é esse país. E esses são parte dos míseros e benevolentes dados do próprio governo federal ( http://covid.saude.gov.br ) que está se negando em absoluto a realizar a massiva testagem necessária para sairmos do escuro, maquiando dados com a opção da ignorância e sabotando a análise científico-política séria!
O governo Bolsonaro-Mourão, com todos os seus ministros lacaios, está aplicando deliberadamente uma linha do "foda-se!" aos trabalhadores, retirando direitos ao mesmo passo que entrega bilhões e bilhões e bilhões aos bancos, ao sistema financeiro e aos patrões, basta ver o R$ 1,2 trilhão aprovado para resguardá-los. O governo central ainda promete quebrar de vez o distanciamento social que até agora estava servindo minimamente para ganhar tempo e reduzir danos. Especialistas já afirmam que o Brasil já tem uma aceleração pior do que da Itália e deve ser uma tragédia, caso se recue ainda mais no pouco feito. Nós, mais que ninguém no resto do país, precisamos nos revoltar! #ForaBolsonaroEMourão #GrevesPelaVida #PararONãoEssencial #FicaEmCasa #LockOutDeVerdade #VidaAcimaDoLucro #Amazônia #Amazônidas #Covid19 #Coronavírus

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