Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ato de Izquierda Socialista no FIT. Lotamos Atlanta!

Ato de Izquierda Socialista no FIT. Lotamos Atlanta!
Neste sábado as instalações do clube Atlanta da Capital estavam lotadas de lutadores, dirigentes do sindicalismo combativo e os deputados e referências nacionais de "Izquierda Socialista" e da Frente de Esquerda.

Se destacou a presença de uma delegação do SEOM de Jujuy liderada por "Perro" Santillán, que fez uma saudação ao ato. Uma importante coluna de ferroviários de Bordó nacional liderada por "Pollo" Sobrero, Edgardo Reynoso e a delegada e deputada eleita pela província de Buenos Aires, Mónica Schlotthauer. E de militantes de Sutebas, entre outros.

Fez saudação Jorge Adaro, o secretário-geral da Ademys, que acabou de ganhar esse sindicato de professores da capital junto à Multicolor. E estiveram presentes também Laura Marrone, atual diretora de Ademys e legisladora eleita para compartilhar o cargo na legislatura na cidade com Marcelo Ramal (PO). Marcela Almeida, advinda do INDEC, que está lutando por sua reintegração. E Paulo Almeida, máximo dirigente da junta interna do Ministério da Economia da Nação que acaba de ser ganha recentemente. Houve um grande aplauso ao cumprimento de nossa dirigente de Izquierda Socialista e deputada eleita em Neuquén, Angelica Lagunas, que assumirá o assento do FIT na próxima quinta-feira, dia 12.

Néstor Pitrola, deputado nacional do FIT em exercício, tomou a palavra em nome do Partido Obrero. Assim também o fez Christian Castillo, do PTS e deputado pela província de Buenos Aires.

Babá, ex deputado federal pela CST-PSOL.
"Babá", o ex-deputado federal do Brasil, deu saudações em nome do nosso partido irmão no Brasil, a Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST/PSOL).

Como oradores, também fizeram uso da palavra o combativo dirigente ferroviário e de nosso partido, Rubén "Pollo" Sobrero. Liliana Olivero, a quem mediante fraude roubaram o quarto acento nacional que conquistou a Frente de Esquerda em outubro. E Juan Carlos Giordano, em nome da direção nacional do Izquierda Socialista e deputado eleito que compartilhará o acento rotativo que hoje exerce Pitrola.


Estiveram presentes e foram mencionados personalidades como Juan Carlos Coral, candidato presidencial pelo PST na década de 70 (entre outros companheiros de ampla trajetória no socialismo revolucionário). E enviaram saudações fraternas nossos partidos irmãos de Venezuela, Bolívia, e Lucha Internacionalista da Espanha com quem a UIT-CI vem construindo relações para unir os revolucionários e pela reconstrução da Quarta Internacional.

O evento foi um grande passo no caminho para fortalecer uma alternativa política dos trabalhadores e da esquerda. Onde se chamou a fortalecer a unidade do FIT para enfrentar o maior ajuste nacional e provincial, o sindicalismo combativo e por uma nova direção política e sindical para o movimento operário.

No final se cantou "A Internacional". E as centenas de companheiras e companheiros presentes da Capital, província de Buenos Aires, La Plata e uma delegação de Rosario-Santa Fe, concluímos que tínhamos dado um importante passo: em celebrar a grande conquista eleitoral da FIT e em assumir juntos os desafios futuros. Saudamos a todos os que estiveram presentes e contribuíram para construir este importante evento!


Cristian Castilho (PTS) e Nestor Pitrola (PO) saudam o ato.

Os dois deputados eleitos Juan Carlos Giordiano e Liliana Olivero.
Rubén "Pollo" Sobrero e Carlos "Perro" Santillán, o sindicalismo combativo presente!
Jose Adaro secretário-geral de Ademys e Babá, ex deputado da CST-PSOL do Brasil.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Morre Nelson Mandela: reflexão sobre os apartheids

Grande história de lutas contra o apartheid na África do Sul

Luta do povo sul-africano contra o regime rascista.
Neste dia 5 de dezembro de 2013 morreu uma das maiores lideranças da África do Sul: Nelson Mandela, advogado e defensor de direitos humanos. Uma onda de solidariedade e tristeza atinge seu país e todo o mundo, uma vez que realmente foi um dos mais expressivos líderes do CNA (Congresso Nacional Africano), organização que encampara a luta contra o regime do apartheid oficializado no seu país em 1948 - um regime fascista comparável ao sionismo de Israel hoje ou mesmo de Hitler.

