Sobre este blog:

Isto é uma nesga de liberdade. Campo de batalha, monólogo no palco escuro da noite. Espelho no qual reflito, pro qual sorrio, no qual cuspo, janela através da qual esbravejo ao mundo. Um eco, depósito de fragmentos de desejos, transcrição de alguns trajetos e momentos no tempo. Violino no qual guilhotino as minhas dores, de toda a Humanidade... Espécie de intimidade pública, de arestas aparadas. Movimento multitudinário de resíduos cerebrais, virtuais, multicolores nas ruas deste plano de signos... Ao qual só tenho acesso com um cabo de internet.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comentários: Crise Capitalista, Protestos Mundiais, Repressões e as Mídias. A História irá cobrar de todos nós.

Os grandes protestos e manifestações mundiais da juventude estão marcando o novo período que a globalização atravessa, período este que o estudioso István Mészáros vê pautado num processo que chama de "crise estrutural do capitalismo" (clique aqui para saber mais). É quando esse sistema se encontra com seus próprios limites e declina inevitavelmente, arrastando toda a sua estrutura rumo a uma queda constante que não encontrará mais solução dentro de sua própria lógica sistêmica, caindo na tão mencionada barbárie. Outro texto interessante é este de Luca Morais, "Os números não mentem: a crise é o capitalismo".

Na Grécia, no Chile, na Espanha, na Inglaterra, na Itália, na Palestina, no Egito, na Tunísia e em tantos outras partes do mundo estouram enormes mobilizações sociais que, apesar de carregarem suas peculiaridades regional e política próprias, trazem cada vez mais visível uma relação lógica, de modo que torna-se ignorância pensar que todos estes conflitos estão acontecendo ao mesmo tempo por uma questão de mera coincidência. Mundo afora derrubam-se ditaduras com as novas intifadas, como a derrubada da ditadura de Mubarak, no Egito, fruto de busca por melhorias sócio-econômicas e democráticas. Crescem as revoltas da juventude mundial, com a criação do movimento 15-M, os Indignados e a Spanish Revolution, na Espanha, que também exigem uma evolução da falsa democracia a qual o país é submetido. Assim como as mobilizações estudantis no Chile, por Educação Pública de qualidade e reajustes constitucionais anti-capitalistas, que conta com mobilizações de centenas de milhares de pessoas nas ruas, em protestos pacíficos e organizados - que receberam a solidariedade dos estudantes da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e do Brasil. Na Inglaterra, as rebeliões populares, que surgiram a partir do estopim do assassinato de um jovem negro da periferia, foram recebidas com repressão policial e posterior resposta dos grupos étnicos minoritários, das vítimas da xenofobia e dos habitantes das regiões periféricas que são cada vez mais marginalizados, através dos cortes sociais e a atuação policial...

O mentiroso Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, órgãos de controle internacional à mando dos interesses dos EUA, atuam sistematicamente com políticas globais muito claras (beneficiam aliados e colocam no eixo os demais) exigem "pacotes de austeridade" - que nada mais são do que medidas econômicas pautadas em cortes de verbas das áreas sociais, como saúde e educação, para que haja um repasse internacional de riqueza aos banqueiros na "tentativa" de sanar a atual crise financeira que se aprofunda mundialmente. A dívida dos EUA chega a ultrapassar os 13 trilhões de dólares, uma soma impagável que junta o valor do PIB de diversos países juntos. A bolha imobiliária que estourou em 2007 não foi o início desta crise do capitalismo, foi apenas um de seus efeitos. E a "marolinha" que Lula disse atingir o Brasil já está dando seus sinais, através do corte de 50 bilhões de reais das áreas sociais que Dilma implementou no início de sua atuação presidencial e a retomada das greves nacionais em favor da Educação, que cada vez mais é privatizada, a luta contra o congelamento do salário dos servidores públicos por 10 anos, contra o aumento do tempo de contribuição para o recebimento da aposentadoria, etc... Sem contar todo esse capitalismo que insistem em chamar de "desenvolvimentismo" (texto de Lucas Morais aqui).

A implementação desses pacotes de austeridade consiste basicamente em: redução de salários, adiamento de aposentadorias, aumento dos impostos, corte de uma série de direitos sociais como a Educação e a Saúde pública, que ainda são repassados para serem explorados pela iniciativa privada como mercadoria... Vendem-se direitos da população, de modo que a exploração do trabalho humano são levados à extremos em escala mundial ao mesmo tempo que a contraprestação desse trabalho humano são precarizados. É um repasse da responsabilidade da crise mundial. Os reais culpados por ela repassam a conta para que a classe trabalhadora mundial pague. Trabalhadores estes que não têm culpa alguma por essa depenação capitalista implementada pelas gangues de Wall Street.

