Dia 28 de Agosto, a Marcha das Vadias foi às ruas. Foi denunciar as opressões que recaem sobre as mulheres. Opressões fruto de uma sociedade que as coisifica, que as mercantiliza, que ainda as submete a máximas de códigos de conduta machistas de épocas grotescas, quando elas não tinham direitos e precisavam de um homem que as comprasse para vir a adquirir uma "dignidade" mísera - de ser propriedade do homem.

O tema da marcha não foi meramente sobre a questão de liberdades sexuais, mas de combate a violência em suas inúmeras formas. Diferença de salários, violências domésticas, direito ao seu próprio corpo, discutindo a questão do estupro, a questão do aborto, a questão da falta de políticas públicas de proteção a mulher, de seu direito de estudar e trabalhar, tendo creches para as suas crianças, dentre outras tantas pautas...

O Governo foi denunciado com palavras de ordem como "Esse governo vai muito mal, homem e mulher têm que ter salário igual" e "Governo Dilma, que papelão! Esse governo não combate a opressão!". Afinal, não se pode ignorar os irresponsáveis que tem o Poder de aplicar políticas públicas mas que não o exercem. Temos inclusive de lembrar daquele episódio onde o kit escolar anti-homofobia foi deixado de lado por Dilma, na frustrada tentativa de salvar o ricaço Palloci e ainda garantir um apaziguamento e ganho político com a bancada conservadora dos evangélicos.
Uma mulher na presidência da república que não luta em favor do avanço dos direitos das mulheres...? Vai completamente contra os discursos eleitoreiros e emocionais que foram utilizados para sensibilizar as mulheres e iludí-las de estarem em Dilma representadas.

Em determinado momento, um repórter chegou comigo e perguntou o que eu estava achando de "tudo aquilo". Parecia muito, com aqueles óculos debochados, um daqueles repórteres brincalhões que aparecem unica exclusivamente pelo estigma de Oba-Oba com o qual estão marcados os movimentos feministas e movimentos de defesa de direitos LGBTTs, fruto de uma perseguição editorial e midiática de ataque a esses movimentos sociais. Mas talvez não fosse, então dialoguei.

Aproveitei pra dizer que era importante a mobilização social contra a diferença salarial entre homens e mulheres no Pará e em todo o Brasil, contra os altos índices de violência, que a discussão em torno do aborto deveria ser aprofundada já que tantas mulheres são vítimas de horríveis procedimentos por falta de políticas públicas, etc. Ele ficou meio impressionado e fez uma piada pra quebrar o gelo, perguntando se o meu lado feminino estava aflorado... Respondi que ele estava, e bem indignado. rs...

Ao final da mobilização, uma intervenção cênica interpretou uma situação de abuso sexual e assassinato, onde a personagem agredida e morta clamava à platéia muda "Por que ninguém me ajuda?!" aos prantos, em desespero. E com uma sensação tensa que misturava raiva, impotência e medo... Fiquei angustiado. E é essa angustia, de querer um mundo diferente e vê-lo negado por um mundo cruel, é que move todo e qualquer militante que defenda a Justiça Social, é o sentimento que a todos deixa indignado e dá gás pra que continue lutando... Todos devemos preservar a nossa capacidade de indignação, mas não só isso. É preciso converter isso em ação transformadora, pra que tenhamos a chance de construirmos de fato nosso próprio futuro, ao modo que coletivamente desejamos.

Espero que as várias pessoas que se aproximaram dessa mobilização continuem avançando em favor das diversas demandas sociais, entendendo e ampliando cada vez mais a consciência cidadã, de agente social proativo que devemos ter, espero que passem a lutar também pelos direitos à Educação e Saúde, Saneamento, Transporte, Moradia, Salários dignos e etc. Porque no mundo em que vivemos as opressões são inúmeras, atingindo a homens, mulheres, crianças, jovens e idosos, de diversas maneiras - sofrimentos que se multiplicam ao atravessarem barreiras de classe, atingindo com acentuada dureza às camadas sociais dos trabalhadores, com o desemprego e a pobreza. Na realidade dos explorados e marginalizados por essa sociedade injusta e selvagem).
E devemos ter consciência de que todos precisamos nos ajudar. Todas as lutas devem se unificar, para estarem todas fortalecidas. Afinal de contas, não queremos vitórias pontuais. Queremos a implementação de um novo projeto de sociedade! Com igualdade de fato, não de meras formalidades inúteis! Com respeito, com qualidade de vida, com direitos realmente garantidos e com um amor maior, um amor de humanidade, um amor de arte de Paz, como diria Silvio Rodríguez (música). Então, Vamos À Luta!
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