A longa luta desenvolvida contra o regime racista produziu grandes e históricas revoltas, como as dos estudantes de Soweto de 1976 e 1990, que culminou na vitória de uma poderosa revolução democrática no país. Em sua juventude Mandela foi uma liderança radical no CNA que combatia setores mais recuados e conciliatórios - como os estalinistas do Partido Comunista. Nos anos 60 começou a luta de autodefesa armada, sendo capturado e mantido preso por 27 anos. Foi então que o CNA ganhou proporções e influência de massas, organizando a luta contra o apartheid e encurralando a burguesia segregacionista branca e conduzindo ao fim do regime em 1994. Diante de tudo isso, torna-se impossível não nos comovermos com a morte de Nelson Mandela e seu histórico de luta contra o regime que vigorava até recentemente. Mas achamos oportuno e fundamental dizer que sua resistência política só foi possível pois não se tratava da luta de um homem só, mas sim da luta de todo um povo oprimido pelo imperialismo e seus colonizadores brancos.

Nelson Mandel, o CNA e as negociações com o imperialismo

Antes da eleição de 94: Nelson Mandela e Bill Clinton.
Para além do carisma e de seu passado de luta. É preciso compreender também que, infelizmente, Mandela e o próprio CNA terminaram por pactuar com a elite branca e o imperialismo. No contexto do final dos anos 80 e início dos anos 90, o país havia sido expulso da ONU, descartado dos Jogos Olímpicos e atravessava uma profunda crise econômica. Enquanto cresciam as intensas mobilizações dos negros e colocavam em risco a estabilidade do regime capitalista. Foi quando o CNA iniciou negociações com o regime racista do apartheid, sob apreciação do imperialismo, para libertar Mandela e elaborar um processo de transição que mantivesse o status quo. Instalando um acordo dentro dos limites da democracia burguesa, para terminar o apartheid e manter a propriedade de importante parcela dos meios de produção do país nas mãos da burguesia branca, com um governo de transição onde participaram o CNA e Mandela. Depois, realizando as primeira eleições inter-raciais que deram o poder à Mandela em 1994. Um meio de colocar o prestígio de Mandela à serviço da desmobilização das massas e de preservação do status quo ante aos riscos que traziam as grandes mobilizações populares.

Atitudes muito criticadas e que posteriormente levaram a desagregação de segmentos que sempre o apoiaram, como sindicatos de trabalhadores e setores do próprio partido. Winnie Madikizela, ex-mulher de Nelson Mandela, o criticou em 2010 dizendo que decepcionara os negros sul-africanos, desperdiçando uma grande oportunidade, e mantendo-os ainda na pobreza e fazendo os brancos mais ricos. "Ele foi para a prisão como um jovem revolucionário, e olha como saiu", chegou a dizer. Esta contradição foi acumulada uma vez que Mandela manteve para os setores capitalistas, através de seu governo, as expectativas do mercado, com lentas reformas e distribuição de renda, nos marcos do regime burguês, no lugar de uma ruptura total com sistema de exploração e a coletivização da riqueza. Hoje o CNA governa o país com todos os vícios da corrupção, da repressão às greves dos trabalhadores e da pobreza que o sistema do capitalismo mundial impõe à todas as nações pelo globo. Não à Obama, o Presidente do Conselho Europeu, o Papa e toda a imensa mídia mundial e o aparato ideológico do imperialismo mergulha Mandela em elogios. Pois fora útil à seus interesses da manutenção do apartheid neoliberal.

No Brasil o racismo se expressa mesclando opressão e exclusão social.

Ecoava nas Jornadas de Junho: "Cadê o Amarildo?!?"
E veremos tão logo diversos líderes mundiais - muitos dos quais elitistas e autocratas - chorando "lágrimas de crocodilo", relembrando o processo de negociação e da nova África do Sul democrática, pela ocasião da morte de Nelson Mandela. Dentre eles, estará a presidenta Dilma Rousseff, que apesar de também possuir um passado de luta contra a ditadura militar, hoje compõe e representa um governo que não possui moral para falar sinceramente sobre igualdade social e racial, uma vez que no Brasil vigoram índices monstruosos sobre extermínio da juventude negra, da pobreza, marginalização nas favelas e brutalidade policial para a maioria da população de nosso país - negra, trabalhadora e pobre. População que vem saindo às ruas, descendo os morros e saindo das favelas, como nas manifestações de Junho, também protestando contra casos como o do pedreiro Amarildo, torturado e assassinado no Rio de Janeiro, e contra a precarização dos serviços públicos em nosso país. O Governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) que posa de igualitário ao mesmo tempo corta bilhões em verbas da saúde, educação, entrega nosso petróleo à multinacionais, como no caso do Campo de Libra, e despeja moradores das favela para construir suntuosos estádios de futebol em benefício da FIFA e seu projeto elitista de Copa do Mundo! O Governo Dilma também é servil às multinacionais e entrega quase metade de nosso PIB, cerca de 47%, para o mercado financeiro mundial...