No entanto, os povos não sofrem esses ataques calados. E, em escala mundial também, começam a surgir essas respostas contra o tsunami neoliberal que arrebenta com países feito a Irlanda, que simplesmente quebrou. Grande exemplo foi Portugal, palco de várias greves gerais, ou seja, teve o país inteiro estagnado pela classe trabalhadora como forma de protesto aos cortes lá aplicados. Na França aconteceram também diversas paralisações ano passado, com manifestantes tomando as ruas várias vezes em protesto, em diversas localidades.

Faz sempre bem escutar a crítica e poética análise de Eduardo Galeano, famoso escritor uruguaio (escritor de "As Veias abertas da América Latina", que esteve acompanhando algumas das grandes mobilizações juvenis da atualidade:


E apoio é fundamental, umas vez que todas essas embasadas mobilizações sociais são atacadas sistematicamente pela mídia burguesa conservadora pró-capitalistas, que taxam de "vandalismo" e tratam como se fossem caso de polícia e não a expressão de uma necessidade urgente de mudança na política econômica internacional que marginaliza, exclui e gera a desigualdade que produz todos os demais males sociais do nosso mundo.

É notório que a mídia tem um papel fundamental na construção da consciência coletiva, enquanto um dos agente mais dinâmicos e abrangentes da multimídia. Instalada nos lares da quase totalidade das pessoas mundo afora, as redes de TVs com seus conteúdos muitas vezes adquirem um caráter decisivo na formação da visão que os indivíduos têm sobre os acontecimentos do mundo, especialmente quando se trata de povos de baixo nível educacional, como acontece no Brasil. E por mais que o veículo alternativo que é a internet esteja ganhando força gradualmente, ainda atinge uma parcela minoritária da população no nosso país. De modo que a hegemonia da comunicação ainda está nas concessões públicas de rádio e televisão.

Nossa Constituição Federal de 1988 enuncia, em seu Art. 221, que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção
independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística,
conforme percentuais estabelecidos em lei.
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

No entanto, podemos através de inúmeros casos, constatar que a função social das comunicações sociais é completamente desvirtuada pelos interesses predominantes nos grupos empresariais que detém o controle e monopólio dos grandes meios de comunicação. A Globo, por exemplo, possui um histórico muito sombrio de apoio à ditadura militar brasileira, sendo uma das empresas que mais cresceu naquele período e tendo fraudado debates eleitorais, engoliu outras emissoras e até hoje continua servindo à interesses que fogem a finalidade da concessão pública que deve, primariamente, prezar pelo desenvolvimento intelectual, cultural e democrático brasileiro.

Com relação à conjuntura internacional as grandes emissoras, por serem propriedades empresariais, acabam por não fazer o jornalismo analítico necessário, de modo que uma "imparcialidade" nas suas transmissões torna-se impossível. Na TV é usual a construção da antipatia popular em torno dos movimentos sociais que vão contra seus interesses.

Veja a Globo com suas manias, por exemplo:


Primeiramente, o "jornalismo" da Globo tenta associar naturalmente a palavra "protesto" à "saques e depredações"; diz que as Tropas de Choque devem "conter" grupos de "baderneiros"; diz que o "vandalismo" se alastra pela cidade; depois menciona a "incitação de violência pelas redes sociais", que será punida com prisão; e ressalta os "altos índices de criminalidade" nos "bairros de minorias étnicas", mencionando da forma mais aérea possível o desemprego entre os jovens na região, e conclui dizendo que Brixton é "uma das maiores comunidades negras" e ainda faz uma minúsculo apanhado histórico declarando que o local foi "palco de violentos distúrbios envolvendo mais de 5 mil pessoas, em 1981".
Tudo isso, em apenas 1 minuto e 43 segundos...