É preciso estar ao lado do povo que segue em luta contra o racismo e a pobreza imposta a grande massa de trabalhadores. Compreendemos que é preciso ir além da conciliação burguesa que Lula e Dilma também vem aplicando em nosso país. Pois a luta contra o racismo não é apenas ético e moral, mas parte da luta de classes, é contra o sistema econômico do capitalismo que a todos nos explora. (para ver recente texto de contribuição sobre o tema da situação do negro no Brasil, clique aqui)

Nesses dias, que nós reflitamos e aprendamos com os acertos e erros de Nelson Mandela.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Argentina: Uma eleição histórica da esquerda

Visivelmente, as eleições de 27 de Outubro confirmaram as tendências dos resultados das prévias de Agosto: a) o descalabro eleitoral do governo K; b) o que mais capitaliza, entre a oposição política patronal, é o peronista Sergio Massa; c) a grande eleição da "Frente de Esquerda e dos Trabalhadores" (PO, PTS e Izquierda Socialista).

Neste contexto, para os trabalhadores e lutadores populares, sindicais e estudantis, o mais significativo é que a esquerda fez a melhor eleição da história do país. O resultado do FIT é sem precedentes em sua magnitude. Superou em 30% dos votos conquistados em todo o país em agosto. Se passou de 900.371 votos para 1.182.620 votos. Se conquistaram três deputados nacionais e um quarto acento em Córdoba, de Liliana Olivero, dirigente da Izquierda Socialista, em disputa conta a fraude, e seis ou sete legisladores em distritos. Na primeira apresentação da eleição do FIT em 2004, constatado o crescimento de quase 200%, quando então tinha recebido 512.000 votos.

Isso vai se fortalecer ainda mais nas próximos eleições de novembro em Salta, onde a Frente de Esquerda, ali representado pelo Partido Obrero, repetirá a eleição histórica que já fez conseguindo alcançar um segundo lugar. Nela poderão obter vários legisladores provinciais. O que vai fazer com que em 10 de dezembro, quando assumam os novos mebros, o FIT contar com quatro deputados nacionais, 15 legisladores provinciais, se somarmos os três atuais de Córdoba, Neuquén e Salta, e vários vereadores em Salta e Mendoza.

O triunfo político do FIT é o outro lado do colapso político do peronismo K. Porque ele está mostrando que milhares e milhares de trabalhadores, ou seja, uma setor de massa quebra seu voto tradicional, com o peronismo, em todas as suas variantes, e vai à esquerda com seu. Isso mostra que começam a buscar por uma mudança de fundo no país. Isso é fundamental para o que está por vir.

A confirmação da derrota política do governo e do peronismo governante mostra que entramos no período final do Kirchnerismo. Isso se explica porque já milhões não acreditam em suas mentiras. Porque tornou-se claro que não há nenhum projeto "nacional e popular" ou "redistribuição da riqueza", nem "década vencedora". Mas a continuação de uma política à serviço da Chevron, da Monsanto, da Barrick, do capital financeiro e grandes grupos económicos nacionais (Techint, Roggio, Arcor, entre outros). E, o pagamento da dívida, a inflação e, portanto, a queda dos salários e fos padrões de vida das massas. O governo de Cristina Kirchner tem sido muito fraco, atravessado pela crise econômica que cada vez mais se sentida, a crise política e a crescente crise social. Assim, as perspectivas para 2014 será o aprofundamento desses fatores que se traduzirão na intensificação das lutas do povo trabalhador e da juventude por suas reivindicações.

Isso pode colocar o país novamente em situações como já conhecemos antes, como o Cordobaço de 69, o Rodrigaço de 75 ou o Argentinaço de 2001. Em cada uma dessas grandes crises, o movimento operário e popular não tinha uma direção política e sindical que superasse o âmbito do peronismo e da burocracia sindical. Justamente o salto do FIT apresenta o desafio de dar continuidade nas lutas e nos acontecimentos políticos que temos pela frente, para preparar essa alternativa política dos trabalhadores.

Os resultados do dia 27 também mostraram que ante a crise do governo justicialista K, um setor do peronismo se reorganiza, rompe com o governo para tentar reconstruir uma alternativa política patronal que ofereça uma saída dentro do sistema ante uma nova crise que bate à porta. É claro que Cristina não pode buscar a reeleição e Scioli aparece como um candidato para liderar uma derrota. Então, um Massa e  Frente Renovadora que procurará utilizar a sua contundente vitória na província de Buenos Aires para tentar uma reconstrução de uma nova frente peronista patronal para 2015. Procurarão reconstruir uma vala para que milhões não confluam para a esquerda. Por outro lado, os restos mortais do radicalismo*, divididos em vários setores em conflito (Cobos, Alfonsín, Sanz, Barletta), buscarão liderar uma frente patronal não peronista, com verniz de centro-esquerda, em disputa com Binner, Carrio, Solanas. Mas se trata de um saco de gatos de políticos fra6cassados ​​que vêm do governo de Alfonsín e com a Aliança de De la Rúa. Enquanto a centro-direita de Macri segue sem chegar a ser uma verdadeira alternativa nacional para governar em nome de grandes empregadores.

Todos eles, oficialistas e opositores patronais, vêm para se preparar para as eleições presidenciais de 2015. É o oposto ao que fará a Frente de Esquerda e Izquierda Socialista. O FIT cumprirá com o que se comprometeu e apregoou. Seus parlamentares nacionais e legisladores por distrito chegaram ao Congresso e as legislaturas para ser a voz dos trabalhadores e de todos aqueles que lutam. Dentro e fora das legislaturas a tarefa da Frente de Esquerda, a de seus partidos e militantes, estará em toda a luta do trabalhador, estudantil e popular que se apresente em todos os cantos do país, para buscar unificá-las em uma mobilização nacional pelos salários, trabalho, educação, saúde, pelo não pagamento da dívida, para resolver estes problemas, pela re-nacionalização dos trens e do metrô sob o controle dos trabalhadores e usuários, pelo fora Chevron e Monsanto. Em outras palavras, pelas mudanças substantivas exigidos pelo povo trabalhador e dos jovens.

FONTE: UIT-CI

EUA: Socialismo, com uma militante trotskista, entra na Câmara da cidade de Seattle pela primeira vez em um século.

A nova vereadora Kshama Sawant.
17 de novembro de 2013

"O capitalismo falhou aos 99%". Com slogans como estes, Kshama Sawant, imigrante indiana, de 41 anos, será a primeira prefeita socialista e trotskista de Seattle na história moderna, depois de desbancar numa eleição apertada o democrata Richard Conlin, que ocupava há 16 anos o cargo. Ela provém da corrente trotkista do Comitê por uma Internacional Operária (CIT/CWI), que conta com uma forte presença nas eleições locais na Escócia, através do Partido Socialista.

A vitória de Sawant, que foi membro ativa no movimento Occupy Wall Street, surpreende em um país onde a palavra socialismo tem sido tradicionalmente vista com uma mistura de medo e desprezo.

Algo que mudou, pelo menos na maior cidade do estado de Washington, depois destas eleições. "Eu não acho que o socialismo dê medo a maior parte do povo de Seattle", admitiu Conlin, que foi sustentado pelo establishment político da cidade, como relatado no Huffington Post.

A candidata era praticamente uma novata, já que tinha apenas disputado em uma campanha do ano anterior, mas com o passar dos dias, a recontagem tem mostrado uma vantagem cada vez maior em seu favor.

Para fazer isso, Sawant impulsionou uma plataforma com forte suporte social, apoiada por dezenas de voluntários, e com as reivindicações básicas: um salário mínimo de US $ 15 por hora, o controle dos preços de aluguel, que não param de subir, e o aumento do imposto sobre os milionários para engordar o sistema público.

Sawant levou, na prática, a voz do movimento dos indignados estadunidenses, Occupy Wall Street, às instituições, denunciando a desigualdade e o desemprego, assim como a poluição e o desenvolvimento insustentável, a brutalidade policial, racismo e reivindicando escolas públicas de qualidade.

Esta ativista veterana também tem perfil no FacebookTwitter e um blog detalha seu programa eleitoral.