Neste outro, a Globo News toma um tapa na cara:


O convidado, o sociólogo Silvio Caccia Bava, é logo de cara submetido à uma pergunta totalmente tendenciosa, formulada para a indução do telespectador a ter a visão que a Globo News quer. Eis a canalha pergunta: "O que está acontecendo agora na sua visão é que pessoas e jovens estariam aproveitando o caos para cometerem crimes?" No entanto, Silvio dá um banho de sobriedade analítica e descreve uma série de condições e acontecimentos que explicam a situação em Londres e que a Globo não fez questão alguma de explanar. Mas, como era de se esperar, o jornalismo procura novamente uma forma de desviar o assunto dos fundamentos sociais da questão mencionando timidamente a violência e a participação da juventude. Silvio responde. Então, numa terceira investida, a terceira jornalista diz que estes jovens estão cometendo crimes e que é preciso agir contra esses crimes, então pergunta como um governo e a polícia deve agir diante do "quebra-quebra". E, tcham, Silvio responde novamente com base num raciocínio lógico de que isto tudo consiste num termômetro social que declara o péssimo estado social no qual se vive.
[...]

Atualmente o Chile, aqui na América Latina, é o maior e mais politizado representante desse novo período histórico de lutas, lutas contra essa lógica de mercantilização de tudo que é Direito da Humanidade em função do enriquecimento de poucas pessoas. Vindo de um histórico sangrento da ditadura militar de Augusto Pinochet, o Chile agora demonstra toda sua insatisfação com o legado que a ditadura capitalista deixou à nova geração. Unem-se nas ruas estudantes e professores em favor de uma Educação Pública e de qualidade (lá não existe mais Educação Pública, por consequência da hegemonia da lógica Capitalista de privatização incrustada pela ditadura - aqui uma estudante chilena explica a razão inicial dessa luta cidadã), trabalhadores do cobre que querem a reestatização do minério, entidades de direitos humanos e os partidos de esquerda. Qual foi a resposta do governo para isso? Força policial, canhões d'água, gás lacrimogênio, espancamentos e prisão, mais a utilização de uma lei da época da ditadura de Pinochet que proíbe manifestações que não possuam autorização do governo. Mesmo assim, a luta continuou MAIS FORTE AINDA (clique aqui).

"A desvalorização do mundo humano aumenta
em proporção direta com a valorização do mundo das coisas"
(Karl Marx)

Essas são as garras à mostra do Capitalismo Bestial, o famoso Capitalismo Selvagem, vindo à tona em período de crise internacional alarmante... Da última vez que pesquisei, as prisões de manifestantes já haviam ultrapassado o número de 800 (já devem ultrapassar as mil prisões), lembrando que as mobilizações chegaram a contabilizar mais de 300 mil pessoas, em atos lúdicos e pacíficos, com participação de músicos e artistas, grupos civis articulados, etc. Alguns estudantes chegaram a denunciar a participação de policiais disfarçados infiltrados que procuravam promover violência, para que houvesse uma descaracterização das marchas pacíficas e assim justificarem as prisões arbitrárias - estes infiltrados foram vistos descendo de viaturas policiais para participar dos protestos e causarem estes distúrbios artificiais.

Estão prendendo pessoas para que seja livre o mercado, como diz Eduardo Galeano. Essa é a tão aclamada "liberdade" das democracias burguesas. A Liberdade de pisotear a liberdade alheia, a Liberdade de homens explorarem outros homens a vontade, a Liberdade de arrancarem Direitos Humanos de uma grande maioria populacional em função do direito ao exercício da Liberdade de enriquecer de uns poucos. Liberdade de utilizar-se de repressão policial em cima de manifestações completamente PACÍFICAS, quando estas manifestações forem contra os ineteresses dos poderosos, com apoio dos bancos, das empresas e das comunicações internacionais...

[...]

A TeleSUR, emissora multi-estatal de idealização venezuelana, é uma das poucas emissoras internacionais que se propõe a divulgar essa onda de mobilizações internacionais sem seguir o roteiro conservador de criminalização dos movimentos sociais para a defesa do Capitalismo, senão a única que enxerga nessas mobilizações um direito legítimo de expressar-se:


Vídeo sobre as graves repressões contra os estudantes no Chile (enquanto a Globo declara que os estudantes é que enfrentam os policiais, este vídeo demonstra que são as forças do estado que provocam, enfrentam e tentam impedir a reunião dos estudantes no dia 04/08/11):


Eduardo Galeano também apoiou os estudantes chilenos que lutam pela Educação Pública e teve sua mensagem transmitida algumas vezes pelo canal, como incentivo à luta no país:


É fundamental percebermos a realidade histórica que estamos atravessando, com consciência de que é um momento completamente novo. Aquelas velhas balelas de que a História chegou ao fim no mundo Capitalista e que as grandes transformações e embates sociais são delírios dos saudosistas, das grandes ideologias derrotadas e etc, não passam do discurso que os poderosos querem incutir na mente das pessoas mundo afora. A prova real está tão escrachada e gritante que nem as grandes corporações da comunicação conseguem evitar falar nas mobilizações mundiais, na luta de classes anunciada por Karl Marx (que nunca teve os seus livros tão vendidos quanto agora!). O Socialismo continua tão atual quanto sempre foi diante dessa exploração crescente da classe trabalhadora internacional e cada vez mais é forçado a ser discutido o Socialismo pelos meios de comunicação, pelas revistas e pelas redes sociais (que têm sido um veículo alternativo fundamental para a disseminação de uma consciência crítica de realidade, uma vez que, por exemplo, a TV brasileira é um insulto a nossa inteligência...).