FONTE: UIT-CI

Bolívia: É necessário realizar de forma inadiável o XVI Congresso da COB em janeiro

Por: Eliseo Mamani* ( La Protesta )

Se perpetua a direção de Trujillo, como fez Pedro Montes. É inadiável a realização do Congresso!

Em janeiro expira o mandato do atual Comitê Executivo da Central Operária Boliviana. Este CEN da COB, sob comando de Juan Carlos Trujillo, está adiando o cumprimento das resoluções do XV Congresso em Tarija, em seu dever fundamental que é a defesa dos interesses dos trabalhadores. Como é possível que a actual direção encabeçada por Trujillo tente prorrogar-se, como em anos anteriores fez Pedro Montes? Temos que reclamar a inadiável realização do Congresso.

Traição contra a greve de Maio

A grande greve que fizemos em maio deste ano para defender a nossa aposentadoria digna, exigindo mudanças na lei de pensão, foi traída pela direção da COB que suspendeu a greve sem consulta, de forma autocrática, e com base em uma confusa promessa de um governo que discutiria a questão - o que não foi cumprido. Dois meses após a greve, a COB pactuou com o governo aceitar a escala das pensões por ele proposto, que perpetua a miséria de nossas aposentadorias.

Traição contra a luta salarial

Ainda antes da greve, o CE da COB pactuou com o governo, sem consulta aos trabalhadores, aceitar o reajuste salarial de 8% que claramente não recupera o poder de compra que perdemos para a inflação. E ficou pior com os aumentos de preços nos últimos meses, sem que a COB reclame reabrir a discussão salarial. O governo já anunciou um outro aumento miserável de salário de 8% para o próximo ano.

Traição aos Trabalhadores de Huanuni

Durante a greve geral foram iniciados processos penais contra 22 trabalhadores de Huanuni. A COB não fez absolutamente nada na defesa deles. Mais tarde, ante o ataque do governo a Huanuni, com a mentira de que traria perdas, a diretoria da COB não os defendeu. Tornou-se cúmplice da grande campanha do MAS e do governo para demitir a direção do sindicato, liderado por Ronald Colque, extorquindo os trabalhadores de Huanuni dizendo que a mina seria fechada e eles descontariam 80.000 bs cada um por títulos supostamente mal recolhidos. Com essa ameaça conseguiram fazer eleger o traidor Pedro Montes para o sindicato.

Traição ao Partido dos Trabalhadores

Uma das resoluções mais claras do Congresso foi a formação de um Instrumento Político dos Trabalhadores para ser uma oposição contrária ao governo e à direita, e um programa revolucionário para a genuína nacionalização e o verdadeiro socialismo. O CE da COB adiou durante um ano essa convocatória. Finalmente, apenas no início deste ano convocou o Congresso fundacional do Partido de Trabalhadores, que se realizou em Huanuni no 8 de março. No entanto, o CE da COB boicotou e não participou do segundo congresso do PT, realizado em junho, com a honrosa exceção do companheiro Jaime Solares que participou e juntou-se a direção nacional do PT. O CE da COB boicota abertamento ao novo PT. E em nossa Confederação de Professores Rurais o dirigente da COB Adolfo Montoya impôs uma resolução para manter a Confederação "independente" do PT. Quer dizer, do partido que nós criamos.

Faz falta uma nova direção

É preciso fazer um balanço destas traições e eleger um Comitê Executivo da COB, liderada por trabalhadores que não traíram, dos que foram consequentes com a luta, a greve de maio e as suas próprias bases, para recuperar o programa revolucionário da COB e do seu papel na direção dos trabalhadores do país. Entre as tarefas urgentes e imediatas do XVI Congresso estão:

1. Retomar a luta por um aumento geral de salários não menor que 30% que recupere realmente o que perdemos com a inflação e conquiste um crescimento real;
2. Revogar a lei de pensões neoliberal e impor outra lei que contemple uma participação estatal forte para preservar as nossas contribuições, que alcança uma pensão digna e aposentadoria universalizada para todos cujo trabalho gera a riqueza do país;
3. Lutar pela inclusão na lei do trabalho e a sindicalização de todos os trabalhadores no país, que triplicam aos hoje filiados à COB;
4. Impulsionar o Partido dos Trabalhadores, para que trabalhadores urbanos e rurais conquistem poder político. Exigir e lutar por sua imediata legalização eleitoral.

*Ex Sec. Executivo de professores rurais de La Paz, dirigente de Pachakuti e ARP.

Fonte: LaClase