Não é à toa que existe um projeto de ataque à liberdade na internet aqui no Brasil. A internet tem se tornado um aglutinador de críticos do sistema capitalista, divulgação das idéias do Socialismo e espaço de articulação de mobilizações sociais - Por isso a Globo começa a acusar a internet de "incitar a violência" de tempos para cá.

Veja um vídeo sobre o AI-5 Digital, projeto para a limitação da liberdade online:


É completamente diferente você só ter acesso a informações repassadas pelos nossos enormes grupos comunicacionais monopolistas e anti-democráticos como a Globo e Record (que reprimem e criminalizam os movimentos GLBTTs, divulgam posições conservadoras e retrogradas sobre a evolução sócio-econômica, apoiando religiosidade repressiva e promovendo a incitação de violência policial, etc) do que poder acessar a inúmeras redes sociais, grupos de discussão, sites oficiais da sociedade civil organizada, partidos políticos diversos e, inclusive, aos materiais de cunho pessoal da blogosfera onde impera a liberdade de expressão e os fluxos de informações que o professor Sérgio Amadeu muito bem coloca em destaque no vídeo acima. Inclusive, encontrei um exemplo claro aqui de diferença entre o jornalismo de TV limitada pela sua plataforma de drops informacionais manipulados de poucos minutos e a experiência viva de um cidadão indignado.

Veja esse eloquente e impressionante depoimento de um professor de Educação Física indignado que trabalhava naquela região conflitos de Londres:



[...]

Em face de toda essa realidade na qual estamos adentrando, de revoltas populares e luta por direitos e liberdades. Torna-se urgente a necessidade de refortalecimento dos partidos de esquerda numa unidade programática que permita a superação desse distanciamento dos diversos grupos que almejam à uma proposta de justiça social, Socialista. Por exemplo, no Chile, um país muito avançado no campo da consciência política já se visualiza a Frente de Esquerda que prega a unidade nacional, que foi possível assistir nessas últimas eleições reivindicando o aprendizado com Salvador Allende - presidente democraticamente eleito que fora derrubado do poder pela ditadura. Piñera, atual presidente chileno, é o governante com a pior imagem na América Latina, com toda essa postura de truculência com essa histórica mobilização e corre grandes riscos de ser expulso do poder caso não atenda as vontades da população.

Devemos tomar estes exemplos internacionais e fortalecer as lutas Brasil afora, onde as greves estão sendo retomadas, onde existem protestos nas construções do PAC, onde o neoliberalismo avança com o incentivo à privatização dos hospitais universitários e sucateamento das Universidades Públicas, com os ataques ao meio ambiente por meio da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a aprovação do Novo Código Florestal, nesse governo nefasto encabeçado por Dilma, que abdicou de um passo importante na discussão dos direitos GLBTTs em função da corrupção no caso Palloci, seu cortes na Educação, na Saúde e demais áreas sociais. Os ventos que sopram lá foram estão chegando ao Brasil e nós PRECISAMOS tomar o NOSSO lugar na História, porque senão seremos cobrados no futuro pelos que nos sucederão.

"O que você estava fazendo em 2011?
Não ouviu o que o mundo estava gritando?!"
É preciso você se organizar. Tomar partido na luta de classes, percebendo que não existe imparcialidade e que "estar em cima do muro" é ser o peso morto da História que fulmina o ânimo da mudança social. Você deve adentrar em organismos de lutas sociais e ir às ruas vestindo a camisa de uma sociedade mais justa, propagando o sentimento dessa juventude internacionalista que nos serve de exemplo hoje - lutando por democracia real, participação popular nas decisões do governo, melhores salários e o atendimento de todos os nossos direitos, homens e mulheres de todas as etnias e localidades para a construção de um mundo de igualdade. Sejamos todos chilenos, árabes, espanhóis e ingleses, indignados!

Vamos À Luta!

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